21 outubro 2008

Uma Lição de Morte...

Há pessoas realmente incríveis! Mas este certamente bate bastantes records na capacidade de nos surpreender...

O nosso paradigma sobre a morte e a doença é naturalmente depressivo e triste. Naturalmente digo eu... porque é um paradigma aceite... Mas porque é que há-de ser assim?! Porque não gozar a vida até ao último minuto com o máximo de qualidade e alegria? Não é isso que fazemos noutras situações em que algo vai acabar?! Aproveitamos até ao fim... deliciámo-nos até ao fim... porque tudo é uma dádiva capaz de nos fazer felizes se soubermos aproveita-la.

Se este Homem é capaz de fazer isto com os dias contados, imaginem o que não faria se tivesse uma saúde normal como a nossa... Somos, de facto, uns grandes sortudos!

Este fim-de-semana terminei um livro inédito (aconselhado pela nossa amiga Trouble): "A Inutilidade do Sofrimento" de Maria Jesús Álava Reyes. De um momento para o outro, associei a este video que vi também no Sábado (obrigado Lover pelo email). De facto, que me adianta sofrer por antecipação quando prevejo que algo mau me irá acontecer? Em que é que isso contribui para a minha felicidade, qualidade de vida ou possibilidade de melhorar o meu estado actual?! Nada! Absolutamente nada! E ainda por cima, grande parte destas situações que nos levam a sofrer por antecipação, acabam por não acontecer, o que faz com que sejamos, acima de tudo, uns grandes palermas.

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Este livro faz-nos ver coisas fantásticas no nosso dia-a-dia, nomeadamente, a forma perfeitamente idiota com que olhamos para determinados acontecimentos e fazemos tudo para que consigamos ser cada dia mais infelizes; e cada vez mais, desperdicemos as fantásticas oportunidades que a vida nos oferece diariamente.

Acima de tudo, porque havemos de nos amesquinhar quando uma dificuldade nos surge? E lamentamo-nos que não temos sorte... E arranjamos 30 culpados para tudo aquilo... E daí?! Resolve alguma coisa?! Aumenta a nossa felicidade?! Resolve os nossos problemas?! Nada! Novamente, nada! Só nos faz sentir pior e gastar energias e tempo útil que poderíamos usar em nosso benefício. Mas nós somos insistentes! E continuamos dia após dia a fazer a mesma coisa; a não aprender nada, e a não usufruir nada do que podemos aprender e aproveitar do nosso dia-a-dia. Lembram-se da letra do "Chuva Dissolvente" dos Xutos e Pontapés? É por aí!

A vida tem de ser vista como uma forma de melhorar dia-a-dia as nossas capacidades e características pessoais, e desta forma, sermos mais felizes, porque melhor gerimos as dificuldades e melhor aproveitamos as oportunidades que temos. O contrário é irracional: não aprender, não melhorar, não gerir melhor a algo que nos acontece pela segunda vez.

O ser humano tem esta capacidade. E se repararmos bem, os ditos animais irracionais também a têm. Mas nós, que somos superiores, dámo-nos à preguiça de não nos esforçarmos... porque vivemos numa civilização evoluída e que nos dá condições de bem-estar mínimo aceitáveis. Os nossos antepassados não tiveram essa possibilidade... por isso, a civilização evoluíu até ao estado de elevado desenvolvimento actual.

Para ter esta atitude não é preciso ser sobredotado; apenas força de vontade de ser feliz... de que o dia de amanhã seja mais fácil do que o de hoje, porque amanhã estaremos mais preparados do que estávamos hoje: "Experience is what you get, when you didn't get what you wanted to get".

Possivelmente esta atitude medíocre, mesquinha e tacanha do ser humano, mais comum na Europa, que na América, deve-se muito à nossa socialização e educação. De facto, algumas religiões levam à anulação da personalidade do indivíduo, pela submissão (o fantasma da Idade Média continua bem presente após seis séculos de História). A nossa educação assenta muito mais na repreensão dos nossos erros, do que no reconhecimento e motivação perante as nossas vitórias e sucessos. Há falta de empreendedorismo nas nossas almas!

E se pensarmos bem na nossa formação e na quantidade massiva de conhecimentos com que massacramos os nossos neurónios (muitos deles rapidamente ultrapassados e outros que nunca nos serão úteis), mais uma vez verificamos o efeito de standardização das nossas formas de ser. Na verdade, ninguém nos ensina a sermos felizes e a rir! Na verdade, ninguém nos ensina a gerir as nossas emoções e sentimentos. A inteligência emocional parece passar ao lado dos programas currículares, que absorvemos durante um quarto ou mais nas nossas vidas.

Há que ter presente, que o que sentimos não é reflexo do que nos acontece. Já pensaram nisso?! Reparem que apesar do efeito standardizador referido, reagimos de forma diferente uns dos outros, perante as mesmas situações e acontecimentos... Então, o que realmente influi no que sentimos?! São os nossos pensamentos! Esses sim, são capazes de gerar emoções, condicionando o nosso estado emocional. Façam um teste: pensem num conjunto de coisas que vos são especialmente agradáveis, tipo, as últimas férias! Fixem-se só nessas recordações durante uns instantes... Naturalmente, sentiram-se bem! Façam agora o contrário: pensem em algo realmente desagrádável... e já estão a sentir-se infelizes, azarados, pequenos e impotentes perante o mundo. Afinal, decorrente do que estamos a pensar, podemos sentir-nos bem ou mal.

Mais do que isso: podemos controlar os nossos pensamentos! Acabamos de o fazer! Portanto, sempre que algo de mal me ocorrer, tenho de bloquear esses pensamentos e pensar em algo que me enalteça, para a seguir conseguir gerir a dificuldade que vou ter de superar. Obriguem o vosso cérebro a fazer aquilo que vocês querem, porque ele não distingue um bom pensamento de um mau... O nosso cérebro foge da dor em direcção ao prazer, nem que para isso nos ponha a cometer deslealdades para connosco, como fugir, mentir ou outras coisas mais graves. Temos de ser nós a controlá-lo. Consegue-se com treino. Comecem por coisas simples: quando estão a beber água, bebam até ao fim do copo; quando estão a ler um livro chato, leiam até ao fim; quando estão a fazer uma tarefa doméstica e querem ir ver televisão, primeiro acabem a tarefa doméstica. Aos poucos, o vosso cérebro deixará de aceitar a incongroência de fugirmos aos desafios e de desistir daquilo que nos oferece resistência. Estaremos a alargar a nossa área de conforto a novos domínios, onde não nos sentíamos confortáveis... por desconhecimento! Por falta de arrojo em alcançar novas metas.

E o mais fantástico disto tudo: é que quando nos sentimos bem, tudo o que fazemos nos sai bem e sem esforço! Conseguimos bom desempenho e motivação! Por vezes trabalhamos horas a fio em coisas para as quais estamos altamente motivados. Terminamos orgulhosos, felizes e o cansaço? Nem vê-lo! Mas com frequência, temos alguns fretes para fazer... demoramos muito tempo... não ficam especialmente bem feitos... e terminamos injustificavelmente exaustos! Porquê?! O que custa não é fazer as coisas... o que custa é fazê-las sem empenho.

E ainda mais um bónus: quando estamos felizes, quando nos sentimos bem e temos um bom desempenho, esta atitude contagia e cria grande admiração naqueles que connosco se cruzam. O que por sua vez, facilita o nosso desempenho! É um ciclo vicioso que nunca mais pára!

Para terminar, digo-vos que o fim do livro é comovente... Mas nada mais direi, porque não há nada como recorrer ao original! Se querem ser melhores pessoas e viverem mais felizes, façam alguma coisa por vocês mesmos, porque caso contrário, ninguém fará! Os nossos sonhos só dependem de nós... ninguém pode sonhar e concretizar esses sonhos por nós. Caso contrário, deixariam de ser sonhos e em nada contribuiriam para a nossa felicidade!

Sérgio

20 outubro 2008

Olha para o que eu sinto, não olhes para o que eu faço!

Desde sempre que afirmo que qualquer animal, se criado e bem tratado por nós, se tornará um dos nossos melhores amigos. Os cães são a prova disso: já conheci rotweillers, doberman e pitbulls melosos e lamechas, assim como caniches raivosos e ferozes.


Este video mostra o quanto é verdade o que desde sempre foi minha opinião.

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O Templo do Tigre, na Tailândia, é outro exemplo de como um animal dito selvagem, se pode tornar um dócil amigo. Qualquer turista que visite este templo vê como os tigres convivem com os monges, além de puder, ao vivo a cores, abraçar e rebolar com um ou mais tigres adultos.

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Isto leva-me para algo que ouvi uma vez, e a frase não seria propriamente esta, mas algo parecido: "Nós esquecemos tudo. Tudo o que nos dizem. Tudo o que fazem por nós, mesmo que por vezes esse implique actos de risco e coragem para outrém. Nós nunca esquecemos, o que nos fizeram sentir.".

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Parece-me que esta frase é extensível também aos animais. Aliás, não gosto de definir a espécie "Homem" como ser humano. Ao longo da história, o Homem demonstra sistematicamente falta de qualidades humanas, que pelo contrário, os ditos "animais" apresentam intactas.

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Neste contexto, estou a ler um livro que me está a agradar especialmente: "A Sabedoria dos Lobos". O lobo mantêm uma relação de coabitação com o Homem desde sempre... Serão poucos os animais que colheram uma tão grande admiração e veneração por parte do Homem. O lobo ofereceu-nos o cão: o melhor amigo do Homem! Mas um lobo não é um cão... O lobo tem uma vida própria, uma organização social na alcateia, vive para ela e pretende o seu reconhecimento e notariedade dentro desta. Observando a forma de viver dos lobos poderíamos melhorar, e em muito, a nossa coabitação social. Mas especialmente, deixar de ter medo do "lobo mau"! Definitavamente, o perigo não está nele...

Sérgio
p.s.: não deixem de ler este livro!

09 outubro 2008

Noites Ritual.

Numa passagem rápida por aqui, dada uma gritante falta de tempo nestas duas últimas semanas, divididas entre a inauguração (formal) do escritório, o meu aniversário e o início da fisioterapia (que me rouba 2 horas por dia), relembro as fantásticas "Noites Ritual" com que a cidade do Porto nos brinda anualmente no final de Agosto, nos não menos fantásticos Jardins do Palácio de Cristal.

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Neste último Agosto, passei por lá no Sábado e retive a actuação de abertura dos Casino Royal, banda portuguesa que eu nunca tinha ouvido. Até nem estava em frente ao palco, quando fui surpreendido com um som fenomenal! Uma voz possante, um ritmo derivado do jazz, um som envolvente e marcante, a fazer lembrar por vezes Goldfrapp dada a aura que instalava, mas com um reflexo do jazz dos anos cinquenta. A sério que me é difícil descrever. Mas ouçam na net, comprem o álbum (se conseguirem... eu ainda não consegui). É de facto uma banda a reter, quer pela qualidade, quer pela distinção.

Assisti ainda aos incriveis Linda Martini que tiveram uma actuação desastrosa... mais parecia um ensaio de garagem... Interacção com o público, zero. A voz estava imperceptivel e fizeram demasiado barulho, divagando em improvisações mal conseguidas. Para esquecer.

O motivo deste post chama-se Rita Red Shoes, que actuou nessa noite e não só me surpreendeu como me seduziu... estou só a referir-me à música da menina... O pouco que conhecia de Rita Pereira, cinge-se às participações nos álbuns de David Fonseca, especialmente ao duo de voz em "Hold Still", onde se reconhece uma voz e uma melodia fascinantes, para além da forma irrepreensível como toca piano. A actuação ao vivo mostrou uma senhora em palco, altamente profissional, comunicatica e sem qualquer super-ego de super-star. Uma figura cativante, com uma voz e postura simpática... ou mesmo empática. Quanto à música, a actuação mostrou aquilo que a rádio foi incapaz de revelar em "Golden Era": um trabalho interessante, com inspiração country e ritmo vivo. Mais do que isso, o som de Rita Red Shoes varia entre sons infantis e tons maternais; simplicidade sonora mas com consistência musical, conseguindo combinar frescura com envolvência. Há algo de íntimo neste som... parece-me que espelha de tal forma a alma da compositora, que nos toca também a nós, cá dentro... quase que nos leva a pensar, que aqueles temas poderiam ter sido compostos por nós mesmos.

