30 setembro 2005

Eleições Autárquicas.

Sem querer falar de um assunto do qual muito já se disse, aqui fica uma abordagem original retirada de um dos meus blogs favoritos.
A crónica já vai em 4 partes mas promete continuar.
Outra coisa de original neste blog é que não aceita comentários...

29 setembro 2005

Classe Política e Justiça: os 2 Cancros da Sociedade Portuguesa.


Em tempo de eleições vêm-me sempre algo à memória de contraprodudente. Diria mesmo de desconcertante face à democracia.

Portugal está encalhado e derrobado por dois graves problemas que explicam o actual momento de crise geral (política, democrática, económica, social, etc.). E não será fácil vencê-los; se houver vontade, o problema pode ser ultrapassado, mas nunca em menos de 3 gerações. São problemas complexos e que se apoiam mutuamente contra o sucesso do País.

Um é a actual classe política: está velha e bolorenta e o PS é o melhor exemplo disso. Os partidos estão dominados por lobbies que não permitem aos mais novos, democraticamente, imporem-se. Nem como candidatos, nem nas bancadas parlamentares da AR... Predominam os interesses instalados e os previlégios adquiridos de outrora, por figuras que a seu tempo, foram notáveis, mas não souberam delegar e garantir a sua continuidade. O poder tornou-os controversamente conservadores e ultrapassados.
A maior machada foi dada pelo Sr. Dr. Mário Soares, aquando da sua 2.ª reeleição para PR. Poucos se lembrarão de uma debate entre o próprio e o Sr. Dr. Basílio Horta (de quem se dizia que a candidatura era apoiada pelo próprio Dr. Soares de forma oculta, pois este na altura sofria do terrivel problema democrático de falta de opositores/candidatos ao lugar). Nesse debate o Sr. Dr. Basílio Horta puxou o assunto do "Fax de Macau" (para quem não se lembra, o Sr. Dr. Mário Soares era na altura acusado pela Justiça de diversas irregularidades e falta de transparência na adjudicação do aterro da Baía de Macau e na construção de 50 prédios de 35 andares, que permaneceram vazios até Portugal "abandonar" aquele território). Dada a sua frontalidade e coragem que todos conhecemos, o Sr. Dr. Mário Soares respondeu colocando o caso no seguinte patamar: o próprio iria ser julgado, não pelos Tribunais, mas pelo Povo. Ou seja, se o Povo o elegesse, era porque ele estava absolvido de qualquer irregularidade de que estava a ser acusado. E assim foi: o Povo elegeu-o e os Tribunais arquivaram o processo.
Moral da história: o veredicto do Povo está acima da própria Justiça. E este é o processo de nascimento de outros tantos: Isaltinos, Fátimas Felgueiras, Valentins Loureiros, Ferreiras Torres, etc.. Não importa se cometeram falcatruas no hierário público, ou outro qualquer crime... Não importa que tenham agido contra a Lei e em seu próprio benefício... o que importa, é que o Povo vai reelege-los e absolvi-os! Se calhar é melhor acabarmos com os tribunais, sendo todo o cidadão obrigado a dar o seu veredicto sobre um n.º pré-determinado de casos de justiça, por dia. E nem importa o assunto, nem a capacidade dos mesmos... Seria o ideal da Justiça Popular e da Democracia! A felicidade de todos! O fim das injustiças!

Entramos assim no 2.º problema: a Justiça. Portugal é um país sem Justiça. Já o é há 20 anos... Esta padece de uma ineficácia gritante... E mesmo assim os Senhores Magistrados e C.ª L.da têm todo o direito de fazer greve... talvez porque a Justiça só tem 3 meses de férias...
O pior que pode acontecer à classe dirigente com um Sistema Judicial destes é ser acusado. Quando o é, faz figurada de donzela ofendida durante 2 ou 3 anos e depois volta ao "circo" político, como inocente e com um processo arquivado por falta de provas. Neste contexto, cada vez mais teremos um diminuto grupo de interesses mais protegido, sob prejuízo de toda a restante sociedade.
Isto arrasta-nos para a crise económica e social. Social porque a classe do poder cada vez será menos numerosa, mais fechada e conservadora, provocando o descontentamento e revolta da sociedade em geral. Económica, porque qual é o país sem Justiça que atrai investimento estrangeiro? Com uma economia cada vez mais globalizante, um país sem uma Justiça capaz é equiparado ao Terceiro Mundo... mas Portugal, graças aos subsídios da UE, não tem um nível de vida tão baixo... O Terceiro Mundo tem custos saláriais muito baixos e permite taxas de rentabilidades muito elevadas. Os governos aceitam subornos para que as multinacionais se instalem e explorem tudo e todos (excepto os governantes); é este o futuro de Portugal?

