Long afloat on shipless oceans
I did all my best to smile
'Til your singing eyes and fingers
Drew me loving to your isle
And you sang
Sail to me
Sail to me
Let me enfold you
Here I am
Here I am
Waiting to hold you
Did I dream you dreamed about me?
Were you hare when I was fox?
Now my foolish boat is leaning
Broken lovelorn on your rocks,
For you sing, "Touch me not, touch me not, come back tomorrow:
O my heart, O my heart shies from the sorrow"
I am puzzled as the newborn child
I am troubled at the tide:
Should I stand amid the breakers?
Should I lie with Death my bride?
Hear me sing, "Swim to me, Swim to me, Let me enfold you:
Here I am, Here I am, Waiting to hold you
(Song To The Siren - Tim Buckley, versão This Mortal Coil)
Está frio aqui...
Hoje morri. Morri, porque vi o melhor que houve em mim ser atirado para o chão... E fui eu que o atirei para o chão... a culpa não é de ninguém, senão minha.
Morri porque o que de mais puro, natural e transparente que há de mim, morreu. Não tem lugar neste mundo. Não tem razão de ser e continuar de outra forma; não serve para mim.
Morri, porque a minha alma gémea, o meu sonho, a pessoa que sentimentos mais intensos me deu, está fora da minha vida...
Estou cheio de frio... logo eu que nunca tenho frio...
Houve uma sensação de "para sempre", fortíssima, sólida... coerente... mas acabou... por isso morri. Lembro-me do incrível bem-estar do primeiro dia... o primeiro dia em que senti o "para sempre"...
Nunca havia sentido esta sensação de "alma gémea". É algo mais forte que íntimo... são espíritos inquietos que se encaixam, almas que se entrelaçam com mais aperto, que a sexualidade de dois corpos perfeitos um para o outro... e que também lá estavam.
A sensação de felicidade era tal, que estive sempre desarmado de máscaras, de protecções... Fui sempre transparente... Fui eu como nunca havia sido, nem me havia sentido eu.
Está cada vez mais frio aqui...
Fui tanto eu, que até o meu mau feitio foi descontrolado pela desilusão que eu mesmo criei em nós.
Hoje morri. Morri porque o processo é irreversível... Foi tudo tão curto e tão intenso. Daí a força da pancada que me matou... Foram várias; se calhar a de hoje não foi a mais forte. Foi a que eu vi melhor a acertar-me... em que melhor percebi que bati em mim mesmo e que o perdão é impossível. Por isso morri.
Morri por inacção e indiferença da minha suposta alma gémea.
Que frio continua aqui...
E eu morri. Morri porque não acredito mais em relacionamentos especiais... Morri porque não quero baixar a fasquia para o normal... controlado... sossegado... isento de medos de perda ou traicção. Isentos de descontrolo de tanto gostar e amar e desejar. E não quero baixar as expectativas.
Morro, porque não há amor, não há almas gémeas, não há relacionamentos especiais, com côr... só cinzento... pessoas que se acostumam ao morno, ao racional. É claro que ninguém nasce pré-destinado e pré-formatado para outro. É preciso deixar que o amor nos transforme e adapte. E até nos mude...
Morri porque o amor é uma utopia: não há amor mágico, puro, desinteressado e incondicional... apenas fabricado, adaptado, acostumado.
Sinto um frio...
Há quem diga que as coisas têm de surgir por si, naturalmente... Não acredito. É demasiado "zen" para mim. Diria "não só mas também". Cansei-me de esperar... percebi que a mim a vida nada me traz de bom, senão o procurar com muito esforço. Quando sinto algo de bom, luto até ao fim com tudo o que tenho, para conseguir vincar esse sentimento. Um relacionamento amoroso, como outro qualquer, necessita de muito trabalho de "encaixe"...minto: necessita de muito mais! Porque dele se espera muito mais... por mais tempo... para sempre! Não sei lidar com a revolta do desperdício. Mas hoje morri... estou cansado... não consigo mais.
A conquista tem um paladar especial... mas de borla, só mesmo desgostos...
Morri porque me cansei que não acredite em mim, no que sinto, na forma como me exponho, no meu carácter, na minha ausência de mal, no medo que eu algum dia a possa magoar... pelo que a culpa só pode ser minha...
Sinto mesmo muito frio aqui...
Morro de cansaço, de insistência. Não posso pagar as facturas dos outros... até porque nem as minhas consigo pagar... O desgaste é muito... a morte inevitável.
Tenho necessidade de ti, alma gémea... espírito inquieto... ser especial que me encanta o coração e aquece a alma. Sinta falta da minha parte de ti... ou da outra parte de mim, em ti. Não sintas a minha falta, não quero. Sim, claro, não sentes... antes pelo contrário, só alívio! Mimo, muito, é o que te quero dar. Atenção, toda a que consiga dar-te. Companhia e aconchego, sempre... dos melhores momentos às noites de insónia e aos acordares agoniados. Morro, porque não precisas de mim, nem queres, o que te posso dar (mesmo gostando...).
Quero dar-te tudo. Tudo para que nunca te sintas insegura... nem sintas incertezas... nem dúvidas ao que sinto por ti. Porque não há mesmo razão para o sentires ou seres... e nunca haverá. Meios termos? Não... não consigo. Vales demasiado para mim para conseguir gerir isso. Preciso de mais... preciso de tudo!
Morri... não aguento mais o frio.
Fim.
Sérgio








