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02 novembro 2009

Stay... not faraway... much closer!


Green light, Seven Eleven,
You stop in for a pack of cigarettes.
You don't smoke, don't even want to.
Hey now, check your change.
Dressed up like a car crash
Your wheels are turnin' but you're upside down.
You say when he hits you, you don't mind
Because when he hurts you, you feel alive.
Oh, is that what it is?

Red lights, grey morning
You stumble out of a hole in the ground.
A vampire or a victim
It depends on who's around.
You used to stay in to watch the adverts
You could lip synch. to the talk shows.
And if you look, you look through me
And when you talk, you talk at me
And when I touch you, you don't feel a thing.

If I could stay, then the night would give you up.
Stay, and the day would keep its trust.
Stay, and the night would be enough.

Faraway, so close
Up with the static and the radio.
With satellite television
You can go anywhere:
Miami, New Orleans
London, Belfast and Berlin.

And, if you listen, I can't call.
And, if you jump, you just might fall.
And, if you shout, I'll only hear you.

If I could stay, then the night would give you up.
Stay, and the day would keep its trust.
Stay with the demons you drowned.
Stay with the spirit I found.
Stay, and the night would be enough.

Three o'clock in the morning
It's quiet, there's no one around,
Just the bang and the clatter
As an angel runs to ground.
Just the bang and the clatter
As an angel hits the ground.

(U2 - Stay, Zooropa)


Stay foi desde logo o meu tema favorito do álbum Zooropa. Um álbum controverso (como grande parte dos álbuns dos U2, banda que já é conhecida por conseguir inovar e criar tendências musicais distintas, sem perder a sua coerência enquanto banda... digo eu...). Provavelmente Zooropa foi controverso, porque quebrou a irreverência de Achtung Baby com um toque mais electrónico e menos frenético; que por sua vez havia dado uma pedrada no charco no som mais americanizado e comercial de Joshua Tree e Rattle & Hum... e talvez estes dois tenham sido os únicos álbuns não irreverentes dos U2. Boy, War e October são irreverentes na originalidade de um rock ingénuo. A primeira grande cartada de irreverência, e maior de todas, é The Unforgetable Fire, que caracteriza ainda hoje o som da banda: o som é original, mas torna-se consistente e assume-se maduro passados 25 anos.

Voltando a Achtung Baby, a verdade é que a banda continuou a inovar e a criar novas sonoridades álbum após álbum ao mesmo ritmo (talvez tenha acalmado ligeiramente em All That You Can't Leave Behind, ou mesmo em No Line On The Horizon).

E voltando a Stay, se o tema original é fantástico, mais fantástica é a re-criação do tema de Craig Armstrong, onde manteve apenas a voz de Bono.

Mas as tournées dos U2 são sempre inovadoras e Stay, surge em 2001 num formato acústico, que lhe fica a matar.

Entre esta versão e a de Craig Armstrong... prefiro a última, sem grandes hesitações. Digamos que põe o meu coração a palpitar com mais intensidade e mais depressa... e até me faz transpirar ligeiramente...

Fico curioso para conhecer o novo formato do tema na 360º Tour, que vou assistir em Outubro de 2010. Só vos digo, que depois de ver as primeiras imagens dos concertos no site dos U2, ia assitir ao espectáculo nem que fosse surdo!

Sérgio

30 outubro 2009

Sentimentos Controversos

"...this song is about let it go somebody you don't want let go off...".



Something is about to give
I can feel it coming
I think I know what it is
I'm not afraid to die
I'm not afraid to live
And when I'm flat on my back
I hope to feel like I did

Cause hardness, it sets in
You need some protection
The thinner the skin

I want you to know
That you don't need me anymore
I want you to know
You don't need anyone, anything at all

Who's to say where the wind will take you
Who's to know what it is will break you
I don't know which way the wind will blow
Who's to know when the time has come around
Don't wanna see you cry
I know that this is not goodbye

In summer I can taste the salt in the sea
There's a kite blowing out of control on a breeze
I wonder what's gonna happen to you
You wonder what has happened to me

I'm a man, I'm not a child
A man who sees
The shadow behind your eyes

Who's to say where the wind will take you
Who's to know what it is will break you
I don't know where the wind will blow
Who's to know when the time has come around
I don't wanna see you cry
I know that this is not goodbye

Did I waste it?
Not so much I couldn't taste it
Life should be fragrant
Roof top to the basement
The last of the rock stars
When hip hop drove the big cars
In the time when new media
Was the big idea
That was the big idea

(U2 - Kite, All That You Can't Leave Behind)



Por outras palavras... gostas de mim e não sabes conviver com isso.

