Mostrar mensagens com a etiqueta leonard cohen. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta leonard cohen. Mostrar todas as mensagens

16 setembro 2009

Quando a música nos passa tranquilidade...



Sometimes I find I get to thinking of the past.
We swore to each other then that our love would surely last.
You kept right on loving, I went on a fast,
now I am too thin and your love is too vast.

But I know from your eyes
and I know from your smile
that tonight will be fine,
will be fine, will be fine, will be fine
for a while.

I choose the rooms that I live in with care,
the windows are small and the walls almost bare,
there's only one bed and there's only one prayer;
I listen all night for your step on the stair.

But I know from your eyes
and I know from your smile
that tonight will be fine,
will be fine, will be fine, will be fine
for a while.

Oh sometimes I see her undressing for me,
she's the soft naked lady love meant her to be
and she's moving her body so brave and so free.
If I've got to remember that's a fine memory.

And I know from her eyes
and I know from her smile
that tonight will be fine,
will be fine, will be fine, will be fine
for a while.

(Leonard Cohen - Tonight Will Be Fine)


Esta interpretação de Teddy Thompson traz-me paz à alma... tranquilidade... relembra-me ainda momentos únicos em que o mundo parou e a felicidade esteve lá, surpreendentemente, no seu esplendor.

Sérgio

23 dezembro 2008

Hallelujah...

...dadas as reclamações pela falta de uma mensagem natalícia neste blog, aqui fica o meu melhor... eheheh!

Feliz Natal a todos!

Sérgio



Now I've heard there was a secret chord
That David played, and it pleased the Lord
But you don't really care for music, do you?
It goes like this
The fourth, the fifth
The minor fall, the major lift
The baffled king composing Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah

Your faith was strong but you needed proof
You saw her bathing on the roof
Her beauty and the moonlight overthrew you
She tied you
To a kitchen chair
She broke your throne, and she cut your hair
And from your lips she drew the Hallelujah

Baby I have been here before
I know this room, I've walked this floor
I used to live alone before I knew you.
I've seen your flag on the marble arch
Love is not a victory march
It's a cold and it's a broken Hallelujah

Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah

There was a time you let me know
What's really going on below
But now you never show it to me, do you?
And remember when I moved in you
The holy dove was moving too
And every breath we drew was Hallelujah

Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah

You say I took the name in vain
I don't even know the name
But if I did, well really, what's it to you?
There's a blaze of light
In every word
It doesn't matter which you heard
The holy or the broken Hallelujah

Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah

I did my best, it wasn't much
I couldn't feel, so I tried to touch
I've told the truth, I didn't come to fool you
And even though
It all went wrong
I'll stand before the Lord of Song
With nothing on my tongue but Hallelujah

Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah

(Hallelujah, Leonard Cohen)

21 julho 2008

If It Be Your Will - Thank You Mr. Cohen For Being Simply The Greatest...

Apesar de já terem passado mais de 36 horas, continuo em extâse...

A partir do momento em que Leonard Cohen entra em palco e diz "Hi! Good Evening! Thank you for coming tonight...", é impossivel não ficar imediatamente estarrecido... Assistir àquele concerto tornou-se um acto de veneração de quase 3 horas.

Photobucket

As condições não eram nem de perto as adequadas. Estávamos ao ar livre, num parque de estacionamento, mais de 10.000 pessoas. Havia apenas duas barracas para comprar algo que se pudesse comer, 3 para bebidas e uma casa de banho individual... A quantidade de concertos que se sucede no Verão é vergonhosa: obriga o público a fazer escolhas (em Lisboa na mesma noite, Lou Reed; no Porto, a 3.ª noite do Marés Vivas com um cartaz quase tão bom quanto o Optimus Alive); os recintos não têm qualidade; os espectáculos são pouco rentáveis (o que levará á sua extinção...). Durante o resto do ano pouco há... a concentração de eventos em Lisboa é também, e só por si, esmagadora. Tudo indica que os espectáculos de música em Portugal são uma mina, que rapidamente se esgotará...

