05 agosto 2008

Conversas Soltas III - 1.ª parte.

Como de uma conversa entre dois amigos, durante um café numa esplanada antes de jantar, se dá uma grande salgalhada... ou apenas se resolve algo que já há muito deveriam ter tido a coragem de enfrentar...

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Lourenço: ...foi bem escolhida a esplanada! Está um final de tarde incrível... para Maio!
Catarina: Sem dúvida! É para veres como eu sei escolher bem o dia para o nosso jantar!
- Sim, ao tempo que andas para jantar comigo... em vez da Primavera, estava a ver que ia ser no Outuno... no Dia de São Nunca! Ou seja, o de todos os santos a torcerem para o jantar acontecer! Eheheh!
- hihihi! Parvo!
- Pois... andas a adiar um jantar comigo... e eu é que sou o parvo!
- Ah... convencido...
- Tinha que ter um defeito!
- Um não... vários!
- Claro! Uma desgraça nunca vem só...
- Bem... o que é que isso interessa?! Não estamos aqui?! Não vamos jantar a seguir?!
- ...se entretanto não te arrependeres...
- ...a não ser faças por isso!
- Claro... por alguma razão, a culpa haveria de vir para à minha porta!
- É pá! Que melga! Agora percebo, porque é que estás sem namorada! Levaste com os pés, não foi?!
- Ehehe! Não... desta vez foi uma opção minha... Mas também não podes falar muito...
- Ei! Não tem nada a ver...
- Claro, nunca tem nada a ver...
- Claro que não! O João foi fazer um douturamento para Dallas e optamos por terminar a relação... foi de mútuo acordo. É a melhor opção para os dois... afinal ele não virá cá frequentemente... e eu também não posso ir lá...
- Isso para mim só prova que vocês não eram assim tão um para o outro como me querias fazer ver...
- Oh! Não há relações perfeitas...
- Nota-se! Eheheh!
- Eheheh!
- E dá-te por cheia de sorte! Se assim não fosse não estarias aqui comigo, provavelmente!
- Pois não... mas poderíamos estar aqui os quatro...
- Sim... mas pouco provável... Para te ser sincero, sinto-me bem melhor assim... tem-me feito bem estar sozinho... acho que me saíu um peso de cima... E tu? Como tens andado?
- ah... o pior já passou... já lá vão 3 meses, também! Mas por acaso, agora precisava mesmo de um “namorado”...
- ahahahah! Explica-te, porque não estou a entender... para dares uma queca não precisas de um namorado!
- É sempre a mesma coisa! Porque é que a conversa tem de sempre aterrar na cama?!
- Porque de outra forma, sobe-nos à cabeça!
- Não será ao contrário?!
- Eheheheh! Também tens razão!
- Ahahaha... Mas não, palerma... Se bem que não passe de uma palermice de menina do liceu...
- Entende-se, vindo de ti... ainda não fizeste 30 anos sequer...
- És mesmo estúpido!
- Puxa! É a 3.ª vez que me insultas em 5 minutos! Fiz-te algum mal?
- Fazes! Estás sempre a gozar comigo e a fazer trocadilhos com o que eu digo...
- Olha quem fala! Quem é que brincou ainda agora com aquela história da cama?
- Não interessa! Foste tu que começaste! E tu?! Não sentes falta da tua namorada? Ou só das quecas?
- Não... não sinto... já te disse... por vezes sinto falta da amiga... mas o mau estar que se estava a gerar em matéria de sentimentos ia acabar por destruir a amizade, portanto, assim é melhor para ambos... Quanto às quecas sou auto-suficiente!
- Convencido! Mr. Sex Simbol, queres ver?! Martini Man, olha?! Deves meter-te com todas... porco...
- Precipitada e palerma! Se eu fosse assim, gostavas da minha companhia? Eras minha amiga? Estarias aqui agora?
- Claro que não...
- Então porque é que dizes essas coisas? Não sabes que ofendes? Que magoas? Fiz-te uma confissão, que nunca fiz a ninguém... o que eu disse é que trato de me “acalmar” em vez de vir para a rua armado em predador! Já devias conhecer-me o suficiente para saberes, que além do mais, sou criterioso com as pessoas com quem partilho a minha intimidade... se calhar porque sou também um tanto tímido... Olha, se queres saber, chateaste-me com esse comentário, portanto, vamos mudar de assunto... O que é que estavas a dizer há um bocado?... Precisavas de um namorado?... Capricho colegial?! Que história é essa?!
- Sabes, tenho umas colegas de curso irritantes... desde a altura da faculdade que querem competir comigo em tudo: nas notas, nos amigos, no desporto, nos hobbies... às vezes parecia perseguição! Houve uma altura que até assediavam um ex-namorado meu... Sempre a olharem... Sempre com cochichos... Não sei se era inveja ou só estupidez... Vou estar a trabalhar 3 dias de apoio a um torneio de ténis; elas vão lá estar... com os namorados... inscritos no torneio... e eu vou estar sozinha... Como vez, é uma estupidez! Como se estivesse em inferioridade... tipo, passados estes anos, elas estão mais realizadas do que eu... uma estupidez de miúdas!
- Acho que te entendo... é daquelas coisas que não fazem sentido, nem entendemos o porquê do que estamos a sentir... mas estamos!
- É mais ao menos isso... basta chegar lá, não lhes dar confiança, falar com as pessoas que conheço e aproveitar ao máximo o fim-de-semana. Vai ser no Hotel do Caramulo! Conheces? Depois da obras ficou fantástico!
- Conheço... Joguei lá um torneio de squash... tem SPA e tudo! Vai ser um bom fim-de-semana de certeza!
- Também, tinhas logo de jogar squash! Não podia ser ténis?! Mania de ser elitista!
- Eu jogo aquilo que me apetecer! E ténis também...
- Eu sei que tu jogas tudo... e volei, e andebol, e futebol, e rugby, e praticas até coisas que eu nunca ouvi falar... Há algum desporto que não faças?!
- Eu estou a falar a sério... eu jogo ténis, a sério! Jogo torneios com alguma regularidade...
- ...e onde queres chegar com isso?
- Gostava de jogar esse torneio!
- Não podes! É promovido por uma empresa farmaceutica e a inscrição é por convite... é oferta...
- Fácil! Tu inscreves-me... sugeres o meu nome.
- Como assim?
- Da mesma forma que as tuas amigas inscreveram os namorados delas...
- Estou em estado de choque!
- Deve ser da fome! Vamos jantar e falamos sobre isso ao jantar.
- Falámos sobre o quê?
- Sobre juntar o útil ao agradável! Anda daí...
- Não posso...
- Anda lá! Estou a ficar esfomeado!...

Catarina atordoada com toda aquela trapalhada, entrou no carro de Lourenço, que havia estacionado mais perto. Para trás ficava o Douro que corria veloz e a luz amarelada que ilumina a Ribeira e as pontes do Porto. O cenário de fim de dia havia sido encantandor... Não menos encantandora havia sido a forma como Lourenço lidava com ela naquele dia... Apesar da trapalhada em que a conversa havia descambado, havia ali algo de entusiasmante que a surpreendia.
Lourenço parecia uma pessoa ligeiramente diferente do que Catarina estava habituada... em simultâneo, reconhecia que nunca lhe havia dado grande atenção... Ele agia, falava e comportava-se de forma muito segura... como se estivesse em casa e com tudo à mão... Conhecia-o mal... Quando o conhecera na clínica onde trabalha e onde Lourenço recorreu para tratamento de uma ruptura muscular, ela tinha sido a fisioterapeuta que lhe calhara... De facto, Lourenço era admirado por todas as colegas e clientes; era bonito, educado e elegante, tinha um sentido de humor seco, mas muito oportuno, e por inúmeras vezes pôs toda a clínica à gargalhada com os comentários mais simples, mantendo sempre o seu ar sério. Era sem dúvida um gentleman... já se tinha apercebido disso quando havia saído com ele por duas vezes para tomar café. Até a forma como conduzia e o carro que conduzia, só podia ser dele... já para não falar no ar rebelde que impunha quando aparecia de moto. Era um homem imponente, uma presença marcante... daquelas pessoas a quem ninguém fica indiferente... para o bem ou para o mal. Infelizmente, nessa altura, Lourenço nutria um “carinho” especial por ela, que crescia de dia para dia. Catarina, ainda amargurada por uma relação mal terminada, não conseguiu lidar com aquela curiosidade crescente de Lourenço em conhece-la mais e melhor... E optou por se afastar, deixar de retribuir as chamadas ou responder aos sms... Algo que não se orgulhava, mas na altura, não conseguia lidar com a situação de outra forma, ou enfrentar Lourenço... Quando os tratamentos acabaram, deixaram de se ver; em simultâneo, Catarina abandonou o ginásio onde Lourenço jogava squash, e onde por coincidência, Catarina praticava Savat. Descobriram-no por coincidência, numa altura em que Lourenço explicava que praticava Viet Vo Dao desde miúdo.
Passaram-se 2 anos sem se verem ou falarem. Entretanto, Lourenço reapareceu na clínica, vítima de uma tendinite na mão direita. De início, fazia um esforço grande por ignorar Catarina e falava com ela o mínimo possível... Esforço que não durou muito; preferia passar por cima do seu orgulho a ser indelicado com alguém... Especialmente com Catarina, que definitivamente o atraía... por muito que ele não se quisesse envolver... outra vez... Entre muitos jogos de palavras e brincadeiras, acabou por assumir que Catarina lhe era muito especial e deu o seu melhor para conseguir que se encontrassem fora da clínica; o encontro ao final da tarde seguido de um jantar fora perfeito. Definitivamente, iria poder privar com ela descontraidamente durante algumas horas.
A viagem até Matosinhos foi curta e a conversa meramente casuística. Chegados ao restaurante, esperavam-nos um lugar de estacionamento à porta (sorte de campeão) e uma mesa reservada por Lourenço... com um ramo de girassois, as flores favoritas de Catarina.

