21 novembro 2008

O Verdadeiro Serviço Público!

Do Arquivo Nacional da Torre do Tombo - SENTENÇA PROFERIDA EM 1487 NO PROCESSO CONTRA O PRIOR DE TRANCOSO · Autos arquivados na Torre do Tombo, Armário 5, Maço 7.


'Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de idade de sessenta e dois anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos rabos dos cavalos, esquartejado o seu corpo e postos os quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguido e que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido com vinte e nove afilhadas e tendo delas noventa e sete filhas e trinta e sete filhos; de cinco irmãs teve dezoito filhas; de nove comadres trinta e oito filhos e dezoito filhas; de sete amas teve vinte e nove filhos e cinco filhas; de duas escravas teve vinte e um filhos e sete filhas; dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas, da própria mãe teve dois filhos. Total: duzentos e noventa e nove, sendo duzentos e catorze do sexo feminino e oitenta e cinco do sexo masculino, tendo concebido em cinquenta e três mulheres'.

E agora vem o melhor...

'El-Rei D. João II lhe perdoou a morte e o mandou por em liberdade aos dezassete dias do mês de Março de 1487, com o fundamento de ajudar a povoar aquela região da Beira Alta, tão despovoada ao tempo, e guardar no Real Arquivo esta sentença, devassa e mais papéis que formaram o processo'.


Já não se fazem padres como antigamente!

Sérgio

20 novembro 2008

The Space Between...

...Dave Matthews.



You cannot quit me so quickly
There's no hope in you for me
No corner you could squeeze me
But I got all the time for you, love
The Space Between
The tears we cry
Is the laughter keeps us coming back for more
The Space Between
The wicked lies we tell
And hope to keep safe from the pain
But will I hold you again?
These fickle, fuddled words confuse me
Like 'Will it rain today?'
Waste the hours with talking, talking
These twisted games we're playing
We're strange allies
With warring hearts
What wild-eyed beast you be
The Space Between
The wicked lies we tell
And hope to keep safe from the pain
Will I hold you again?
Will I hold...Look at us spinning out in
The madness of a roller coaster
You know you went off like a devil
In a church in the middle of a crowded room
All we can do, my loveIs hope we don't take this ship down
The Space Between
Where you're smiling high
Is where you'll find me if I get to go
The Space Between
The bullets in our firefight
Is where I'll be hiding, waiting for you
The rain that falls
Splash in your heart
Ran like sadness down the window into...
The Space Between
Our wicked lies
Is where we hope to keep safe from pain
Take my hand
'Cause we're walking out of here
Oh, right out of here
Love is all we need here
The Space Between
What's wrong and right
Is where you'll find me hiding, waiting for you
The Space Between
Your heart and mineIs the space we'll fill with time
The Space Between...

Sérgio

Angie...

...um tema controverso com um destinatário polémico... dizem as más linguas.

Polémicas à parte, uma melodia fantástica e uma letra arrepiante... e para mim, tem um destino bem determinado.


Angie, angie, when will those clouds all disappear?
Angie, angie, where will it lead us from here?
With no loving in our souls and no money in our coats
You cant say were satisfied
But angie, angie, you cant say we never tried
Angie, youre beautiful, but aint it time we said good-bye?
Angie, I still love you, remember all those nights we cried?
All the dreams we held so close seemed to all go up in smoke
Let me whisper in your ear:
Angie, angie, where will it lead us from here?
Oh, angie, dont you weep, all your kisses still taste sweet
I hate that sadness in your eyes
But angie, angie, aint it time we said good-bye?
With no loving in our souls and no money in our coats
You cant say were satisfied
But angie, I still love you, baby
Everywhere I look I see your eyes
There aint a woman that comes close to you
Come on baby, dry your eyes
But angie, angie, aint it good to be alive?
Angie, angie, they cant say we never tried.

(Angie - Rolling Stones)

Sérgio

19 novembro 2008

Hard Headed Woman...

...por vezes os sons mais simples são os mais especiais!

I'm looking for a hard headed woman,
One who will take me for myself,
And if I find my hard headed woman,
I won't need nobody else, no, no, no.

I'm looking for a hard headed woman,
One who will make me do my best,
And if I find my hard headed woman
I know the rest of my life will be blessed -- yes, yes, yes.

I know a lot of fancy dancers,
People who can glide you on a floor,
They move so smooth but have no answers.
When you ask why'd you come here for?
I don't know why?

I know many fine feathered friends
But their friendliness depends on how you do.
They know many sure fired ways
To find out the one who pays
And how you do.

I'm looking for a hard headed woman,
One who will make me feel so good,
And if I find my hard headed woman,
I know my life will be as it should -- yes, yes, yes.

I'm looking for a hard headed woman,
One who will make me do my best,
And if I find my hard headed woman...

(Cat Stevens, Hard Headed Woman)

Sérgio

Isto é que é tocar guitarra!

...dizia o meu irmão quando me enviou este video. É mais do que isso... esta música além de fabulosa tem uma letra incrível!

Crazy, how it, feels tonight.
Crazy, how you, make it all alright love.
You crush me, with the, things you do,
I do, for you, anything too oh.
Sitting, smoking, feeling high.
And in this, moment, ah, it feels so right.

Lovely lady, I am at your feet, oh, God I want you so badly.
And I wonder this could tomorrow be so wondrous as you there sleeping.

Lets go, drive til, the morning comes.
And watch the, sunrise, and fill our souls up.
Well drink some, wine til, we get drunk, yes...

Its crazy, I'm thinking, just knowing that the world is around.
I'm here I'm dancing on the ground.
Am I right side up or upside down, and is this real, or am I dreaming?

Lovely lady, let me drink you, please, I wont spill a, drop no, I promise you.
Lying under this spell you cast on me.
Each moment the more, I, love, you. crush me, come on. oh, yes.

Its crazy I'm thinking, just knowing that the world is around.
I'm here I'm dancing on the ground.
Am I right side up or upside down?
Is this real, oh lord, or am I dreaming?

Lovely lady, I will treat you sweetly, adore you, I mean, you crush me.
Oh its times like these when my faith I feel.
I know, how, I, love, you. come on, come on, baby.

It's crazy, I'm thinking just as long as you're around.
I'm here I'll be dancing on the ground.
Am I right side up or upside down?
To each other, well be facing.
My love, my love, well beat back the pain we've found.
You know, I mean to tell you all the things I've been thinking, deep inside my
Friend.
With each moment the more I love you. crush me, come on, baby.

So much you have, given love, that I would give you back again and again.
Oh, the love, many now hold you but please, please, just let me, always...


(Dave Matthews & Tim Reinolds - Crush)



Sérgio

17 novembro 2008

ADN

Não é o meu... mas bem podia ser!

Este ADN é do Grande Alexandre Garret, meu colega de curso. Para ele um grande abraço!


Nesta não vale a pena por a letra... o que importa é o "Tu e Eu"!

Sérgio

14 novembro 2008

The Way It Always Starts...

Uma recordação do mítico "Local Hero", mais famoso pela banda sonora de Mark Knopfler, que pelo filme em si, apesar deste ter imagens incríveis!

O tema em causa é de Gerry Rafferty e não de Mark Knopfler, ou mesmo dos Dire Straits como o video parece querer mostrar e na internet é anunciado... aliás, este não é o video que eu queria aqui colocar... é o único que encontrei...

Tudo isto para suprir uma certa saudade deste som, que me tem aferido nestes últimos dias... afinal, that's the way it always starts...


It gets so dark before the dawn
That's when it gets to me
Before the city symphony of taxi horns

That's the way it always starts,
Sitting here and waiting on the beating of my heart.

Last night I thought I heard my name
Well it was too dark to see, but it had to be,
The voice was just the same

That's the way it always starts,
Sitting here and waiting on the beating of my heart.