Perante tudo isto, o que fazer? Assumir a nossa impotência e sobreviver passivimamente? Ou, chatearmo-nos a sério para que alguma coisa de jeito se faça?!
É preciso é termos em conta o seguinte: se temos vontade que algo mude, se calhar é melhor começarmos por mudarmo-nos a nós mesmos... Para melgas que assumem o poder a prometer mundos e fundos, e depois nada fazem senão beneficiar "os seus" de forma cada vez mais escandalosa, sem qualquer fio de coerência nas políticas nacionais, já bastam os últimos Governos.

28 setembro 2005

O Fantástico Projecto POLIS.



Há muito que tanto se houve falar do Projecto POLIS.
O que pretende? Não sei bem... mas algo tem a ver com a reconversão urbanistica das cidades. Centrando-me na harmonia arquitectónica que pretende devolver a espaços urbanos onde foram cometidos alguns "atentados de betão", o Projecto pretende "deitar" a baixo esses monstros de betão.
Até aqui tudo bem, a iniciatica até tem um valor potencial. Mas o problema é que estamos em Portugal... país pejado de construção ilegal! Coloco então uma questão: não seria mais útil começar por eliminar a construção ilegal que tanto emerge em Portugal? Vejamos...
Por um lado, tinha uma papel preventivo face ao continuo aparecimento de "cogumelos", especialmente perto da costa. Penso eu que nenhum "habiloso" pensaria em construir algo não devidamente licenciado, se houvesse vigilância e actuação no sentido de contrariar e punir esta atitude selvagem.
Por outro lado, conseguia-se parte do que o Projecto POLIS pretende, pois a construção ilegal resulta sempre na edificação de aberrações paisagisticas, quer em termos estéticos, quer na localização escolhida para as "obras de arte" (há uma preferência inédita por zonas protegidas...).
Bem sei que este Projecto está centrado nos grandes centros urbanos e a maior parte das situações que descrevi encontra-se fora dos mesmos. Mas qual será a situação mais urgente: recompor a arquitectura dos centros urbanos, ou resolver um problema que quase faz parte da cultura nacional e que só descredibiliza o poder central, fazendo valer em pleno Séc. XXI a lei do "mais esperto" e permitindo a degradação ecológica de zonas que maioritariamente deveriam ser protegidas? É que não me estou a referir somente a um problema de estética: como é que a construção clantestina é abastecida de luz, água e saneamento?
Na fotografia fica apenas um exemplo: Viana do Castelo vista do cimo da Santa Luzia. Pode chocar o tão polémico prédio no meio de uma cidade tão plana, mas pelo menos não defrauda o hierário público na forma como se abastece de electridade; nem atira os detritos domésticos para o meio de nenhuma praia quase deserta...

27 setembro 2005

O Eterno Descrédito nas Gerações Mais Novas.




«Não deixa de ser fascinante matéria de estudo comparar o vigor e a tenacidade posta na compra dos bilhetes dos U2 pela mesma geração de jovens cujos professores dizem que eles não lêem porque os livros são caros. Que, pelo menos até ao passado ano lectivo, tinham de abandonar as faculdades porque não podiam pagar as propinas. E cujos corpos e almas segundo nos andam a garantir há anos psicólogos e pedagogos ficariam profundamente traumatizados caso tenham de se esforçar pelo que quer que seja. Nem sei o que seria se tivessem de dormir ao relento a noite mais fria do ano para obterem, por exemplo, uma bolsa de estudo.
Felizmente que foi para os U2. Assim ninguém se traumatizou.»