- És sempre a mesma coisa!... deixas-me corada e sem saber o que dizer...
- Agradecer não te ficava mal!
- Pois... desculpa... obrigada! Não queria ser rude...
- Mas foste... e se queres saber, não foi a primeira vez...
- Como assim?
- Quando te envio flores nos anos e te telefono a dar-te os parabéns, não te fica mal sorrir enquanto falas comigo ao telefone. Afinal, nunca te pedi, nem peço, nada em troca... apenas gosto de ser gentil e retriuir bons momentos a quem me faz sentir bem!
- Se estou ao telefone, que te interessa o sorriso?
- Noto-o! Mas tudo bem! Não quero falar disso... o que faço ou deixo de fazer é a meu belo prazer! Se fosse ao contrário, ia gostar... e se não gostasse diria-o. Portanto, depreendo que gostas... mas não reconheces!
- Porque é que me fazes isto?...
- Para te fazer sentir bem... feliz... especial... acarinhada... Mas se não gostas... tudo bem... afinal há gostos para tudo...
- Não é isso... é que...
- Não quero nem saber! Quando não quiseres a minha atenção é só dizeres... eu prometo que desapareço. Já o fiz uma vez e faço-o novamente sem hesitar desta vez. Portanto, fala-me é do torneio! Fiquei interessado de repente!
- Lourenço...
- Catarina, agora o assunto é o torneio!
- Já não posso falar do que quero?
- Depende se eu também quero falar... Já te concedi várias vezes esse privilégio; podes conceder-mo uma vez? Obrigado! Vamos ao torneio; inscreves-me?
- Como é que queres que te inscreva? Como meu namorado?
- Foste tu que o disseste...
- Mas não há outra forma de o fazer... É muito restrito! Como vou estar em trabalho, posso inscrever uma pessoa... mas não um amigo! Terias de ficar comigo no quarto... Porque com todos os outros inscritos é assim. É um fim-de-semana “social”; a divulgação dos produtos farmaceuticos daquela marca utiliza muito esta estratégia das pessoas mais próximas...
- E a ti até te dava jeito ter um namorado para aferroar as tuas amigas...
- És tão parvo!
- Foste tu que disseste!
- Que não ia gostar de estar sozinha! É diferente de aferroar alguém! Isso é o que elas me querem fazer a mim...
- Ok! E então?! Sirvo ou não sirvo para fazer de teu namorado?...
- Ihihihi!... Serves... Claro que serves... Até para bem mais do que isso...
- Prometo que me porto à altura!
- À altura de namorado, ou de acompanhante que faz de namorado?
- De acompanhante que ninguém vai perceber que não é namorado, e que vai ganhar o torneio! Podes sossegar que eu porto-me bem.
- Eu sei que tu te portas bem... Sei que posso confiar em ti... Não sei é como é que me estou a meter nisto?...
- Porque eu te estou a pedir para me inscreveres num torneio que eu quero muito jogar. E até vai ser divertido passar por teu namorado! Um privilégio para mim!
- ...mas não exageres com a encenação em público!
- E em privado?!
- Aí... menos mal! Ahahahahah!
- Ahahahahah!
- Sugiro um brinde... para comemorar este momento crucial! Eheheh! E para te agradecer o fim de tarde, as flores e o magnífico restaurante que escolheste!
- A tudo isso e muito mais! Vamos escolher o jantar?!
- Vamos a isso! O que sugeres?...

O jantar decorreu animado entre histórias e partilha de vivências. Por momentos, ambos esqueceram o mundo, a vida do dia-a-dia e dreambularam entre sonhos, histórias de férias e planos para um futuro próximo. Lourenço estava encantado, pois finalmente tinha a oportunidade de conhecer uma pessoa que tanta curiosidade lhe suscitava. À medida que conhecia Catarina, mais encantado e envolvido se sentia.
Já Catarina teve a surpresa da vida dela. Aquele homem era tudo o que ela nunca tinha visto... e admirava... não dava pelo tempo passar... e tudo o que não queria era que a noite acabasse.
Quase sozinhos no restaurante, era altura de aterrar e acordar para a realidade. O momento em que o empregado trouxe a conta fez a ruptura temporal; já há algum tempo que não havia uma “discussão”, na qual Lourenço de forma pragmática pôs termo ao assunto: pagou o jantar, porque tinha sido ele a convidar, desafiando Catarina a convidá-lo para outro jantar... Nessa altura poderia pagar!
De regresso ao carro, optaram por passar por um bar e beber algo... não conseguiam ir dormir de barriga cheia! No caminho Catarina voltou ao assunto do torneio:

-...sabes que tens direito a 3 treinos com a Sofia Prazeres?!
- Eia!
- Amanhã confirmo as datas e ligo-te!
- Eheh! Vamos divertir-nos à grande!
- E dou-te o contacto para marcares os treinos. Mas atenção às expectativas!
- A minha única expectativa são as tuas massagens no final dos jogos!
- Ahahaha! E se te calhar outra massagista? Ou um massagista?
- Fácil! Não aceito... exijo a minha fisioterapeuta pessoal! Eheheh!
- Eheheh! Ok! Por aí temos acordo!

Já no bar, conversaram mais uma hora sobre amigos, sitios onde costumam passar tempo de lazer, música, livros, filmes e sobre os desportos que gostam de praticar. Lourenço era um expert em música. Já cansados, saíram e até ao carro de Catarina, fizeram contas às poucas horas que iriam dormir... afinal, no dia seguinte era dia de trabalho!

(continua)

Sérgio



01 agosto 2008

Flutuo...



Até que ponto o melodramático pode ser confortável? Não sei... mas que é fantástico é!

Sérgio

31 julho 2008

26 julho 2008

Quinta da Fonte.

Quando há duas semanas ouvi as notícias sobre os episódios insólitos ocorridos em Loures, outras tantas coisas me ocorreram quanto às causas que levariam a toda aquela onda de violência, selvajaria e vandalismo.
Para vos dizer a verdade, achei que estava a complicar e fiquei calado... nem comentei com ninguém... não fosse estar a ser injusto e elitista ou demagôgo nas minhas conclusões.
Eis que esta semana, um amigo envia-me um email com um excelente artigo de um jornalista da minha maior simpatia e admiração: Mário Crespo. Leiam e comentem... se forem capazes...

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"Limpeza étnica

O homem, jovem, movimentava-se num desespero agitado entre um grupo de mulheres vestidas de negro que ululavam lamentos. "Perdi tudo!" "O que é que perdeu?" perguntou-lhe um repórter. "Entraram-me em casa, espatifaram tudo. Levaram o plasma, o DVD a aparelhagem..."
Esta foi uma das esclarecedoras declarações dos auto desalojados da Quinta da Fonte. A imagem do absurdo em que a assistência social se tornou em Portugal fica clara quando é complementada com as informações do presidente da Câmara de Loures: uma elevadíssima percentagem da população do bairro recebe rendimento de inserção social e paga "quatro ou cinco euros de renda mensal" pelas habitações camarárias.
Dias depois, noutra reportagem outro jovem adulto mostrava a sua casa vandalizada, apontando a sala de onde tinham levado a TV e os DVD. A seguir, transtornadíssimo, ia ao que tinha sido o quarto dos filhos dizendo que "até a TV e a playstation das crianças" lhe tinham roubado.
Neste país, tão cheio de dificuldades para quem tem rendimentos declarados, dinheiro público não pode continuar a ser desviado para sustentar predadores profissionais dos fundos constituídos em boa fé para atender a situações excepcionais de carência. A culpa não é só de quem usufrui desses dinheiros. A principal responsabilidade destes desvios cai sobre os oportunismos políticos que à custa destas bizarras benesses, compraram votos de Norte a Sul. É inexplicável num país de economias domésticas esfrangalhadas por uma Euribor com freio nos dentes que há famílias que pagam "quatro ou cinco Euros de renda" à câmara de Loures e no fim do mês recebem o rendimento social de inserção que, se habilmente requerido por um grupo familiar de cinco ou seis pessoas, atinge quantias muito acima do ordenado mínimo. É inaceitável que estes beneficiários de tudo e mais alguma coisa ainda querem que os seus T2 e T3 a "quatro ou cinco euros mensais" lhes sejam dados em zonas "onde não haja pretos". Não é o sistema em Portugal que marginaliza comunidades. O sistema é que se tem vindo a alhear da realidade e da decência e agora é confrontado por elas em plena rua com manifestações de índole intoleravelmente racista e saraivadas de balas de grande calibre disparadas com impunidade. O país inteiro viu uma dezena de homens armados a fazer fogo na via pública. Não foram detidos embora sejam facilmente identificáveis. Pelo contrário. Do silêncio cúmplice do grupo de marginais sai eloquente uma mensagem de ameaça de contorno criminoso - "ou nos dão uma zona etnicamente limpa ou matamos." A resposta do Estado veio numa patética distribuição de flores a cabecilhas de gangs de traficantes e auto denominados representantes comunitários, entre os sorrisos da resignação embaraçada dos responsáveis autárquicos e do governo civil. Cá fora, no terreno, o único elemento que ainda nos separa da barbárie e da anarquia mantém na Quinta da Fonte uma guarda de 24 horas por dia com metralhadoras e coletes à prova de bala. Provavelmente, enquanto arriscam a vida neste parque temático de incongruências socio-políticas, os defensores do que nos resta de ordem pensam que ganham menos que um desses agregados familiares de profissionais da extorsão e que o ordenado da PSP deste mês de Julho se vai ressentir outra vez da subida da Euribor. "

Já tinham visto as coisas nesta perspectiva? É o que dá terem pena dos coitadinhos em vez de ajudarem quem faz por merecer!