Sérgio

11 janeiro 2009

Stay...

...don't stay in front of the computer... take the Craig Armstrong album, turn it on the stereo, and stay... with me... just earing it!

Sérgio



Green light, Seven Eleven
You stop in for a pack of cigarettes
You don't smoke, don't even want to
Hey now, check your change
Dressed up like a car crash
Your wheels are turning but you're upside down
You say when he hits you, you don't mind
Because when he hurts you, you feel alive
Hey babe, is that what it is

Red lights, gray morning
You stumble out of a hole in the ground
A vampire or a victim
It depend's on who's around
You used to stay in to watch the adverts
You could lip synch to the talk shows

And if you look, you look through me
And when you talk, you talk at me
And when I touch you, you don't feel a thing

If I could stay...
Then the night would give you up
Stay...and the day would keep its trust
Stay...and the night would be enough

Faraway, so close
Up with the static and the radio
With satelite television
You can go anywhere
Miami, New Orleans
London, Belfast and Berlin

And if you listen I can't call
And if you jump, you just might fall
And if you shout, I'll only hear you

If I could stay...
Then the night would give you up
Stay...then the day would keep its trust
Stay...with the demons you drowned
Stay...with the spirit I found
Stay...and the night would be enough

Three o'clock in the morning
It's quiet and there's no one around
Just the bang and the clatter
As an angel runs to ground

Just the bang
And the clatter
As an angel
Hits the ground

(Stay, U2 - Zooropa, 1993)

29 setembro 2008

Concertos a Sério!

Dado o meu estado pós-operatório ando agora mais quietito por casa. Impedido dos meus habituais desportos e dos quais já tantas saudades tenho (a ansiedade do regresso às 4 linhas começou logo no dia seguinte à operação... em especial, ando com saudades de jogar ténis!), fico a giboiar no sofá em frente à tela a ver filmes e concertos.

Depois de ter assistido, in loco, ao concerto da Madonna, concluo que de facto, de um concerto muito fraco se tratou... Não só pelas condições do espectáculo, mas por se tratar de um espectáculo centrado na própria. Nestes dias, embora sentado no sofá, tenho visto muito melhor!

U2

ZooTv, Zooropa ou Vertigo Tour. São espectáculos muito centrados nas "estrelas" e repletos de tecnologia, tal como o de Madonna. No entanto, são muito mais intensos e "viviveis" que o de Madonna, onde tudo o que nos resta é assistir. Também em termos tecnológicos são muito superiores aos de Madonna. Nota-se que o espectáculo se tornou mais humano com o envelhecer da banda... mais afáveis e com menos "super-ego".

Divine Comedy - Live at the Palladium Theatre

Divinal a voz de Neil Hannon, especialmente neste caso, acompanhada por uma extraordinária orquestra sinfónica. O som tem uma presença e uma envolvência fora de série. É um encanto ouvir um som tão melódico, tão envolvente e com arranjos tão bem elaborados... nada, mas nada mesmo chega ao som de uma verdadeira orquestra sinfónica.
Quando comparado com os espectáculos anteriores, quase se pode perguntar "Como é que se pode gostar disto?!", tal é a simplicidade de um palco de teatro, com os músicos lá em cima (a maioria sentados) e algumas luzes a apontar para os mesmos... Se pudesse optar entre assistir novamente ao espectáculo de Madonna, ou a um espectáculo dos Divine Comedy acompanhados por uma orquestra sinfónica, não hesitaria em escolher estes. Até porque Neil Hannon é um cómico! E há diálogo com a plateia... e literalmente! Durante o "National Express", alguns dos espectadores são mesmo convidados a mostrar os seus dotes vocais.