Photobucket

Vi passar por mim Durão Barroso, Colin Farell e Tim Robbins. A plateia tinha uma quantidade de estrangeiros impressionante... e sendo dominada por pessoas com mais de 40 anos, de destacar a quantidade de miúdos (menos de 20 anos), que marcaram presença e cantavam as letras com igual desenvoltura ao que sucederia num concerto dos Tokio Hotel ou dos Likin Park. Este é o tipo de concerto que deveria ser assistido numa excelente sala de espectáculos, dando ao cantor o seu melhor ambiente intimista. Nunca esperei ver e sentir o que me foi presenteado... ao fim daquelas modestas palavras, o Passeio Marítimo de Algés (onde decorreu o fantástico Optimus Alive), tinha-se transformado na mais intimista sala de espectáculos, com a figura de Leonard Cohen a impor tal presença, que nos faz sentir insignificantes tal a sua delicadeza, tranquilidade, educação, elegância, serenidade, grandiosidade, e acima de tudo, humildade!

Photobucket

O espectáculo é em tudo surpreendente. Leonard Cohen é um profissional, um mestre, um Senhor! Não, não me refiro só à arte da música e da poesia; refiro-me à arte de viver! E é isso que impressiona mais... a sua actuação transmite uma quantidade de sensações, sentimentos e emoções... passei o concerto com as lágrimas nos olhos e aquela comichão na ponta do nariz (e em grande esforço para que não fosse perceptível... a sensação permaneceu, quer ontem enquanto contava o que vi ao meu Pai, quer hoje enquanto escrevo...), arrepiado da ponta dos pés à ponta dos cabelos, e a transpirar... apesar da leve brisa que corria e de eu estar apenas de t-shirt.

Photobucket

A surpresa começa logo com a entrada em palco: entra sozinho, seguido depois da banda, à hora estipulada (21h00 em ponto... esta não me surpreendeu, mas a maioria do recinto ainda mastigava qualquer coisa...), e a primeira coisa que fez, foi cumprimentar o público... Básico, óbvio e lógico... mas porque é que os outros artistas não o fazem? Não conseguem ser humildes? Serão assim tão grandiosos ou importantes?... Ou meramente insignificantes quando comparados com este Grande Senhor?... Fez um intervalo a meio do espectáculo de 20 rigorosos minutos. Vejo muitos concertos, mas só vi isto ser feito uma vez: pelo Bruce Springsteen, em Alvalade, 1993.

Photobucket

O concerto que assisti é reflexo da música que o Grande Mestre compôs ao longo dos seus 40 anos de carreira: um espectáculo simples em que nada é deixado ao acaso. Tudo é resultado de um esforço de apuramento e aperfeiçoamento. Aqui não há inspirações esporádicas... há um trabalho contínuo de consistência, reflexão e sistematização. Não há espaço para improvisos ocorridos do nada... Tudo é construído, pensado e reflectido com o objectivo final de ficar tão próximo da perfeição quanto possível. O resultado é de tal coerência, que não posso apontar um ou outro tema como pontos altos do concerto... todo o encadeamento é tão interligado, que o espectáculo é um ponto alto de ponta a ponta. Uma constância de grandeza!

A carga emocional foi muito grande e acho que ainda não recuperei o meu descernimento por completo... Temas como Tower of Song, Hallelujah, If It Be Your Will, I'm Your Man, Suzanne, The Future, Bird on a Wire, Sisters of Mercy, Dance Me To The End of Love, So Long Marianne, The Stranger Song... enfim!... causaram um efeito na multidão, ao qual Leonard Cohen agradecia com frases sentidas e respeitosas como "...thank you! You sing so lovelly... you're so kind... thank you for your kind attencion...". Fez agradecimentos o concerto todo... agradeceu por termos vindo até ali, agradeceu os aplausos, os cânticos, as palmas, o país maravilhoso que temos, as pessoas simpáticas e bonitas, o cenário natural incrível onde tudo acontecia, e sentiu-se honrado por vir a um país com uma música e cultura tão bonita e especial como o nosso.

A grandeza deste homem leva a que elogie e agradeça aos excelente músicos que o acompanham, constantemente, ao longo da noite. No seu fato escuro e usando um chapeu escuro também, os gestos suaves e elegantes sucederam uns atrás dos outros. Não tenho dúvida em elegê-lo como a elegância em pessoa. Nunca imaginei existir alguém com uma presenção tão sedutora, tão elegante, tão acolhedora.