(Helena Matos, no Público)


Aquando da venda dos primeiros bilhetes dos U2 surgiu este artigo, que não deixa de ser curioso por conter duas vertentes opostas.
Por um lado, uma crítica mordaz à cada vez maior condescendência para com os mais novos em relação a tudo. Os miúdos não podem ser postos à prova, não podem ser contrariados, não podem ser sujeitos a esforços violentos de âmbito psiquico, etc. Tudo os pode traumatizar! Podem até entrar em depressão... será que os psicólogos não têm mais nada para fazer?! De facto é grave que não se habituem os mais novos a que quando falham são excluídos; e não há mal nenhum nisso... tenta-se outra vez... toma-se uma opção diferente... Não se pode é dar-lhes tudo de bandeja! É essa pressão e exigência que nos amadurece, endurece e prepara para desafios cada vez mais exigentes que a vida nos coloca à medida que a idade vai avançando. É preciso ser o melhor e no momento exigido. Sim, porque não tenhamos dúvidas que a vida é sempre a complicar... e, ou aprendemos a dominar essa complexidade crescente, ou seremos uns infelizes, desgraçados, coitadinhos... É como uma larva: não adianta ajuda-la a sair do casulo. É preciso que se desenvolva e cresca, para que tenha asas capazes de a fazer voar; caso contrário, não sobreviverá.
Por outro lado, não deixa de ser engraçado observar o conflito de gerações quanto às motivações e prioridades de uma nova geração. Para começar, não há filas para as bolsas de estudo, porque a relações oferta/candidatos é obviamente muito distinta da que abrangia o n.º de bilhetes dos U2 e dos desejosos candidatos a vê-los. Depois, porque a história repete-se... as prioridades e motivações das geração dos anos 20 era distanta da dos anos 50, que por sua vez é distinta da dos anos 80, e não me parece que vá mudar (como estou no meio entre a geração que faz a observação e a observada, acho que sou neutro!). São formas diferentes de encarar a vida em condições socio-económicas totalmente distintas; sujeitas a condicionantes, exigências e formas de educação cada vez mais distintas. Já para não falar na forma como cada geração busca a sua própria adrenalina de vida... E quem não entende o que eu quero dizer, é porque não este em Alvada a 14/08/2005. The Generation Gap is Alive!

Sérgio

26 setembro 2005

Santa Luzia - 25/09/2005.

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Ontem, Domingo, com mais dois amigos fui encontrar-me em Esposende com um grupo sempre bem disposto do Fórum Motoronline, que só conhecia pelos nicks do fórum e pelas fotografias.
Na chegada a Esposende fomos surpreendidos por um céu muito cinzento e o piso molhado, com direito a umas escorregadelas para todos, mas felizmente sem consequências (pessoal, toca a ir mudar os pneus que a chuva está a chegar!).
Depois de um cafézito para acordar e de algumas considerações sobre o estado meteorológico (que se apresentava cada vez mais negro), sobre o governo, sobre o imposto de selo, etc. (sim, porque esta gente só discute assuntos sérios!), lá seguimos a caminho de Viana do Castelo, onde e bem de longe, se vê num ponto bem alto ao norte da cidade, a emblemática igreja.
No caminho, tempo ainda para apanhar umas gotitas de chuva (inesperadas para quem como eu saíu do Porto com um Sol radioso) e para perder um lenço que insistia em soltar-se constantemente do pescoço (felizmente alguém o agarrou!).
A chegada é antecedida de uma subida e um conjunto de curvas fechadas em paralelo deliciosamente escorregadio e finalmente, voilá!

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Grande plano para o Zé Alexandre, o último dos aderentes ao grupo das máquinas voadoras!

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O tempo estava feio... mas com a nossa chegada, começou a melhorar!

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E para fechar a jornada, aqui fica a fotografia dos "Cavaleiros do Apocalipse".

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Felizmente nenhum de nós usa daqueles escapes de alto rendimento, capazes de se fazerem ouvir a 20 kms de distância, pelo que não incomodamos o Sr. Padre nem nenhum dos renegados praticantes. É que não queremos ser julgados como heréges, só por desafiarmos as leis da física ao andarmos em cima de duas rodas!