O resto das actuações foi para esquecer... Mesmo a dos Buraka Som Sistema, que apesar de não ser propriamente música... apesar do nível musical e cultural vergonhoso... apesar de toda a sonoridade e letras serem patéticas... reconheço que dentro do estilo estão ao nível do que se faz em todo o mundo, e por isso, merecem o sucesso que têm. Já o espectáculo em si... não lhe chamaria um concerto, mas uma ida à discoteca! A uma discoteca horrível, é claro... porque aquilo, com excepção da abertura de bom impacto visual e sonoro, é... insuportável de tão mau!

Escrevo isto agora, porque o álbum de Rita Red Shoes tem sido o som que mais me acompanha este semana. E realmente, faz-me bem!

Sérgio

02 outubro 2008

Beatiful Calm Driving

Ando-me a passar com este tema! Ouço-o no carro incessantemente... Isto ao vivo e com um bocadinho mais de rudeza deve ser brutal...

Está no último álbum da Sia (ex-ZERO7), Some People Have Real Problems. Esta é apenas uma das ilustrações visuais que estão colocadas no you tube.

Sérgio

29 setembro 2008

Concertos a Sério!

Dado o meu estado pós-operatório ando agora mais quietito por casa. Impedido dos meus habituais desportos e dos quais já tantas saudades tenho (a ansiedade do regresso às 4 linhas começou logo no dia seguinte à operação... em especial, ando com saudades de jogar ténis!), fico a giboiar no sofá em frente à tela a ver filmes e concertos.

Depois de ter assistido, in loco, ao concerto da Madonna, concluo que de facto, de um concerto muito fraco se tratou... Não só pelas condições do espectáculo, mas por se tratar de um espectáculo centrado na própria. Nestes dias, embora sentado no sofá, tenho visto muito melhor!

U2

ZooTv, Zooropa ou Vertigo Tour. São espectáculos muito centrados nas "estrelas" e repletos de tecnologia, tal como o de Madonna. No entanto, são muito mais intensos e "viviveis" que o de Madonna, onde tudo o que nos resta é assistir. Também em termos tecnológicos são muito superiores aos de Madonna. Nota-se que o espectáculo se tornou mais humano com o envelhecer da banda... mais afáveis e com menos "super-ego".

Divine Comedy - Live at the Palladium Theatre

Divinal a voz de Neil Hannon, especialmente neste caso, acompanhada por uma extraordinária orquestra sinfónica. O som tem uma presença e uma envolvência fora de série. É um encanto ouvir um som tão melódico, tão envolvente e com arranjos tão bem elaborados... nada, mas nada mesmo chega ao som de uma verdadeira orquestra sinfónica.
Quando comparado com os espectáculos anteriores, quase se pode perguntar "Como é que se pode gostar disto?!", tal é a simplicidade de um palco de teatro, com os músicos lá em cima (a maioria sentados) e algumas luzes a apontar para os mesmos... Se pudesse optar entre assistir novamente ao espectáculo de Madonna, ou a um espectáculo dos Divine Comedy acompanhados por uma orquestra sinfónica, não hesitaria em escolher estes. Até porque Neil Hannon é um cómico! E há diálogo com a plateia... e literalmente! Durante o "National Express", alguns dos espectadores são mesmo convidados a mostrar os seus dotes vocais.

Calexico - World Drifts In - Live at the Barbican in London


Ao mesmo estilo de palco de teatro e meia dúzia de luzes simples, estes apenas trocam a orquestra sinfónica por um grupo de mariachis. A sonoridade é realmente impressionante: potente, toca-nos na alma e bem no meio do peito!
É um delírio de reciprocidade entre os músicos e a assistência, onde pessoas simples tocam músicas repletas de sentimento e alma, que comovem e arrepiam quem os ouve. Intenso, sem dúvida, tanto quanto memorável.
A música dos Calexico é só por si única; acompanhada pelos mariachi que tanto influencia a sua sonoridade, torna-se ainda mais inédita.
O espectáculo é repleto de encores (quase como aconteceu no Hard Rock!!!) e até há tempo para os papeis se inverterem: ou seja, passam os mariachi a tocar com os Calexico a acompanhar! Único e imperdível!

Peter Gabriel - Secret World Live

A cereja no bolo vem agora... Quem algum dia pensou que Peter Gabriel no seu fim de carreira poderia fazer um espectáculo tão fabuloso?!
Dizem que os músicos quando vão aos EUA vêm diferentes... as suas carreiras transformam-se, crescem, amadurecem... Desculpem a minha opinião, mas para mim apodrecem! Foi o que quase aconteceu aos U2 com o álbum Joshua Tree (felizmente aqueles 4 são realmente uns iluminados e souberam reconverter-se numa fabuloso Achtung Baby). Curioso é observar o que sucedeu com Paul Simon e Peter Gabriel depois de passarem por África! A sua carreira musical levou uma volta de 360º!!! Eheheh! Sim, ficaram virados para o mesmo lado, mas ordem natural das ideias reordenou-se definitivamente! África deve ser, de facto, um continente muito intenso... altera as pessoas que já o viveram... altera a música dos que por lá passaram, a escrita dos que por lá respiraram... vi-a nos olhos do meu Avô quando falava de África... ficavam húmidos, distantes, estáticos...
Este espectáculo, apesar de desenvolvido numa sala de espectáculos e não ao ar livre, brinda-nos com momentos únicos de eloquência entre os músicos e excelentes gadjets de tecnologia. A tudo isto, soma-se a teatrialidade que Peter Gabriel imprime nas suas interpretações e muita dança! Dança, quer dele, quer dos músicos... nada de bailarinos! Mas não coreografias pré-definidas... dança de quem está a sentir a música que toca!
Acima de tudo, os músicos fazem aquilo que deles se espera: tocam vários instrumentos; cantam; dançam; divertem-se à grande... e tudo sem vedetismos! Um todo onde Peter Gabriel é apenas um dos músicos da equipa.
Também no fim do espectáculo, à banda de Peter Gabriel se junta uma banda de músicos africanos, com uma sonoridade única.
É um espectáculo que nos toca pela originalidade... acima de tudo, como se pode fazer um espectáculo tão grandioso, com coisas tão simples e fazendo, simplesmente, o que se espera de nós. Não é preciso ser-se uma estrela excêntrica para marcar e surpreender as pessoas... apenas fazer o que se espera de nós com mestria, com excelência.

É claro que quando se não a tem... recorre-se a outros artifícios...

Sérgio

17 setembro 2008

Madonna no Parque da Bela Vista.

No domingo passado lá fui eu para Lisboa com uns amigos, com o objectivo de assistir ao tão esperado concerto de Madonna.

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O dia foi muito bom mesmo; o ambiente sempre muito divertido, com muito boa disposição da equipa que me acompanhou e com tempo para passar por Óbidos, que seguramente não será dos locais de Portugal onde a restauração é mais simpática...

Já chegados ao famoso Parque da Bela Vista (famoso pela falta de condições para realização de espectáculos, desde os primordios do Rock in Rio de Lisboa), começou a confusão. Como encontrar pessoas amigas que trazem os bilhetes uns dos outros, e ainda, outras que nem conhecemos, no meio de um maranhal incrível?! Só mesmo com a utilização intensiva dos telefones... milagres da tecnologia! Estranho era que numa das entradas a fila era interminável... já na outra, a entrada era directa... na maior!

Já dentro do recinto, as dificuldades de telecomunicações eram enormes... por vezes nem chamadas, nem sms... Foi um acto heroico conseguir fazer uma chamada (mas valeu bem a pena!). Por essa razão, não estive nem com metade das pessoas com quem tinha combinado encontrar-me lá dentro!

Pior ainda foi a "inexistência" de casas de banho, as longas filas e a escassa oferta de algo que se "jantasse"... nas bebidas a coisa corria bem!

Ora isto transforma Portugal num país terceiro mundista da pior espécie, em que perante uma oportunidade de fazer algo realmente notável, se suga até ao tutano uma marca (nesta caso uma senhora de cinquenta anos), pagando-se uma barbaridade (60 €!!! Felizmente o meu bilhete foi oferecido!!!) e obtendo-se muito pouco em retorno. Aliás, abaixo do mínimo expectável.

O recinto estava cheio e as pessoas aguardavam o início do espectáculo espalhadas por todo o lado... especialmente em planos inclinados, à boa maneira de um anfiteatro natural e com as consequências que daí advém para os tornozelos e joelhos, ao fim de 3 horas de pé e numa posição de esforço. Ainda por cima, estavamos perante um concerto em que se proporcionava dançar... tarefa dificultada pelos planos inclinados em relva e terra. Estão a ver as derrapagens inesperadas...

O espectáculo começou apenas com 5 minutos de atraso (parabéns pelo profissionalismo!). A partir desse momento, assistimos a uma discoteca da melhor qualidade em funcionamento durante 2 horas! Só foi pena o bar estar pouco acessível... é que se levantava muito pó!

A verdade é que o espectáculo de Madonna foi muito bom! Mesmo para quem não é grande apreciador da música dela, a selecção foi bastante boa. Madonna é uma personagem única. Foi um privilégio vê-la ao vivo. É uma daquelas pessoas que mudou o mundo algumas vezes; foi sempre muito inovadora e criativa (...embora às vezes o pé lhe fugisse para o comercial e lamechas... mas ninguém é perfeito!). Está perfeita nos seus 50 anos e fisicamente é um exemplo para todos nós.

Lamento que o som estivesse tão mau, que a distância ao palco fosse tão grande que até o vento estragava o som... A própria Madonna também não esteve isenta de falhas... Mas o espectáculo está muito bem conseguido em termos audio-visuais e é digno de ser bem visto noutro cenário (e não me refiro à sala de cinema lá de casa!). Gostava de a voltar a ver num estádio como o do Dragão, que se adapta muito bem e este efeito (basta recordar os Rolling Stones em 2006).

Imperdoável não ter feito um encore... parece-me uma falta de respeito pelo público. Felizmente não tocou o "like a virgin"; "la isla bonita" dispensava-se perfeitamente e louvavasse ter sido substituída por "holiday" (que não foi o 1.º exito de Madonna; esse foi o excelente e sempre actual "border line").

Sérgio

A Richard Wright e Craig Jones, o Eterno Adeus...

Neste mês já fui desagradavelmente surpreendido com o desaparecimento de duas personagens que tanto admirava.

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No início do mês Craig Jones, a revelação do ano em SuperSport, na sequência de uma queda violenta após ter perdido o controlo da moto e de uma pancada na cabeça que um dos seus adversários não conseguiu evitar, não resistiu ao traumatismo craniano e faleceu.

Bem sei que neste caso, a morte surge num momento de felicidade: Craig Jones morre aos comando de uma moto de competição, ou seja, a fazer o que mais gostava. Mesmo assim, não consigo deixar de lamentar a perda de alguém tão promissor, e de quem jamais esperaríamos tal tragédia. Infelizmente, também ele, era um comum mortal...

Os Portugueses tinham um carinho especial por este piloto, visto a equipa Parkargar ser também portuguesa (inclusivamente, a moto de Craig Jones era assistida pela Motodinâmica onde levo a minha moto para manutenção e onde vi várias vezes a CBR600RR do piloto).

Craig Jones habituou-nos às mais espectaculares manobras em pista... Agora a pista sem ele ficou vazia... e monótona. E seguramente o mundo ficou mais cinzento sem alguém que trazia tanta vida, tanta cor aos nossos olhos.

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Esta semana deparei com uma notícia em rodapé durante o telejornal, que indicava o falecimento de Richard Wright, o mítico teclista e fundador dos Pink Floyd, vítima de cancro (essa doença horrível que aparece do nada, sem razão aparente e acaba com o ser humano tão depressa, que poucos são os que conseguem reagir... não me lixem com tratamentos).

Ainda por cima escreveram Rick Wright... dei por mim a pensar quem era o Rick Wright... Tive o privilégio de o ver ao vivo, em 1994 em Alvalade, num espectáculo tão único quanto exuberante e surpreendente, que torna a vinda de Maddona a Portugal um bailarico de bairro. O espectáculo deixou-me dores nos maxilares... desde que começou até terminar estive de boca aberta, tal era o espanto e surpresa do que assistia.

Não vou descrever o espectáculo... precisava de horas... mas lembro-me de Richard Wright acender um cigarro num feixe de laser!