Aos 73 anos Leonard Cohen é o Mestre, o Senhor, o Grande, o Exemplo, a Elegância. Não necessários muito momentos para perceber isso na tranquilidade e constância do seu sorriso. Impressiona a sua destreza física; capaz de cantar em "cocaras" vários minutos, ou pular ao longo do placo com supless, elevando-se a mais de 20 cms do solo. A sua voz mantem-se igual ao que sempre conhecemos: plena de charme, envolvente, sedutoramente rouca, meiga em simultâneo e possante quando o pretende.

Convivo com uma sensação de bem-estar única desde Sábado... de bem com a vida... de tranquilidade... Parece que aprendi alguma coisa só em ver um concerto. Tudo corre bem a partir daquela presença... A viagem de regresso ao Porto foi óptima, a companhia excelente (já o tinha sido na ida... já agora, excelente Focus!); fui jogar futebol com algumas horas de sono, mas senti-me lindamente; passei um dia encantador com a família; hoje de manhã fui às Águas de Gaia fazer uma reclamação por me terem cortado a água indevidamente na empresa, com tão boa disposição, que ainda me agradeceram por o ter feito.

Se algum dia se cruzarem com Leonard Cohen, façam-lhe uma vénia de joelhos. É obrigatório! Eu, assim o farei.

Sérgio

16 julho 2008

Leonard Cohen ao vivo em Algés.

Ora aí está um concerto a não perder; nem que fosse pelo facto de dificilmente haver outra hipótese de o voltar a ver.

Foi este o sentimento que me levou a ir ver a Rickie Lee Jones na passada semana, e para vos dizer a verdade... saí um tanto desgosto... A voz tão característica e única está lá, imaculada. A figura é que está um tanto decadente. E nesta caso, fazer piadas com essa decadência não cai muito bem; ou pior ainda, fazer um espectáculo minimalista em que apenas é acompanhada por uma excelente voz e instrumentista (cujo nome não consigo encontrar... penso chamar-se Petra Haden), em nada contribui para que a imagem final seja boa. Falrou lá a banda "toda". Apesar disso, o concerto teve momentos excelentes, ou não fosse a matéria-prima (a música de Rickie Lee Jones), só por si, soberba. Outra coisa cómica, é que esta tournée de Rickie Lee Jones decorre inteiramente nos EUA, com uma excepção: Vila Nova de Famalicão... fica em caminho entre Boston e Detroit!

Mas em relação ao Sr. Cohen, estou certo que vou ver o mestre dos mestres em palco. A sua música não se adequa muito a um espectáculo como o previsto em Algés... ao vivo sim, mas mais intimista.

Lembro-me sempre das palavras de Nick Cave, que afirmava algo mais ao menos assim: saber apreciar a música de Leonard Cohen é, só por si, sinal de que somos uns privilegiados... e esse sentimento torna-nos as pessoas mais cool do mundo...

Ao contrário de muitos músicos, a presença deste senhor e a sua genialidade musical melhora com tempo... amadurece! Vou à espera de encontrar um concerto simples, mas marcante... pela consistência da música e pela imagem do mestre. Tal como referia Bono sobre o mestre Cohen, trata-se de alguém que se movimenta, descontraidamente, em terrenos onde muito poucos de nós, algum dia sonharemos alcançar. Independentemente de quão lata seja a nossa interpretação destas palavras, concordo inteiramente.

A obra de Leonard Cohen tem marcado intensamente o panoráma músical dos últimos 40 anos. É minha percepção que este homem conseguiu um feito único: a intemporalidade. Mais coisas?! Só futuro as dirá...

Sérgio



Give me back my broken night
my mirrored room,
my secret lifeit's lonely here,
there's no one left to torture
Give me absolute control
over every living soul
And lie beside me,
baby,that's an order!

Give me crack and anal sex
Take the only tree that's left
and stuff it up the hole
in your culture
Give me back the Berlin wall
give me Stalin and St Paul
I've seen the future, brother:
it is murder.

Things are going to slide, slide in all directions
Won't be nothing
Nothing you can measure anymore
The blizzard, the blizzard of the world
has crossed the threshold
and it has overturned
the order of the soul
When they said REPENT REPENT
I wonder what they meant
When they said REPENT REPENT
I wonder what they meant
When they said REPENT REPENT
I wonder what they meant.