Sérgio

23 setembro 2005

Viver intensamente.

Em véspera de fim de semana, aqui fica um assunto para meditar.
Vivemos com falta de tempo: o emprego, o trânsito, as compras, a família, a horas das refeições... etc.. Não era suposto querer algo mais do que sobreviver? Onde está o espaço para os sentimentos? Onde está o tempo para suspirar ou arfar?... Contentamo-nos em respirar?
Por vezes há citações que me passam pela cabeça, mas cada vez mais há a necessidade de extravasar... de descontrair... de acordar; de ver as coisas com cor, com som (bem alto). Adrenalina precisa-se! Emoções ao rubro!
Viver uma vida controlada, previsível, amena, calma... para se ter tornado o objectivo da grande maioria das pessoas. Mesmo que para isso se relegue para segundo plano os sentimentos e as emoções; o agrado pelas supresas e pela imprevisibilidade. O cinzento é sempre cinzento... mas se optarmos por viver outras cores, a vida torna-se, no mínimo, bem variada.
"Viva intensamente! Não sei se a vida é curta ou longa demais para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido se não tocarmos em nossos corações. Muitas vezes basta ser colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, amor que promove, beijo que faz com que pare o mundo ao redor. E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido a vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira e pura... "
Scarpelli
Bom fim de semana!
Sérgio

22 setembro 2005

Os Incendios em Portugal.

Sobre os incendios em Portugal já muito se falou. Agora que o país começa a arrefecer, podemos fazer um ponto de situação com a cabeça mais fria. Parece-me que este artigo resumo de forma pragmática os contornos da questão.
Sérgio


A evidência salta aos olhos: o país está a arder porque alguém quer que ele arda. Ou melhor, porque muita gente quer que ele arda. Há uma verdadeira indústria dos incêndios em Portugal. Há muita gente a beneficiar, directa ou indirectamente, da terra queimada.

José Gomes Ferreira
Sub-director de Informação

Oficialmente, continua a correr a versão de que não há motivações económicas para a maioria dos incêndios. Oficialmente continua a ser dito que as ocorrências se devem a negligência ou ao simples prazer de ver o fogo. A maioria dos incendiários seriam pessoas mentalmente diminuídas.

Mas a tragédia não acontece por acaso. Vejamos:

1 - Porque é que o combate aéreo aos incêndios em Portugal é TOTALMENTE concessionado a empresas privadas, ao contrário do que acontece noutros países europeus da orla mediterrânica?

Porque é que os testemunhos populares sobre o início de incêndios em várias frentes imediatamente após a passagem de aeronaves continuam sem investigação após tantos anos de ocorrências?

Porque é que o Estado tem 700 milhões de euros para comprar dois submarinos e não tem metade dessa verba para comprar uma dúzia de aviões Cannadair?

Porque é que há pilotos da Força Aérea formados para combater incêndios e que passam o Verão desocupados nos quartéis?

Porque é que as Forças Armadas encomendaram novos helicópteros sem estarem adaptados ao combate a incêndios? Pode o país dar-se a esse luxo?

2 - A maior parte da madeira usada pelas celuloses para produzir pasta de papel pode ser utilizada após a passagem do fogo sem grandes perdas de qualidade. No entanto, os madeireiros pagam um terço do valor aos produtores florestais. Quem ganha com o negócio? Há poucas semanas foi detido mais um madeireiro intermediário na Zona Centro, por suspeita de fogo posto. Estranhamente, as autoridades continuam a dizer que não há motivações económicas nos incêndios...

3 - Se as autoridades não conhecem casos, muitos jornalistas deste país, sobretudo os que se especializaram na área do ambiente, podem indicar terrenos onde se registaram incêndios há poucos anos e que já estão urbanizados ou em vias de o ser, contra o que diz a lei.

4 - À redacção da SIC e de outros órgãos de informação chegaram cartas e telefonemas anónimos do seguinte teor: "enquanto houver reservas de caça associativa e turística em Portugal, o país vai continuar a arder". Uma clara vingança de quem não quer pagar para caçar nestes espaços e pretende o regresso ao regime livre.