Calexico - World Drifts In - Live at the Barbican in London


Ao mesmo estilo de palco de teatro e meia dúzia de luzes simples, estes apenas trocam a orquestra sinfónica por um grupo de mariachis. A sonoridade é realmente impressionante: potente, toca-nos na alma e bem no meio do peito!
É um delírio de reciprocidade entre os músicos e a assistência, onde pessoas simples tocam músicas repletas de sentimento e alma, que comovem e arrepiam quem os ouve. Intenso, sem dúvida, tanto quanto memorável.
A música dos Calexico é só por si única; acompanhada pelos mariachi que tanto influencia a sua sonoridade, torna-se ainda mais inédita.
O espectáculo é repleto de encores (quase como aconteceu no Hard Rock!!!) e até há tempo para os papeis se inverterem: ou seja, passam os mariachi a tocar com os Calexico a acompanhar! Único e imperdível!

Peter Gabriel - Secret World Live

A cereja no bolo vem agora... Quem algum dia pensou que Peter Gabriel no seu fim de carreira poderia fazer um espectáculo tão fabuloso?!
Dizem que os músicos quando vão aos EUA vêm diferentes... as suas carreiras transformam-se, crescem, amadurecem... Desculpem a minha opinião, mas para mim apodrecem! Foi o que quase aconteceu aos U2 com o álbum Joshua Tree (felizmente aqueles 4 são realmente uns iluminados e souberam reconverter-se numa fabuloso Achtung Baby). Curioso é observar o que sucedeu com Paul Simon e Peter Gabriel depois de passarem por África! A sua carreira musical levou uma volta de 360º!!! Eheheh! Sim, ficaram virados para o mesmo lado, mas ordem natural das ideias reordenou-se definitivamente! África deve ser, de facto, um continente muito intenso... altera as pessoas que já o viveram... altera a música dos que por lá passaram, a escrita dos que por lá respiraram... vi-a nos olhos do meu Avô quando falava de África... ficavam húmidos, distantes, estáticos...
Este espectáculo, apesar de desenvolvido numa sala de espectáculos e não ao ar livre, brinda-nos com momentos únicos de eloquência entre os músicos e excelentes gadjets de tecnologia. A tudo isto, soma-se a teatrialidade que Peter Gabriel imprime nas suas interpretações e muita dança! Dança, quer dele, quer dos músicos... nada de bailarinos! Mas não coreografias pré-definidas... dança de quem está a sentir a música que toca!
Acima de tudo, os músicos fazem aquilo que deles se espera: tocam vários instrumentos; cantam; dançam; divertem-se à grande... e tudo sem vedetismos! Um todo onde Peter Gabriel é apenas um dos músicos da equipa.
Também no fim do espectáculo, à banda de Peter Gabriel se junta uma banda de músicos africanos, com uma sonoridade única.
É um espectáculo que nos toca pela originalidade... acima de tudo, como se pode fazer um espectáculo tão grandioso, com coisas tão simples e fazendo, simplesmente, o que se espera de nós. Não é preciso ser-se uma estrela excêntrica para marcar e surpreender as pessoas... apenas fazer o que se espera de nós com mestria, com excelência.

É claro que quando se não a tem... recorre-se a outros artifícios...

Sérgio

29 abril 2008

I'M YOUR MAN.

"I'm Your Man" é uma homenagem recentemente prestada a Leonard Cohen, por músicos maioritariamente canadianos. Foi editado sob o formato de um documentário sobre a vida de canadiano judeu e músico de excelência. É uma homenagem sincera, prestada em vida ao músico (como todas deveriam ser), em que pode ser invocada a sua biografia, ainda que de forma muito ligeira... sim, porque Mr. Cohen não é o tipo de pessoa que goste de partilhar a sua vida pessoal, nem precisa ou aprecia trampolins para o estrelato. Acima de tudo, porque não precisa... já é bem conhecido junto de quem ele pretende ser... e porque esse tipo de fama efémere não combina com a qualidade, consistência e imortalidade da sua obra. É... há casos em que uma vida recatada e afastada dos media, aumenta ainda mais a fama... mas acima de tudo, o prestígio!

Photobucket

Quando se fala de Leonard Cohen, fama não é um termo apropriado; vassalagem, sim. Idolatragem, também. Admiração, muita seguramente. Veneração parece-me o termo mais adequado.