Sérgio

21 julho 2008

If It Be Your Will - Thank You Mr. Cohen For Being Simply The Greatest...

Apesar de já terem passado mais de 36 horas, continuo em extâse...

A partir do momento em que Leonard Cohen entra em palco e diz "Hi! Good Evening! Thank you for coming tonight...", é impossivel não ficar imediatamente estarrecido... Assistir àquele concerto tornou-se um acto de veneração de quase 3 horas.

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As condições não eram nem de perto as adequadas. Estávamos ao ar livre, num parque de estacionamento, mais de 10.000 pessoas. Havia apenas duas barracas para comprar algo que se pudesse comer, 3 para bebidas e uma casa de banho individual... A quantidade de concertos que se sucede no Verão é vergonhosa: obriga o público a fazer escolhas (em Lisboa na mesma noite, Lou Reed; no Porto, a 3.ª noite do Marés Vivas com um cartaz quase tão bom quanto o Optimus Alive); os recintos não têm qualidade; os espectáculos são pouco rentáveis (o que levará á sua extinção...). Durante o resto do ano pouco há... a concentração de eventos em Lisboa é também, e só por si, esmagadora. Tudo indica que os espectáculos de música em Portugal são uma mina, que rapidamente se esgotará...

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Vi passar por mim Durão Barroso, Colin Farell e Tim Robbins. A plateia tinha uma quantidade de estrangeiros impressionante... e sendo dominada por pessoas com mais de 40 anos, de destacar a quantidade de miúdos (menos de 20 anos), que marcaram presença e cantavam as letras com igual desenvoltura ao que sucederia num concerto dos Tokio Hotel ou dos Likin Park. Este é o tipo de concerto que deveria ser assistido numa excelente sala de espectáculos, dando ao cantor o seu melhor ambiente intimista. Nunca esperei ver e sentir o que me foi presenteado... ao fim daquelas modestas palavras, o Passeio Marítimo de Algés (onde decorreu o fantástico Optimus Alive), tinha-se transformado na mais intimista sala de espectáculos, com a figura de Leonard Cohen a impor tal presença, que nos faz sentir insignificantes tal a sua delicadeza, tranquilidade, educação, elegância, serenidade, grandiosidade, e acima de tudo, humildade!

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O espectáculo é em tudo surpreendente. Leonard Cohen é um profissional, um mestre, um Senhor! Não, não me refiro só à arte da música e da poesia; refiro-me à arte de viver! E é isso que impressiona mais... a sua actuação transmite uma quantidade de sensações, sentimentos e emoções... passei o concerto com as lágrimas nos olhos e aquela comichão na ponta do nariz (e em grande esforço para que não fosse perceptível... a sensação permaneceu, quer ontem enquanto contava o que vi ao meu Pai, quer hoje enquanto escrevo...), arrepiado da ponta dos pés à ponta dos cabelos, e a transpirar... apesar da leve brisa que corria e de eu estar apenas de t-shirt.

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A surpresa começa logo com a entrada em palco: entra sozinho, seguido depois da banda, à hora estipulada (21h00 em ponto... esta não me surpreendeu, mas a maioria do recinto ainda mastigava qualquer coisa...), e a primeira coisa que fez, foi cumprimentar o público... Básico, óbvio e lógico... mas porque é que os outros artistas não o fazem? Não conseguem ser humildes? Serão assim tão grandiosos ou importantes?... Ou meramente insignificantes quando comparados com este Grande Senhor?... Fez um intervalo a meio do espectáculo de 20 rigorosos minutos. Vejo muitos concertos, mas só vi isto ser feito uma vez: pelo Bruce Springsteen, em Alvalade, 1993.

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O concerto que assisti é reflexo da música que o Grande Mestre compôs ao longo dos seus 40 anos de carreira: um espectáculo simples em que nada é deixado ao acaso. Tudo é resultado de um esforço de apuramento e aperfeiçoamento. Aqui não há inspirações esporádicas... há um trabalho contínuo de consistência, reflexão e sistematização. Não há espaço para improvisos ocorridos do nada... Tudo é construído, pensado e reflectido com o objectivo final de ficar tão próximo da perfeição quanto possível. O resultado é de tal coerência, que não posso apontar um ou outro tema como pontos altos do concerto... todo o encadeamento é tão interligado, que o espectáculo é um ponto alto de ponta a ponta. Uma constância de grandeza!

A carga emocional foi muito grande e acho que ainda não recuperei o meu descernimento por completo... Temas como Tower of Song, Hallelujah, If It Be Your Will, I'm Your Man, Suzanne, The Future, Bird on a Wire, Sisters of Mercy, Dance Me To The End of Love, So Long Marianne, The Stranger Song... enfim!... causaram um efeito na multidão, ao qual Leonard Cohen agradecia com frases sentidas e respeitosas como "...thank you! You sing so lovelly... you're so kind... thank you for your kind attencion...". Fez agradecimentos o concerto todo... agradeceu por termos vindo até ali, agradeceu os aplausos, os cânticos, as palmas, o país maravilhoso que temos, as pessoas simpáticas e bonitas, o cenário natural incrível onde tudo acontecia, e sentiu-se honrado por vir a um país com uma música e cultura tão bonita e especial como o nosso.

A grandeza deste homem leva a que elogie e agradeça aos excelente músicos que o acompanham, constantemente, ao longo da noite. No seu fato escuro e usando um chapeu escuro também, os gestos suaves e elegantes sucederam uns atrás dos outros. Não tenho dúvida em elegê-lo como a elegância em pessoa. Nunca imaginei existir alguém com uma presenção tão sedutora, tão elegante, tão acolhedora.

Aos 73 anos Leonard Cohen é o Mestre, o Senhor, o Grande, o Exemplo, a Elegância. Não necessários muito momentos para perceber isso na tranquilidade e constância do seu sorriso. Impressiona a sua destreza física; capaz de cantar em "cocaras" vários minutos, ou pular ao longo do placo com supless, elevando-se a mais de 20 cms do solo. A sua voz mantem-se igual ao que sempre conhecemos: plena de charme, envolvente, sedutoramente rouca, meiga em simultâneo e possante quando o pretende.

Convivo com uma sensação de bem-estar única desde Sábado... de bem com a vida... de tranquilidade... Parece que aprendi alguma coisa só em ver um concerto. Tudo corre bem a partir daquela presença... A viagem de regresso ao Porto foi óptima, a companhia excelente (já o tinha sido na ida... já agora, excelente Focus!); fui jogar futebol com algumas horas de sono, mas senti-me lindamente; passei um dia encantador com a família; hoje de manhã fui às Águas de Gaia fazer uma reclamação por me terem cortado a água indevidamente na empresa, com tão boa disposição, que ainda me agradeceram por o ter feito.

Se algum dia se cruzarem com Leonard Cohen, façam-lhe uma vénia de joelhos. É obrigatório! Eu, assim o farei.

Sérgio

16 julho 2008

Leonard Cohen ao vivo em Algés.

Ora aí está um concerto a não perder; nem que fosse pelo facto de dificilmente haver outra hipótese de o voltar a ver.

Foi este o sentimento que me levou a ir ver a Rickie Lee Jones na passada semana, e para vos dizer a verdade... saí um tanto desgosto... A voz tão característica e única está lá, imaculada. A figura é que está um tanto decadente. E nesta caso, fazer piadas com essa decadência não cai muito bem; ou pior ainda, fazer um espectáculo minimalista em que apenas é acompanhada por uma excelente voz e instrumentista (cujo nome não consigo encontrar... penso chamar-se Petra Haden), em nada contribui para que a imagem final seja boa. Falrou lá a banda "toda". Apesar disso, o concerto teve momentos excelentes, ou não fosse a matéria-prima (a música de Rickie Lee Jones), só por si, soberba. Outra coisa cómica, é que esta tournée de Rickie Lee Jones decorre inteiramente nos EUA, com uma excepção: Vila Nova de Famalicão... fica em caminho entre Boston e Detroit!

Mas em relação ao Sr. Cohen, estou certo que vou ver o mestre dos mestres em palco. A sua música não se adequa muito a um espectáculo como o previsto em Algés... ao vivo sim, mas mais intimista.

Lembro-me sempre das palavras de Nick Cave, que afirmava algo mais ao menos assim: saber apreciar a música de Leonard Cohen é, só por si, sinal de que somos uns privilegiados... e esse sentimento torna-nos as pessoas mais cool do mundo...

Ao contrário de muitos músicos, a presença deste senhor e a sua genialidade musical melhora com tempo... amadurece! Vou à espera de encontrar um concerto simples, mas marcante... pela consistência da música e pela imagem do mestre. Tal como referia Bono sobre o mestre Cohen, trata-se de alguém que se movimenta, descontraidamente, em terrenos onde muito poucos de nós, algum dia sonharemos alcançar. Independentemente de quão lata seja a nossa interpretação destas palavras, concordo inteiramente.

A obra de Leonard Cohen tem marcado intensamente o panoráma músical dos últimos 40 anos. É minha percepção que este homem conseguiu um feito único: a intemporalidade. Mais coisas?! Só futuro as dirá...

Sérgio



Give me back my broken night
my mirrored room,
my secret lifeit's lonely here,
there's no one left to torture
Give me absolute control
over every living soul
And lie beside me,
baby,that's an order!

Give me crack and anal sex
Take the only tree that's left
and stuff it up the hole
in your culture
Give me back the Berlin wall
give me Stalin and St Paul
I've seen the future, brother:
it is murder.