Na altura tive a clara sensação que nunca mais iria voltar a assistir aos Pink Floyd ao vivo... Quando em 2006, na realização do Live 8, os Pink Floyd se reuniram com Roger Waters (estiveram 25 anos sem tocar e sob conflitos judiciais), voltei a ganhar esperança... infelizmente em vão. Mas ver a banda original em palco é algo quase chocante... claro que lá falta Syd Barrett... mas o seu estado mental adulterado fez com que pouco contribuísse para a carreira dos Pink Floyd em termos práticos. Claro que em termos conceptuais e de inspiração até terá sido o mais importante de todos os membros... era um excelente guitarrista e um génio inovador da música experimental psicadélica.

Richard Wright produziu ainda dois álbuns a solo, mas o que o deixa imortal é o som tão característico dos Pink Floyd, ou seja, da maior banda de rock que o mundo até agora viu: um fundo musical cheio, pesado e intenso, que liga a percursão com as vozes e guitarras.

Aos dois, o meu eterno adeus e agradecimento pela inspiração e modelos de vida que me trouxeram.

Sérgio

13 setembro 2008

With The Breaks On...

Há alturas na vida em que parece que nada resulta, nada acontece, nada flui... como se algo nos estivesse a prender...

Os astrólogos dizem que é a presença de Saturno... sinceramente, acho que somos nós a complicar. Felizmente já passei por isso e já vai longe!

Sérgio



Driving through the long night
Trying to figure whos right and whos wrong
Now the kid has gone. I sit belted up tight,
She sucks on a match light, glowing bronze, steering on.
And I might be more of a man if I stopped this in its tracks
And said, come on, lets go home. but shes got the wheel,
And Ive got nothing except what I have on.

When youre driving with the brakes on
When youre swimming with your boots on,
Its hard to say you love someone
And its hard to say you dont

Trying to keep the mood right, trying to steer the conversation from
The thing weve done.
She shuts up the ashtray, and I say its a long way back now hon
She just yawns. and we might get lost someplace
So desolate that no one where were from would ever come
But shes got the wheel and Ive got to deal from now on.

But unless the moon falls tonight, unless continents collide,
Nothings gonna make me, break from her side.


(Driving with the breaks on - Del Amitri, Twisted - 1995)

08 setembro 2008

Futebol de Domingo de Manhã.

Muitos de vocês questionam-me porque é que eu vou sempre jogar futebol ao Domingo de manhã com os meus amigos. Especialmente nestes últimos tempos, em que trabalho ao Sábado, que não tenho nenhum dia para descansar (dormir sem hora de acordar), que quase não saiu à noite (quando saiu vou cedo para casa), ainda por cima é um desporto para o qual eu realmente não sou dotado (e até há outros em que faço qualquer coisita). De facto, um conjunto de contrariedades pelas quais não faz sentido eu jogar futebol, muito menos ao Domingo de manhã.

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Pois bem. A explicação é simples e podem facilmente ficar "ilucidados" com um excerto das troca de emails que ocorrem durante a semana e antecipam os desafios altamente competitivos de domingo de manhã.

Leiam, porque vão na certa gostar e até querer jogar connosco!

Sérgio


Boa tarde a toda a camaradagem que bravamente, domingo após domingo, enfrenta o duro desafio de tentar acertar num objecto redondo em movimento infinitamente mais pequeno que o espaço que dispõe para circular, isto após uma noite de copos e mesmo até antes de um assado à moda da sogra, que bem regado, nos acaba por derreter para o resto de fim-de-semana.

Como sempre e para não variar e sem querer entrar no vosso bate-boca digno de qualquer coluna dos melhores jornais desportivos (do futebol mundial), venho apresentar uma sugestão.

Para melhor enquadrar a sugestão, começo por introduzir o tema que me leva a escrever a crónica de hoje que entitulo:

"Levar porrada no domingo passado, Manel (o injustiçado), nº 1 do ranking, por culpa do Tó-Jó"

A minha leitura do último jogo não me permite concordar com algumas vozes que dizem: "... as equipas estavam desiquilibradas..." ou "... o Manel marcou 8 golos e deu 3 assistências..." ou "... o Sérgio ou o Zé Soares deram 2 golos ao adversário cada um..." ou "... o ranking não funciona bem para fazer as equipas..." ou "... os jogadores da minha equipa ficaram sem pulmões e pernas na segunda parte..."
A minha leitura foi: "A equipa vencedora chegou de forma mais organizada e inteligente".

Senão vejamos (suporte da tese que exponho na crónica):

1. Desiquilíbrio não existe, pois jogamos em igualdade numérica durante duas partes com a mesma duração (sensivelmente e confiando nos cronómetros profissionais dos colegas) com troca de campo. NOTA: O resultado ao intervalo era 4-4.

2. Se a prestação individual do Manel fosse suficiente ele venceria todos os jogos independemente da equipa que tivesse com ele, desde que tivessem dois braços e duas pernas.

3. Gaffes individuais também aconteceram na equipa adversária.

4. O ranking produz equipas tão equilibradas como as que teríamos na ausência das mesmas. NOTA: O ranking não tem o carácter aleatório que necessitaria para que qualquer amostra estatística produzisse um intervalo de confiabilidade decente. A ausência de alguns jogadores, assim como o critério de posição destróiem qualquer teoria conhecida dos estudiosos.

5. Os jogadores sem pernas e sem pulmoes, marcaram tantos golos na 1ª parte como na segunda. Numa palavra, desmoralizamos quando o resultou pendeu para a derrota eminente.

Assim (conclusão da laborosa observação in loco):

Levamos porrada porque o Manel é o nº 1 do ranking, isto é, o Manel é chato, fala demais e marca golos para calar os que o criticam, e com isso estabelece uma liderança organizacional em campo que permite (mesmo com equipas que teoricamente eram mais fracas) que vença a maior parte dos jogos em que participa.

O que nós não tivemos no domingo foi uma organização fruto de uma liderança natural para a qual só estão devidamente aptos, o Manel, o Luis e o Ántónio Jorge.

Como o António Jorge tinha acabado de perder 2 jogos e 20 kg da força que tinha, ficamos contagiados por tal, o que só podia levar ao descalabro. Logo ele é que é culpado...

Sugestão (epílogo):

Com a definição dos plantéis tem de se nomear o CAPITÃO, que teria como funções:

1. Definir e redefinir durante o jogo as posições de todos os jogadores
2. Controlar as idas à baliza (alturas nas quais sofremos alguns golos)
3. Controlar as substituições
4. Gritar e xingar os colegas de equipa (nos jogos em que o capitão é o Manel)
5. Controlar o tempo

Claro que só funcionaria se os restantes jogadores da equipa reconhecessem a liderança imposta, pois a natural só existe (da minha observação) nos 3 jogadores supra-citados, caso contrário o boicote é total.

O capitão deveria ter pontos duplicados nos dias de festa (à moda do King).

Termino, dizendo que no fundo, o que quero dizer, é que estarei presente no próximo fim-de-semana.

NOTA FINAL (apenas um piropo para manter viva a discussão): O Manel é nº 1 do ranking, marcou 8 golos e deu 3 assistências porque não foi marcado homem a homem, por mim o campo inteiro.

Ass.
José Soares (o único a conseguir impedir que a equipa do Manel ganhe o jogo, através de uma marcação impiedosa homem o homem, o campo inteiro)



Está bem observado, Zé, mas, aqui e acolá, acho que cometes algumas injustiças (está descansado que comigo não precisas de vir pedir uma retractação pública).

1º) Acabas por defender, mesmo que involuntariamente, a ideia de que o "professor" está fadado para ganhar todos os jogos, o que é falso – parece que alguém ainda vai ter de ir buscar ao fundo do baú, onde ele a arrumou, aquela ideia antiga do "professor" de que ganharia qualquer jogo acompanhado dos, teoricamente, jogadores mais fracos, e logo contra quaisquer adversários à escolha (eu sei que agora ele vai dizer que é uma injustiça, porque ele não disse que ganhava mas sim que dava luta, embora ele saiba bem que eu, e não só eu, sei ler para além das palavras).

2º) Destróis por completo o estímulo do Tó-Jó para emagrecer, coisa que, ao que consta, já o fez obter alguns privilégios femininos pelas bandas algarvias - ele agora vai pensar que os 20 kg lhe garantiam pontos para o ranking e vai querer recuperá-los, pois, como sabemos, ele pelo ranking dá tudo (espero que, neste ponto, ele seja diferente do "professor" e não me venha pedir para eu retirar o que disse, em função da sugestão que parece ímplicita na minha frase).

3º) Pões seriamente em causa a ideia do povo, que parecia feita, de que da sogra nem as comidas se aproveitam. Gosto da ideia do capitão, mas quem seria? O jogador da equipa mais bem classificado no ranking?

Por fim, afinal não percebo porque não marcaste tu o "professor" homem-a-homem no campo todo. Foi o capitão que não deixou? Quem era esse malandro que não respeitou a "liderança natural" (gosto desta!) do Tó-Jó?

Tivesse essa falta acontecido há 20kg atrás e ele ia ver o que lhe acontecia!

Abraço.

Luís Valente



Boa noite aos aficionados do donos da bola, versão light, barriguda e com uma plateia a cada dia maior.

Falando um pouco a sério, há uma liderança natural no grupo, que tem a ver com algo, penso eu, histórico, embora a personalidade possa ter alguma influência.

Eu mesmo, como sou novo no grupo, apesar de já ter sido promovido à categoria de "habitual", não tenho confiança para dar na cabeça de um colega quando ele falha golos à boca da baliza (tal qual Postiga) ou consente golos por perdas de bola absurdas (vulgo Luisão).

Não tenho confiança para dizer ao virtuoso do drible para passar a bola mais vezes (tal qual Quaresma) ou pedir ao ponto de lança (no nosso meio, traduz-se "gajo que está sempre na mama") para vir defender logo a seguir a falhar um golo.

Dito por mim, será ignorado, dito pelos líderes naturais, por ventura os formadores/organizadores (desconheço se é verdade esta afirmação) deste hino ao futebol que são os nossos domingos de manhã, têm outro impacto nas hostes.

Numa frase, era importante uma boa organização, e não há organização sem líder.

O Manel assume essa liderança, pela força (é chato!) ou por arte (de facto remata bem!), o facto é que assume, e maximiza a equação composta pelo melhor que cada um tem a oferecer das nossas superiores qualidades atléticas e técnicas.

O António Jorge, que normalmente também o faz, transmitindo grande segurança defensiva (não é por acaso que disputa taco a taco a liderança), desta vez não resmungou com a equipa uma única vez que me lembre, daí ter pensado que ou era dos 20kg ou então do bronze.

NOTA IMPORTANTE: Valorizo a capacidade de fazer desaparecer a barriga em pouco tempo, tanto que até pedi conselhos ao Tó Jó para conseguir o mesmo. Mas resistir aos assados da mãe (não quero mexer com o que está já na constituição sobre as sogras) é DURO!

Por fim respondendo às tuas perguntas, a nomeação do capitão devia ser de acordo com o ranking, concordo, ou então rotativo, para dar oportunidade à malta toda de chagar a cabeça do "professor", durante um jogo inteiro, nem que seja uma vez!!! (sonho de qualquer aluno)

Não marquei por muitas razões. Podia dizer que não senti os 20kg do Tó Jó a segurar os restantes super dotados atletas adversários, podia dizer que ninguem consegue marcar o Manel excepto eu e o resultado provou isso mesmo, podia dizer que fiquei sempre a jogar pela esquerda ou muitas outras coisas. Mas, basicamente e como já disse antes, não tenho pernas para o interminável campo da Academia com balizas quase tão grandes como a boca da Manuela Moura Guedes.

Gosto de ir lá à frente e gosto de defender, e se a isto adicionar marcar um só jogador naquele autódromo, iria parecer que me estava a preparar para os Olímpicos... mas por estas bandas, os 20Kg ainda cá moram...

Grande abraço!

José Soares



Estou de facto impressionado com a qualidade da dissertação...

Respondendo a uma pergunta prática, a culpa do Manel não ter sido marcado a 100% no campo todo foi minha. Devia ter assumido essa tarefa na 2.ª parte... como não gasto muitas energias com a bola, podia ter andado a correr até ao fim a marcar o Manel. Afinal, correr ainda corro... mas sem bola!