So tell me why should it have to be this way
Why can't it be all right,
Why can't I sleep at night?
Why should it have to be this way?
Why must there be this price to pay?

Now all the streets are dark and bare,
Oh, if you can live in this town,
And stick around, you can live anywhere

That's the way it always starts,
Sitting here and waiting on the beating of my heart.

Sérgio

09 novembro 2008

Quantum of Solace.

O novo filme do agente secreto mais famoso do mundo, começa por ter um título estranho... Quantum of Solace nem traduzido foi... Se calhar ainda bem, porque está provado "científicamente" que o forte dos tradutores portugueses é a tradução dos títulos dos filmes. Quem não se lembra da força polícial novaiorquina, "Os Azuis de Hill Street", tão bem traduzidos como "A Balada de Hill Street". Bem, mas não é disso que me interessa falar ou escrever hoje. De facto, uma "quantidade de alívio" (e esta é a minha tradução... conforto ou reconforto também são possiveis para "solace") é um título pouco sonante... ainda bem que assim foi deixado, no seu formato original em inglês (e quem quiser que se esforce com o dicionário!).

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007 é desde sempre o meu heroi. Os filmes deste agente secreto distingue-se dos restantes filmes de acção, pela inteligência e astucia do agente secreto, contrariando a violência gratuita por outros oferecida. Contrapõe ainda com uma história e enredo altamente elaborados e complexos; algo repleto de misticismo e charme. Emblemática e carisma são também dominantes. Os ambiente mais luxuriosos do mundo, os mais requintados automóveis desportivos e as perseguições a alta velocidade, os relógios e canetas de tinta permanente de sonho, a neve, as praias, e é claro, as Bond girls... como aliás não poderia deixar de ser! James Bond é um bom vivã; aprecia tudo o que é bom, é culto em diversas matérias para além do seu ofício... e isso torna-o admirável e distinto. Por tudo isto, tenho todos os filmes dele (incluíndo o tão controverso Never Say, Never Again) e não falto às ante-estreias ou estreias consoante calha.

Em relação a este filme, não posso deixar de mostrar a minha decepção... Infelizmente, prima pela vulgaridade de um qualquer filme de acção. Claro que tem alguns pormenores requintados... mas falta-lhe essência. Um dos aspectos que imediatamente se nota mal o filme começa, é a ausência de uma banda sonora adequada e à altura de todo o pedigri que estes filmes têm... Infelizmente Daniel Craig não é nada bem acompanhado musicalmente... e nos seus 2 filmes, a música peca pela vulgaridade... não tem identidade própria, ao contrário dos outros temas, que mesmo sem qualquer apresentação, imediatamente percebemos a sua origem... têm um ADN e uma envolvência próprios. É mesmo uma pena, que se calhar, o melhor actor de sempre na pele de James Bond, não seja acompanhado pelo requinte das produções anteriores. Ou será que estamos em contenção de custos?...

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Vamos falar das coisas boas: a interpretação de Daniel Craig é fantástica novamente! Aquela figura nem assenta na pele de um 007... mas a encarnação na personagem é tão boa, que o resultado final supera largamente esse primeiro estrave visual. A história e o enredo são muito interessantes, em todos os aspectos. A fotografia do filme, fabulosa. As bond girls, fantásticas! A inimitável Mi6, Judi Dench, está melhor que nunca.

O filme, tal como o anterior (Casino Royal) dá-nos a conhecer um James Bond muito mais "humano". Também se magoa (em vários aspectos) e a sua supremacia assenta bem mais no seu porte físico e mental, do que nos gadjets a que fomos habituados durante 21 filmes em quase quarenta anos. No entanto, retirar o célebre Mr. Q (mais recentemente John Cleese) de cena é uma falha que desvirtua significativamente estes dois últimos episódios. O carro, o relógio, a caneta e o telefone fazem parte desta personagem; sem ela, não têm razão de ser. Por exemplo este filme começa com uma perseguição, que na minha opinião tem logo dois defeitos. Em primeiro lugar, um Aston Martin DBS é bem mais rápido que um Alfa Romeu 159... portanto, pelo menos em alguns sitios, deveria ganhar alguma distância. Em segundo lugar, sem os gadjets de Mr. Q, James Bond não precisa do seu próprio automóvel... qualquer um servia para fazer o que aquele fantástico Aston Martin fez. O relógio é apenas uma vez filmado e como peça de adorno pessoal. Canetas não há... há um telefone com GPS...

A necessidade de tornar o agente secreto mais violento, mais rápido e mais actual, acabou por desvirtua-lo... Também já não bebe vodka-martini (shaked, but not disturbed... who cares?!) e parece ter perdido o seu melhor humor, very british... Espero que pelo menos não deixe de usar a frase mais conhecida de toda a produção cinematográfica: "My name is Bond... James Bond.".

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Quantum of Solace é um filme tão simples e desprovido do verdadeiro contexto de espionagem, que quando acaba, fica uma sensação de "...já acabou?!". É com alguma tristeza que começo a achar a série "ALIAS - A Vingadora" bem mais interessante que este filme de James Bond... Realmente, espera-se bem mais do melhor agente secreto do mundo.

Sérgio

05 novembro 2008

Parabéns SOL!!!

...não só porque fazes anos!


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Parabéns por seres o centro da minha vida, do meu mundo, do meu imaginário. Por seres o meu último pensamento antes de adormecer... o meu primeiro pensamento ao acordar... e durante a noite, quando vagueio entre o acordar e o voltar a adormecer, és o pensamento que projecto para os meus sonhos. Anseio saber se no dia seguinte vais brilhar na janela do meu quarto e inspirar-me de braços abertos no meio do céu azul; ou se vais espreitar timidamente entre as núvens cinzentas... e mesmo quando me banhas com as tuas lágrimas, mais a imagem da tua imensurável força me invade e me faz desejar o retorno da tua morna e reconfortante envolvência. Quero-te sempre; quero-te todos os dias; quero-te a vida toda. Quero-me deitar contigo e acordar ao teu lado.

Parabéns por seres a musa "inspiradora" de tudo o que faço e crio. Parabéns por seres o meu tónico: a energia que me repõe todas as forças e me torna apto para todos os desafios. Tudo o que procuro no meu dia-a-dia é estar mais perto e mais exposto a ti. Procuro-te em todas as ruas e esquinas; por todas as estradas; em todas as praias e montanhas; em todas as ondas do mar... Parabéns por seres o motivo de tudo. Parabéns por seres a alegria que rege e contamina tudo o que faço. Parabéns por fazeres parecer que fazes anos todos os dias... Parabéns por seres a minha sombra, estares sempre presente onde o meu imaginário está e seres aquele apoio, aquele empurrão, que faz toda a diferença nos nossos dilemas e hesitações. Quero sentir-te mais... não, não chega... só em todos os meus pensamentos, não chega... quero-te ao meu lado, junto a mim... quero-te em cada batimento do meu coração...

Anseio desde sempre conhecer-te, pessoalmente, tocar-te, sentir o teu cheiro, ouvir a tua voz, o teu sussurar... Por vezes sinto-te tão perto... e é nessas alturas que noto que te esvais, repentinamente, sem rasto, sem esperança de te ver, ou de ti me aproximar. A desilusão é pesada... como o cair da noite. Mas a esperança de ao outro dia iniciar um novo caminho de aproximação é maior ainda; mais forte! Tal como o teu re-aparecer matinal. E é com esse sonho que sou embalado entre os lençois e catapultado rapidamente para o sorriso do despertar... e tudo de novo começar!

Sérgio

24 outubro 2008

Saudade!!!

