27 dezembro 2005

E Depois do Natal...


... o Ano Novo! Não, não era a isso que me referia...
Nestes dias que andei mais por casa, tive a oportunidade de olhar para a televisão e entre algumas aberrações (as notícias constantes sobre Simão Sabrosa e o Benfica; um chorrilho de telenovelas; programas supostamente de Natal, com coros de Natal infantis a cantarem músicas de Natal em “brasileiro”, apesar de serem Portugueses, com o meu primo lá no meio; o número de acidentes de viação sempre a subir), vi notícias sobre as vítimas do tsunami que abalou o mundo no ano passado, e sobre o facto que cada vez mais as pessoas não passarem o Natal em casa com a família (vão de férias; comemoram o Natal num jantar organizado num hotel entre desconhecidos; estão sozinhos e saem à noite e enchem bares e discotecas).

Começando pelas vítimas do tsunami e pela brutalidade desta catástrofe, envergonho-me de ser “europeu”, como me envergonharia se “americano” fosse, pois tanto a UE como os EUA, ainda não entregaram nem metade dos donativos a que se comprometeram...
Por outro lado, quando vejo estas catástrofes acontecerem, levam-me a pensar o quanto a vida é volátil... Olhando para os sobreviventes, todas as minhas prioridades se invertem: não seria bem mais útil fazer mais um donativo, em vez de comprar, por exemplo, um casaco novo? Não sei porquê, mas as boas intenções comigo morrem sempre depressa e a velocidade do dia a dia, as solicitações constantes das mais diversas coisas levam-me a esquecer o que realmente é importante e deveria ser tão prioritário mim quanto vital para alguns desprotegidos.
Às vezes tenho vontade de abandonar tudo e partir numa missão humanitária, porque saber que há pessoas que são “espezinhadas” e oprimidas por outras mais poderosas e ninguém se preocupa com isso, sinceramente, revolta-me! O que mais peço a mim mesmo, é que nunca corra o risco de fazer o mesmo a alguém... Depois, o tempo a passar, a cobardia, o conformismo e muito egoísmo vencem estes ímpetos... há sempre alguma coisa que me prende e que eu quero ver acabada. Até porque se um dia partir, não volto... não consigo deixar coisas a meio.

Todos os anos constato também, que cada vez é maior o número de pessoas que passa o Natal sozinha. Tal justifica-se por questões profissionais e/ou pela distância a que a família se encontra. Mesmo assim é triste que isso aconteça... mas o mundo não pára...
Começo a achar estranho que alguém opte por passar a noite de Natal num hotel, com uma consoada sobejamente organizada e preparada, mas passada com um ou outro familiar no meio de estranhos... será que o trabalho de organizar esta ceia em família justifica a impessoalidade da situação? Eu acho que não, mas não critico quem pense o contrário... a verdade é que os hotéis estiveram cheios...
Quanto a aproveitar a quadra natalícia para uns dias férias num país tropical, ou numa estância de neve, ou em Nova Iorque? Ou em... Acho que não descontrairia o suficiente para gozar as férias, porque para mim o Natal é a festa da família... e gosto especialmente de dedicar estes dias aos mais velhos (e sabe-se lá quantos mais anos o posso fazer...).

Resta-me entender que cada vez mais as famílias são pequenas; cada vez mais as pessoas não têm família próxima... a que têm é muito afastada em todos os sentidos... Nestes casos, os amigos são a família que escolhemos, logo é natural que ocupem o seu lugar... E como entre amigos não há formalidades, todo o leque de opções que o Mundo nos oferece, pode constituir uma excelente ideia para um Natal diferente, mas colmatador do vazio que não queremos sentir.

Esta época sem dúvida é carismática; tem magia e misticismo e encanta qualquer um... importante era que depois das comemorações do Ano Novo, não nos esquecêssemos de tudo aquilo que sentimos no Natal... concerteza faríamos um mundo melhor!

Sérgio

3 comentários:

rosa disse...

Concordo contigo, mas tenho que falar do Ano Novo! Até porque é mais uma festa e em que muitas pessoas mais uma vez não têm limites...há quem prefira não olhar à carteira e não pensar no Mundo que nos rodeia! Como é possível haver pessoas que gastam €750/pessoa (imaginem um casal com 1 a 2 filhos), só para terem 2 noites de estadia na passagem do Ano Novo em que só uma é de festa...devem ter endoidecido!São pessoas que embora o possam ter?!(dinheiro)são pobres de espiríto!Destas pessoas não se pode esperar nada...e a culpa não é só deles!...
Pois que 2006 seja melhor que 2005, principalmente para os mais carenciados e que as mentalidades hipócritas acabem.

CARMO disse...

Pois é... mas há pessoas que têm tanto dinheiro que nunca perceberam o real valor dele... portanto, não têm dimensão quantitiva nem qualitativa em relação ao que gastam, ou do que se poderia fazer alternativamente com esse valor.
Ontem fui cortar o cabelo e ao meu lado estava uma rapariga (linda de morrer, diga-se de passagem!), que tinha num pulso um Frank Muller... isto explica o que vem a seguir. Como ela e o namorado estavam stressados ainda do Natal (das prendas para toda a gente, das visitas, etc.) foram ao cabeleireiro fazer todas as massagens disponíveis e cortar/arranjar o cabelo e as unhas... alguém imagina o que este acto simbólico e descontraído custou?

psac74 disse...

Meu caro amigo Carmo,

Infelizmente, a vida é assim! Cada ano que passa, por esta altura, todos fazemos este tipo de reflexões, mas, passados os Reis, volta tudo ao mesmo (claro que também falo por mim!)...

Um abraço