Sérgio, um jogador já muito razoavelzito!

06 setembro 2008

Le Moulin Rouge!

Este é um dos meus filmes favoritos e ontem foi o meu serão.

A crítica classificou-o como um musical... e não passou disso para os experts do cinema. Mas há muito mais neste filme... Claro que para isso é preciso saber viver música. E os críticos de cinema, pelos vistos não sabem...

Aliás, o trabalho de Craig Armstrong passou ao lado destes experts, o que pessoalmente não entendo: o que dá alma ao filme é a música... como pode passar anónimo o grande maestro de tudo isto?! Vá-se lá entender os críticos...

O que mais me impressiona no filme é a capacidade de criar emoções muito fortes e antagónicas. Joga com o amor, a paixão e a felicidade que todos sonhamos e desejamos; e contrapõe o sofrimento, com a fatalidade do destino, a solidão, o desespero e o ciúme. Estas alternâncias constantes mantêm-me arrepiado e a transpirar o filme todo. Junta-se a isto muito humor! Ritmo, dança, coreografias, cores, vozes e coros, guitarras, tambores... uma imensidão de sons... toda esta diversidade surpreende de início ao fim. O ritmo e a velocidade com que as imagens se sucedem em alguns momentos é inebriante e contrasta com outros bem mais pacatos e melódicos... é um jogo de contrastes e emoções de início ao fim.

As interpretações de Ewan McGregor e Nicole Kidman são tão brilhantes, quanto vocalmente soberbas. Entre outros, bem acompanhadas por John Leguizamo, Jim Broadbent e Jacek Koman.

Há momentos um tanto difíceis de entender... em simultâneo com o humor, toda a carga emocional, e nostálgica até, que nos trazem temas como "up where we belong", "Pride (in the name of love)", "Your song", "all you need is love", "we can be heroes"; ou logo ao início "mad can can", "voulez vouz cochez avex moi", "here we are now, irritainous", "material girl". Mas o efeito final é único, e por isso, imortaliza esta obra.

Your Song, o medley de temas no elefante e Come What May dão-nos uma perspectiva da vida tão poética quanto adrenalizante. São os meus favoritos. Depois de assistir e viver tudo isto (com o volume a níveis capazes de abalar a estrutura da casa), só dá vontade de sair para a rua e fazer loucuras. Mas a final, para que serve a vida senão para exponenciar a nossa capacidade de sentir?

Por tudo isto também, não ouçam a banda sonora do filme... ouçam sim, as interpretações gravadas nas filmagens. As primeiras estão desprovidas de sentimentos e repletas da intervenção de produtores musicais que acham que sabem o que o público gosto de ouvir... removeram-lhes os sentimentos e alisaram os tons e ritmos. São agora mais "easy listening".

O senão do filme é ter de assistir sozinho... como acabo sempre por chorar... embora de felicidade! O filme tem o dom de me tocar em emoções fortes e violentas.

Curiosamente as partes que mais me abalam não são as dramáticas... Neste campo o tango recreado a partir de "Roxane" está incrível... a brusquidão e rudeza argentina no seu melhor, desenhada numa coreografia imponente. O ambiente torna-se também bastante pesado em "The Show Must Go On", especialmente agora que conhecemos todo o contexto em que Freddie Mercury o escreveu.

Outro dos factos mais fantásticos deste guião, está na cena final. Há uma constante oscilação em que não se distingue o guião da improvisação, que sendo estes contrários quanto ao seu fim, a improvisação ganha um senso de realidade; parecendo assim pré-concebida para o público (que está longe de imaginar o que ali na realidade se passa). Mas a realidade da representação nas improvisações é mais fidedigna do que a própria representação pré-escrita, tal é a violência dos sentimentos que tomam conta dos actores naquele momento. E daqui revemo-nos em muitos dos nossos actos mais felizes no dia a dia: a felicidade de fazer aquilo a que os nossos sentimentos nos impelem, e não o que deveríamos... E viva a Loucura!

A mensagem final é sem dúvida: a melhor coisa do mundo é amar alguém e ser correspondido. E pensado bem... que outro sentimento tão grandioso e enaltecedor podemos viver? Não o desperdicemos, até ao último dos nossos dias...

Sérgio

05 setembro 2008

Mas é verdade...

Ontem falava-vos exactamente disto...

A música ligeira Portuguesa dos últimos 30 anos está cheia de exemplos destes. Temas fantásticos em originalidade e sentido musical, assassinados por arranjos vulgares e desprovidos de genialidade.

Possivelmente vou-vos melgar com outros temas da Mafalda Veiga e do João Pedro Pais que merecem melhor tratamento que as versões originais. Tomara o mercado norte-americano ter temas desta qualidade e originalidade nos tops; devidamente trabalhados, seriam mega-sucessos! Reparem nas letras, no trabalho vocal e na instrumentação base (neste caso, o piano; normalmente a guitarra ritmo). De lamentar apenas os violinos melodramáticos, nauseabundos e lamechas.

Por acaso, já conhecia este tema há alguns anos... quando em 1996 fui ao Dia do Motociclista, a Sagres, e o grande Nuno Satan nos brindou com uma tornée por Alfubeira aos locais onde havia sido animador, tendo feito uma versão karaoke deste tema, no mínimo, invejável! A letra marcou-me para sempre...

Sérgio




Mentira


Dá-me vontade de te ter a meu lado
Vendo-te a olhar p'ra mim
Sei que estou apaixonado, mas não posso ficar assim
Deitado num rochedo canto para ti
Como um pássaro livre que voa sem fim
Porque é que a vida nos trama, quando alguém se ama?
Ter de partir e não poder sorrir

Porque é que choras, porque é que dizes o meu nome?
Sem nunca me poderes tocar

Tenho saudades de te ver, vontade de te abraçar
Sozinho tocando uma guitarra junto ao mar
Recordo-me de ti, imagino porquê
A tua cara a flutuar

Porque é que a vida nos fascina
Tantas vezes nos domina
Acreditar que no amor
Não se sente a dor
Mas é mentira, mentira, mentira.


(João Pedro Pais, Outra Vez, 1999)

04 setembro 2008

São Poucas as Verdades Absolutas.

Este poderá ser até um final para Catarina e Lourenço (ver letra em baixo). O facto, é que são poucas as pessoas que conseguiram escrever e definir certezas... algo que depois de analisado, possamos concluir: não há como falhar!

Tenho um bocado a mania das verdades universais, e se há tema em que os dilemas se multiplicam, é este: a Amor! O relacionamento de duas pessoas, desde o momento que se atraiem, até ao momento em que têm de gerir as suas vontades numa vida a dois.

Admiro a Mafalda Veiga pelo texto que escreveu e que considero como parte dos melhores textos que já li. Admiro-a também pela capacidade de converter em música os textos que escreve. Mas nunca a considerei muito... muito menos o seu parceiro do último álbum, João Pedro Pais, sobre o qual, quem me conhece, já me ouviu dizer cobras e lagartos (até porque associo sempre a ele aquela palhaçada do Chuva de Estrelas: às vezes era um concurso de imitação, outras vezes era interpretação... deixei de assistir ao concurso exactamente na sessão em que participou... depois a hipocrisia do juri do público... enfim... acabei por deixar de ver televisão)!

Desde que ouvi este último trabalho a dois, dou o braço a torcer e reconheço a injustiça. Todos as minhas críticas deveriam ter sido dirigidas às equipas de produção dos respectivos álbuns e não a eles. Este último trabalho revela a qualidade de ambos. Não sei o quê ou quem é que mudou... mas os arranjos deixaram de ser aquela imbecilidade que há 30 anos domina a música ligeira portuguesa, abafando a originalidade dos músicos novos e tornando o som nacional uma pasta sem cor, cuja sonoridade dá náuseas e vómitos. São sempre as mesmas pessoas... ainda por cima desprovidas de qualquer originalidade a fazerem arranjos sem vida e a limar tonalidades sobre acordes menores... possivelmente todo o rock português foi composto sobre um teclado Yamaha DX-7 ou Korg K1. Por isso é tudo soa igual e soa mal... Foi assim que Adelaide Ferreira nunca brilhou... junta-se-lhe Rita Guerra, Lena d'Água e tantos outros, como os In Loco, que ficaria aqui o dia todos a enumerá-los.


Para sermos excepcionais há que fazer o que gostamos, mas com alma... com tudo o que temos! É o que está espelhado neste texto.

Sérgio





Cada Lugar Teu

Sei de cor cada lugar teu
atado em mim, a cada lugar meu
tento entender o rumo que a vida nos faz tomar
tento esquecer a mágoa
guardar só o que é bom de guardar

Pensa em mim protege o que eu te dou
Eu penso em ti e dou-te o que de melhor eu sou
sem ter defesas que me façam falhar
nesse lugar mais dentro
onde só chega quem não tem medo de naufragar

Fica em mim que hoje o tempo dói
como se arrancassem tudo o que já foi
e até o que virá e até o que eu sonhei
diz-me que vais guardar e abraçar
tudo o que eu te dei

Mesmo que a vida mude os nossos sentidos
e o mundo nos leve pra longe de nós
e que um dia o tempo pareça perdido
e tudo se desfaça num gesto só

Eu Vou guardar cada lugar teu
ancorado em cada lugar meu
e hoje apenas isso me faz acreditar
que eu vou chegar contigo
onde só chega quem não tem medo de naufragar

(Mafalda Veiga, Tatuagem, 1999)

30 agosto 2008

Conversas Soltas III - 3.ª parte.

O despertador tocou às 8 da manhã, por inacreditável que tal parecesse a Lourenço... Catarina que já havia acordado, comentou que lhe estava a saber bem aquela preguiça, pelo que decidiu calar o despertador e aguardar que ele tocasse novamente 10 minutos depois.


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Quando Lourenço conseguiu abrir os olhos, depois de alguns minutos a descolar remelas, apercebeu-se que Catarina tinha dormido praticamente em cima dele, apesar de ele ter adormecido de barriga para cima e acordado ao contrário...

- Custa-me sempre tanto acordar... – comentou.
- Descansa um bocadinho mais... está tão boa esta preguiça...
- Bem preciso de acordar devagarinho, senão fico com um humor de cão...
- Já somos dois... acordo sempre revoltada por ter de acordar... mas passa-me logo...
- És mais ou menos como eu...
- O pequeno almoço e o banho também ajudam...
- Mas hoje já estou bem disposto!
- Dormias profundamente até agora... deves estar cansado.
- Um tanto... ontem foi um dia de muitas emoções... algumas ansiedades!... mas dormi tranquilo e estou mesmo descansado... e bem disposto!
- ...também dormi muito bem...
- E... ias dizer qualquer coisa mais!
- Não ia nada...
- Ias, ias...
- ...pois! Confesso que gostei de dormir contigo... e soube-me mesmo bem acordar agarrada a ti.
- Queres dizer em cima de mim?!
- Pronto! Tinhas de estragar tudo!
- Estou a brincar... só estás um bocadinho em cima de mim... a cabeça... um braço... meio tronco... uma perna!
- Ehehe! Tens uma pele macia... mas para que não fiques já convencido pela manhã, deixa-me dizer-te que és um tanto duro!
- Se fizeres questão disso, posso engordar uns 10 quilos e já devo ficar mais balofo...
- Hihihi! Não obrigado... gosto mais assim!
- Também gostei muito adormecer, dormir, acordar contigo...
- Bem... como o menino está em competição, vou dar-lhe um privilégio: levantou-me eu primeiro!
- Eheheh! Que bom!!!

Catarina tomou um duche e mal saiu da casa-de-banho, enrolada numa toalha, pôs Lourenço fora da cama.

- Levanta-te preguiçoso!
- Estou espantado... – bocejava Lourenço enquanto se levantava lentamente – não me puseste na varanda!
- Como te portaste bem durante a noite, dou-te a intimidade de te cruzares comigo de toalha e cabelo molhado. Agora, já chega, casa-de-banho! Duche frio dorminhoco! Eheheh! – enquanto isso, batia-lhe com a toalha que tirara do cabelo.
- Frio... ainda por cima! Eheheh! És mesmo sádica!
- Deficiencia profissional! Hihihihihi!