5 - Infelizmente, no Norte e Centro do país ainda continua a haver incêndios provocados para que nas primeiras chuvas os rebentos da vegetação sejam mais tenros e atractivos para os rebanhos. Os comandantes de bombeiros destas zonas conhecem bem esta realidade.

Há cerca de um ano e meio, o então ministro da Agricultura quis fazer um acordo com as direcções das três televisões generalistas em Portugal, no sentido de ser evitada a transmissão de muitas imagens de incêndios durante o Verão. O argumento era que, quanto mais fogo viam no ecrã, mais os incendiários se sentiam motivados a praticar o crime...

Participei nessa reunião. Claro que o acordo não foi aceite, mas pessoalmente senti-me indignado. Como era possível que houvesse tantos cidadãos deste país a perder o rendimento da floresta - e até as habitações - e o poder político estivesse preocupado apenas com um aspecto perfeitamente marginal?

Estranhamente, voltamos a ser confrontados com sugestões de responsáveis da administração pública no sentido de se evitar a exibição de imagens de todos os incêndios que assolam o país.

Há uma indústria dos incêndios em Portugal, cujos agentes não obedecem a uma organização comum mas têm o mesmo objectivo - destruir floresta porque beneficiam com este tipo de crime.

Estranhamente, o Estado não faz o que poderia e deveria fazer:

1 - Assumir directamente o combate aéreo aos incêndios o mais rapidamente possível. Comprar os meios, suspendendo, se necessário, outros contratos de aquisição de equipamento militar.

2 - Distribuir as forças militares pela floresta, durante todo o Verão, em acções de vigilância permanente. (Pelo contrário, o que tem acontecido são acções pontuais de vigilância e combate às chamas).

3 - Alterar a moldura penal dos crimes de fogo posto, agravando substancialmente as penas, e investigar e punir efectivamente os infractores

4 - Proibir rigorosamente todas as construções em zona ardida durante os anos previstos na lei.

5 - Incentivar a limpeza de matas, promovendo o valor dos resíduos, mato e lenha, criando centrais térmicas adaptadas ao uso deste tipo de combustível.

6 - E, é claro, continuar a apoiar as corporações de bombeiros por todos os meios.

Com uma noção clara das causas da tragédia e com medidas simples mas eficazes, será possível acreditar que dentro de 20 anos a paisagem portuguesa ainda não será igual à do Norte de África. Se tudo continuar como está, as semelhanças físicas com Marrocos serão inevitáveis a breve prazo.

José Gomes Ferreira

21 setembro 2005

Desculpas aceites...




Este anúncio colocado no Jornal "O Público" na Sexta-feira 9 de Setembro do corrente ano, revela bem a forma como os Portugueses encaram os políticos actuais em Portugal.

Concretamente e em relação ao actual governo, penso que a desilusão começou logo na campanha eleitoral... e o mesmo estigma já persegue as autárquicas, com os candidatos a fazerem dos comícios autenticas romarias, pois esta é a única forma de reter aqueles que ainda ouvem o pouco que os candidatos têm para dizer. O discurso é sempre o mesmo: promessas esfarrapadas, estando muitas fora das suas áreas de competência; "enchovalhanços" de tudo e todos, inclusivamente de outros colegas partidários de quem outrora tão bem disseram; e claro, muitas críticas ao Governo, mas nunca acompanhadas de propostas ou soluções cabais.

Neste sentido, penso que o Exm.º Cidadão que teve a frontalidade (e originalidade) de colocar este anúncio, está mais do que desculpado! Mas quem nunca errou, que atire a primeira pedra...

Sérgio Carmo

20 setembro 2005

Colagénio - Feito na China com Pele Humana?

Sem qualquer tendência da minha parte para a xenofobia ou para o racismo, de facto, há coisas intrigantes... vejam este artigo.