A nostalgia do Outono desperta-nos uma certa melancolia, acompanhada pelo fascínio do frio, dos dias de chuva passados em casa, acompanhado de uma boa música, filme ou livro. Relembra-me também que as férias de neve estão cada vez mais próximas. Na verdade, não consigo definir que estação do ano gosto mais... todas têm um encanto tão próprio e o seu fascínio nos momentos que me proporcionam.

Esta semana, o tempo arrefeceu substancialmente... já tenho saudades do vento morno do Verão... mas o acordar das brisas matinais frias e do sol de hálito fresco, despertam-me... e até já ando de moto outra vez. O arrepio do frio, as pontas dos dedos e a cara fria são um tónico matinal fabuloso...

Este tema dos Love & Rockets (1986) relembra-me os finais de Verão em Vila Chã, e a saudade e nostalgia que a última quinzena de Agosto me provoca. "Saudade", título do tema, é uma palavra portuguesa de difícil tradução noutras línguas. A música é uma língua universal e esta banda soube traduzi-la na perfeição neste instrumental. As imagens não são propriamente as que mais eu gostaria... mas é o que há!

Quando fui à procura do video no you tube para colocar aqui, esperava encontrar o video original dos Love & Rockets para este fantástico "Saudade". Rapidamente concluí que esse video não existe... o que se entende... a carga emocional do tema é demasiado densa para a colocar em imagens. As fotografias de S. Francisco não fazem o efeito pretendido (nem de perto, nem de longe), excepto para o autor da montagem, a quem agradeço, caso contrário não teria nada para colocar aqui!

Mas nesta busca encontrei algo fantástico! Uma versão portuguesa do tema, para a banda sonora de filme, também ele português ("Um Homem na Cidade)! Não tinha qualquer dúvida que os Love & Rockets se tinham inspirado na melancolia do povo português, na nossa língua e no som da guitarra portuguesa ao criarem este tema. Felizmente, mais alguém cá em Portugal conseguiu ver isto... ao contrário de 99% do país (o que se justifica inteiramente, pois não podem perder nenhum episódio de uma qualquer telenovela brasileira).

É impossível criar uma letra para este tema... mas se pudesse recitar um texto durante o tema, escolheria este.


"A MENINA E O PÁSSARO ENCANTADO

Era uma vez uma menina que tinha um pássaro como seu melhor amigo.
Ele era um pássaro diferente de todos os demais: era encantado.
Os pássaros comuns, se a porta da gaiola ficar aberta, vão-se embora para nunca mais voltar. Mas o pássaro da menina voava livre e vinha quando sentia saudades… As suas penas também eram diferentes. Mudavam de cor. Eram sempre pintadas pelas cores dos lugares estranhos e longínquos por onde voava. Certa vez voltou totalmente branco, cauda enorme de plumas fofas como o algodão...
– Menina, eu venho das montanhas frias e cobertas de neve, tudo maravilhosamente branco e puro, brilhando sob a luz da lua, nada se ouvindo a não ser o barulho do vento que faz estalar o gelo que cobre os galhos das árvores. Trouxe, nas minhas penas, um pouco do encanto que vi, como presente para ti...
E, assim, ele começava a cantar as canções e as histórias daquele mundo que a menina nunca vira. Até que ela adormecia, e sonhava que voava nas asas do pássaro.
Outra vez voltou vermelho como o fogo, penacho dourado na cabeça.
– Venho de uma terra queimada pela seca, terra quente e sem água, onde os grandes, os pequenos e os bichos sofrem a tristeza do sol que não se apaga. As minhas penas ficaram como aquele sol, e eu trago as canções tristes daqueles que gostariam de ouvir o barulho das cachoeiras e ver a beleza dos campos verdes.
E de novo começavam as histórias. A menina amava aquele pássaro e podia ouvi-lo sem parar, dia após dia. E o pássaro amava a menina, e por isto voltava sempre.
Mas chegava a hora da tristeza.
— Tenho de ir — dizia.
— Por favor, não vás. Fico tão triste. Terei saudades. E vou chorar...— E a menina fazia beicinho...
— Eu também terei saudades — dizia o pássaro. — Eu também vou chorar. Mas vou contar-te um segredo: as plantas precisam da água, nós precisamos do ar, os peixes precisam dos rios... E o meu encanto precisa da saudade. É aquela tristeza, na espera do regresso, que faz com que as minhas penas fiquem bonitas. Se eu não for, não haverá saudade. Eu deixarei de ser um pássaro encantado. E tu deixarás de me amar.
Assim, ele partiu. A menina, sozinha, chorava à noite de tristeza, imaginando se o pássaro voltaria. E foi numa dessas noites que ela teve uma ideia malvada: "Se eu o prender numa gaiola, ele nunca mais partirá. Será meu para sempre. Não mais terei saudades. E ficarei feliz..."
Com estes pensamentos, comprou uma linda gaiola, de prata, própria para um pássaro que se ama muito. E ficou à espera. Ele chegou finalmente, maravilhoso nas suas novas cores, com histórias diferentes para contar. Cansado da viagem, adormeceu. Foi então que a menina, cuidadosamente, para que ele não acordasse, o prendeu na gaiola, para que ele nunca mais a abandonasse. E adormeceu feliz.
Acordou de madrugada, com um gemido do pássaro...
– Ah! menina... O que é que fizeste? Quebrou-se o encanto. As minhas penas ficarão feias e eu esquecer-me-ei das histórias... Sem a saudade, o amor ir-se-á embora...
A menina não acreditou. Pensou que ele acabaria por se acostumar. Mas não foi isto que aconteceu. O tempo ia passando, e o pássaro ficando diferente. Caíram as plumas e o penacho. Os vermelhos, os verdes e os azuis das penas transformaram-se num cinzento triste. E veio o silêncio: deixou de cantar.
Também a menina se entristeceu. Não, aquele não era o pássaro que ela amava. E de noite ela chorava, pensando naquilo que havia feito ao seu amigo...
Até que não aguentou mais.
Abriu a porta da gaiola.
– Podes ir, pássaro. Volta quando quiseres...
– Obrigado, menina. Tenho de partir. E preciso de partir para que a saudade chegue e eu tenha vontade de voltar. Longe, na saudade, muitas coisas boas começam a crescer dentro de nós. Sempre que ficares com saudade, eu ficarei mais bonito. Sempre que eu ficar com saudade, tu ficarás mais bonita. E enfeitar-te-ás, para me esperar...
E partiu. Voou que voou, para lugares distantes. A menina contava os dias, e a cada dia que passava a saudade crescia.
– Que bom – pensava ela — o meu pássaro está a ficar encantado de novo…
E ela ia ao guarda-roupa, escolher os vestidos, e penteava os cabelos e colocava uma flor na jarra.
– Nunca se sabe. Pode ser que ele volte hoje…
Sem que ela se apercebesse, o mundo inteiro foi ficando encantado, como o pássaro. Porque ele deveria estar a voar de qualquer lado e de qualquer lado haveria de voltar. Ah!
Mundo maravilhoso, que guarda em algum lugar secreto o pássaro encantado que se ama…
E foi assim que ela, cada noite, ia para a cama, triste de saudade, mas feliz com o pensamento: "Quem sabe se ele voltará amanhã...."
E assim dormia e sonhava com a alegria do reencontro.