Lourenço tomou um banho rápido e equipou-se directamente. Desceram os dois no elevador e dirigiram-se à sala de pequeno-almoço. Comentavam os dois que estavam esfomeados, mas que não o podiam demonstrar, caso contrário ganhariam a fama de terem passado por uma noite de sexo intenso, o que não era verdade. Lourenço recusava ter essa fama... sem o proveito! Caso contrário, poderia ser raptado pelas amigas de Catarina... Catarina perdida de riso é novamente interpelada por Mariana, que de imediato comenta:

- Vocês estão sempre à gargalhada... bom dia!
- Lourenço, está na altura de fazeres aquele comentário... – respondia engasgada Catarina, tendo voltado os dois a perderem-se em gargalhadas.

Lourenço ainda tentou cumprimentar Mariana, mas acabou por desistir. Tomaram os dois pequeno-almoço, passaram novamente pelo quarto e dirigiram-se para o court de ténis, onde os jogadores começavam a bater as primeiras bolas para aquecimento.

Catarina e Lourenço sentaram-se a assistir. O jogo foi interessante, mas João ganhou com facilidade (6-4, 6-4). O adversário tinha um bom serviço, mas era um tanto irregular; João, mostrando grande tranquilidade, foi contruíndo o seu jogo e manteve uma margem de conforto de início ao fim do jogo.

- Parabéns João! Muito bem jogado! Muito inteligente e bem construído o resultado! – congratulava-o Lourenço.
- E grande estilo de pancada! – comentava Gonçalo, entretanto chegado e ainda com cara de sono.
- Boa João! Ainda bem que já arrumou com este... é nosso convidado, mas é da concorrência! – todos se riram do comentário de um dos organizadores, e inclusivamente o jogador derrotado.
- Lourenço, já viste que vais jogar contra um dos candidatos ao título, o Augusto? – perguntava Gonçalo.
- Já! Parece que estou com sorte no sorteio... primeiro tu, agora o Hulk Augusto! – lamentava sorrindo Lourenço.
- Mas ele ganha desta vez, de certeza! Não tenho qualquer dúvida. – afirmava Catarina.
- Estás muito segura de mim, Catarina! – Lourenço espantado.
- Tratei-te bem, por isso, não há adversário que te pare!
- Também sinto isso... mas vindo de ti... estou banzado! Eheheh...

O horário dos jogos estava a ser cumprido e já outra dupla de adversários estava em campo a bater as primeiras bolas. Lourenço ficou por momentos sozinho, visto que Catarina havia sido solicitada no SPA para uma massagem de relaxamento ao derrotado elemento da “concorrência”, em simultâneo com Joana, que premiava João com alguns mimos...

Este jogo opunha dois ex-vencedores do torneio noutros anos. Curiosamente, o nível não pareceu muito elevado, quer a Lourenço, quer a Gonçalo. Quando Catarina regressou, encontrou-os com Mariana. Sentou-se ao lado de Mariana e começaram a conversar sobre as clínicas e as condições de trabalho, por comparação com o SPA. Rapidamente a conversa derivou para o reflexo do esforço muscular nos jogadores de ténis, especialmente logo após um jogo e a reincidência noutro, poucas horas depois. Trocaram impressões sobre como tratar os namorados logo a seguir aos jogos. Gonçalo jogava a seguir a Lourenço e tinham intervalos entre jogos de 4 horas.
Por momentos a “alergia” existente entre Catarina e Mariana parecia ter desaparecido... Catarina mostrava-se afável e Mariana mais terra-a-terra, como se descontraísse de algo. Talvez o bom relacionamento entre Lourenço e Gonçalo a isso levasse. Logo a seguir chegou Joana, que trazia o namorado com um ar totalmente relaxado. Lourenço aproveitou logo para o picar:

- Afinal, estava a contar contigo para aquecer antes de jogar e tu estás mais para dormir uma soneca do que outra coisa...
- Crava o Gonçalo! Afinal, ele joga a seguir a ti!
- Nem penses... se ele aquece comigo, ainda perde o jogo e diz que o culpado sou eu, que o cansei muito no aquecimento!
- Ou ao contrário... lesionas-te comigo e serve-te de desculpa para perderes com o vencedor do ano passado...
- Esse é o Augusto! – respondia Gonçalo – e cabe-te a ti eliminá-lo! Nem quero imaginar a cara do Augusto... derrotado e fora do torneio na 1.ª eliminatória!
- E não pode ser repescado? – perguntou Lourenço.
- Não... é puro “bota-fora”, ou “mata-mata”, como o Scolari diz! Eheheh! Só podes perder nas pré-eliminatórias, porque na verdade só servem para te posicionar no quadro de jogo.
- Boa! – sorria Lourenço, com ar de quem ia “jogar para matar”.

O jogo decorria empatado 1-1 em sets. Ambos os jogadores começavam a demonstrar algum cansaço. Estes 3 casais faziam algum esforço para não perturbarem a concentração dos jogadores; as piadas eram frequentes... Gonçalo e Mariana mostrava-me bem mais próximos e sinceros que no dia anterior.

Chegou a hora do tão esperado jogo. Lourenço levantou-se e os outros 5 fizeram questão de mostrar que estavam a torcer por ele. Claro que o beijinho da Catarina era tudo para Lourenço... Este entrou em campo descontraidíssimo e logo no aquecimento com Augusto, mostrou um excelente supless. Batia na bola com grande descontração, o que levou a algum espanto por parte de Augusto.

O jogo começou com o serviço para Lourenço e este não se fez rogado ao abrir o jogo com um às, para espanto de tudo e todos, e alguma raiva instalada em Augusto. Neste ritmo, o 1.º jogo terminou com apenas um ponto de Augusto e o 1.º set rapidamente chegou a 6-2 para Lourenço. Sem dúvida que a preparação para o Torneio com a Sofia Prazeres havia sido importante. As pancadas estavam mais abertas, com mais efeito e mais consistentes. O próprio Lourenço se surpreendia por vezes com alguns passing shots de direita e top spins de esquerda a duas mãos. No 2.º jogo, Augusto tentou equilibrar a partida que esteve ranhida até ao 4-4; depois Lourenço, com um break de serviço, conseguiu fechar em 6-4. Augusto estava incrédulo... havia sido eliminado na 1.ª ronda por um rookie, e pela primeira vez, não chegava ao 2.º dia de prova... Lourenço, tranquilamente, tentou explicar que teve muita sorte e que tudo lhe saíu bem desde o início. Augusto abandonou o court revoltado e sem se despedir do adversário... O silêncio era constrangedor... A organização pediu aos jogadores seguintes que entrassem em campo para iniciar o jogo seguinte, até porque já passava um quarto de hora do meio-dia, altura em que Gonçalo deveria iniciar o seu jogo.
O adversário era imponente fisicamente... não queria dizer nada... Lourenço apressou-se a desejar boa sorte a Gonçalo. Não ia ver uma parte do jogo, pois ia ter um miminho em forma de massagem e tomar um duche rápido.
- Joga rápido e ataca com alternâncias de jogo. Ele é demasiado pesado para jogar ténis!

Riram-se os dois e Lourenço foi directo ao duche, trocou de roupa, e mal chegou ao SPA, Catarina saltou-lhe para o colo com um grande abraço.

- Parabéns! Que grande jogo! Puxa... demolidor! Houve alturas que o Augusto até estava tonto... nem sabia por onde tinha passado a bola!
- É! Correu mesmo bem... Vamos pensar no próximo, agora!
- E a pensar nisso... vou dar-te muitos miminhos agora! Vais relaxar um bocadinho...

A massagem começou com um abraço enorme a Lourenço e alguns beijinhos nas costas... Entre suspiros de Lourenço, Catarina massajou-lhe lentamente os ombros e o pescoço, passando posteriormente para os braços, e terminando nas costas. Lourenço, quase a dormir ainda pediu um prolongamento, mas sem sucesso...

- Vamos ver como está o jogo do Gonçalo para depois almoçarmos... anda lá! – e deu-lhe um beijinho na face, afastando-se depois para lavar as mãos.

Chegados ao court, Gonçalo estava empatado 1-1 em sets. Mariana dizia que ele havia ganho o 1.º set folgado e que no 2.º entrou um tanto desconcentrado. A leitura de Mariana estava correcta, porque Gonçalo fechou o 3.º set de forma desconcertante: 6-1! Brilhante! Sempre muito aguerrido a atacar na rede e em passing shots bem jogados, pondo o adversário em contra-pé.

No fim do jogo houve tempo para congratulações. Até o adversário, no seu ar sisudo e corpolento entrou na brincadeira daquele grupo bastante animado.

- Pronto, agora já chega! Vai lá tomar um duche, para vires almoçar connosco. – comentava João.
- E a massagem? – apontava Catarina para Mariana.
- Vai ter de ficar para depois de almoço... – lamentava Mariana - ... se ele estiver tão esfomeado quanto eu, não há massagem que o segure!

Dirigiram-se todos para a esplanada onde o almoço volante estava a ser servido, excepto Gonçalo, que re-apareceu ainda de cabelo molhado 10 minutos depois.

O fim-de-semana corria da melhor forma. O tempo estava excelente e até havia vontade de dar um mergulho na piscina. A água é que parecia um tanto fria...

Do almoço aos courts foi um ápice. A 1.ª ronda já havia terminado e tudo estava a postos para a segunda ronda do dia. Eram já 18 horas... o torneio estava atrasado uma hora face ao previsto... isto implicava que Lourenço e Gonçalo começassem a jogar depois da 9 e 10 da noite... se não houvesse mais atrasos, ou seja, jogos disputados para lá de uma hora. Só que havia grande probabilidade de isso acontecer...
A organização comentava, que para o ano, se tivessem tantos interessados como este ano, iriam alargar a mais um dia de prova este evento: mais jogos, mais jogadores, mais terapetas, mais convivio.

João voltava a ser o primeiro a entrar em campo e tinha pela frente o vencedor de há 2 anos. O jogo foi bastante interessante. João conseguiu vencer o 2.º e 3.º set fruto de grande consistência no jogo. E se no 1.º havia perdido 3-6, passou por um 2.º set muito difícil, que só ultrapassou em tie break, beneficiando do nervosismo do adversário no 3.º set, que lhe permitiu um confortável 6-4. Como prémio, teve direito aos bons tratos de Joana em formato prolongado... mas antes, Gonçalo e Lourenço agarraram-no e atiram-no ao ar como congratulação. Havia que comemorar! Era um dos semi-finalistas de Domingo!

O jogo seguinte foi muito disputado. Três sets jogados ao limite e a terminarem em tie break. O nível de jogo era agora mais elevado. Consequentemente, quando Lourenço entrou em campo passava já das nove e meia da noite... Antes disso, o ambiente mantinha-se divertido...

- Ouve, vais entrar em campo, vais ganhar o jogo depressinha, porque isto está muito atrasado... É que eu não quero começar a jogar às 11 da noite! Aliás, vou ter de ir comer qualquer coisa, que estou cheio de fome! – brincava Gonçalo.
- E tu achas que eu já não fui assaltar o buffet do jantar?! – respondia Lourenço.
- Não... ele vai atrasar o jogo ao máximo, para o teu terminar tarde e amanhã estares cansado! – Catarina espicassava Gonçalo.
- Não é justo! – Gonçalo incrédulo...
- Não te preocupes, amor, recupero-te durante a noite! – Mariana intervinha em jeito de piada.
- Prometo fair play! – despediu-se Lourenço e foi para o court.
- Não esperava de ti outra coisa... – respondeu ainda Gonçalo, gesticulando a Lourenço, como quem diz que ia tratar do estômago.

Na verdade o jogo não foi fácil. Lourenço ganhou o 1.º set com muita dificuldade para fechar em 6-4. Perdeu o 2.º set 4-6, e o derradeiro set foi mesmo a 7-5, que estranhamente fechou com dois jogos muito curtos. Terão sido os jogos mais fáceis do set, visto que o adversário aparentemente ter caído muito em frescura física.

À saída do court e ao cruzar-se com Gonçalo ainda trocaram algumas impressões.

- Grande jogo! Jogaram mesmo muito... impressionante!
- Olha, eu bem queria terminar o jogo mais cedo... já são onze e um quarto... parece que te cabe a ti ser o demolidor e recuperar o atraso do torneio!
- Nem que seja, porque senão ainda fico sem jantar! Ehhehe!
- Tranquilo... Guardo-te umas munições e uma garrafa de tinto! Além do mais, vais jogar com o adversário mais fraco da 2.ª ronda... lembraste do jogo da manhã, a seguir ao do João?
- Sim lembro... não foi grande coisa, não...
- Então já sabes! Tens meia hora para jogar 2 sets!
- É louco! Ehehe!