Things are going to slide, slide in all directions
Won't be nothing
Nothing you can measure anymore
The blizzard, the blizzard of the world
has crossed the threshold
and it has overturned
the order of the soul
When they said REPENT REPENT
I wonder what they meant
When they said REPENT REPENT
I wonder what they meant
When they said REPENT REPENT
I wonder what they meant.

You don't know me from the wind
you never will, you never did
I'm the little jew
who wrote the Bible
I've seen the nations rise and fall
I've heard their stories, heard them all
but love's the only engine of survival
Your servant here, he has been told
to say it clear, to say it cold:
It's over, it ain't going
any further
And now the wheels of heaven stop
you feel the devil's riding crop
Get ready for the future:
it is murder.

Things are going to slide...

There'll be the breaking of the ancient
western code
Your private life will suddenly explode
There'll be phantoms
There'll be fires on the road
and the white man dancing
You'll see a woman
hanging upside down
her features covered by her fallen gown
and all the lousy little poets
coming round
tryin' to sound like Charlie Manson
and the white man dancin'.

Give me back the Berlin wall
Give me Stalin and St Paul
Give me Christ
or give me Hiroshima
Destroy another fetus now
We don't like children anyhow
I've seen the future, baby:
it is murder.

Things are going to slide...

When they said REPENT REPENT...

(Leonard Cohen - The Future - 1992)

12 julho 2008

Rickie Lee Jones

Depois de um período longo sem escrever por aqui, parece que a inspiração regressou...

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Hoje à noite vou à Casa das Artes de Famalicão, ver e ouvir uma voz que me acompanha desde a infância. Ela mesmo, Rickie Lee Jones! A voz de menina sob a divagação do jazz-pop e do swing.

Já com 54 anos, mantem a mesma voz de minina e melhora a originalidade que sempre a caracterizou. Acompanhei a sua evolução musical desde o 1.º trabalho de 1979. Os ábuns sucedem-se com uma componente melódica invulgar. O ritmo jazz é suave e sincopado. A voz, essa é única e liga as duas componentes anteriores, da forma que só mesmo ela o sabe fazer.

Em 1989 faz um álbum fora de série: flying cowboys. A partir daí deixei de saber dela... Por incrível que pareça, desde então editou 9 álbuns!

Longe vão os tempos em que a sua beleza física encantava tanto quanto a sua voz, mas mesmo assim, é com grande curiosidade que logo vou estar frente a frente com esta respeitável senhora de 54 anos!


Sérgio

30 junho 2008

E Viva à la Espana!!!

Parabéns aos campeões da Europa! Bilhantes! Não perderam um único jogo; não sofreram um único golo! Domínio total!

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O que eu gostei mais de ver foi a vontade de ganhar! A garra! O orgulho profissional; de não permitir que alguém se mostre melhor do que eles! Fernando Torres foi um exemplo disso, para fazer ver a Cristiano Ronaldo o que é determinação e amor à camisola. A Selecção Espanhola deu ainda uma grande lição de humildade na forma como tratou o adversário: analisou para reagir. De elogiar ainda a atitude desta selecção de não ter "complexos" em fazer o aquecimento em frente aos fotógrafos, proporcionando-lhes inúmeras fotografias; e ainda, de acenar e cumprimentar o seu público. Ao contrário de um bando de peneirentos que vestiram as camisolas de Portugal... Desde quando ser sério significa ser profissional?

O que eu gostei menos foi o facto da equipa Espanhola só ter marcado um golo... e terem brincado tanto com a bola em frente à baliza alemã...

Fiquei mesmo feliz! A Espanha foi melhor que a Alemanha e que a equipa de arbitragem, que descaradamente beneficiou (apesar de tudo, o juíz de linha viu bem os foras-de-jogo dos alemães). O imbecil do Ballack devia ter sido expulso; e já agora, alguém me explica o porquê do cartão a Cazillas? Este proteccionismo aos países da Europa Central irrita-me profundamente... Por ironia, os dois últimos campeonatos da Europa e o último mundial foi ganho pelos latinos! Grécia, Itália e Espanha! Eheheh!

Lamento que Portugal tenha desperdiçado o talento de excelentes jogadores e não tenha ganho uma destas competições... Vamos ver se até 2010 aprendemos alguma coisa...

Parabéns à Espanha!

Sérgio

28 junho 2008

A Torcer pela Espanha!

É verdade! Já torci por eles contra a Itália e contra a Rússia. E vou ficar orgulhoso se vencerem a Alemanha.

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Torço sempre pelos latinos (depois de Portugal, torço pela Espanha, Itália e Grécia; os meus favoritos até são os italianos, mas já ganharam muitas vezes!) e contra os países da Europa Central. Aliás, esta UEFA de Platini está na hora de acabar... Enojam-me as panelinhas de Bruxelas e os benefícios centralistas; pior ainda quando chegam ao futebol. E tem-se notado bem neste EURO 2008 as tendências de arbitragem. Alías, este EURO peca pela falta de qualidade da maioria dos árbitros. Pior ainda, e isso não posso admitir, que em pleno Séc. XXI estejamos sujeitos a censura de imagens... exactamente! As imagens nunca mostram os conflitos nas bancadas, ou as jogadas polémicas em termos de árbitragem: quanto muito repetem uma vez, bastante depois do lance ter acontecido (ou no intervalo, como o penalty sobre o Nuno Gomes no jogo contra a Alemanha).

Tive muita pena da Turquia ter sido eliminada. A verdade, é que apesar de ter merecido muito mais ganhar o jogo do que a Alemanha (duas bolas à trave), os Alemães demonstram uma eficácia fora de série... Já com Portugal o mesmo aconteceu... é a eficácia alemã! Há que por os olhos neles e aprender algo. Acima de tudo, tendo a torcer pelos países/equipas menos bafejados pela sorte; aqueles que partem de uma posição de inferioridade porque têm menos curriculum... E hoje em dia, sabemos bem que "o sistema" favorece sempre os mais fortes, pelo que os menos "vencedores" têm ser mais do que melhores para ganharem... há que vencer o adversário e a arbitragem!

Os Portugueses criticam muitos os Espanhois e em muitas coisas até têm razão. O problema é que para criticar é preciso ter mérito primeiro... não adianta dizer que está mal se não sabemos fazer melhor! Independentemente disso, amanhã torço por Espanha! Até porque se ao contrário fosse, gostava que eles torcessem por nós...

Sérgio

p.s.: soube há pouco que o Scolari se esqueceu de declarar algum dinheiro que ganhou em Portugal... um tal banco terá sugerido um off-shore para as importâncias que lhe pagou... vá lá... deixem o homem ir embora! Lá porque perdeu contra a Alemanha, também não é preciso prende-lo!

21 junho 2008

Agora sou adepto da Turquia!

É verdade! Com Portugal de fora do Euro, estou a torcer pelos Turcos! Não têm o melhor futebol, mas são os mais aguerridos!

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Senão reparem: contra a República Checa, marcam dois golos a 10 minutos do fim. Já em tempo suplementar e com 10 jogadores em campo, porque o guarda-redes havia sido expulso, acaba por ter de ir um jogador para a baliza, porque as substituições estavam esgotadas. Mesmo assim, tiveram a garra de lutar contra tudo e contra todos, marcaram mais um golo e passaram aos quartos de final. Contra a Croácia, não foi o facto de sofrerem um golo nos últimos 5 minutos de jogo que os intimidou... marcaram outro logo a seguir! Foram a penalties e tiveram uma postura de campeões! Ganharam!
Só lamento que não nos tenham ganham a nós... concerteza hoje ainda estaríamos em jogo... Não teríamos perdido com a Suiça e a nossa atitude contra a Alemanha teria sido outra... Mas isso já são "ses".

Curioso o facto de ter conversado com o meu Pai, que viu o Portugal-Alemanha em Bruxelas. Entre as opções de ver num canal francês ou num alemão, optou pelo francês, visto que os entende melhor. Os franceses também afirmaram de imediato que o 2.º golo da Alemanha é marcado em fora-de-jogo, que houve um penalty sobre Nuno Gomes (que o realizador só repete uma vez e durante o intervalo...), e que o 3.º golo deveria ter sido anulado por haver uma falta descarada sobre Paulo Ferreira. Acrescentam ainda que não entendem as opções de Scolari... Se aos 20 minutos está a perder 2-0, porque razão não altera a equipa para uma postura declaradamente ofensiva? O que de pior poderia suceder? Perder... Havia que reagir e virar o resultado! Também não entendem a entrada em campo de Helder Postiga, quando tinha Hugo Almeida: jogador literalmente mais à "altura" da equipa alemã e habituado ao tipo de jogo alemão (parece que joga na Alemanha habitualmente...). Por acaso, Postiga até acabou por marcar um golo... um tanto tarde... e fez faltas numa altura em que era muito importante manter a bola no ataque. Aliás, também não se entende a insistência no jogo aéreo, quando o adversário, em média, tem mais 20 cms do que nós... Ainda por cima, não é a forma de jogar habitual na Selecção.

Agora há também que torcer pela Espanha. Itália é um adversário difícil... Há que torcer pelos que mais próximos nos são... Mas se passar Itália, torço por eles contra a Alemanha ou Holanda, ou o que for...

Sérgio

20 junho 2008

Portugal - Vienna via Alemanha não foi boa ideia...

Parece que a derrota com a Suiça foi mais grave do que parecia... Enfim... Nem tanto diria que perdemos; a Alemanha é que ganhou e bem!

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Não culpo nenhum jogador, nem mesmo Scolari... Até acho que jogamos bem e fizemos tudo bem. A Alemanhã é que foi mais eficaz.

