05 setembro 2008

Mas é verdade...

Ontem falava-vos exactamente disto...

A música ligeira Portuguesa dos últimos 30 anos está cheia de exemplos destes. Temas fantásticos em originalidade e sentido musical, assassinados por arranjos vulgares e desprovidos de genialidade.

Possivelmente vou-vos melgar com outros temas da Mafalda Veiga e do João Pedro Pais que merecem melhor tratamento que as versões originais. Tomara o mercado norte-americano ter temas desta qualidade e originalidade nos tops; devidamente trabalhados, seriam mega-sucessos! Reparem nas letras, no trabalho vocal e na instrumentação base (neste caso, o piano; normalmente a guitarra ritmo). De lamentar apenas os violinos melodramáticos, nauseabundos e lamechas.

Por acaso, já conhecia este tema há alguns anos... quando em 1996 fui ao Dia do Motociclista, a Sagres, e o grande Nuno Satan nos brindou com uma tornée por Alfubeira aos locais onde havia sido animador, tendo feito uma versão karaoke deste tema, no mínimo, invejável! A letra marcou-me para sempre...

Sérgio




Mentira


Dá-me vontade de te ter a meu lado
Vendo-te a olhar p'ra mim
Sei que estou apaixonado, mas não posso ficar assim
Deitado num rochedo canto para ti
Como um pássaro livre que voa sem fim
Porque é que a vida nos trama, quando alguém se ama?
Ter de partir e não poder sorrir

Porque é que choras, porque é que dizes o meu nome?
Sem nunca me poderes tocar

Tenho saudades de te ver, vontade de te abraçar
Sozinho tocando uma guitarra junto ao mar
Recordo-me de ti, imagino porquê
A tua cara a flutuar

Porque é que a vida nos fascina
Tantas vezes nos domina
Acreditar que no amor
Não se sente a dor
Mas é mentira, mentira, mentira.


(João Pedro Pais, Outra Vez, 1999)

5 comentários:

luna disse...

Excelentes escolhas sob o meu ponto de vista!
Ao ler e ouvir estas musicas chegou mais alguém ao meu pensamento!! Paulo Gonzo, com a sua voz quente, sensual...Com o seu...

sei de cor
cada traço do teu rosto, do teu olhar
cada sombra da tua voz e cada silencio,
cada gesto que tu faças,
meu amor sei-te de cor

sei cada capricho teu e o que nao dizes
ou preferes calar, deixa-me adivinhar
nao digas que o louco sou eu
se for tanto melhor
amor sei-te de cor

sei porque becos te escondes,
sei ao pormenor o teu melhor e o pior
sei de ti mais do que queria
numa palavra diria
sei-te de cor.

sei cada capricho teu e o que nao dizes
ou preferes calar deixa-me adivinhar
nao digas que o louco sou eu
se for tanto melhor
amor sei-te de cor

sei de cor cada traço do teu rosto, do teu olhar
cada sombra da tua voz e cada silencio,
cada gesto que tu faças
meu amor sei-te de cor ...

CARMO disse...

Olá Luna! Quando é que te identificas?! Ou pelo menos, diz-nos qual é o teu espaço, para te conhecer-mos um bocadinho mais!

Tens toda a razão. O Paulo Gonzo é outro que tal. Poderia ser muito mais valorizado, se tivesse profissionais a trabalharem com ele e à altura dele.

Tenho pena que a banda que o lançou tenha ficado pelo caminho... não me lembro do nome... go go blues?!...

luna disse...

Pois! Mas neste momento o espaço da Luna é única e exclusivamente da Luna... :) O único espaço livre neste momento, é o e mail: maildaluna@gmail.com

Quanto ao Paulo Gonzo estiveste lá perto!! A banda chamava-se Go Graal Blues Band. Foi formada em 1975 por Paulo Gonzo (voz e harmónica), João Allain (guitarra), António Ferro (guitarra baixo) e Raul Anjos (bateria).

E esta hein??

CARMO disse...

Acredita que montes de vezes quero dizer esse nome e não me lembro...
irrito-me comigo mesmo, porque gosto bastante do som deles. Obrigado!

Anónimo disse...

Pela intensidade do momento

Pelo contexto histórico

Pelo poema


Era a tarde mais longa de todas as tardes
Que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas
Tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca,
Tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste
Na tarde tal rosa tardia
Quando nós nos olhamos tardamos no beijo
Que a boca pedia
E na tarde ficamos unidos ardendo na luz
Que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto
Tardaste o sol amanhecia
Era tarde demais para haver outra noite,
Para haver outro dia.
Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde.
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza.
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza.

Foi a noite mais bela de todas as noites
Que me aconteceram
Dos noturnos silêncios que à noite
De aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois
Corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram.

Cat