09 fevereiro 2006

O Melhor Amigo do Homem!

Dizem que o cão é o melhor amigo do homem... não sei se é... nem sei definir o que seria o melhor amigo...

Uma coisa é certa: o cão é dos melhores amigos que podemos ter! São fantásticos... são uma companhia indescritível; são cómicos e capazes de nos surpreender a todo o momento.

Desde miúdo convivi com cães. Lá em casa sempre houve esta paixão. Entre muito bichinhos fantásticos que por lá por casa passaram e que acabaram no olho da rua... pois, é que eu tive uma avó com alguns problemas de sanidade mental... e quando os animais cresciam e se tornavam parte da família, a “ciumeira” devia corroer-lhe os miolos e fazia os cães (e gatos) desaparecerem sem explicação aparente e sem ninguém perceber o que tinha acontecido... a certa altura tivemos uma cadela pastora alemã: a Kimba! Esta cadela tinha o seu maior trunfo na inteligência e por muito que a minha avó a tentasse fazer “desaparecer”... ela voltava sempre! Com o passar dos anos (e já sem a minha avó a viver connosco) a Kimba saía todos os dias por volta das 10 da manhã e só voltava por volta do meio dia... com os “homens da rede” a correrem atrás dela... e com um sorriso no focinho... isto porque ela esperava por eles... não fugia de imediato! Como conseguia saltar muros com mais do dobro da altura dela (o que lhe permitia liquidar todos os gatos da vizinhança), não havia quem a segurasse... Este filme era diário; até que já com mais de 15 anos, foi apanhada. Tivemos de a ir buscar ao canil municipal, e por iniciativa própria, deixou de sair... Foi mais ao menos no mesmo ano, que ao saltar uma cerca de 1,70m, da areia para dentro de casa, ficou presa pela coleira nos bicos da cerca... passou a entrar e a sair pelo outro lado da casa, onde o portão tem só um metro de altura. Mesmo com esta idade, acompanhava-me em corridas de meia hora pela praia, praticamente sem esforço e sem demonstrar cansaço (ao contrário de mim!).
O tempo passou... e tinha já a Kimba 21 anos, quando tive de fazer aquilo que mais me custou em 33 anos de vida: leva-la ao veterinário e “adormece-la”... A perda de visão e audição parcial, associada às artroses crescentes nas patas traseiras, retiraram-lhe qualquer qualidade de vida... a minha Kimba passou dias deitada no ninho com um olhar triste... Tentamos medicação diversa, mas a partir de determinada altura já nada fazia efeito. Segui o conselho do veterinário, que calmamente e há algum tempo me vinha a dizer, que um cão sem o movimento, é um cão sem vontade de viver... e pus fim ao sofrimento da minha maior companheira de sempre...
Para trás ficam muitos dias passados juntos e o remorso de não lhe ter feito mais companhia... de não a ter mimado mais... de ter sido duro com ela em determinadas situações... A Kimba cresceu comigo entre os meus 6 e os 27 anos de idade. Se alguém estava doente lá em casa, a Kimba estava ao lado dessa pessoa noite e dia. Se eu ficava a estudar a noite toda, a Kimba ficava ao meu lado. Adorava andar de carro e fazia-o no banco da frente com o sinto de segurança. Conseguia abrir as portas dentro de casa, rodando os puxadores com as patas. Nunca conheci alguém que não gostasse dela... era uma pastora alemã possante, linda, meiga e sedutora!

Para os fãs dos cães, uma sugestão: prefiram as cadelas. São mais asseadas e mais dedicadas aos donos. Lá em casa as cadelas ganharam a eleição. Além de gatos, também tivemos patos, hamsters e porquinhos da Índia, peixes, cágados, grilos... e até um melro que não conseguimos vê-lo na gaiola muito tempo: liberdade! Tenho recordações fantásticas de todos... Um dos hamsters que tivemos, todas as noites conseguia abrir a gaiola e atirava-se de móveis com mais de um metro de altura; de manhã, enquanto tomávamos pequeno almoço, vinha ter connosco para o colocarmos na gaiola (era a Pantufa). Tivemos outro, o Horácio, que só resistiu a uma noite de frio, porque a minha mãe lhe enfiou uma colher de bagaço pela boca abaixo... Tivemos cágados (Tico e Teco) que adoravam festinhas na cabeça... Tivemos um gato (Tico) que roubava as galinhas da vizinha e trazia-as para o pastor alemão (Kaiser) comer; e por compensação, o pastor alemão deixava-o dormir enrolado no quentinho da barriga. Tivemos um ganso que era um autêntico “cão de guarda”.

(Os meus Pais com a Kika e Pituxa)

Depois da Kimba, não me apetecia mais ter cão algum... só que um pit bull preto e branco de um amigo, o Snoopy, convenceu-me do contrário. Este foi provavelmente o cão mais meigo que alguma vez conheci... quem diria... um pit bull red nose! Não ligo às raças, embora aprecie algumas mais que outras. Sou contra as raças da moda (os criadores cruzam parentes próximos e os cães saem afectados... depois dizem que a raça X e Y é perigosa!). As pessoas deviam procurar os cães abandonados e deixarem que sejam estes a escolher o dono, em vez de gastarem fortunas em cães com pedigree. Pois foi mais ou menos o que fiz... Conclusão, pouco depois do Snoopy morrer, eis eu com duas rafeirosas bebes em casa! Já lá vão mais de 4 anos e cada dia que passa, mais me divirto com elas!

(A Kika e a Pituxa a fazerem-me companhia enquanto estudo.)

Sérgio

4 comentários:

Anónimo disse...

SÃO TÃO FOFOS !!
dão imenso e pedem tão pouco...
bj
mt

Solariso disse...

Incrível,

21 anos!!!
Quanto ao final da vida da cadela, infelizmente é uma sina de muitos pastores alemães. Também vivi uma experiência semelhante, mas o Mico ficou-se pelos 12 anos.

rn disse...

Que FOFINHAS...GIRAS.....nomes catitos...
Não sei como elas conseguem ficar quietinhas......
bj
rn

Blogmaster disse...

Este post é-me dificil comentar.
Ainda não tinha 6 anos quando a kimba foi lá para casa pequenina... por isso quase não me lembrava de mim sem ela, nessa data.

Depois dela e de um gato que tive, o "Garfield", acho que nunca mais me quis afeiçoar a nenhum animal...

Mas as pessoas continuam a querer animais de raça... por vezes pagam pequenas fortunas por eles.
Ao mesmo tempo, cada vez mais se abandonam animais em períodos de férias, ou apenas porque cresceram e já são grandes demais dentro de casa e provocam estragos...
O abandono destes deveria ser pago com prisão para quem o pratica.

Em grande parte das vezes, o adoptar um rafeirinho torna-se numa melhor experiências do que a compra de um animal de qualquer raça. São usualmente espertos, meigos e ficam agradecidos eternamente.

Essas duas rafeirinhas lá de casa... são um amor de ternura!