You don't know me from the wind
you never will, you never did
I'm the little jew
who wrote the Bible
I've seen the nations rise and fall
I've heard their stories, heard them all
but love's the only engine of survival
Your servant here, he has been told
to say it clear, to say it cold:
It's over, it ain't going
any further
And now the wheels of heaven stop
you feel the devil's riding crop
Get ready for the future:
it is murder.

Things are going to slide...

There'll be the breaking of the ancient
western code
Your private life will suddenly explode
There'll be phantoms
There'll be fires on the road
and the white man dancing
You'll see a woman
hanging upside down
her features covered by her fallen gown
and all the lousy little poets
coming round
tryin' to sound like Charlie Manson
and the white man dancin'.

Give me back the Berlin wall
Give me Stalin and St Paul
Give me Christ
or give me Hiroshima
Destroy another fetus now
We don't like children anyhow
I've seen the future, baby:
it is murder.

Things are going to slide...

When they said REPENT REPENT...

(Leonard Cohen - The Future - 1992)

26 maio 2008

Katie Melua.

A primeira vez que ouvi a voz primordiosa de Katie Melua foi na banda sonora de uma telenovela brasileira (não me perguntem qual... não sou cliente desse tipo de sub-produto televisivo!).

katie

Reconheço que a voz e a melodia me tocaram... mas estava eu longe de deslumbrar o que ali de facto se passava, entre as conversas cruzadas ao jantar.

Alguns meses depois, voltei a ouvir o mesmo tema no carro. O tema chama-se “The Closest Thing to Crazy” e na companhia do meu pai, ficamos maravilhados com os arranjos do tema. O meu pai dizia-me que ouvia aquela voz regularmente na dita telenovela, e questionava-me sobre quem era. Eu, na minha ignorância, e só começando naquele momento a reconhecer algo de especial naquela melodia tão envolvente, fiquei de saber quem era.

Passaram-se meses... até que ouvi o disco inteiro num bom sistema de som, enquanto “passava pelas brasas” na borda da piscina, a seguir a um almoço soberbo em casa de uns amigos. Quando cheguei ao Porto fui logo comprar o cd e ofereci-o ao meu pai. Daí a ele ter comprado todos os restantes trabalhos da jovem cantora foi um ápice.

Katie Melua tem qualquer coisa de divino em si... diria até de sobrenatural... algo que a leva para muito perto da perfeição, do belo, da paz, da tranquilidade. O ar, a imagem, a personalidade que Katie Melua nos passa não é só o de uma das mulheres mais bonitas vistas à face da Terra, ou de uma das melhores intérpretes, cantoras, músicas e compositoras.

A música de Katie Melua tem uma congroência fora do comum. Cada nota, cada som, cada tom tem uma razão fundamentada para lá estar naquela forma e naquele momento. Isto só acontece com grandes talentos: George Gerswin ou Leonard Cohen, por exemplo. É claro que esse só atingiram este reconhecimento ao fim de muitos anos de carreira. No entanto, em ambos os casos a formação músical está lá a dar forma ao seu incrível dom e talento, apesar da sua tenra idade.

Katie Melua é natural da Georgia, da cidade Tbilisi (onde passou sérias necessidades durante a sua infância). A sua ascendencia é origem Russa e Canadiana. Com 8 anos, Katie e a sua família refugiaram-se em Belfast fruto da guerra e da agitação política nas últimas décadas da ex-URSS. Daí a estudar na Brit School for Performing Arts foram 5 anos, onde Katie se inscreveu com apenas 13 anos.

Espantoso o facto de imediatamente ter captado a atenção de Mike Batt... sim esse todo! Um dos pesos-pesados da música ligeira nas últimas 3 décadas, especialmente enquanto produtor e compositor de temas para Simon & Garfunkel.

O segundo álbum “piece by piece” é só muito bom; já “call off the search” e “pictures” são no mínimo, excelentes... fora de série mesmo... Não é o tipo de música que se ouça no carro ou enquanto trabalhamos. É preciso um bom sistema de som; é preciso pré-disposição para ouvir e saborear todos os requintes que são apresentados. É preciso ouvir os sentimentos para absorver tudo o que ali é apresentado. Ouvir Katie Melua não chega... é preciso no mínimo sentir... ficar arrepiado a cada 10 segundos é o mínimo se se quer aperceber e deliciar com todos os pormenores sonoros que tão bem ali estão tão bem trabalhados. Desde já aviso que lágrimas estão incluídas nas reacções que estes temas nos provocam sem sequer nos apercebermos.