P.S.: para o adulto que for ler esta história para uma criança.
Esta é uma história sobre a separação: quando duas pessoas que se amam têm de dizer adeus...
Depois do adeus, fica aquele vazio imenso: a saudade.
Tudo se enche com a presença de uma ausência.
Ah! Como seria bom se não houvesse despedidas...
Alguns chegam a pensar em trancar em gaiolas aqueles a quem amam. Para que sejam deles, para sempre... Para que não haja mais partidas...
Poucos sabem, entretanto, que é a saudade que torna encantadas as pessoas. A saudade faz crescer o desejo. E quando o desejo cresce, preparam-se os abraços.
Esta história, eu não a inventei.
Fiquei triste, vendo a tristeza de uma criança que chorava uma despedida... E a história simplesmente apareceu dentro de mim, quase pronta.
Para quê uma história? Quem não compreende pensa que é para divertir. Mas não é isso.
É que elas têm o poder de transfigurar o quotidiano.
Elas chamam as angústias pelos seus nomes e dizem o medo em canções. Com isto, angústias e medos ficam mais mansos.
Claro que são para crianças.
Especialmente aquelas que moram dentro de nós, e têm medo da solidão…

As mais belas histórias de Rubem Alves
Lisboa, Edições Asa, 2003"



Sérgio

21 outubro 2008

Uma Lição de Morte...

Há pessoas realmente incríveis! Mas este certamente bate bastantes records na capacidade de nos surpreender...

O nosso paradigma sobre a morte e a doença é naturalmente depressivo e triste. Naturalmente digo eu... porque é um paradigma aceite... Mas porque é que há-de ser assim?! Porque não gozar a vida até ao último minuto com o máximo de qualidade e alegria? Não é isso que fazemos noutras situações em que algo vai acabar?! Aproveitamos até ao fim... deliciámo-nos até ao fim... porque tudo é uma dádiva capaz de nos fazer felizes se soubermos aproveita-la.

Se este Homem é capaz de fazer isto com os dias contados, imaginem o que não faria se tivesse uma saúde normal como a nossa... Somos, de facto, uns grandes sortudos!

Este fim-de-semana terminei um livro inédito (aconselhado pela nossa amiga Trouble): "A Inutilidade do Sofrimento" de Maria Jesús Álava Reyes. De um momento para o outro, associei a este video que vi também no Sábado (obrigado Lover pelo email). De facto, que me adianta sofrer por antecipação quando prevejo que algo mau me irá acontecer? Em que é que isso contribui para a minha felicidade, qualidade de vida ou possibilidade de melhorar o meu estado actual?! Nada! Absolutamente nada! E ainda por cima, grande parte destas situações que nos levam a sofrer por antecipação, acabam por não acontecer, o que faz com que sejamos, acima de tudo, uns grandes palermas.

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Este livro faz-nos ver coisas fantásticas no nosso dia-a-dia, nomeadamente, a forma perfeitamente idiota com que olhamos para determinados acontecimentos e fazemos tudo para que consigamos ser cada dia mais infelizes; e cada vez mais, desperdicemos as fantásticas oportunidades que a vida nos oferece diariamente.

Acima de tudo, porque havemos de nos amesquinhar quando uma dificuldade nos surge? E lamentamo-nos que não temos sorte... E arranjamos 30 culpados para tudo aquilo... E daí?! Resolve alguma coisa?! Aumenta a nossa felicidade?! Resolve os nossos problemas?! Nada! Novamente, nada! Só nos faz sentir pior e gastar energias e tempo útil que poderíamos usar em nosso benefício. Mas nós somos insistentes! E continuamos dia após dia a fazer a mesma coisa; a não aprender nada, e a não usufruir nada do que podemos aprender e aproveitar do nosso dia-a-dia. Lembram-se da letra do "Chuva Dissolvente" dos Xutos e Pontapés? É por aí!

A vida tem de ser vista como uma forma de melhorar dia-a-dia as nossas capacidades e características pessoais, e desta forma, sermos mais felizes, porque melhor gerimos as dificuldades e melhor aproveitamos as oportunidades que temos. O contrário é irracional: não aprender, não melhorar, não gerir melhor a algo que nos acontece pela segunda vez.

O ser humano tem esta capacidade. E se repararmos bem, os ditos animais irracionais também a têm. Mas nós, que somos superiores, dámo-nos à preguiça de não nos esforçarmos... porque vivemos numa civilização evoluída e que nos dá condições de bem-estar mínimo aceitáveis. Os nossos antepassados não tiveram essa possibilidade... por isso, a civilização evoluíu até ao estado de elevado desenvolvimento actual.

Para ter esta atitude não é preciso ser sobredotado; apenas força de vontade de ser feliz... de que o dia de amanhã seja mais fácil do que o de hoje, porque amanhã estaremos mais preparados do que estávamos hoje: "Experience is what you get, when you didn't get what you wanted to get".

Possivelmente esta atitude medíocre, mesquinha e tacanha do ser humano, mais comum na Europa, que na América, deve-se muito à nossa socialização e educação. De facto, algumas religiões levam à anulação da personalidade do indivíduo, pela submissão (o fantasma da Idade Média continua bem presente após seis séculos de História). A nossa educação assenta muito mais na repreensão dos nossos erros, do que no reconhecimento e motivação perante as nossas vitórias e sucessos. Há falta de empreendedorismo nas nossas almas!

E se pensarmos bem na nossa formação e na quantidade massiva de conhecimentos com que massacramos os nossos neurónios (muitos deles rapidamente ultrapassados e outros que nunca nos serão úteis), mais uma vez verificamos o efeito de standardização das nossas formas de ser. Na verdade, ninguém nos ensina a sermos felizes e a rir! Na verdade, ninguém nos ensina a gerir as nossas emoções e sentimentos. A inteligência emocional parece passar ao lado dos programas currículares, que absorvemos durante um quarto ou mais nas nossas vidas.

Há que ter presente, que o que sentimos não é reflexo do que nos acontece. Já pensaram nisso?! Reparem que apesar do efeito standardizador referido, reagimos de forma diferente uns dos outros, perante as mesmas situações e acontecimentos... Então, o que realmente influi no que sentimos?! São os nossos pensamentos! Esses sim, são capazes de gerar emoções, condicionando o nosso estado emocional. Façam um teste: pensem num conjunto de coisas que vos são especialmente agradáveis, tipo, as últimas férias! Fixem-se só nessas recordações durante uns instantes... Naturalmente, sentiram-se bem! Façam agora o contrário: pensem em algo realmente desagrádável... e já estão a sentir-se infelizes, azarados, pequenos e impotentes perante o mundo. Afinal, decorrente do que estamos a pensar, podemos sentir-nos bem ou mal.

Mais do que isso: podemos controlar os nossos pensamentos! Acabamos de o fazer! Portanto, sempre que algo de mal me ocorrer, tenho de bloquear esses pensamentos e pensar em algo que me enalteça, para a seguir conseguir gerir a dificuldade que vou ter de superar. Obriguem o vosso cérebro a fazer aquilo que vocês querem, porque ele não distingue um bom pensamento de um mau... O nosso cérebro foge da dor em direcção ao prazer, nem que para isso nos ponha a cometer deslealdades para connosco, como fugir, mentir ou outras coisas mais graves. Temos de ser nós a controlá-lo. Consegue-se com treino. Comecem por coisas simples: quando estão a beber água, bebam até ao fim do copo; quando estão a ler um livro chato, leiam até ao fim; quando estão a fazer uma tarefa doméstica e querem ir ver televisão, primeiro acabem a tarefa doméstica. Aos poucos, o vosso cérebro deixará de aceitar a incongroência de fugirmos aos desafios e de desistir daquilo que nos oferece resistência. Estaremos a alargar a nossa área de conforto a novos domínios, onde não nos sentíamos confortáveis... por desconhecimento! Por falta de arrojo em alcançar novas metas.

E o mais fantástico disto tudo: é que quando nos sentimos bem, tudo o que fazemos nos sai bem e sem esforço! Conseguimos bom desempenho e motivação! Por vezes trabalhamos horas a fio em coisas para as quais estamos altamente motivados. Terminamos orgulhosos, felizes e o cansaço? Nem vê-lo! Mas com frequência, temos alguns fretes para fazer... demoramos muito tempo... não ficam especialmente bem feitos... e terminamos injustificavelmente exaustos! Porquê?! O que custa não é fazer as coisas... o que custa é fazê-las sem empenho.