Há detalhes de pouco importância, que se calhar todos juntos, acabam por pesar... O árbitro é claro que beneficíou os mais fortes! Tenho bastantes dúvidas se o 2.º golo da Alemanha não é marcado em fora-de-jogo e todas as certezas que no 3.º golo há uma falta: Ballack nunca teria ganho a posição sem empurrar descaradamente Paulo Ferreira. Fico ainda com algumas dúvidas sobre um penalti não assinalado sobre Nuno Gomes...

Scolari não esteve bem. Uma vez que está a perder 2-0 há que alterar significativamente a equipa... perder por mais em nada altera as coisas, mas havia que correr riscos para virar o resultado. Já estivemos a perder 2-0 contra a Inglaterra e viramos para 3-2; a própria Turquia incapaz de nos fazer frente, conseguiu a mesma proeza. Mas Scolari é incapaz de mudar o plano inicialmente estabelecido e os resultados estão à vista... Isto faz com que não vá sentir saudades no futuro... Reconheço que com ele a Selecção conseguiu o melhor de sempre! E graças a ele e ao Euro 2004, os Portugueses tornaram-se mais nacionalistas e patriotas, o que é louvável. Há que agradecer, porque de facto, teve esse mérito! Mas este amargo da derrota, associado à sua incapacidade em reagir e a não ter tido o respeito para com os Portugueses de esperar pelo fim do Euro para comunicar a saída para o Chelsea, fazem com que não tenha pena alguma que vá embora, até porque tudo isto destabiliza. Scolari foi o melhor que tivemos; o que não quer dizer que não possamos ter melhor... mesmo reconhecendo que não é fácil...

Apesar de tudo isto, acho que perdemos por falta de espírito competitivo. Entrámos com medo em campo, com a ideia que não podíamos ganhar e acabamos por mostrar que jogamos melhor, mas a falta de atitude acabou por condicionar o desempenho nos ataques, tornando a sua eficácia nula. E lá diz o ditado: quem não marca, sofre!

Foi um daqueles dias para esquecer: logo de manhã desmarcaram-me uma massagem que me era útil porque estou "magoado"; de tarde a minha moto avariou (e a coisa está feia); e à noite, a Selecção mostrou que é pequena... tal como a mentalidade da maioria dos cidadãos do país que representa. Esta última é a que mais custa engolir... porque todos os dias, muitos de nós, esforçamo-nos por mudar o rumo, a atitude e a mentalidade dos que nos rodeiam e que tanto caracteríza e condiciona o nosso país (que tal como os outros, tem todas as condições para ganhar... em tudo!).

Sérgio

18 junho 2008

Como chegar a Viena sem passar pela Suiça?

Esta era uma frase que uma amiga usava para ironizar a derrota de Portugal com a Suiça... derrota ridícula, porque a Suiça não tem sequer qualidade para rivalizar com as equipas que derrotamos com grande margem de segurança.

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Pessoalmente, o que mais me irrita, é que os suiços não são, nunca foram, e muito possivelmente nunca serão simpáticos com ninguém, muito menos com os emigrantes Portugueses que representam uma fonte de trabalho tão importante na economia deste país. Mais uma vez, estes Portugueses foram humilhados e ridicularizados... e não mereciam... especialmente depois de demonstrarem um acolhimento tão aguerrido à Selecção. Acho que nem em Portugal, a Selecção Portuguesa de Futebol é tão aclamada...

Não culpo o Scolari por mudar a equipa... por mim, mudava os 11 jogadores (especialmente o Ricardo!). Culpo sim a UEFA pela imbecilidade da equipa de arbitragem. Portugal foi prejudicado, e muito, na 1.ª parte. Teve dois foras de jogo falsamente assinalados, um golo válido anulado (o suposto fora de jogo jamais existiu até para um cego!), e muitas faltas para ambas as equipas... Também faltou a sorte a Portugal: duas bolas ao poste...

Já na 2.ª parte, Portugal meteu nojo... não jogou nada, nem mereceu ganhar. O Ricardo frangou mais um golo pelo meio das pernas; aliás, sempre que há um cruzamentos, a insegurança do Ricardo põe a defesa em pânico! Nem sai à bola, nem fica bem colocado... fica em contrapé, e se há um remate, é golo certo; "aquela técnica" de não agarrar a bola, estranhamente, não é usada por mais nenhum guarda-redes de eleição... O penalti contra Portugal é justo. Scolari também não esteve nada bem ao trocar um defesa por um defesa, um médio por um médio, ou um ponta-de-lança por outro... Ou seja, esperou que alguém individualmente fosse capaz de mudar aquilo que os outros onze ainda não haviam conseguido... É um contra-senso com o seu discurso habitual; ou então, é mesmo falta de coragem em arriscar mudanças... o que também não faz sentido quando se está a perder... que diferença faz perder 1-0, ou 2-0?! Há é que inverter o resultado... portanto, mais ataque! A entrada de João Moutinho também não me pareceu nada apropriada: tem pouca experiência na selecção; pouco poder de assumir o jogo; e tem mais de 60 jogos esta época... bem tinha ficado a descansar... Por outro lado, Deco é um excelente "comandante", está em boa forma e precisa de ritmo competitivo porque jogou pouco esta época (um terço de João Moutinho).

Portugal voltou a ser o Portugal de antigamente... amorfo; sem vontade de ganhar e sem garra... Detesto os franceses e estou feliz por serem eliminados, mas aqueles filhos da mãe, mesmo quando estavam a 10 minutos do final e a perderem 3-1 com a Holanda, jogavam como se estivessem empatados 0-0. E a Holanda igual! Acabou mesmo por marcar o 4-1... e que golasso!

Apesar de tudo, acho que esta derrota não faz moça na Selecção... E amanhã, estou certo que vamos substituir no Europeu, as salsichas em lata por um sucolento presunto de bolota!

PORTUGAL! PORTUGAL! PORTUGAL! PORTUGAL! PORTUGAL!

Sérgio

p.s.: recrutem os jogadores certos... sim, os que têm emblemática!

07 junho 2008

Manifestações...

Sempre fui a favor da livre manifestação de ideias, mas quando esta se torna um acto de vandalismo, passo de adepto a opositor.

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A marcha lenta de ontem organizada pelos camionistas no Porto, na minha opinião foi mais um acto de arrogância e cobardia que tão bem caracteriza a classe, que tem na imponencia dos seus camiões, o inverso dos seus cérebros.

Gostava que me explicassem o porquê de prejudicar pessoas (o cidadão comum), que nada tem a ver com os problemas empresariais dos camionistas, e muito menos, poderão contribuir de alguma forma para a resolução de um problema que também os afecta enquanto consumidores finais. É um acto de força cobarde, porque o comum automobilista não pode, pura e simplesmente, abalrroar um pesado (algo que os camionistas não hesitariam em fazer se a manifestação estivesse no lado oposto!). Se são tão poderosos, dirijam-se a Lisboa e bloqueiem as saídas do parlamento! Concerteza desta forma poderão interagir com os interlocutores que têm o poder para alterar as situações alvo de reinvindicação. Ou será que estão com medo das forças políciais?...

É engraçado como este país se movimenta... por corporativismo! Camionistas, pescadores, professores, etc.. Esta semana houve uma manifestação de 200.000 desempregados em Lisboa e nem a comunicação social lhes ligou! Se calhar o desemprego e a subsistência das famílias não é um assunto importante...

Querem causas nobres pelas quais é preciso lutar: lutem pelo fim da fome e da falta de assistência médica nos países desfavorecidos; ou lutem pelo fim do encerramento constante das empresas em Portugal, que lançam centenas de pessoas por dia para o desemprego...

É inadmissível que num mundo onde tantas pessoas morrem à fome, e em que cada vez mais se fala na escassez de recursos, os pescadores por pura manifestação de força, destruam uma tonelada de peixe num dia, e entrem em conflito com outros colegas que não aderiram à sua causa! Mas o que é isto! Não há liberdade de manifestação? Então porque raio é que não há de ser respeitada a vontade de não-manifestação a causas com as quais não concordamos?

Um dos maiores culpados de tudo isto são os próprios meios de comunicação social, pela forma mediática e indiscriminada com que tratam a informação. Só publicam aquilo que outros interesses entendem por importante...

O caso dos professores é outro que tal... porque é que não hão de ser avaliados?! Todos somos... especialmente pelos nossos clientes finais!

Manifestações e liberdade de expressão sim! Agora, prejudicar os outros é que não! Sejam corajosos e enfrentem aqueles que realmente podem alterar aquilo que acham tão importante e primordial.

Sérgio

p.s.: aqui entre nós que ninguém nos ouve... a marcha lenta nem complicou muito o trânsito habitual de sexta-feira ao final da tarde na VCI do Porto, já de si caótico!!!

29 maio 2008

CAT POWER - Coliseu do Porto - 28MAI08.

Concerto fora de série... Chan Marshal tem o supless de um(a) CAT e o POWER de um jaguar. Brutal!

Sérgio

26 maio 2008

Katie Melua.

A primeira vez que ouvi a voz primordiosa de Katie Melua foi na banda sonora de uma telenovela brasileira (não me perguntem qual... não sou cliente desse tipo de sub-produto televisivo!).

katie

Reconheço que a voz e a melodia me tocaram... mas estava eu longe de deslumbrar o que ali de facto se passava, entre as conversas cruzadas ao jantar.

Alguns meses depois, voltei a ouvir o mesmo tema no carro. O tema chama-se “The Closest Thing to Crazy” e na companhia do meu pai, ficamos maravilhados com os arranjos do tema. O meu pai dizia-me que ouvia aquela voz regularmente na dita telenovela, e questionava-me sobre quem era. Eu, na minha ignorância, e só começando naquele momento a reconhecer algo de especial naquela melodia tão envolvente, fiquei de saber quem era.