Eu mesmo não entendo como é que gosto tanto da música desta “menina”. Afinal, o rock e som das guitarras em euforia são o meu segundo nome... mas fico estagnado e delirante com tudo o que Katie Melua consegue transpôr em som. O tema favorito chama-se “What I Miss About You” e está no último álbum. Mas há muito mais... a versão de Lilac Wine (Nina Simone) é soberba; Just Like Heaven (The Cure) incrivelmente leve; In My Secret (Leonard Cohen) o charme agora no feminino. Mas honestamente, os temas originais são largamente superiores às versões: “If You Were a Sailboat” é fora de série, especialmente a letra (não sei porquê, mas lembra-me uma letra dos U2... Hawkmoon 269). Mas também agora me apercebo que não consigo distinguir muito os temas... todos são realmente de eleição.

Outro facto curioso, é que raramente qualidade musical e sucesso de vendas combinam... mas neste caso é diferente! Os números são assustadores e levam a jovem cantora a ser a cantora com mais discos vendidos em Inglaterra e na Europa em 2004 e 2006.

O reconhecimento da sua qualidade e distinção é muito maior do que as suas vendas, levando-a a participar, por exemplo, nos 20 anos da Band Aid e na gravação da nova versão de “Do They Know It’s Christmas”.

Quando começo a ouvir um dos álbuns de Katie Melua deparo-me sempre com um problema: e agora como é que eu saio daqui?!... A vontade de parar é nula e constantemente o cd termina e volto a carregar do play.

Termino sempre com aquela sensação de quem está apaixonado e aceitava um convite de casamento sem hesitar... É um encanto e tanto! Enfim! Pensamentos oriundos de quem já se devia ter ido deitar, porque são 3 da manhã e... bem... vou ter de dormir depressinha!

Sérgio

IF YOU WERE A SAILBOAT

(http://www.youtube.com/watch?v=x25F3-sR2Yo#)

If you were a cowboy I would trail you,
If you were a piece of wood I’d nail you to the floor.
If you were a sailboat I would sail you to the shore.
If you were a river I would swim you,
If you were a house I would live in you all my days.
If you were a preacher I’d begin to change my ways.

Sometimes I believe in fate,
But the chances we create,
Always seem to ring more true.
You took a chance on loving me,
I took a chance on loving you.

If I was in jail I know you’d spring me,
If I was a telephone you’d ring me all day long.
If I was in pain I know you’d sing me soothing songs.

Sometimes I believe in fate,
But the chances we create,
Always seem to ring more true.
You took a chance on loving me,
I took a chance on loving you.

If I was hungry you would feed me,
If I was in darkness you would lead me to the light.
If I was a book I know you’d read me every night.

If you were a cowboy I would trail you,
If you were a piece of wood I’d nail you to the floor.
If you were sailboat I would sail you to the shore.

If you were sailboat I would sail you to the shore.

If you were sailboat I would sail you to the shore.

(Written by Mike BattPublished by Dramatico / Sony / ATV Music Publishing (UK) Ltd From the album 'Pictures', 2007, Katie Melua)

29 abril 2008

I'M YOUR MAN.

"I'm Your Man" é uma homenagem recentemente prestada a Leonard Cohen, por músicos maioritariamente canadianos. Foi editado sob o formato de um documentário sobre a vida de canadiano judeu e músico de excelência. É uma homenagem sincera, prestada em vida ao músico (como todas deveriam ser), em que pode ser invocada a sua biografia, ainda que de forma muito ligeira... sim, porque Mr. Cohen não é o tipo de pessoa que goste de partilhar a sua vida pessoal, nem precisa ou aprecia trampolins para o estrelato. Acima de tudo, porque não precisa... já é bem conhecido junto de quem ele pretende ser... e porque esse tipo de fama efémere não combina com a qualidade, consistência e imortalidade da sua obra. É... há casos em que uma vida recatada e afastada dos media, aumenta ainda mais a fama... mas acima de tudo, o prestígio!

Photobucket

Quando se fala de Leonard Cohen, fama não é um termo apropriado; vassalagem, sim. Idolatragem, também. Admiração, muita seguramente. Veneração parece-me o termo mais adequado.