E ainda mais um bónus: quando estamos felizes, quando nos sentimos bem e temos um bom desempenho, esta atitude contagia e cria grande admiração naqueles que connosco se cruzam. O que por sua vez, facilita o nosso desempenho! É um ciclo vicioso que nunca mais pára!

Para terminar, digo-vos que o fim do livro é comovente... Mas nada mais direi, porque não há nada como recorrer ao original! Se querem ser melhores pessoas e viverem mais felizes, façam alguma coisa por vocês mesmos, porque caso contrário, ninguém fará! Os nossos sonhos só dependem de nós... ninguém pode sonhar e concretizar esses sonhos por nós. Caso contrário, deixariam de ser sonhos e em nada contribuiriam para a nossa felicidade!

Sérgio

20 outubro 2008

Olha para o que eu sinto, não olhes para o que eu faço!

Desde sempre que afirmo que qualquer animal, se criado e bem tratado por nós, se tornará um dos nossos melhores amigos. Os cães são a prova disso: já conheci rotweillers, doberman e pitbulls melosos e lamechas, assim como caniches raivosos e ferozes.


Este video mostra o quanto é verdade o que desde sempre foi minha opinião.

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O Templo do Tigre, na Tailândia, é outro exemplo de como um animal dito selvagem, se pode tornar um dócil amigo. Qualquer turista que visite este templo vê como os tigres convivem com os monges, além de puder, ao vivo a cores, abraçar e rebolar com um ou mais tigres adultos.

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Isto leva-me para algo que ouvi uma vez, e a frase não seria propriamente esta, mas algo parecido: "Nós esquecemos tudo. Tudo o que nos dizem. Tudo o que fazem por nós, mesmo que por vezes esse implique actos de risco e coragem para outrém. Nós nunca esquecemos, o que nos fizeram sentir.".

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Parece-me que esta frase é extensível também aos animais. Aliás, não gosto de definir a espécie "Homem" como ser humano. Ao longo da história, o Homem demonstra sistematicamente falta de qualidades humanas, que pelo contrário, os ditos "animais" apresentam intactas.

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Neste contexto, estou a ler um livro que me está a agradar especialmente: "A Sabedoria dos Lobos". O lobo mantêm uma relação de coabitação com o Homem desde sempre... Serão poucos os animais que colheram uma tão grande admiração e veneração por parte do Homem. O lobo ofereceu-nos o cão: o melhor amigo do Homem! Mas um lobo não é um cão... O lobo tem uma vida própria, uma organização social na alcateia, vive para ela e pretende o seu reconhecimento e notariedade dentro desta. Observando a forma de viver dos lobos poderíamos melhorar, e em muito, a nossa coabitação social. Mas especialmente, deixar de ter medo do "lobo mau"! Definitavamente, o perigo não está nele...

Sérgio
p.s.: não deixem de ler este livro!

09 outubro 2008

Noites Ritual.

Numa passagem rápida por aqui, dada uma gritante falta de tempo nestas duas últimas semanas, divididas entre a inauguração (formal) do escritório, o meu aniversário e o início da fisioterapia (que me rouba 2 horas por dia), relembro as fantásticas "Noites Ritual" com que a cidade do Porto nos brinda anualmente no final de Agosto, nos não menos fantásticos Jardins do Palácio de Cristal.

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Neste último Agosto, passei por lá no Sábado e retive a actuação de abertura dos Casino Royal, banda portuguesa que eu nunca tinha ouvido. Até nem estava em frente ao palco, quando fui surpreendido com um som fenomenal! Uma voz possante, um ritmo derivado do jazz, um som envolvente e marcante, a fazer lembrar por vezes Goldfrapp dada a aura que instalava, mas com um reflexo do jazz dos anos cinquenta. A sério que me é difícil descrever. Mas ouçam na net, comprem o álbum (se conseguirem... eu ainda não consegui). É de facto uma banda a reter, quer pela qualidade, quer pela distinção.

Assisti ainda aos incriveis Linda Martini que tiveram uma actuação desastrosa... mais parecia um ensaio de garagem... Interacção com o público, zero. A voz estava imperceptivel e fizeram demasiado barulho, divagando em improvisações mal conseguidas. Para esquecer.

O motivo deste post chama-se Rita Red Shoes, que actuou nessa noite e não só me surpreendeu como me seduziu... estou só a referir-me à música da menina... O pouco que conhecia de Rita Pereira, cinge-se às participações nos álbuns de David Fonseca, especialmente ao duo de voz em "Hold Still", onde se reconhece uma voz e uma melodia fascinantes, para além da forma irrepreensível como toca piano. A actuação ao vivo mostrou uma senhora em palco, altamente profissional, comunicatica e sem qualquer super-ego de super-star. Uma figura cativante, com uma voz e postura simpática... ou mesmo empática. Quanto à música, a actuação mostrou aquilo que a rádio foi incapaz de revelar em "Golden Era": um trabalho interessante, com inspiração country e ritmo vivo. Mais do que isso, o som de Rita Red Shoes varia entre sons infantis e tons maternais; simplicidade sonora mas com consistência musical, conseguindo combinar frescura com envolvência. Há algo de íntimo neste som... parece-me que espelha de tal forma a alma da compositora, que nos toca também a nós, cá dentro... quase que nos leva a pensar, que aqueles temas poderiam ter sido compostos por nós mesmos.

O resto das actuações foi para esquecer... Mesmo a dos Buraka Som Sistema, que apesar de não ser propriamente música... apesar do nível musical e cultural vergonhoso... apesar de toda a sonoridade e letras serem patéticas... reconheço que dentro do estilo estão ao nível do que se faz em todo o mundo, e por isso, merecem o sucesso que têm. Já o espectáculo em si... não lhe chamaria um concerto, mas uma ida à discoteca! A uma discoteca horrível, é claro... porque aquilo, com excepção da abertura de bom impacto visual e sonoro, é... insuportável de tão mau!

Escrevo isto agora, porque o álbum de Rita Red Shoes tem sido o som que mais me acompanha este semana. E realmente, faz-me bem!

Sérgio

02 outubro 2008

Beatiful Calm Driving

Ando-me a passar com este tema! Ouço-o no carro incessantemente... Isto ao vivo e com um bocadinho mais de rudeza deve ser brutal...

Está no último álbum da Sia (ex-ZERO7), Some People Have Real Problems. Esta é apenas uma das ilustrações visuais que estão colocadas no you tube.

Sérgio

29 setembro 2008

Concertos a Sério!

Dado o meu estado pós-operatório ando agora mais quietito por casa. Impedido dos meus habituais desportos e dos quais já tantas saudades tenho (a ansiedade do regresso às 4 linhas começou logo no dia seguinte à operação... em especial, ando com saudades de jogar ténis!), fico a giboiar no sofá em frente à tela a ver filmes e concertos.

Depois de ter assistido, in loco, ao concerto da Madonna, concluo que de facto, de um concerto muito fraco se tratou... Não só pelas condições do espectáculo, mas por se tratar de um espectáculo centrado na própria. Nestes dias, embora sentado no sofá, tenho visto muito melhor!

U2

ZooTv, Zooropa ou Vertigo Tour. São espectáculos muito centrados nas "estrelas" e repletos de tecnologia, tal como o de Madonna. No entanto, são muito mais intensos e "viviveis" que o de Madonna, onde tudo o que nos resta é assistir. Também em termos tecnológicos são muito superiores aos de Madonna. Nota-se que o espectáculo se tornou mais humano com o envelhecer da banda... mais afáveis e com menos "super-ego".