Despediram-se, e logo a seguir, Catarina esperava por Lourenço com um sorriso do tamanho do mundo, acompanhada de Mariana e Joana. Deu-lhe um abraço enorme, mesmo apertado!

- Parabéns!!! – gritaram as 3 terapeutas trajadas a rigor.
- Vai tomar um banhito rápido, que eu quero ver esse ombro... – dizia Mariana.
- Não Mariana, eu vejo isso, fica a ver o Gonçalo. – comentava Catarina.
- Vamos lá as 3 num instante, e depois ficas tu a tratar dele. – interveio Joana.
- Meninas! Calma... está tudo bem! Há muitos anos que sou assim... volta e meia, resolve estalar um nadinha... Não é nada.
- Pois, mas eu vi-te várias vezes a levar a mão ao ombro... vamos ver isso! Banho rápido! Vá lá!

Quando Lourenço regressou, já Gonçalo ia no 2.º set.

- Incrível! Ele está imparável!
- Está sempre a jogar na rede e tem ganho muitos jogos mesmo a zero! – Mariana comentava enquanto já agarrava Lourenço por um braço e as outras duas o empurravam para o SPA.

Depois de ter levado alguns esticões e ter sido bem amassado e torcido pelas 3 terapeutas, concluíram que, de facto, não havia sinais para alarme, deixando Catarina a tratar do seu namorado. Mariana voltou logo a seguir, mas já acompanhada de Gonçalo...

- Não foi meia hora, mas foram 40 minutos! Eheh!
- Parabéns! Estás imparável! – aplaudiu Lourenço.
- Vou tomar um banho ao quarto e regresso já, já!
- Até já!
- Campeões merecem bons tratos! Portanto, prepara-te!

Este último grito de guerra de Mariana, significava que se ia juntar a Catarina para massajar Lourenço. Catarina, se inicialmente, não reagiu muito bem, acabou por concordar com a utilidade da ideia. Terminava a massagem mais depressa de Lourenço; a seguir, as duas tratavam também o Gonçalo, o que lhes permitia passarem pelo quarto, também elas tomarem um duche rápido e irem jantar os quatro.

Já ao jantar, ainda que ligeiro dado o adiantar da hora, Lourenço e Gonçalo davam o seu melhor para conseguirem que os empregados do hotel lhes servissem uns petiscos extra-buffet.

- Bem, parece que o convenceste! – comentava Gonçalo com Lourenço.
- Foi fácil! O homem é simpático. Resta saber se o cozinheiro também é e nos prepara aquela espetada de caça deliciosa de ontem!
- Se não vais ter entrar mesmo na cozinha para falar com ele.
- Hoje consigo tudo! O meu charme natural está exponenciado pelo gel de mentol que estas duas nos puseram!
- Eheheh!
- És mesmo palerma! Só não levas outro cacete, para não estragar o trabalho que tivemos com o teu ombro. – estas palavras de Catarina eram ditas num tom sedutor de Catarina enquanto se aproximava de Lourenço.
- Pois é! O que tu não sabes, Gonçalo, é que podes ter tido duas massagistas mais tempo do que eu... mas eu tive 3 no inicio da massagem! Ehehhe!
- Contenta-te com isso, porque vai ser a única coisa que me vais ganhar! Ehehhe!
- “Não ignore uma ciência que à partida desconhece”!!! Carmo Sunday Power!
- Isso tem nome de chocolate!
- Logo é bom! – intervem Mariana.
- Ele acha que ao Domingo tem melhor desempenho, só porque costuma jogar futebol ao Domingo de manhã. – comenta com ar descrente Catarina.
- Pois, mas a final é à tarde! – acrescentou Gonçalo.
- Lá isso é! Mas eu tenho como adversário alguém, teoricamente pelo menos, mais fácil do que tu... ehehe!
- Pois é Gonçalo! É que quem vai estar na final sou eu! Não passas por mim de manhã... nem penses! – João juntava-se ao grupo, já de chávena de café na mão. – E a primeira vantagem que tenho, é que já vou à frente no jantar! Eheh!
- Hihihihi! Quando eramos miúdas é que fazíamos corridas para ver quem acabava primeiro. – ria-se Joana.
- Então conta lá, que tal massajar o Lourenço?! – Gonçalo tentava corar Joana.
- É pá, está calado que até a mim, me deixas constrangido... isto de ser massajado pelas namoradas dos meus amigos não dá pica... deviam ser inteiramente desconhecidas!
- Eheheh! Tens toda a razão! Isto de ter a tua namorada a massajar-me as costas, não está com nada!
- Olha que tu levas?! – Catarina ameaçava Gonçalo de faca na mão. – Ou vais dizer que não gostaste?! Hihihih! Ok, não digas à frente da Mariana! Hihihi!
- Ahahahah! – entre as gargalhadas de todos, Joana intervem – E tu Lourenço, quem é que te massajou melhor o ombro de nós as três?!
- Massagem?! Aquilo foi tortura! Estica, aperta, torce... estava a ver que a certa altura iam buscar as agulhas da Catarina e fazer de mim boneco vodu!
- Ahahahaha! É tão palerma!!! Curei-te ou não com as agulhas?!
- Catarina... até curaste... mas agradável não é!
- Pois é Mariana, mas estás tão calada... não gostaste de massajar o Lourenço?! Ahahahah!
- É mesmo do piorio... Joaninha, devo dizer-te que só tive a honra de massajar o lado direito. Agora que ele tem umas pernas impressionantes, tem!!! Hihihih!
- Ahahah! Acredito... eu ainda tive esperança que a Catarina me pedisse para a ajudar, mas ela preferiu ficar sozinha... eheheheh!
- Isto é um bando de gente depravada... – comenta João. – estão aqui a levar a asta pública se a namorada de um gostou de massajar as pernas do namorado da outra... e se esse namorado gostou mais das massagens da namorada dele ou da do amigo... isto está tudo perdido! – e nesse instante tirou o copo de vinho à namorada e pediu ao empregado – ...por favor, não traga mais vinho para aqui... coca-cola, sumo de laranja, ou mesmo água, está bem?! – o empregado sorriu e até corou entre as bem sonoras gargalhadas daquela mesa.

O jantar continuou enfórico e Lourenço resolveu não deixar cair a conversa, instaurando um processo de interrogatório sobre as massagens nos possantes braços de Gonçalo. O tom jurídico e irónico, no qual João servia de escrivão, interrompendo para pequenos comentários e esclarecimentos, sempre irónicos, levou à continuação de um jantar em que muito se riu e pouco se comeu ou bebeu... o que até foi adequado dada a hora... já passava da uma da manhã e a 1.ª meia-final que opunha João a Gonçalo estava marcada para as 11.

Depois de um passeio à volta do hotel, todos recolheram aos quartos. Os três jogadores estavam nitidamente cansados... dois jogos num dia só são mais que suficientes para que a casa dos 30 se faça sentir. Apesar de não o reconhecerem, culpabilizaram o vinho do Dão pela moleza instaurada.

Quando chegaram aos quarto, Lourenço, bem humorado, perguntou:

- E agora, tenho de ir para a varanda?...
- Hihi... vai para onde quiseres, mas para já, desaperta-me o vestido nas costas... estou cansada para me torcer e encontrar os botões...

Ainda que espantado, Lourenço dirigiu-se até ela, que com um olhar malandro lhe virou costas para este lhe desabotoar os vestido.

- E já está!
- Obrigado... agora podes optar entre o quarto e a varanda! Porque eu vou ocupar a casa-de-banho! Hihihi! – e rapidamente o fez, entre saltinhos e risos, já descalça.

Quando Catarina apareceu já pronta para se meter na cama, reparou que Lourenço estava na varanda.

- Hihihi... não acredito que estás aí fora!
- Sabes como é! O hábito faz o monge... está mais fresquinho aqui fora!

Mesmo em camisa de noite, Catarina veio até à varanda e abraçou Lourenço pelas costas.

- Não sei se está! Hihihihi! És tão quente!
- Eheheheh!
- A sério! Tens sempre uma temperatura elevada...
- É de ter uma brasa por perto!
- Ohohoh! Palerma... Não te vens deitar?!
- Ia... mas estava a gostar do abraço!
- Não seja por isso... dou-te mais... na cama...

E com isto correu para o quarto voando para cima da cama como se Lourenço a tentasse apanhar. Lourenço entrou e dirigiu-se até à casa de banho. Veio logo a seguir e encontrou Catarina sentada na cama à espera dele.

- Deita-te aqui...
- Queres que feche já as cortinas?
- Deixa estar... sabe bem o vento fresquinho!

Lourenço sentou-se na cama e arrastou-se até Catarina, que encostada às costas da cama o abraçou de braços e pernas, apertando-o contra ela.

- Que bom!
- Também acho... apetecia-me mesmo apertar-te... é a continuação do abraço da varanda...
- Sabes... tenho gostado de estar perto de ti noite e dia... já estamos juntos há quase 36 horas! Eheheh!
- Hihi! Também tenho gostado... muito... e acho que te devo um pedido de desculpas...
- A mim?! Não andaste outra vez no vinho?...
- Oh! Estou a falar a sério... Há muito que tenho vontade de me aproximar de ti... Mas vêm-me sempre à memória coisas que me desmotivam e... não sei bem... mas quando estou contigo, é como se soubesses tocar nesses pontos e mudá-los em mim.
- Uau! Estou impressionado comigo mesmo!
- Lourenço, estou a falar a sério contigo... estou a esforçar-me... ajuda-me por favor... não brinques agora... isto não é fácil para mim...
- Catarina, eu estou a brincar mesmo para desanuviar essa carga toda... esse tom pesado. Eu sei que isto não é fácil para ti... já deu para te conhecer bem nesse aspecto!
- Então não gozes...
- Não gozo! Mas se um assunto é sério, porquê torna-lo ainda mais pesado... mais sério... mais frio... se mudares o tom e o ambiente, ajuda a desanuviar... ou não será?
- Sim... visto dessa forma... tens razão. – Catarina intervalava as palavras com beijinhos no pescoço de Lourenço, que estava meio encostado às costas da cama e meio enrolado por Catarina de pernas e braços.
- Catarina, pelo que me parece, evitas-me para não te envolveres muito comigo... Podes aproveitar para me chamar de convencido! Mas eu acho que nós os dois temos muito em comum e todas as características para estarmos felizes juntos... O que sinto quando estás por perto é quase mágico. Estes dois dias para mim têm sido surpreendentes! Cada vez tenho mais certeza do que sinto por ti e de que não te sou indiferente. Combinamos e complementamo-nos lindamente em cada palavra que dizemos...
- ...eu também acho... – Lourenço fazia carinhos numa das pernas destapadas de Catarina que lhe cruzava a barriga. – ...mas acho sempre que nos devíamos conhecer mais... tudo o que eu não quero é ter de passar outra vez pelo fim de um relacionamento, que estou certa que a acontecer, vai ser muito bom, vai-me supreender muito, vai-me marcar-me muito e deixar óptimas recordações...
- Pequerrucha...
- Hihihi!
- Que foi?!
- Pequerrucha!
- Eheh! Olha, saíu... Pequerruchinha, diz-me uma coisa...
- Sim!
- Já sei que tiveste outros relacionamentos que te marcaram... toda a gente tem! Eu também já tive... Mas, essas memórias são-te agradáveis?!
- Sim, sem dúvida... mas as recordações do fim...
- Pára! Para aí... Guardas boas recordações, não guardas?!
- Sim, claro que sim...
- Então... com base nessas recordações, vês-te a ter excelentes momentos de felicidade com outra pessoa?!
- Sem dúvida!
- Ora, isso mostra que tens uma apetência para viveres e partilhares a tua vida com outra pessoa... Ou pelo contrário, as melhores recordações da tua vida vêm de momentos e conquistas tuas sozinha, em momentos de solidão, introspecção ou mesmo isolamento?
- Claro que não... tenho noção que sou mais feliz se tiver ao meu lado alguém que me complemente, que partilhe comigo a vida.
- Óptimo! Eu também... Agora repara... Se a felicidade que tu queres para ti, implica teres uma pessoa com determinadas características ao teu lado, porque é que evitas essa proximidade?... Não te parece um contra-senso... Tens é de procurar essa pessoa! Ou não será?!
- Pois... deixaste-me sem argumentos... parece que tenho feito tudo ao contrário...
- Ehehe! Nem para ti és boa!
- Eheheheh! Toma lá uma ferradela!
- Au!... Podes dar outra! Eheh!
- Hihihi! Parvo!
- Mas percebeste o que te disse... Percebeste acima de tudo quanto é inútil esse sofrimento? Que só te bloqueia...
- Tens umas ideias controversas tu... fogo! Sempre achei que o amor não se procurava... que se encontrava por acaso... por destino...
- Então a solução seria ir para a igreja rezar pela vinda do príncipe encantado!
- Hihihihi! Ou do lobo mau?!
- Eheheh! Mas é isso... Temos de procurar e criar um contexto propício para aquilo que queremos aconteça. Sou muito pragmático nesse aspecto... Não acredito que a minha felicidade dependa dos outros. Pelo contrário, decorre das minhas acções... E acho que é aplicável a tudo: vida profissional; vida afectiva; hobbies; sonhos... sei lá!
- Sempre te admirei por isso... és uma pessoa que transmite segurança e tranquilidade... apesar de encarar a vida de uma forma totalmente distinta da habitual...
- Sabes... algumas pessoas contentam-se com o que lhes sai na rifa... seja muito ou pouco, ou mesmo uma desgraça... há outros que são mais inconformados!
- Que é mais o teu caso!
- O nosso caso... também te acho assim. Gosto de bater os meus records.
- E o que é que te conformaria a dormires, porque já é tarde?