Segundo o jornal britânico, The Guardian, "uma empresa chinesa de produtos farmacêuticos utiliza pele de presos que foram executados no fabrico de cosméticos. Fontes da empresa explicaram aos jornalistas do The Guardian que a pele é utilizada no fabrico de colagénio para os lábios e cremes anti-rugas. Porém, segundo as mesmas fontes, esta é uma prática comum e, por conseguinte, não merece ser motivo de escândalo."
Segundo a óptica chinesa, e a ser verdadeira esta história, qualquer bala na nuca, dá direito a aproveitamento de pele, por ser uma questão normal na tradição chinesa, e possivelmente com uso milenar. Claro que a empresa negou a prática.
Mas o mais "engraçado" desta notícia, como se fizesse alguma diferença, é o facto de os jornalistas do The Guardian, não terem conseguido averiguar, se a pele humana, é usada na fase de produção, ou meramente em investigação laboratorial.
Numa altura em que estalou a guerra comercial entre a UE e a China, a propósitos das exportações chinesas para a Europa, eu pergunto-me o seguinte, e responda quem souber, ou quiser.
Pena de morte, aproveitamento de cadáveres para fins de tratamento de beleza, investigação laboratorial, tudo isto, claro, sem o consentimento das famílias (pois se até pagam a bala), já para não falar do famoso planeamento familiar chinês, que deu origem a uns milhões de crianças sem direito à cidadania, sendo utilizadas para trabalho escravo, e outras, milhares, mortas à nascença, ou em abortos induzidos, para evitar multas, penas de prisão e afins, que os pais, objectivo final desse planeamento, não podem pagar.
Será que a nível global, o comércio, as negociações, o exportar/importar, são mais importantes que a Vida Humana, que os Direitos alienáveis de um Ser Humano à existência, e a ter esses direitos pós-mortem?
Segundo parece, e vou responder pelo que vejo e leio, são na verdade, bastante mais importantes.
É preferível assobiar, olhar para o lado, fingir que não se vê, tudo em nome de um simples objectivo...fazer dinheiro, e quanto mais melhor, não importando, nem a humilhação, nem a destruição do Homem.
E meus senhores, isto é a raça humana do século XXI!
Julgo que se algum dos nossos ancestrais, Homus Erectus, Nearthental, Cro Magnon, agora renascesse, com toda a certeza quereria regredir, tornar-se de novo macaco, chimpazé, larva...e para aqueles que acreditam, e escrevo-o com todo o respeito, pois sou um deles, Adão sem Eva, e sem Paraíso.
Pois se isto é o Paraíso na Terra, o que será o Inferno?

O artigo completo em: http://www.guardian.co.uk/uk_news/story/0,,1568467,00.html

Sérgio Carmo

19 setembro 2005

Obesidade Mental

Já me enviaram este texto há muito tempo, mas em altura de eleições, ainda que autarquicas, vale sempre a pena refletir. Não dizem que o maior problema de Portugal está na educação das novas gerações?...

O prof. Andrew Oitke publicou livro polémico : «Mental Obesity», que revolucionou os campos da educação, jornalismo e relações sociais em geral. Nessa obra, o catedrático de Antropologia em Harvard introduziu o conceito em epígrafe para descrever o que considerava o pior problema da sociedade moderna.

«Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos perigos do excesso de gordura física por uma alimentação desregrada. Está na altura de se notar que os nossos abusos no campo da informação e conhecimento estão a criar problemas tão ou mais sérios que esses.»

Segundo o autor, «a nossa sociedade está mais atafulhada de preconceitos que de proteínas, mais intoxicada de lugares-comuns que de hidratos de carbono. As pessoas viciaram-se em estereótipos, juízos apressados, pensamentos tacanhos, condenações precipitadas. Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada.

Os cozinheiros desta magna fast food intelectual são os jornalistas e comentadores, os editores da informação e políticos, os romancistas e realizadores de cinema.

Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as revistas e romances são os donuts da imaginação.» O problema central está na família e na escola.
«Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se comerem apenas doces e chocolate. Não se entende, então, como é que tantos educadores aceitam que a dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados, videojogos e telenovelas. Com uma «alimentação intelectual» tão carregada de adrenalina, romance, violência e emoção, é normal que esses jovens nunca consigam depois uma vida saudável e equilibrada.»

Um dos capítulos mais polémicos e contundentes da obra, intitulado "Os Abutres", afirma: «O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações humanas. A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular.» O texto descreve como os repórteres se desinteressam da realidade fervilhante, para se
centrarem apenas no lado polémico e chocante. «Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais.»