Divine Comedy - Live at the Palladium Theatre

Divinal a voz de Neil Hannon, especialmente neste caso, acompanhada por uma extraordinária orquestra sinfónica. O som tem uma presença e uma envolvência fora de série. É um encanto ouvir um som tão melódico, tão envolvente e com arranjos tão bem elaborados... nada, mas nada mesmo chega ao som de uma verdadeira orquestra sinfónica.
Quando comparado com os espectáculos anteriores, quase se pode perguntar "Como é que se pode gostar disto?!", tal é a simplicidade de um palco de teatro, com os músicos lá em cima (a maioria sentados) e algumas luzes a apontar para os mesmos... Se pudesse optar entre assistir novamente ao espectáculo de Madonna, ou a um espectáculo dos Divine Comedy acompanhados por uma orquestra sinfónica, não hesitaria em escolher estes. Até porque Neil Hannon é um cómico! E há diálogo com a plateia... e literalmente! Durante o "National Express", alguns dos espectadores são mesmo convidados a mostrar os seus dotes vocais.

Calexico - World Drifts In - Live at the Barbican in London


Ao mesmo estilo de palco de teatro e meia dúzia de luzes simples, estes apenas trocam a orquestra sinfónica por um grupo de mariachis. A sonoridade é realmente impressionante: potente, toca-nos na alma e bem no meio do peito!
É um delírio de reciprocidade entre os músicos e a assistência, onde pessoas simples tocam músicas repletas de sentimento e alma, que comovem e arrepiam quem os ouve. Intenso, sem dúvida, tanto quanto memorável.
A música dos Calexico é só por si única; acompanhada pelos mariachi que tanto influencia a sua sonoridade, torna-se ainda mais inédita.
O espectáculo é repleto de encores (quase como aconteceu no Hard Rock!!!) e até há tempo para os papeis se inverterem: ou seja, passam os mariachi a tocar com os Calexico a acompanhar! Único e imperdível!

Peter Gabriel - Secret World Live

A cereja no bolo vem agora... Quem algum dia pensou que Peter Gabriel no seu fim de carreira poderia fazer um espectáculo tão fabuloso?!
Dizem que os músicos quando vão aos EUA vêm diferentes... as suas carreiras transformam-se, crescem, amadurecem... Desculpem a minha opinião, mas para mim apodrecem! Foi o que quase aconteceu aos U2 com o álbum Joshua Tree (felizmente aqueles 4 são realmente uns iluminados e souberam reconverter-se numa fabuloso Achtung Baby). Curioso é observar o que sucedeu com Paul Simon e Peter Gabriel depois de passarem por África! A sua carreira musical levou uma volta de 360º!!! Eheheh! Sim, ficaram virados para o mesmo lado, mas ordem natural das ideias reordenou-se definitivamente! África deve ser, de facto, um continente muito intenso... altera as pessoas que já o viveram... altera a música dos que por lá passaram, a escrita dos que por lá respiraram... vi-a nos olhos do meu Avô quando falava de África... ficavam húmidos, distantes, estáticos...
Este espectáculo, apesar de desenvolvido numa sala de espectáculos e não ao ar livre, brinda-nos com momentos únicos de eloquência entre os músicos e excelentes gadjets de tecnologia. A tudo isto, soma-se a teatrialidade que Peter Gabriel imprime nas suas interpretações e muita dança! Dança, quer dele, quer dos músicos... nada de bailarinos! Mas não coreografias pré-definidas... dança de quem está a sentir a música que toca!
Acima de tudo, os músicos fazem aquilo que deles se espera: tocam vários instrumentos; cantam; dançam; divertem-se à grande... e tudo sem vedetismos! Um todo onde Peter Gabriel é apenas um dos músicos da equipa.
Também no fim do espectáculo, à banda de Peter Gabriel se junta uma banda de músicos africanos, com uma sonoridade única.
É um espectáculo que nos toca pela originalidade... acima de tudo, como se pode fazer um espectáculo tão grandioso, com coisas tão simples e fazendo, simplesmente, o que se espera de nós. Não é preciso ser-se uma estrela excêntrica para marcar e surpreender as pessoas... apenas fazer o que se espera de nós com mestria, com excelência.

É claro que quando se não a tem... recorre-se a outros artifícios...

Sérgio

17 setembro 2008

Madonna no Parque da Bela Vista.

No domingo passado lá fui eu para Lisboa com uns amigos, com o objectivo de assistir ao tão esperado concerto de Madonna.

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O dia foi muito bom mesmo; o ambiente sempre muito divertido, com muito boa disposição da equipa que me acompanhou e com tempo para passar por Óbidos, que seguramente não será dos locais de Portugal onde a restauração é mais simpática...

Já chegados ao famoso Parque da Bela Vista (famoso pela falta de condições para realização de espectáculos, desde os primordios do Rock in Rio de Lisboa), começou a confusão. Como encontrar pessoas amigas que trazem os bilhetes uns dos outros, e ainda, outras que nem conhecemos, no meio de um maranhal incrível?! Só mesmo com a utilização intensiva dos telefones... milagres da tecnologia! Estranho era que numa das entradas a fila era interminável... já na outra, a entrada era directa... na maior!

Já dentro do recinto, as dificuldades de telecomunicações eram enormes... por vezes nem chamadas, nem sms... Foi um acto heroico conseguir fazer uma chamada (mas valeu bem a pena!). Por essa razão, não estive nem com metade das pessoas com quem tinha combinado encontrar-me lá dentro!

Pior ainda foi a "inexistência" de casas de banho, as longas filas e a escassa oferta de algo que se "jantasse"... nas bebidas a coisa corria bem!

Ora isto transforma Portugal num país terceiro mundista da pior espécie, em que perante uma oportunidade de fazer algo realmente notável, se suga até ao tutano uma marca (nesta caso uma senhora de cinquenta anos), pagando-se uma barbaridade (60 €!!! Felizmente o meu bilhete foi oferecido!!!) e obtendo-se muito pouco em retorno. Aliás, abaixo do mínimo expectável.

O recinto estava cheio e as pessoas aguardavam o início do espectáculo espalhadas por todo o lado... especialmente em planos inclinados, à boa maneira de um anfiteatro natural e com as consequências que daí advém para os tornozelos e joelhos, ao fim de 3 horas de pé e numa posição de esforço. Ainda por cima, estavamos perante um concerto em que se proporcionava dançar... tarefa dificultada pelos planos inclinados em relva e terra. Estão a ver as derrapagens inesperadas...

O espectáculo começou apenas com 5 minutos de atraso (parabéns pelo profissionalismo!). A partir desse momento, assistimos a uma discoteca da melhor qualidade em funcionamento durante 2 horas! Só foi pena o bar estar pouco acessível... é que se levantava muito pó!

A verdade é que o espectáculo de Madonna foi muito bom! Mesmo para quem não é grande apreciador da música dela, a selecção foi bastante boa. Madonna é uma personagem única. Foi um privilégio vê-la ao vivo. É uma daquelas pessoas que mudou o mundo algumas vezes; foi sempre muito inovadora e criativa (...embora às vezes o pé lhe fugisse para o comercial e lamechas... mas ninguém é perfeito!). Está perfeita nos seus 50 anos e fisicamente é um exemplo para todos nós.

Lamento que o som estivesse tão mau, que a distância ao palco fosse tão grande que até o vento estragava o som... A própria Madonna também não esteve isenta de falhas... Mas o espectáculo está muito bem conseguido em termos audio-visuais e é digno de ser bem visto noutro cenário (e não me refiro à sala de cinema lá de casa!). Gostava de a voltar a ver num estádio como o do Dragão, que se adapta muito bem e este efeito (basta recordar os Rolling Stones em 2006).

Imperdoável não ter feito um encore... parece-me uma falta de respeito pelo público. Felizmente não tocou o "like a virgin"; "la isla bonita" dispensava-se perfeitamente e louvavasse ter sido substituída por "holiday" (que não foi o 1.º exito de Madonna; esse foi o excelente e sempre actual "border line").