Passaram-se meses... até que ouvi o disco inteiro num bom sistema de som, enquanto “passava pelas brasas” na borda da piscina, a seguir a um almoço soberbo em casa de uns amigos. Quando cheguei ao Porto fui logo comprar o cd e ofereci-o ao meu pai. Daí a ele ter comprado todos os restantes trabalhos da jovem cantora foi um ápice.

Katie Melua tem qualquer coisa de divino em si... diria até de sobrenatural... algo que a leva para muito perto da perfeição, do belo, da paz, da tranquilidade. O ar, a imagem, a personalidade que Katie Melua nos passa não é só o de uma das mulheres mais bonitas vistas à face da Terra, ou de uma das melhores intérpretes, cantoras, músicas e compositoras.

A música de Katie Melua tem uma congroência fora do comum. Cada nota, cada som, cada tom tem uma razão fundamentada para lá estar naquela forma e naquele momento. Isto só acontece com grandes talentos: George Gerswin ou Leonard Cohen, por exemplo. É claro que esse só atingiram este reconhecimento ao fim de muitos anos de carreira. No entanto, em ambos os casos a formação músical está lá a dar forma ao seu incrível dom e talento, apesar da sua tenra idade.

Katie Melua é natural da Georgia, da cidade Tbilisi (onde passou sérias necessidades durante a sua infância). A sua ascendencia é origem Russa e Canadiana. Com 8 anos, Katie e a sua família refugiaram-se em Belfast fruto da guerra e da agitação política nas últimas décadas da ex-URSS. Daí a estudar na Brit School for Performing Arts foram 5 anos, onde Katie se inscreveu com apenas 13 anos.

Espantoso o facto de imediatamente ter captado a atenção de Mike Batt... sim esse todo! Um dos pesos-pesados da música ligeira nas últimas 3 décadas, especialmente enquanto produtor e compositor de temas para Simon & Garfunkel.

O segundo álbum “piece by piece” é só muito bom; já “call off the search” e “pictures” são no mínimo, excelentes... fora de série mesmo... Não é o tipo de música que se ouça no carro ou enquanto trabalhamos. É preciso um bom sistema de som; é preciso pré-disposição para ouvir e saborear todos os requintes que são apresentados. É preciso ouvir os sentimentos para absorver tudo o que ali é apresentado. Ouvir Katie Melua não chega... é preciso no mínimo sentir... ficar arrepiado a cada 10 segundos é o mínimo se se quer aperceber e deliciar com todos os pormenores sonoros que tão bem ali estão tão bem trabalhados. Desde já aviso que lágrimas estão incluídas nas reacções que estes temas nos provocam sem sequer nos apercebermos.

Eu mesmo não entendo como é que gosto tanto da música desta “menina”. Afinal, o rock e som das guitarras em euforia são o meu segundo nome... mas fico estagnado e delirante com tudo o que Katie Melua consegue transpôr em som. O tema favorito chama-se “What I Miss About You” e está no último álbum. Mas há muito mais... a versão de Lilac Wine (Nina Simone) é soberba; Just Like Heaven (The Cure) incrivelmente leve; In My Secret (Leonard Cohen) o charme agora no feminino. Mas honestamente, os temas originais são largamente superiores às versões: “If You Were a Sailboat” é fora de série, especialmente a letra (não sei porquê, mas lembra-me uma letra dos U2... Hawkmoon 269). Mas também agora me apercebo que não consigo distinguir muito os temas... todos são realmente de eleição.

Outro facto curioso, é que raramente qualidade musical e sucesso de vendas combinam... mas neste caso é diferente! Os números são assustadores e levam a jovem cantora a ser a cantora com mais discos vendidos em Inglaterra e na Europa em 2004 e 2006.

O reconhecimento da sua qualidade e distinção é muito maior do que as suas vendas, levando-a a participar, por exemplo, nos 20 anos da Band Aid e na gravação da nova versão de “Do They Know It’s Christmas”.

Quando começo a ouvir um dos álbuns de Katie Melua deparo-me sempre com um problema: e agora como é que eu saio daqui?!... A vontade de parar é nula e constantemente o cd termina e volto a carregar do play.

Termino sempre com aquela sensação de quem está apaixonado e aceitava um convite de casamento sem hesitar... É um encanto e tanto! Enfim! Pensamentos oriundos de quem já se devia ter ido deitar, porque são 3 da manhã e... bem... vou ter de dormir depressinha!

Sérgio

IF YOU WERE A SAILBOAT

(http://www.youtube.com/watch?v=x25F3-sR2Yo#)

If you were a cowboy I would trail you,
If you were a piece of wood I’d nail you to the floor.
If you were a sailboat I would sail you to the shore.
If you were a river I would swim you,
If you were a house I would live in you all my days.
If you were a preacher I’d begin to change my ways.

Sometimes I believe in fate,
But the chances we create,
Always seem to ring more true.
You took a chance on loving me,
I took a chance on loving you.

If I was in jail I know you’d spring me,
If I was a telephone you’d ring me all day long.
If I was in pain I know you’d sing me soothing songs.

Sometimes I believe in fate,
But the chances we create,
Always seem to ring more true.
You took a chance on loving me,
I took a chance on loving you.

If I was hungry you would feed me,
If I was in darkness you would lead me to the light.
If I was a book I know you’d read me every night.

If you were a cowboy I would trail you,
If you were a piece of wood I’d nail you to the floor.
If you were sailboat I would sail you to the shore.

If you were sailboat I would sail you to the shore.

If you were sailboat I would sail you to the shore.

(Written by Mike BattPublished by Dramatico / Sony / ATV Music Publishing (UK) Ltd From the album 'Pictures', 2007, Katie Melua)

04 maio 2008

MotoGP no Autódromo do Estoril.

Cada vez mais me chateia reclamar... afinal há tantas coisas boas em que pensar. Mas por outro lado, achei que isto não devia passar em branco.

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São muitos os motivos que levam os adeptos do motociclismo a irem ao Autódromo do Estoril, mas essencialmente, resumem-se a dois... gostar muito de motos... e ser o sítio mais perto onde podemos ver a nata do motociclismo mundial em competição. Para além disso, é preciso ter muito estômago para cada ano que passa ser mais mal tratado no autódromo... e ainda ter bastante dinheiro... um bilhete para o dia da corrida custa, escandalosamente, 50€!!!

Desta vez passou todos os limites da razoabilidade a selvajaria que enfrentei no autódromo. Deixo aqui a carta de reclamação que enviei à direcção do autódromo e às entidades competentes (ASAE e Instituto do Consumidor). Ainda não obtive nenhum feed back... mas não tem mal. Tento outra vez, e se necessário for, com conhecimento à DECO e ao Provedor de Justiça.

Mais do que mal servido e tratado de forma humilhante, senti-me inferiorizado enquanto Português... e isso não perdou-o. Não somos um povo inferior! Jamais! E acima de tudo, o que mais me irrita é dirigir-me às pessoas que supostamente estão lá para resolver problemas (caso contrário, bastaria uma máquina de obliterar bilhetes), e a resposta ser sempre a mesma: "... desculpe mas não posso fazer nada... não é da minha responsabilidade... não é a minha função... etc.". Esta apatia, esta inoperancia, esta incapacidade mental faz-me explodir de raiva... Que raio de povo somos nós?! E a organização: quem é? quem dá a cara? Porque evita os clientes? Porque se esconde? Porque não aparece e têm de ser os desgraçados que lhes pagam os ordenados a suplicar pela sua atenção? Cobardes! Incompetentes! Inaptos! Mentecaptos! Gentinha fraca...

Portanto, aqui fica um texto, que de bom apenas poderia retratar um dia de corridas entusiasmante e a simpatia e valor da equipa do Action Team, que tanto útil nos é nestas condições adversas (especialmente a simpatia da Catarina & Companhia!).

"Ex.mos Srs.,

Como frequentadores habituais de vários eventos no Autódromo do Estoril, vimos por este meio demonstrar o nosso profundo desagrado e vergonha, relativamente à organização, ou melhor, à falta desta, durante a realização das corridas de Moto GP, no passado dia 13 de Abril.

Há já algum tempo atrás adquirimos 2 bilhetes de bancada D na Fnac, para Domingo (no valor de 45€ cada um), tendo-nos sido confirmada a indisponibilidade do lugar que pretendíamos adquirir (bancada C, no valor unitário de 50€).

Apesar de termos partido do Porto, ainda não eram 11h quando chegámos ao autódromo. Os acessos exteriores continuam vergonhosos e tendo chovido, poderão imaginar o enlameado pelo qual tivemos de passar a pé até alcançar a porta de entrada; situação que deveriam ter previsto e que poderiam ter resolvido despejando algum cascalho sobre a lama... se profissionais fossem. Sim, porque não é a primeira vez que tal acontece, o que demonstra que nada apreendem com as experiências do passado, e em nada tentam tratar melhor aqueles que garantem a continuidade da realização das provas: o insignificante público!

Pudemos ainda constatar no percurso que fizemos a pé entre a entrada do autódromo e a bancada D, que todo o envolvente se mantém inalterado e deplorável: os acessos são estreitos e incapazes de garantir uma circulação fluida do trânsito; a ausência de estacionamento é gritante, mesmo para motos. Em relação a este último aspecto, continuam a proliferar os descampados, onde indivíduos de ar suspeito se disponibilizam a guardar as motos em terrenos sem quaisquer condições... Ficamos sempre com aquela ansiedade no coração, de saber se quando chegarmos a moto ainda lá está... A GNR vê, mas não actua... A passividade das autoridades também é escandalosa em relação ao mercado negro dos bilhetes: quando fomos à bilheteira para trocar os vales por bilhetes, fomos abordados, por diversas vezes, por indivíduos com um ar duvidoso, que nos tentaram aliciar a comprar bilhetes.