No final de visualizar este documentário biográfico, mesmo alguém que nunca tenha ouvido falar deste senhor, estará certamente rendido à sua pessoa, à sua obra, ao seu charme, ao seu olhar... à sua expressão sempre sorridente, sincera e tranquila. Leonard Cohen é um exemplo, um modelo de viver bem, de correcção, de educação, de civismo, de consciência... aquele tipo de pessoa que em cada acto, cada palavra, cada movimento, nos permite aprender uma lição de vida. Poucas pessoas chegan a este patamar... assim de momento só me lembro do meu pai... e do meu instrutor de Viet Vo Dao, José Manuel Mendonça.

A história de vida do senhor tem recortes curiosos... como por exemplo, tratar-se de alguém que nunca se sentiu confortável dentro de uns jeans! Por isso, veste usualmente um fato, como a roupa com que mais confortável se sente. Ao contrário do que se conhece, de mulherengo apenas tem a fama. Na verdade o Sr. Cohen é um defensor da vida com regras, com princípios rigidos, quase militares; a sua admiração por este estilo de vida leva-o mesmo a frequentar mosteiros e a co-habitar com o seu mestre Rushi e os monges, no seu estilo de vida característico. Aliás, aquele sorriso só podia ter essa origem...

Entre os músicos que neste documentário interpretam temas do Sr. Cohen, encontramos Nick Cave (com uma versão divinal de I'm Your Man, e outra de Suzane), Rufus Wainwright (interpreta vários temas entre os quais Hallelluja... tema que eu pensava ser do John Cale!), Antony (num tema que eu não conhecia, mas que é sem dúvida a interpretação mais impressionante do documentário... para vos aguçar a curiosidade, não vos digo o nome do tema!) e os U2 em dueto com o próprio, o Grande Leonard Cohen, em Tower of Song.

No documentário há duas citações que me tocaram em especial...

A primeira é de Nick Cave, que nos conta que na sua infância, vivia numa povoação pequena com a qual em nada se identificava. E descreve o dia em que ouviu pela primeira vez Leonard Cohen, como o dia em que se sentiu a pessoa mais "cool" do mundo! Tinha descoberto algo tão belo, tão próximo da perfeição, e que tão pouca gente conhecia. Sentia-se então como um iluminado... um privilegiado.

A segunda é de Bono, que nos diz algo como "... sejamos muito honestos... Leonard Cohen move-se em terrenos, nos quais muito poucos de nós sequer aspiram a algum dia atingir...". Chocante!

Outro momento muito particular no documentário, surge com o próprio Mr. Cohen a descrever o orgulho com que fez o prefácio para a edição em chinês de um dos seus livros... a humildade com que o faz e o escreveu é novamente chocante... Desde agradecer a aquisição do livro, a pedir desculpa caso o livro não agrade, a agradecer o tempo dispensado a lê-lo, e o orgulho por ter um livro editado na língua de uma cultura que tanto o influênciou ao longo da sua vida.

A obra musical de Leonard Cohen não é muito extensa... O resultado todavia é exponencialmente proporcional á quantidade de temas criados, em que cada palavra nas letras é analisada, repensada e até sofrida; tal como a componente musical, que conhecia sempre várias versões até chegar à final. Uma música poderia demorar um ano a ser criada... o resultado é de uma consistência anormal, apenas equiparada a compositores como George Gershwin.

Ouço a música de Leonard Cohen há muitos anos... os sons foram-me apresentados pelo meu pai, que tem vários discos dele (em vinil como eu gosto!). Em 1988 comprei o único registo do Sr. Cohen que tenho... I'm Your Man. Escusado será dizer que escrevi estas linhas ao som deste álbum... que adquiri em cd (podem não acreditar, mas perde bastante para a atmosfera Cohen reproduzida num vinil... é um daqueles casos em que a diferença é bastante significativa). Leonard Cohen não é um músico que eu ouça muitas vezes... mas é dos que mais toca no disco rígido do meu cérebro...

Deixo-vos com uma reflexão: conhecem Leonard Cohen? Eram capazes de enumerar um tema dele antes de lerem este texto? Quantos dos vossos amigos são capazes de responder a estas duas perguntas? Por vezes convém perceber como é que "gastamos" o nosso tempo de vida: será que o fazemos com coisas, pessoas, factos que realmente válidos? Efemeridade vs imortalidade é um tema delicado...

Sérgio