Sérgio

A Richard Wright e Craig Jones, o Eterno Adeus...

Neste mês já fui desagradavelmente surpreendido com o desaparecimento de duas personagens que tanto admirava.

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No início do mês Craig Jones, a revelação do ano em SuperSport, na sequência de uma queda violenta após ter perdido o controlo da moto e de uma pancada na cabeça que um dos seus adversários não conseguiu evitar, não resistiu ao traumatismo craniano e faleceu.

Bem sei que neste caso, a morte surge num momento de felicidade: Craig Jones morre aos comando de uma moto de competição, ou seja, a fazer o que mais gostava. Mesmo assim, não consigo deixar de lamentar a perda de alguém tão promissor, e de quem jamais esperaríamos tal tragédia. Infelizmente, também ele, era um comum mortal...

Os Portugueses tinham um carinho especial por este piloto, visto a equipa Parkargar ser também portuguesa (inclusivamente, a moto de Craig Jones era assistida pela Motodinâmica onde levo a minha moto para manutenção e onde vi várias vezes a CBR600RR do piloto).

Craig Jones habituou-nos às mais espectaculares manobras em pista... Agora a pista sem ele ficou vazia... e monótona. E seguramente o mundo ficou mais cinzento sem alguém que trazia tanta vida, tanta cor aos nossos olhos.

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Esta semana deparei com uma notícia em rodapé durante o telejornal, que indicava o falecimento de Richard Wright, o mítico teclista e fundador dos Pink Floyd, vítima de cancro (essa doença horrível que aparece do nada, sem razão aparente e acaba com o ser humano tão depressa, que poucos são os que conseguem reagir... não me lixem com tratamentos).

Ainda por cima escreveram Rick Wright... dei por mim a pensar quem era o Rick Wright... Tive o privilégio de o ver ao vivo, em 1994 em Alvalade, num espectáculo tão único quanto exuberante e surpreendente, que torna a vinda de Maddona a Portugal um bailarico de bairro. O espectáculo deixou-me dores nos maxilares... desde que começou até terminar estive de boca aberta, tal era o espanto e surpresa do que assistia.

Não vou descrever o espectáculo... precisava de horas... mas lembro-me de Richard Wright acender um cigarro num feixe de laser!

Na altura tive a clara sensação que nunca mais iria voltar a assistir aos Pink Floyd ao vivo... Quando em 2006, na realização do Live 8, os Pink Floyd se reuniram com Roger Waters (estiveram 25 anos sem tocar e sob conflitos judiciais), voltei a ganhar esperança... infelizmente em vão. Mas ver a banda original em palco é algo quase chocante... claro que lá falta Syd Barrett... mas o seu estado mental adulterado fez com que pouco contribuísse para a carreira dos Pink Floyd em termos práticos. Claro que em termos conceptuais e de inspiração até terá sido o mais importante de todos os membros... era um excelente guitarrista e um génio inovador da música experimental psicadélica.

Richard Wright produziu ainda dois álbuns a solo, mas o que o deixa imortal é o som tão característico dos Pink Floyd, ou seja, da maior banda de rock que o mundo até agora viu: um fundo musical cheio, pesado e intenso, que liga a percursão com as vozes e guitarras.

Aos dois, o meu eterno adeus e agradecimento pela inspiração e modelos de vida que me trouxeram.

Sérgio

13 setembro 2008

With The Breaks On...

Há alturas na vida em que parece que nada resulta, nada acontece, nada flui... como se algo nos estivesse a prender...

Os astrólogos dizem que é a presença de Saturno... sinceramente, acho que somos nós a complicar. Felizmente já passei por isso e já vai longe!

Sérgio



Driving through the long night
Trying to figure whos right and whos wrong
Now the kid has gone. I sit belted up tight,
She sucks on a match light, glowing bronze, steering on.
And I might be more of a man if I stopped this in its tracks
And said, come on, lets go home. but shes got the wheel,
And Ive got nothing except what I have on.

When youre driving with the brakes on
When youre swimming with your boots on,
Its hard to say you love someone
And its hard to say you dont

Trying to keep the mood right, trying to steer the conversation from
The thing weve done.
She shuts up the ashtray, and I say its a long way back now hon
She just yawns. and we might get lost someplace
So desolate that no one where were from would ever come
But shes got the wheel and Ive got to deal from now on.

But unless the moon falls tonight, unless continents collide,
Nothings gonna make me, break from her side.


(Driving with the breaks on - Del Amitri, Twisted - 1995)

08 setembro 2008

Futebol de Domingo de Manhã.

Muitos de vocês questionam-me porque é que eu vou sempre jogar futebol ao Domingo de manhã com os meus amigos. Especialmente nestes últimos tempos, em que trabalho ao Sábado, que não tenho nenhum dia para descansar (dormir sem hora de acordar), que quase não saiu à noite (quando saiu vou cedo para casa), ainda por cima é um desporto para o qual eu realmente não sou dotado (e até há outros em que faço qualquer coisita). De facto, um conjunto de contrariedades pelas quais não faz sentido eu jogar futebol, muito menos ao Domingo de manhã.

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Pois bem. A explicação é simples e podem facilmente ficar "ilucidados" com um excerto das troca de emails que ocorrem durante a semana e antecipam os desafios altamente competitivos de domingo de manhã.

Leiam, porque vão na certa gostar e até querer jogar connosco!

Sérgio


Boa tarde a toda a camaradagem que bravamente, domingo após domingo, enfrenta o duro desafio de tentar acertar num objecto redondo em movimento infinitamente mais pequeno que o espaço que dispõe para circular, isto após uma noite de copos e mesmo até antes de um assado à moda da sogra, que bem regado, nos acaba por derreter para o resto de fim-de-semana.

Como sempre e para não variar e sem querer entrar no vosso bate-boca digno de qualquer coluna dos melhores jornais desportivos (do futebol mundial), venho apresentar uma sugestão.

Para melhor enquadrar a sugestão, começo por introduzir o tema que me leva a escrever a crónica de hoje que entitulo:

"Levar porrada no domingo passado, Manel (o injustiçado), nº 1 do ranking, por culpa do Tó-Jó"

A minha leitura do último jogo não me permite concordar com algumas vozes que dizem: "... as equipas estavam desiquilibradas..." ou "... o Manel marcou 8 golos e deu 3 assistências..." ou "... o Sérgio ou o Zé Soares deram 2 golos ao adversário cada um..." ou "... o ranking não funciona bem para fazer as equipas..." ou "... os jogadores da minha equipa ficaram sem pulmões e pernas na segunda parte..."
A minha leitura foi: "A equipa vencedora chegou de forma mais organizada e inteligente".

Senão vejamos (suporte da tese que exponho na crónica):

1. Desiquilíbrio não existe, pois jogamos em igualdade numérica durante duas partes com a mesma duração (sensivelmente e confiando nos cronómetros profissionais dos colegas) com troca de campo. NOTA: O resultado ao intervalo era 4-4.

2. Se a prestação individual do Manel fosse suficiente ele venceria todos os jogos independemente da equipa que tivesse com ele, desde que tivessem dois braços e duas pernas.

3. Gaffes individuais também aconteceram na equipa adversária.

4. O ranking produz equipas tão equilibradas como as que teríamos na ausência das mesmas. NOTA: O ranking não tem o carácter aleatório que necessitaria para que qualquer amostra estatística produzisse um intervalo de confiabilidade decente. A ausência de alguns jogadores, assim como o critério de posição destróiem qualquer teoria conhecida dos estudiosos.

5. Os jogadores sem pernas e sem pulmoes, marcaram tantos golos na 1ª parte como na segunda. Numa palavra, desmoralizamos quando o resultou pendeu para a derrota eminente.