Lourenço afastou-se ligeiramente de Catarina e olhou-a nos olhos. Em simultãneo, tocava-lhe numa perna fazendo carinhos suaves, enquanto que com a outra mão, agarrava uma das mãos de Catarina. Catarina massajava-lhe suavemente o ombro direito...

- Se me adormecesses com beijinhos, eu não ofereceria resistência...
- Se é teu desejo, assim será!

Aproximou-se de Lourenço e deu-lhe um beijo leve nos lábios. Depois empurrou-o, deitando-o de barriga para baixo. Em seguida, deu-lhe inúmeros beijos nas costas... Lourenço adormeceu rapidamente e sem oferecer resistência, esboçando aquele sorriso de quem está em pleno paraíso!

Lourenço acordou às dez da manhã. Reparou que Catarina já estava acordada e ambos sorriram...

- Bom dia Princesa!
- Bom dia Sapo! Hihihi...
- Eheheh! Já estavas acordada há muito tempo?! Podias ter-me acordado... da mesma forma que me adormeceste... Não resmungava de certeza...
- Hihi! Acredito que sim... mas achei que já estavas excitado que chegue! Ehehhe! Não precisavas de mais contributos! Hihihihi!
- Oh... estás a gozar com o meu corpo e a envergonhar-me... O que é que queres que te faça... Não é algo que se controle... É fisiológico... De manhã...
- Pois... São resistentes esses boxers! Ahahahahah!
- Agora quem vais levar és tu! – e atirou-lhe com a almofada.
- Hihihihihi... até me doi a barriga! Hihiihihi!

Nessa altura batem à porta e soa uma voz: “Pouco barulho! Mesmo que não soubesse, pelas gargalhadas não me restaria qualquer dúvida que este quarto é o vosso!”. Era a voz de Mariana que se ouvia através da porta. Olharam um para o outro e riram-se ainda mais!

- Bem, pelo menos, de tanto rir, já me posso levantar para ir à casa-de-banho sem passar vergonhas à tua frente!
- Hihihihi! Então... hihihihi... não era suposto o contrário... Rir... excitado...
- Rir descontrai!
- Hihihihi!!!

Lourenço regressou da casa de banho já desperto e dirigiu-se a Catarina:

- Adorei adormecer com os teus beijinhos...
- Também me soube muito bem... a nossa conversa agarradinhos – e com isto agarrou-o e ficaram os dois deitados na cama – os teus miminhos... dar-te aqueles beijinhos e ver-te adormeceres a sorrir! Adormeci e acordei agarrada a ti... caso não tenhas notado...
- Pronto, está explicado o meu estado de há pouco...
- Hihihihi! Não comeces com essa conversa! Hihihihi! – Lourenço fazia-lhe cócegas e Catarina ria descontroladamente. Quando se acalmou, levantou-se ainda meia zonza e rir-se. Aproximou-se de Lourenço e disse-lhe:
- Bem... vou para a casa de banho e quando regressar, levantaste... senãhhooo... ei... perdemos o pequeno almoço. – mas antes de se dirigir à casa de banho, deixo-lhe um beijinho nos lábios!

Lourenço ficou deitado na cama a preguiçar; estava feliz porque o relacionamento com Catarina estava cada vez mais interessante... e os dois estavam muito tranquilos e felizes.

Não tardou estarem os dois a tomarem pequeno almoço. João e Gonçalo já se dirigiam para o court, para começarem a aquecer. Enquanto os empregados começavam a levantar as mesas, os dois conversavam calmamente, e deliciavam-se com um pequeno-almoço generoso.

No court, o jogo já havia começado. Ambos os amigos estavam a jogar bem, mas Gonçalo mostrava mais eficácia a fechar os pontos. O 1.º set terminou com 6-4 para Gonçalo. O jogo continuava competitivo mas também descontraído... os amigos trocavam uns comentários e brincadeiras entre eles, sob um ar de reprovação da equipa de arbitragem. A assistência, essa, ria-se abundantemente! O 2.º set foi favorável a João num 7-5 tirado a ferros! Já no 3.º set, Gonçalo voltou a impor-se por 6-4. O 4.º set acabou por ser o derradeiro para João, que não conseguiu contrariar a maior eficácia de Gonçalo, tendo perdido novamente por 4-6. O jogo foi muito aplaudido e todos congratularam o excelente nível técnico de ambos.

Já fora do court, as brincadeiras começavam:

- Ehehe! Vocês estão condenados a jogarem um contra o outro! – dizia João.
- Se tudo correr bem... lá vai o Gonçalo perder pela 1.ª vez... – sorria Lourenço.
- Pois, pois... o torneio vai terminar da mesma forma que começou: connosco no court e comigo a ganhar! Eheheh!
- Não sei... não sei... – Lourenço mantinha o mesmo sorriso.
- Bem, então dá lá cabo desse gajo e depois vemos isso!. Vou-me para o duche...e vou tentar dar um mergulho na piscina, depois da massagem.
- Ok! Mas há outra coisa... quem ganhar, paga um jantar no Porto!
- Combinado!
- Mas o jantar é a 6 e não a 4! – lembrava João entre gargalhadas. – Ainda nem te dei os parabéns...

O jogo começou muito bem e logo com vantagem para Lourenço. Na bancada Catarina mostrava-se algo ansiosa... No entanto, Lourenço impôs o seu primeiro serviço desde cedo e rapidamente o adversário começou a baixar os braços. Com o sorriso de Catarina a acompanhar, rapidamente os sets de sucederam com 6-4, 6-2, 6-2. Um jogo relativamente fácil, em que Lourenço aproveitou para por em prática um jogo mais ofensivo e de risco, com muitas subidas à rede, muitos voleys cruzados e smashes, para delícia da assistência presente. O adversário, simpático, congratulou Lourenço e saíram juntos do court. Lourenço aconselhou-o a ir ao SPA experimentar as excelentes massagens de que poderia desfrutar. Seguramente, não estaria massacrado fisicamente no dia seguinte. E de facto, ambos se encontraram no SPA.

Já ao almoço, e depois de terem desfrutado de um mergulho gélido na piscina... afinal estavam em Maio, Gonçalo continuava optimista com a sua vitória como certa. Lourenço ria-se... e ia-lhe explicando, que lhe convinha não entrar o torneio a ganhar, etc., entre argumentos estranhos e hilariantes.

- Sabes... o primeiro milho é para os pássaros!
- Ehehehe! Não vais ter hipótese! – Catarina ajudava agora à festa.

A final estava marcada para a 5 da tarde, mas a organização foi logo advertindo que às 7 todos os praticantes estavam convocados para uma futebolada! Ao que os dois jogadores imediatamente aderiram.

- Já agora – perguntava Lourenço – o que acham de ficarmos cá para amanhã? Em vez de irmos hoje à noite depois de jantar, dormimos cá, aproveitamos melhor o jantar... o bar aberto... ehehe! E amanhã, podíamos ir dar um passeio, em vez de irmos directos para o Porto... o que acham?!
- Olha – referia Joana – honestamente, nós já tínhamos decidido isso. Faz todo o sentido... portanto, marquem mais uma noite, quartos não faltam, e amanhã passamos o dia os seis a passear por aí!
- Que dizes Catarina?!
- Não é nada que não me tenha passado pela cabeça... afinal, amanhã nenhuma de nós trabalha, verdade?! E tu podes baldar-te?!
- Sim... não marquei nada... faço um telefonema só a avisar que não vou e o meu people aguenta aquilo!
- Então está combinado!
- EIA!!!

Tudo decorria de vento em popa. O fim de semana tinha-se revelado excelente para Gonçalo; ele e Catarina estava cada vez mais próximos. O torneio corria bem. Estavam a ser tratados princepescamente. Tinha conhecido pessoas que se revelavam excelente companhia. As perspectivas para este dia de Domingo eram excelentes: tencionava ganhar o torneio e o jogo de futebol (sobre o qual já toda a gente discutia mais do que sobre a final de ténis). Ia passar mais uma noite com Catarina (que minuto a minuto se tornava mais promissora!). E amanhã, ia ainda passear por Portugal. Vida de sonho!

Finalmente chegava a hora de voltar a vestir o equipamento. Confiantes os dois jogadores aguardaram um pelo outro à saída do quarto. Caminharam até ao court os dois, entraram em campo desejando boa sorte mútua.

O serviço saiu para Lourenço. Com uma confiança inabalável fez vários ases nos primeiros jogos e conseguiu o primeiro break de serviço ao 4.º jogo, repetindo ao 6.º. Fechava assim o 1.º set com 6-4. No 2.º set, entra ainda mais forte e faz 2-0. Já no 3.º jogo, faz um passing shot de esquerda impressionante para delírio da assistência... no entanto... fica com um ar desconfiado... A explicação surgiu no ponto seguinte com a rede a rebentar... Desolado, dirigi-se ao saco e troca de raquete. O problema é que trocar uma Volkl V10, por uma Prince Classic em magnésio com 20 anos, implica mudar toda a forma de jogar...

Lourenço regressou ao court inseguro... e nesse set não conseguiu ganhar mais nenhum jogo. Gonçalo pressionava-o muito bem a imprimir um ritmo rápido, situação em que Lourenço acabava por fazer bolas demasiado compridas... Resultado: 2-6 para Gonçalo e jogo empatado.

O 3.º set começou bastante mal, tendo estado Lourenço a perder por 3-0. Não estava a conseguir colocar efeito na bola e esta ia sempre fora... Depois de muito meter as mãos à cabeça, passou a optar por um jogo mais agressivo de rede, com voleys muito curtos e rápidos. Não hesitava em fazer smashes e nas pancadas mais longas, havia que imprimir uma forma brutal, para que aquela raquete conseguissem realmente aninhar a bola. O resto do set equilibrou-se, mas mesmo assim, Gonçalo fechou com 6-3; vencia neste momento por 2-1, deixando Lourenço no fio da navalha.

O 4.º set começou com os dois jogadores muito concentrados. No entanto, o facto de Lourenço ter feito um break logo no 1.º jogo (já nas vantagens) e ter ganho o 2.º jogo a zero, tendo inclusivamente terminado com 2 ases, enfureceu Gonçalo que bateu com a raquete no chão e esta partiu! Não se contendo, os dois jogadores desatam à gargalhada. Lourenço aproxima-se da rede, enquanto Gonçalo ia buscar outra raquete ao saco:

- És mesmo um copião! Não podias só ganhar o jogo e pronto... Não, queres também jogar com a raquete de reserva!
- Eheheh! Não gozes, não gozes... ehehe!
- Ainda por cima tens outra raquete quase igual?! Tens patrocínio da Wilson?!
- Eheh! Não, esta é antiga!
- Wilson é a marca dos meninos queques!
- Já vais levar com um queque na tromba... ahah!
- Ehehe!

Esta brincadeira para descontracção levou a uma advertência da arbitragem a ambos os jogadores.