No final de visualizar este documentário biográfico, mesmo alguém que nunca tenha ouvido falar deste senhor, estará certamente rendido à sua pessoa, à sua obra, ao seu charme, ao seu olhar... à sua expressão sempre sorridente, sincera e tranquila. Leonard Cohen é um exemplo, um modelo de viver bem, de correcção, de educação, de civismo, de consciência... aquele tipo de pessoa que em cada acto, cada palavra, cada movimento, nos permite aprender uma lição de vida. Poucas pessoas chegan a este patamar... assim de momento só me lembro do meu pai... e do meu instrutor de Viet Vo Dao, José Manuel Mendonça.

A história de vida do senhor tem recortes curiosos... como por exemplo, tratar-se de alguém que nunca se sentiu confortável dentro de uns jeans! Por isso, veste usualmente um fato, como a roupa com que mais confortável se sente. Ao contrário do que se conhece, de mulherengo apenas tem a fama. Na verdade o Sr. Cohen é um defensor da vida com regras, com princípios rigidos, quase militares; a sua admiração por este estilo de vida leva-o mesmo a frequentar mosteiros e a co-habitar com o seu mestre Rushi e os monges, no seu estilo de vida característico. Aliás, aquele sorriso só podia ter essa origem...

Entre os músicos que neste documentário interpretam temas do Sr. Cohen, encontramos Nick Cave (com uma versão divinal de I'm Your Man, e outra de Suzane), Rufus Wainwright (interpreta vários temas entre os quais Hallelluja... tema que eu pensava ser do John Cale!), Antony (num tema que eu não conhecia, mas que é sem dúvida a interpretação mais impressionante do documentário... para vos aguçar a curiosidade, não vos digo o nome do tema!) e os U2 em dueto com o próprio, o Grande Leonard Cohen, em Tower of Song.

No documentário há duas citações que me tocaram em especial...

A primeira é de Nick Cave, que nos conta que na sua infância, vivia numa povoação pequena com a qual em nada se identificava. E descreve o dia em que ouviu pela primeira vez Leonard Cohen, como o dia em que se sentiu a pessoa mais "cool" do mundo! Tinha descoberto algo tão belo, tão próximo da perfeição, e que tão pouca gente conhecia. Sentia-se então como um iluminado... um privilegiado.

A segunda é de Bono, que nos diz algo como "... sejamos muito honestos... Leonard Cohen move-se em terrenos, nos quais muito poucos de nós sequer aspiram a algum dia atingir...". Chocante!

Outro momento muito particular no documentário, surge com o próprio Mr. Cohen a descrever o orgulho com que fez o prefácio para a edição em chinês de um dos seus livros... a humildade com que o faz e o escreveu é novamente chocante... Desde agradecer a aquisição do livro, a pedir desculpa caso o livro não agrade, a agradecer o tempo dispensado a lê-lo, e o orgulho por ter um livro editado na língua de uma cultura que tanto o influênciou ao longo da sua vida.

A obra musical de Leonard Cohen não é muito extensa... O resultado todavia é exponencialmente proporcional á quantidade de temas criados, em que cada palavra nas letras é analisada, repensada e até sofrida; tal como a componente musical, que conhecia sempre várias versões até chegar à final. Uma música poderia demorar um ano a ser criada... o resultado é de uma consistência anormal, apenas equiparada a compositores como George Gershwin.

Ouço a música de Leonard Cohen há muitos anos... os sons foram-me apresentados pelo meu pai, que tem vários discos dele (em vinil como eu gosto!). Em 1988 comprei o único registo do Sr. Cohen que tenho... I'm Your Man. Escusado será dizer que escrevi estas linhas ao som deste álbum... que adquiri em cd (podem não acreditar, mas perde bastante para a atmosfera Cohen reproduzida num vinil... é um daqueles casos em que a diferença é bastante significativa). Leonard Cohen não é um músico que eu ouça muitas vezes... mas é dos que mais toca no disco rígido do meu cérebro...

Deixo-vos com uma reflexão: conhecem Leonard Cohen? Eram capazes de enumerar um tema dele antes de lerem este texto? Quantos dos vossos amigos são capazes de responder a estas duas perguntas? Por vezes convém perceber como é que "gastamos" o nosso tempo de vida: será que o fazemos com coisas, pessoas, factos que realmente válidos? Efemeridade vs imortalidade é um tema delicado...

Sérgio