Outros casos referidos criaram uma celeuma que perdura. «O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades. Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy. Todos dizem que a Capela Sistina tem tecto, mas ninguém suspeita para que é que ela serve.

Todos acham que Saddam é mau e Mandella é bom, mas nem desconfiam porquê. Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um cateto.

As conclusões do tratado, já clássico, são arrasadoras. «Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes realizações do espírito humano estejam em decadência. A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a cultura banalizou-se, o folclore entrou em queda, a arte é fútil, paradoxal ou doentia.

Floresce a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria, o egoísmo. Não se trata de uma decadência, uma «idade das trevas» ou o fim da civilização, como tantos apregoam. É só uma questão de obesidade. O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos. O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos.

Precisa sobretudo de dieta mental : COM QUALIDADE!

BENFICA II

Depois de um fim-de-semana solarengo, mas que nunca é suficientemente grande para repor as nossas energias, vimos mais sorridentes trabalhar com a mémória fresca ainda de um 4-0 do Benfica sobre o União de Leiria, que marca o regresso do Glorioso às vitórias na Super Liga. Isto, logo a seguir a uma vitória na Liga dos Campeões até soa a estranho... já não estamos habituados a duas vitórias seguidas...
Entretanto, FCP e Sporting de Braga ficam mais perto depois de um empate. Resultado de um jogo fraco, em que o Braga podia ter ganho não tivesse optado por uma postura de medo desde de que entrou em campo; tinha mais do que capacidade para o fazer.
Nota negativa também (e em especial) para o árbitro (veterano) António Costa, que desde do primeiro minuto foi tendencioso e "amiguinho" do FCP. Espero que esteja do rol do Apito Dourado... afinal, está mesmo na altura de se retirar...

16 setembro 2005

BENFICA

Ao longo desta semana têm circulado pela NET uma quantidade incrível de anedotas sobre o Benfica.
É certo que a situação o justifica inteiramente, como qualquer benfiquista de bom senso o reconhecerá. De facto, o desempenho do SLB na super liga não convence nem os mais aficcionados e fanáticos!
A maioria das piadas até tem a sua graça... eu sou benfiquista e fartei-me de rir... a começar na carta de reclamação do assinante da Sport TV, que congratula o canal pela qualidade das transmissões, justificando assim a sua assinatura desde a abertura deste, mas que protesta pelo facto de estar agendada a transmissão directa entre os dois últimos classificados... (Benfica e Leiria). Diz-se também por ai que até o Tiago Monteiro tem mais pontos que o SLB... e pergunta-se: qual a diferença entre uma joaninha e o Benfica? É que a joaninha tem pontos...
Não consigo entender como é que este tipo de humor prolifera especialmente estimulado por portistas desprovidos de bom senso (mas com sentido de humor!). Parece-me pouco inteligente gozar com um clube que esta semana ganhou a eliminatória da Liga dos Campões, ao contrário do próprio FCP!
Justo seria, da parte dos portistas, inaltecerem a sua equipa pelo magnífico jogo que fizeram. Não ganharam, é um facto. Desta vez a sorte não ajudou... mas fizeram um jogo espectacular, dando um exemplo a todo o mundo do que é jogar com vontade de vencer, inaltecendo desta forma o desportivismo e espírito competitivo do nosso país. Mas sobre isto não ouvi nem uma palavra... Não será isto bem mais importante?!

Sou assim obrigado a concluir que a dimensão do Glorioso SLB é tão grande, que mesmo pela negativa, consegue abafar feitos dignificantes de outros clubes menos importantes... mais pequenos... com menos simpatizantes...

Sérgio Carmo

We wish to inform you that tomorrow, we will be killed with our families.