O jogo seguiu equilibrado. Gonçalo ainda conseguiu recuperar algum ritmo, mas Lourenço parecia já estar mais habituado à raquete e acabou por fechar com 6-4.

Entrados no derradeiro set, vivia-se a atmosfera do tudo ou nada. Lourenço arriscava tudo; batia na bola com quanto força tinha. Desde que tinha trocado de raquete, evitava as esquerdas, porque a direita saía melhor, com a bola a bater no chão e a aninhar bastante.

Já com o resultado em 3-1, Lourenço falha um smash e imediatamente põe a mão no ombro... Meio anestesiado vê Gonçalo a ganhar mais um jogo. Jogava-se literalmente o “vai ou racha”. O serviço era de Lourenço e com esta raquete parecia que o serviço saía ainda mais forte; no entanto, os arcos pronunciados que com a raquete anterior a bola desenhava, eram bem mais difíceis de receber e não conseguia fazer ases agora. O jogo tornou-se estonteante em velocidade, e os pontos eram maioritariamente decididos na rede.

O jogo chega a um ponto crucial: 5-4 para Lourenço e jogam-se as vantagens. Lourenço perde e Gonçalo pula e alegria. Tinha conseguido empatar ao 10.º jogo. Tudo estava em igualdade outra vez.

Numa troca de campo, Lourenço dizia: “...eu nunca gostei de piso sintético!”. Riam-se agora mais discretamente, não fosse o árbitro adverti-los outra vez.

Os dois jogadores tinham um ar tenso agora... E na assistência imperava o silêncio. Catarina e Mariana até tinham medo de ver.

Bola em jogo novamente e Lourenço voltava a surpreender. Recuperara a sua esquerda a duas mãos. Cruzava bolas rapidíssimas, que batia em aceleração para rede, para se antecipar à jogada seguinte. Estava literalmente a encostar Gonçalo às redes do fundo do court. Quando Gonçalo conseguia ainda jogar a bola, surpreendia-o com amorties na rede. 6-5 para Lourenço. Tudo restava saber agora se o serviço de Gonçalo os levava a tie break, ou se seria insuficiente.

Gonçalo abre o jogo com um às e colhe sonoros aplausos. Na jogada seguinte é Lourenço que responde com um passing shot muito rente à rede e a bater em cima da linha lateral, totalmente inalcansável para o adversário. Os pontos seguintes conduziram-nos às vantagens e foram os mais longos dos jogo. Algum cansaço e medo de arriscar por parte dos jogadores, levaram a jogadas embora rápidas, cautelosas. Com vantagem nula, Gonçalo consegue surpreender Lourenço, sobe à rede depois de o ter encostado ao canto direito com um fortíssimo passing shot; no entanto, este surpreende-o com um loob impressionante em altura. Gonçalo ainda recuperou a bola, que devolveu-a lenta, permitindo a Lourenço uma aceleração incrível e impossível de alcançar.

O árbitro dizia pela 5.ª vez “vantagem da resposta e match point”. Gonçalo serve forte, resposta cruzada de Lourenço mas ao cento, a qual Gonçalo responde facilmente. Os jogadores posicionam-se novamente para lá da linha de fundo, onde se mantiveram por mais de 10 pancadas entre esquerdas e direitas, drives e passing shots. Até que numa esquerda, Lourenço corta repentinamente a bola que cai poucos centímetros depois da rede; Gonçalo, incrédulo corre e bate a bola na última. Mas Lourenço já bem posicionado e perto da rede limita-se a empurrar a bola para o outro lado do court, totalmente fora do alcance de Gonçalo, saindo esta pela lateral.
Era o delírio da assistência. O jogo terminava ao fim de duas horas e uma quarto e com os dois jogadores nitidamente desgastados.

- Então, achas que ainda consegues jogar futebol? – perguntou Lourenço a Gonçalo, levantando-lhe o braço.
- Só se for na tua equipa!
- Eheheh! Foi um jogo espectacular. Acho que nunca joguei tão bem como hoje...
- Parabéns! Tomo isso como um elogio...
- Claro que sim! É mesmo isso.

Logo a seguir Catarina saltava-lhe para o colo, dando-lhe o primeiro beijo em público... Ninguém se apercebeu! Excepto Lourenço...

A seguir tembém decorreu uma pequena brincadeira, ao melhor estilo de entrega de prémios, e que terminou com a apresentação de um placar com as equipas a defrontarem o jogo de futebol. Irónicamente, Lourenço e Gonçalo estava nas balizas! Algo que foi logo contestado, e por mútuo acordo, João, Gonçalo e Lourenço ficaram na mesma equipa.

Quase ainda sem forças, o jogo começou e a equipa adversária ganhou vantagem de 3 golos no marcador.

- O primeiro milho é para os pássaros... – relembrava Lourenço, acalmando a equipa e fazendo re-ajustes nas posições dos jogadores.

Ao intervalo já só perdiam por um golo.

- Gonçalo, agora que já descansamos, vamos pressionar forte. Ficas a ponta de lança e eu jogo a lateral esquerdo. Mantem-se no meio!
- Combinado.

O jogo começou e logo a seguir, num contra-ataque com troca de lado dos laterais, Lourenço remata forte de pé esquerdo, a bola faz um arco a meia altura à frente do guarda-redes e entra bem rente ao poste. Jogo empatado com delírio no campo.

A partir daí, esta equipa dominou totalmente o jogo. As desmarcações pelo lado esquerdo eram frequentes, seguidas de cruzamentos de Lourenço para Gonçalo que irremediávelmente davam em golos. A cereja no bolo veio com o 3.º golo de vantagem, em que João fez um belíssimo livre directo por cima da barreira da defesa.

No final, ainda tiveram direito aos títulos de Melhor Jogador em Campo para Lourenço; Melhor Marcador em Campo, para Gonçalo com 6 golos; e Melhor Guarda-Redes para João, o único que passou pela baliza sem sofrer golos.

Á rebelia da gerência do hotel, as duas equipas atiraram-se para a piscina vestidas.

Dada a proximidade da hora de jantar não houve tempo para massagens... mesmo com reclamações! Havia uma pequena cerimónia para agradecimentos e divulgações técnicas dos novos produtos do patrocinador, pelo que os horários eram mais rígidos naquele dia.

O jantar foi tão animado quanto delicioso. A cerimónia em causa uma vez terminada deu origem ao maior convívio entre todos os convidados, até porque eram poucos os que iriam regressar naqueles dia.

Já a noite ia longa e devidamente regada por um bar aberto, quando os nossos amigos resolveram recolher aos quartos:

- É boa ideia! Já bebemos que chegue, precisamos de descansar, ainda quero fazer uns miminhos aqui à patroa, e amanhã, se vamos passear, não podemos dormir até ao meio-dia. – reclamava João.
- Até porque amanhã o pequeno-almoço é só até às 10 horas... e sem pequeno-almoço, não vou a lado algum! – reclamava Catarina.

Despediram-se e cada um foi para seu quarto.

- Catarina, foi um fim-de-semana e tanto...
- Ainda não acabou!
- Tenho de te agradecer... adorei tudo!
- Tudo?!
- Sim, tudo! E não vou para a varanda...
- Hihihihi!
- Não precisas... hoje podes ir tu primeiro para a casa de banho.
- Ahahaha! Olha que eu venho depressa!
- Óptimo!

Quando Lourenço regressou, Catarina já estava de camisa de noite.

- Uau! Que inovações por aqui andam...
- Um minuto e já regresso! – e entrou na casa de banho.

Mal apareceu, saltou para cima de Lourenço, agarrou-o e deu-lhe um beijo apaixonado.

- Não imaginas o bem que me tens feito neste fim-de-semana! E hoje, fizeste-me sentir uma privilegiada. Ganhas o torneio, o futebol, melhor jogador, toda a gente te acha simpático e gosta de ti... Até as minhas amigas te elogiam constantemente...
- Antes demais, adorei esse beijo – Catarina beija-o novamente interrompendo-o – e a pergunta que te queria fazer era se querias prolongar esse bem-estar?!
- Essa é uma forma muito original de propor alguma coisa...
- No fundo, a mesma coisa que te queria propôr há já algum tempo...
- Sim... mas só agora é que tal foi possível concretizar...
- A minha proposta é a de tornar este fim de semana extensível aos nossos dias... todos... Claro que não de uma vez só... Claro que podemos ter momentos muito melhores do que estes já de si muito bons...
- Achas mesmo que é possível compatibilizarmo-nos todos os dias e superar este fim de semana?
- Claro que sim!
- E prometes ter paciência para aturar aqueles momentos em que eu não vejo as coisas com o teu pragmatismo e simplicidade?
- Aos poucos, lá chegaremos... além do mais... se não tentarmos, nunca saberemos se conseguimos...
- E se ou outros conseguem...
- Não interessa o que sabes, mas sim o que fazer com o que sabes...
- Sabes uma coisa...
- Ainda não...
- Hoje, quem quer muitos beijinhos sou eu!

Lourenço abraçou Catarina carinhosamente, enquanto procurava os seus lábios com beijos na face. Enrolaram-se um no outro e ternamente foram soltando as poucas peças de roupa que tinham. Amaram-se como se um só fossem, longa e intensamente durante a noite. Adormeceram exaustos e donos de uma felicidade que poucas vezes somos capazes de sentir e viver.

No dia seguinte, foram acordados por alguém a bater à porta. Nús como estavam, não podiam abrir... Lourenço perguntou com uma voz enrolada quem era. Do outro lado, a voz meiga de Joana dizia: “Sou eu dorminhocos! Passei aqui e como não ouvi barulho nenhum no vosso quarto, vi logo que estavam na dorminhoquice! Toca a levantar! Já são nove e meia...”. Lourenço agradeceu a Joana e riu-se... tal como Catarina e Joana.

- Bom dia Princesa! Que despertar tão violento...
- Podes crer!
- Ainda por cima, vamos ter de acelerar...
- Oh não... e eu que ainda te queria mais um bocadinho...
- Também eu... mas ficamos sem pequeno-almoço...
- E rabugentos... e esfomeados...
- Catarina... vamos a um 2 em 1!
- Como?...
- Já para a banheira que eu já te explico!
- Eheheh! Anda daí!

Chegaram ao pequeno-almoço em cima da hora de fecho. Vinham com um sorriso descontraído, mas não escondiam umas boas olheiras!

- Olha-me para estes... atrasados ao pequeno-almoço!
- Que terão estado eles a fazer Gonçalo? – acrescentava Mariana.
- Ainda tens dúvidas... olha para aquelas olheiras! – observava Joana.
- Tchi... vocês não querem ficar cá! Nós vamos bem sozinhos! – ria-se João.

A animação começou logo ao pequeno-almoço, com o planeamento da viagem. Lourenço sugeriu ainda que jantassem todos juntos no Porto, à chegada. Afinal, cabia-lhe a ele oferecer um jantar por ter ganho a Gonçalo.

Estava um dia fantástico de Primavera, pelo que Catarina e Lourenço não hesitaram em vestir um casaco e abrir a capota. Os Divine Comedy deram lugar aos Rolling Stones, Cousteau, Amy Winehouse e De Phazz.

Seguiam em direcção a Aveiro para aí almoçarem, e depois conhecerem algumas praias.

Já ao final da tarde, havia que recolher a capota por causa do frio... Este acto tornou o convívio entre Catarina e Lourenço ainda mais aconchegante. Agora sim, sentiam-se realmente a cara metade um do outro... mas descontraídos e sem medos... seguros, gostando de si mesmos e sabendo que o outro apenas poderá melhorar a vida de ambos, complementando-se, nestas circunstâncias.

O dia terminou com um jantar num restaurante pequeno e acolhedor em Leça, escolhido por Lourenço, onde se poderam deliciar com uma especialidade de peixe. Este grupo de amigos havia conseguido muito boa sintonia entre si; seguramente tinham muito pela frente para conviver. Despediram-se já com saudades e planos para um novo jantar.

Quando Lourenço deixou Catarina em casa, a despedida foi dolorosa. No entanto, ambos se sentiam leves... quase que descomprometidos com o futuro. Os desafios comuns são a melhor união de duas pessoas, por isso, ambos estavam seguros de si e em relação ao outro.

Apesar da profunda incógnita, a felicidade do momento fazia parecer que nem o céu seria o limite...

Sérgio