Justiça seja feita à organização do Action Team, que disponibiliza para os sócios (como é o caso), espaço para estacionarmos em segurança as motos e guardarmos os capacetes. É inadmissível num circuito que recebe provas de motociclismo há tantos anos, não disponibilizar estruturas para os utentes guardarem os capacetes, e desta forma, não ocuparem os lugares já de si esguios para os ocupantes.

Mas o ridículo da falta de condições deste autódromo não fica por aqui... É vergonhoso que o único autódromo de Portugal, com mais de 20 anos de existência, mantenha umas bancadas de carácter provisório e sem qualquer conforto para o público, que mais parecem cadeiras de circo, e que não têm qualquer cobertura caso chova. Pior mesmo, só as casas de banho; barraquinhas sem água corrente... nem nas concentrações de motos ou queima das fitas (estruturas de carácter temporário) encontramos tão más instalações. O mesmo podemos afirmar das estruturas de venda de bebidas e comida. É mesmo caso para dizer: Onde está a ASAE? No meio de toda esta falta de condições, e só mesmo por pura ironia da organização, esta consegue encontrar recursos para montar tendas de venda de merchandising do próprio autódromo...

O mais grave de tudo ocorreu depois de chegarmos à Bancada D. Aquando da troca dos bilhetes adquiridos na Fnac, pelos originais, não fomos informados do que poderia passar-se a seguir: quando entrámos no local a que tínhamos direito, haviam sido vendidos mais bilhetes do que lugares e verificámos que até aos menos civilizados é permitida a colocação de casacos, capacetes e lancheiras (!) em lugares que deveriam ser de espectadores! Ou será que algumas destas pessoas não pagaram bilhete e entraram pelo intermédio de outros que por ali colaboram? Será que o que se ouve por lá tem alguma credibilidade? Costuma dizer-se que não há fumo sem fogo! E se ambas as situações acontecem há vários anos, este ano ultrapassaram todos os limites da tolerância!

A falta de controlo e de educação por parte das entidades de segurança contratadas pela organização, fizeram com que perdêssemos a 1ª corrida enquanto “lutávamos” pelo lugar que pagámos! A única resposta que se ouve é que nada podem fazer; e que se quisermos falar com alguém responsável, temos de ir ter com a organização... A dita organização não se quis fazer representar apesar das nossas tentativas e da equipa de segurança contratada…

Tal era a falta de respeito pelos espectadores (situação que não nos aconteceu somente a nós, mas a mais pessoas que entretanto se juntaram no mesmo local), que tendo ouvido o que se passava, um anónimo pertencente à organização da bancada C (patrocinador Repsol), amavelmente nos ofereceu entradas para que pudéssemos assistir ao resto do evento.

Perguntamos então: NÃO TÊM VERGONHA??? Ou é mesmo falta de profissionalismo? Situações destas envergonham o nosso país, envergonham-nos a nós, cidadãos contribuintes Portugueses, e explicam o porquê de já não termos F1 deste 1996... É que FIA não brinca em serviço... A ver vamos quantos anos mais teremos MotoGP...

Dêem o nome que derem, o nosso desagrado não poderia deixar de ser aqui exposto! Pelo menos que valha pela tentativa de, no próximo ano, tentarem de alguma forma melhorar! E em simultâneo, apelamos às entidades responsáveis que actuem de forma severa, pois as leis relativas às actividades económicas são para serem cumpridas por todos e sem excepções ou privilégios de condições excepcionais para alguns operadores.

Antecipadamente agradecemos caso nos queiram contemplar com uma resposta da vossa parte.

Melhores cumprimentos,"

Sérgio

29 abril 2008

I'M YOUR MAN.

"I'm Your Man" é uma homenagem recentemente prestada a Leonard Cohen, por músicos maioritariamente canadianos. Foi editado sob o formato de um documentário sobre a vida de canadiano judeu e músico de excelência. É uma homenagem sincera, prestada em vida ao músico (como todas deveriam ser), em que pode ser invocada a sua biografia, ainda que de forma muito ligeira... sim, porque Mr. Cohen não é o tipo de pessoa que goste de partilhar a sua vida pessoal, nem precisa ou aprecia trampolins para o estrelato. Acima de tudo, porque não precisa... já é bem conhecido junto de quem ele pretende ser... e porque esse tipo de fama efémere não combina com a qualidade, consistência e imortalidade da sua obra. É... há casos em que uma vida recatada e afastada dos media, aumenta ainda mais a fama... mas acima de tudo, o prestígio!

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Quando se fala de Leonard Cohen, fama não é um termo apropriado; vassalagem, sim. Idolatragem, também. Admiração, muita seguramente. Veneração parece-me o termo mais adequado.

No final de visualizar este documentário biográfico, mesmo alguém que nunca tenha ouvido falar deste senhor, estará certamente rendido à sua pessoa, à sua obra, ao seu charme, ao seu olhar... à sua expressão sempre sorridente, sincera e tranquila. Leonard Cohen é um exemplo, um modelo de viver bem, de correcção, de educação, de civismo, de consciência... aquele tipo de pessoa que em cada acto, cada palavra, cada movimento, nos permite aprender uma lição de vida. Poucas pessoas chegan a este patamar... assim de momento só me lembro do meu pai... e do meu instrutor de Viet Vo Dao, José Manuel Mendonça.

A história de vida do senhor tem recortes curiosos... como por exemplo, tratar-se de alguém que nunca se sentiu confortável dentro de uns jeans! Por isso, veste usualmente um fato, como a roupa com que mais confortável se sente. Ao contrário do que se conhece, de mulherengo apenas tem a fama. Na verdade o Sr. Cohen é um defensor da vida com regras, com princípios rigidos, quase militares; a sua admiração por este estilo de vida leva-o mesmo a frequentar mosteiros e a co-habitar com o seu mestre Rushi e os monges, no seu estilo de vida característico. Aliás, aquele sorriso só podia ter essa origem...

Entre os músicos que neste documentário interpretam temas do Sr. Cohen, encontramos Nick Cave (com uma versão divinal de I'm Your Man, e outra de Suzane), Rufus Wainwright (interpreta vários temas entre os quais Hallelluja... tema que eu pensava ser do John Cale!), Antony (num tema que eu não conhecia, mas que é sem dúvida a interpretação mais impressionante do documentário... para vos aguçar a curiosidade, não vos digo o nome do tema!) e os U2 em dueto com o próprio, o Grande Leonard Cohen, em Tower of Song.

No documentário há duas citações que me tocaram em especial...

A primeira é de Nick Cave, que nos conta que na sua infância, vivia numa povoação pequena com a qual em nada se identificava. E descreve o dia em que ouviu pela primeira vez Leonard Cohen, como o dia em que se sentiu a pessoa mais "cool" do mundo! Tinha descoberto algo tão belo, tão próximo da perfeição, e que tão pouca gente conhecia. Sentia-se então como um iluminado... um privilegiado.

A segunda é de Bono, que nos diz algo como "... sejamos muito honestos... Leonard Cohen move-se em terrenos, nos quais muito poucos de nós sequer aspiram a algum dia atingir...". Chocante!

Outro momento muito particular no documentário, surge com o próprio Mr. Cohen a descrever o orgulho com que fez o prefácio para a edição em chinês de um dos seus livros... a humildade com que o faz e o escreveu é novamente chocante... Desde agradecer a aquisição do livro, a pedir desculpa caso o livro não agrade, a agradecer o tempo dispensado a lê-lo, e o orgulho por ter um livro editado na língua de uma cultura que tanto o influênciou ao longo da sua vida.

A obra musical de Leonard Cohen não é muito extensa... O resultado todavia é exponencialmente proporcional á quantidade de temas criados, em que cada palavra nas letras é analisada, repensada e até sofrida; tal como a componente musical, que conhecia sempre várias versões até chegar à final. Uma música poderia demorar um ano a ser criada... o resultado é de uma consistência anormal, apenas equiparada a compositores como George Gershwin.

Ouço a música de Leonard Cohen há muitos anos... os sons foram-me apresentados pelo meu pai, que tem vários discos dele (em vinil como eu gosto!). Em 1988 comprei o único registo do Sr. Cohen que tenho... I'm Your Man. Escusado será dizer que escrevi estas linhas ao som deste álbum... que adquiri em cd (podem não acreditar, mas perde bastante para a atmosfera Cohen reproduzida num vinil... é um daqueles casos em que a diferença é bastante significativa). Leonard Cohen não é um músico que eu ouça muitas vezes... mas é dos que mais toca no disco rígido do meu cérebro...

Deixo-vos com uma reflexão: conhecem Leonard Cohen? Eram capazes de enumerar um tema dele antes de lerem este texto? Quantos dos vossos amigos são capazes de responder a estas duas perguntas? Por vezes convém perceber como é que "gastamos" o nosso tempo de vida: será que o fazemos com coisas, pessoas, factos que realmente válidos? Efemeridade vs imortalidade é um tema delicado...

Sérgio

25 abril 2008

PARANORMAL por MONCHIQUE

Acabei agora de assistir à peça de teatro de Joaquim Monchique, PARANORMAL. Ainda em extâse, não tenho as ideias muito assentes... Mas mesmo não conhecendo o texto original de Miguel Falabela, uma coisa é certa: EXCEPCIONAL!

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EXCEPCIONAL é a melhor definição que se pode dar à performance de Joaquim Monchique. O actor realmente excede-se em palco, onde interpreta um paranormal que encarna em inúmeras personagens, consequência de um acidente cósmico provocado por uma das intervenientes no canal astral. Sozinho em palco, cria um tumulto de multidões em diálogos cruzados e seguidos, no melhor tom que a PT nos proporcionava há 15 anos atrás, altura em que frequentemente conseguíamos falar com 4 desconhecidos, bastando para tal levantar o auscultador.