Estas são, textualmente, as palavras de um pedido de socorro foi enviado por uma comunidade Tutsi durante os massacres que ocorreram no Ruanda em 1994. O pedido não foi atentido e no dia seguinte a mensagem tornou-se realidade.
O genocídio do Ruanda, aconteceu em 1994, há pouco mais de 10 anos! Lembram-se como foi o vosso 1994? Lembro-me de algumas coisas. Lembro-me que esse foi o ano em que comprei o meu primeiro carro apenas com dinheiro que eu ganhara. Lembro-me que vivia em Aveiro, perto de um conservatório e que durante o Verão, quando a janela da sala ficava aberta, a minha casa era gentilmente inundada por música. Lembro-me que nesse verão passava os fins de tarde a aprender a fazer windsurf com um instrutor que parecia saído de woodstock. Lembro-me que na rádio podia-se ouvir a banda sonora do filme "Bodyguard" com a Whitney Houston e o Kevin Costner. Lembro-me que o Kurt Cobain pôs termo à sua vida mas deu início a uma lenda, com um tiro de caçadeira na cabeça. Lembro-me vagamente de ouvir qualquer coisa sobre o Ruanda. Foi por isso que hoje, quando abri o computador para ver como ia o mundo pela lente da BBC (que não sendo isenta sempre é mais equilibrada que as Norte Americanas CNN ou NBC), uma notícia sobre a Justiça ter apanhado um padre Belga que estivera involvido no genocídio do Ruanda, me espicaçou e levou a seguir os links.
Não sei o que me chocou mais descobrir. Se o facto de a igreja católica ruandesa ter estado ligada aos massacres, com centenas de Tutsis a terem sido mortos dentro de igrejas (um bispo chegou a activamente apoiar o assassínio de uma classe de crianças Tutsis dentro da sua própria sala de aula!), se a indiferença da Belgica, da França, dos Estados Unidos, da ONU e do resto da comunidade internacional (todos estavam a par do que se ia passar e nada fizeram para o impedir), se da pura dimensão da brutalidade humana. Num espaço de 100 dias: 800 mil pessoas foram torturadas e mortas à machadada, à pedrada, à paulada, incendiadas. As balas foram para os que tiveram sorte. Homens, mulheres, velhos e crianças. Ninguém escapou à bestialidade assassina de homem contra homem. Nenhuma outra espécie no planeta seria capaz de tal feito.
Talvez seja por ter a Matilde no meu colo e por a sua chegada ter alterado muita coisa na minha vida, inclusivamente a minha forma de ver o mundo, mas fiquei extremamente incomodado por descobrir como tinha sido possível que isto me tivesse passado ao lado. Fiquei incomodado por imaginar que para a maioria da população provavelmente isto não passou de um breve momento de telejornal (ainda assim menos interessante que o resultado do Sporting-Benfica que incidentalmente nesse ano se saldaria por um esclarecedor 3-6). Fiquei incomodado por perceber que a história se repete. Que só na década de 90, duas guerras (a outra é a da desintegração da Yugoslávia, que durou perto de 10 anos e ceifou a vida a cerca de 1,2 milhões de pessoas) de irmão contra irmão, de vizinho contra vizinho, assumiram contornos de genocídios premeditados e planeados. Fergal Keane (correspondente da BBC durante os massacres) afirma numa das reportagens: "After Rwanda, it is impossible for me to ever feel the same again about societies, humanity, and mymself".
Não duvido e por isso é que é tão importante manter viva a memória dos nossos erros. Para que pelos menos fique a esperança de que isso nos impeça de os voltar a cometer outra vez.

(dêm uma leitura por estes sites)

http://news.bbc.co.uk/1/hi/in_depth/africa/2004/rwanda/default.stm
http://www.pbs.org/wgbh/pages/frontline/shows/evil/
http://www.pbs.org/wgbh/pages/frontline/shows/ghosts/
http://news.bbc.co.uk/1/hi/world/africa/3602859.stm
http://news.bbc.co.uk/1/hi/world/africa/3573229.stm
http://news.bbc.co.uk/1/hi/world/africa/1288230.stm
http://news.bbc.co.uk/1/hi/programmes/panorama/3582011.stm
http://www.pbs.org/wgbh/pages/frontline/shows/evil/etc/slaughter.html
http://www.pbs.org/wgbh/pages/frontline/shows/ghosts/video/
http://www.pbs.org/wgbh/pages/frontline/shows/karadzic/genocide/neveragain.html

Nuno Santo Amaro

13 setembro 2005