A música ligeira Portuguesa dos últimos 30 anos está cheia de exemplos destes. Temas fantásticos em originalidade e sentido musical, assassinados por arranjos vulgares e desprovidos de genialidade.
Possivelmente vou-vos melgar com outros temas da Mafalda Veiga e do João Pedro Pais que merecem melhor tratamento que as versões originais. Tomara o mercado norte-americano ter temas desta qualidade e originalidade nos tops; devidamente trabalhados, seriam mega-sucessos! Reparem nas letras, no trabalho vocal e na instrumentação base (neste caso, o piano; normalmente a guitarra ritmo). De lamentar apenas os violinos melodramáticos, nauseabundos e lamechas.
Por acaso, já conhecia este tema há alguns anos... quando em 1996 fui ao Dia do Motociclista, a Sagres, e o grande Nuno Satan nos brindou com uma tornée por Alfubeira aos locais onde havia sido animador, tendo feito uma versão karaoke deste tema, no mínimo, invejável! A letra marcou-me para sempre...
Sérgio
Mentira
Dá-me vontade de te ter a meu lado
Vendo-te a olhar p'ra mim
Sei que estou apaixonado, mas não posso ficar assim
Deitado num rochedo canto para ti
Como um pássaro livre que voa sem fim
Porque é que a vida nos trama, quando alguém se ama?
Ter de partir e não poder sorrir
Porque é que choras, porque é que dizes o meu nome?
Sem nunca me poderes tocar
Tenho saudades de te ver, vontade de te abraçar
Sozinho tocando uma guitarra junto ao mar
Recordo-me de ti, imagino porquê
A tua cara a flutuar
Porque é que a vida nos fascina
Tantas vezes nos domina
Acreditar que no amor
Não se sente a dor
Mas é mentira, mentira, mentira.
(João Pedro Pais, Outra Vez, 1999)