Durante todo este enredo, o humor gira à volta da homossexualidade, racismo, e acima de tudo, sobre o rirmo-nos de nós mesmos: dos nossos hábitos, manias e tacanhismos. E o humor é muito! Muito mesmo! Ri a sessão toda e acabei quase a chorar... com a reflexão final que encerra a peça. Afinal, parece que tudo gira à volta de pessoas, felicidade e de como cada tenta alcançá-la.

O Auditório Pequeno do Rivoli dá um ar ainda mais intimista a tudo isto, tornando as nossas reacções ao guião, ainda mais à flor da pele.

Boa nova: o actor vai fazer sessões extra de 1 a 5 de Maio! Quem ainda não viu, não deixe de ir!

Sérgio

24 abril 2008

Editors

Esta é daquelas bandas que ouvi e adorei logo ao 1.º acorde!

Rock puro e duro como já pouco se faz, mas com consistência e melodia, liderado por uma voz forte e invulgar. A bateria e a guitarra estão lá como ninguém...

O 1.º álbum é mais original e colhe a minha preferência; o mais recente segundo álbum, surge mais polido, mas rock, mas um pouquinho mais comercial também.

Fui vê-los ao Coliseu no inicio deste mês. Adorei! A banda tem um speed incrível. O concerto é curto mas intenso; sempre a rasgar... Apenas peca pelo excesso de vedetismo do vocalista.

Aproveito a oportunidade para vos apresentar o blogue do JC, que também este comigo no concerto. Grande abraço JC!

http://jc-impactus.blogspot.com/2008/04/editors.html


Sérgio

16 abril 2008

LAAX 2008.

A primeira semana de Março desta ano foi, para mim, a mais ansiada dos últimos 12 meses. Férias de neve marcadas em Laax, na Suiça, numa estância com mais de 200 kms de pistas.

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Mas este ano a coisa não correu pelo melhor... Logo este ano, em que esta foi a minha única semana de férias; e com a agravante ainda, de que no ano passado, não pude acompanhar os meus amigos na minha semana de férias favorita (por motivos laborais... digamos...). Um dos meus sonhos é esquiar em Itália e no ano passado o destino era esse... não me deu muita sorte. Outro dos meus sonhos era esquiar na Suiça... também não me deu muita sorte... digamos que já houve férias de neve que me sairam melhor!

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No 1.º dia, depois da viagem de avião e de autocarro, mal cheguei ao hotel à noite, percebi que estava com febre. Lá vai bomba ao jantar e ao outro dia de manhã, tudo impecável. Só que, tinha chuvido na noite anterior, e a neve estava uma mer..., com apenas meia dúzia de pistas abertas. É estranho esquiar e tudo à nossa volta estar verde... castanho... e o branco ser escasso... Para além da neve estar um nojo: a derreter; fazia-nos travar, pastosa... mais parecia um granizado. Aliás, era quase toda neve artificial.

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O dia correu bem e com muito calor e sol. Não gosto de esquiar com calor; transpiro muito, tenho muito calor, aquela roupa torna-se desconfortável... e ao final do dia acabo por ficar gelado. Esquiar para mim é com frio; bem agasalhado; e muita neve!

À noite ficamos fascinados com o SPA do hotel. Uma piscina fantástica com 7 tipos de hidromassagem distintos. Sauna, banho turco, chuveiros e piscinas de água fria. Fantástico! Tal como já tínhamos constatado na Áustria, os nossos congéneres da Europa Central têm uma prática estranha neste ambiente: se por um lado, são muito púdicos quando comparados com os latinos, quando estão na sauna, banho turco ou piscinas de água fria, andam totalmente nús. Pior, sentam-se nús neste ambiente público, sem usarem uma toalha! Enfim... Claro que dentro do nosso grupo, ninguém andou nú... Se tal acontecesse, seríamos os únicos a repararmos em nós mesmos... Como tal, todos sempre de toalha, calções ou fato de banho, para grande espanto dos estrangeiros... e em prol da nossa higiene!

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Estava tudo óptimo e animado ao jantar, quando a febre deu os primeiros sinais de presença novamente. A minha sorte, é que as minhas amigas têm sempre uma farmácia com elas, e salvaram-me da minha inconsciência de ir de férias sem um único medicamento (nem Guronzan)... é que ainda não tomei consciência que tenho 35 anos, e estes imprevistos podem surgir... Bem, 2.º dia sem sair à noite depois de jantar...

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No dia seguinte já havia bastantes pistas abertas. O dia estava encoberto, mas acabou por abrir alguns momentos de sol. No entanto, a neve estava na mesma... só acima dos 2.000m é que era aceitável. A meio da tarde encobriu mais e à noite começou a nevar. Bem precisa era!

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De regresso ao final da tarde, o SPA voltou a deleitar-nos. Depois de um dia fisicamente exigente, uma passagem por todas aquelas massagens, o contacto com a água, a sauna e o banho turco põe-nos novos! O problema é que aumentou a febre, que já havia sentido quando cheguei ao hotel. Ao jantar até arrepios tinha, apesar do calor enorme que estava na sala. Claro que não saí à noite e que tomei uma boa bomba, para que no outro dia estivesse apto para a modalidade! Por falar em esquiar, nestes primeiros dois dias de ski, ainda não tinha sentido “aquele” prazer de esquiar... seria da condição física debilitada... ou da porcaria da neve que tínhamos apanhado?

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No dia seguinte pela manhã continuava a nevar! Estava um dia bucólico, mas com uma neve muito apetecível! Apesar de ter alguma febre, fui esquiar e deliciei-me com um dia incrível e uma neve deliciosa. Às vezes havia algum vento e nevoeiro, mas até ao momento havia sido, sem dúvida, o melhor dia de todos.

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Ao final da tarde, optei por não ir ao SPA (bem me custou); estava com febre. No dia anterior tinha-me feito bem aos músculos, mas tinha aumentado a febre... Nem assim a febre baixou, antes pelo contrário, e ao jantar estava a ferver... Além disso, durante o dia tinham-me aparecido fortes dores de garganta, ao ponto de estar quase sem voz. Depois de jantar ainda me sentia pior e as bombas farmaceuticas nada actuavam... Cheguei a aborrecer o meu médico: santo homem! Salva-me sempre nas férias, porque acaba sempre por acontecer qualquer coisa... Joelhos magoados, tendões partidos, enfim... Desta vez era só uma amigdalite... Fui operado com 4 anos e nunca mais voltei a ter uma crise de amigdalas... E havia de ser exactamente 31 anos depois, na minha única semana de férias!

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A noite foi tenebrosa... no outro dia não consegui ir esquiar. Depois de uma longa discussão ao pequeno-almoço, entre tomar os antibióticos disponibilizados pelas minhas amigas, ou ir ao médico, inicialmente optei pela primeira. Mas quando me vi sozinho no hotel, saltou-me a tampa, e tive mesmo de sair dali... Fui ao médico! O hotel disponibilizou-me um motorista para me levar e trazer (vindo de suiços, quem diria...). Fui recebido numa clínica que é uma moradia com instalações fantásticas, muitas assistentes, o médico a facturar aos blocos tempo de 5 minutos, análises ao sangue, exames gerais, diagnóstico feito e saí do gabinete do médico com os medicamentos na mão. Factura: 200€! Valeu-me um seguro de viagem que uma amiga insistiu para que fizessemos!

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Ao final do dia, depois de uma boa soneca e um banho, já era outro! Os meus amigos, por amabilidade, disseram que eu fiz bem em não ir... que esteve muito frio... má visibilidade... são mesmo uns porreiraços!!!

Mesmo assim fiquei inconsolável... é que eles aproveitaram (e muito bem), um dia pior em termos climatéricos, para fazerem um jogo de rugby na neve, e eu não podia mesmo participar...

À noite claro que não saí. Nem fui ao SPA. Mas durante o jantar estive bem disposto, a comida soube-me bem e dormi bem. Acordei com um sol fantástico e um céu azul, azul!
Nos dois dias que nos restavam de férias tivemos sol e neve fofa: o cenário de sonho de qualquer esquiador! Fizemos pistas espectaculares, as brincadeiras do costume, cantamos o hino no teleférico, corridas, dançamos nas esplanadas, e no último dia, ainda houve tempo para comprar umas lembranças para o pessoal cá de casa. Enquanto andava de loja em loja, vi passar um desfile de automóveis de fazer babar qualquer apreciador... A6? Não... RS6! Várias! BMW, sim, mas com 6 ou mais cilindros! Range Rover, claro! Lindos! Aliás, até o edifício da UBS é LINDO!

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O dia de regresso é sempre feito com aquela nostalgia depressiva, de quem vem de uma semana no paraíso... e com muito sono, porque nos últimos anos, os low cost têm nos tirado da cama de madrugada (4 da manhã!). Cheguei cá e fui dormir... havia que recuperar da ressaca dos antibióticos.

Fez este ano 11 anos que comecei a esquiar (12.ª temporada). É sem dúvida das coisas que mais prazer me dá. A paisagem, o silêncio, o branco da neve, a adrenalina, a sensação de liberdade... ski ou snowboard, não interessa qual. Venham os dois em muita quantidade. Tive a sorte de ao 4.º ano conhecer um grupo espectacular! Há anos em que cresce, outros em que diminui, outros em que se renova... mas a essência está lá! Espero conseguir esquiar muitos anos. Enquanto o fizer com o mínimo de dignidade, lá estarei! Espero também que este grupo se mantenha tanto quanto possível unido. São geniais! Obrigado por me aturarem!

Sérgio

P.S.: não coloquei as melhores fotografias, porque nessas aparecem os meus amigos, e há uma meia dúzia de "conas" que "não se querem expor na internet"... enfim! Ninguém é perfeito!