Assim (conclusão da laborosa observação in loco):

Levamos porrada porque o Manel é o nº 1 do ranking, isto é, o Manel é chato, fala demais e marca golos para calar os que o criticam, e com isso estabelece uma liderança organizacional em campo que permite (mesmo com equipas que teoricamente eram mais fracas) que vença a maior parte dos jogos em que participa.

O que nós não tivemos no domingo foi uma organização fruto de uma liderança natural para a qual só estão devidamente aptos, o Manel, o Luis e o Ántónio Jorge.

Como o António Jorge tinha acabado de perder 2 jogos e 20 kg da força que tinha, ficamos contagiados por tal, o que só podia levar ao descalabro. Logo ele é que é culpado...

Sugestão (epílogo):

Com a definição dos plantéis tem de se nomear o CAPITÃO, que teria como funções:

1. Definir e redefinir durante o jogo as posições de todos os jogadores
2. Controlar as idas à baliza (alturas nas quais sofremos alguns golos)
3. Controlar as substituições
4. Gritar e xingar os colegas de equipa (nos jogos em que o capitão é o Manel)
5. Controlar o tempo

Claro que só funcionaria se os restantes jogadores da equipa reconhecessem a liderança imposta, pois a natural só existe (da minha observação) nos 3 jogadores supra-citados, caso contrário o boicote é total.

O capitão deveria ter pontos duplicados nos dias de festa (à moda do King).

Termino, dizendo que no fundo, o que quero dizer, é que estarei presente no próximo fim-de-semana.

NOTA FINAL (apenas um piropo para manter viva a discussão): O Manel é nº 1 do ranking, marcou 8 golos e deu 3 assistências porque não foi marcado homem a homem, por mim o campo inteiro.

Ass.
José Soares (o único a conseguir impedir que a equipa do Manel ganhe o jogo, através de uma marcação impiedosa homem o homem, o campo inteiro)



Está bem observado, Zé, mas, aqui e acolá, acho que cometes algumas injustiças (está descansado que comigo não precisas de vir pedir uma retractação pública).

1º) Acabas por defender, mesmo que involuntariamente, a ideia de que o "professor" está fadado para ganhar todos os jogos, o que é falso – parece que alguém ainda vai ter de ir buscar ao fundo do baú, onde ele a arrumou, aquela ideia antiga do "professor" de que ganharia qualquer jogo acompanhado dos, teoricamente, jogadores mais fracos, e logo contra quaisquer adversários à escolha (eu sei que agora ele vai dizer que é uma injustiça, porque ele não disse que ganhava mas sim que dava luta, embora ele saiba bem que eu, e não só eu, sei ler para além das palavras).

2º) Destróis por completo o estímulo do Tó-Jó para emagrecer, coisa que, ao que consta, já o fez obter alguns privilégios femininos pelas bandas algarvias - ele agora vai pensar que os 20 kg lhe garantiam pontos para o ranking e vai querer recuperá-los, pois, como sabemos, ele pelo ranking dá tudo (espero que, neste ponto, ele seja diferente do "professor" e não me venha pedir para eu retirar o que disse, em função da sugestão que parece ímplicita na minha frase).

3º) Pões seriamente em causa a ideia do povo, que parecia feita, de que da sogra nem as comidas se aproveitam. Gosto da ideia do capitão, mas quem seria? O jogador da equipa mais bem classificado no ranking?

Por fim, afinal não percebo porque não marcaste tu o "professor" homem-a-homem no campo todo. Foi o capitão que não deixou? Quem era esse malandro que não respeitou a "liderança natural" (gosto desta!) do Tó-Jó?

Tivesse essa falta acontecido há 20kg atrás e ele ia ver o que lhe acontecia!

Abraço.

Luís Valente



Boa noite aos aficionados do donos da bola, versão light, barriguda e com uma plateia a cada dia maior.

Falando um pouco a sério, há uma liderança natural no grupo, que tem a ver com algo, penso eu, histórico, embora a personalidade possa ter alguma influência.

Eu mesmo, como sou novo no grupo, apesar de já ter sido promovido à categoria de "habitual", não tenho confiança para dar na cabeça de um colega quando ele falha golos à boca da baliza (tal qual Postiga) ou consente golos por perdas de bola absurdas (vulgo Luisão).

Não tenho confiança para dizer ao virtuoso do drible para passar a bola mais vezes (tal qual Quaresma) ou pedir ao ponto de lança (no nosso meio, traduz-se "gajo que está sempre na mama") para vir defender logo a seguir a falhar um golo.

Dito por mim, será ignorado, dito pelos líderes naturais, por ventura os formadores/organizadores (desconheço se é verdade esta afirmação) deste hino ao futebol que são os nossos domingos de manhã, têm outro impacto nas hostes.

Numa frase, era importante uma boa organização, e não há organização sem líder.

O Manel assume essa liderança, pela força (é chato!) ou por arte (de facto remata bem!), o facto é que assume, e maximiza a equação composta pelo melhor que cada um tem a oferecer das nossas superiores qualidades atléticas e técnicas.

O António Jorge, que normalmente também o faz, transmitindo grande segurança defensiva (não é por acaso que disputa taco a taco a liderança), desta vez não resmungou com a equipa uma única vez que me lembre, daí ter pensado que ou era dos 20kg ou então do bronze.

NOTA IMPORTANTE: Valorizo a capacidade de fazer desaparecer a barriga em pouco tempo, tanto que até pedi conselhos ao Tó Jó para conseguir o mesmo. Mas resistir aos assados da mãe (não quero mexer com o que está já na constituição sobre as sogras) é DURO!

Por fim respondendo às tuas perguntas, a nomeação do capitão devia ser de acordo com o ranking, concordo, ou então rotativo, para dar oportunidade à malta toda de chagar a cabeça do "professor", durante um jogo inteiro, nem que seja uma vez!!! (sonho de qualquer aluno)

Não marquei por muitas razões. Podia dizer que não senti os 20kg do Tó Jó a segurar os restantes super dotados atletas adversários, podia dizer que ninguem consegue marcar o Manel excepto eu e o resultado provou isso mesmo, podia dizer que fiquei sempre a jogar pela esquerda ou muitas outras coisas. Mas, basicamente e como já disse antes, não tenho pernas para o interminável campo da Academia com balizas quase tão grandes como a boca da Manuela Moura Guedes.

Gosto de ir lá à frente e gosto de defender, e se a isto adicionar marcar um só jogador naquele autódromo, iria parecer que me estava a preparar para os Olímpicos... mas por estas bandas, os 20Kg ainda cá moram...

Grande abraço!

José Soares



Estou de facto impressionado com a qualidade da dissertação...

Respondendo a uma pergunta prática, a culpa do Manel não ter sido marcado a 100% no campo todo foi minha. Devia ter assumido essa tarefa na 2.ª parte... como não gasto muitas energias com a bola, podia ter andado a correr até ao fim a marcar o Manel. Afinal, correr ainda corro... mas sem bola!

Sérgio, um jogador já muito razoavelzito!

06 setembro 2008

Le Moulin Rouge!

Este é um dos meus filmes favoritos e ontem foi o meu serão.

A crítica classificou-o como um musical... e não passou disso para os experts do cinema. Mas há muito mais neste filme... Claro que para isso é preciso saber viver música. E os críticos de cinema, pelos vistos não sabem...

Aliás, o trabalho de Craig Armstrong passou ao lado destes experts, o que pessoalmente não entendo: o que dá alma ao filme é a música... como pode passar anónimo o grande maestro de tudo isto?! Vá-se lá entender os críticos...

O que mais me impressiona no filme é a capacidade de criar emoções muito fortes e antagónicas. Joga com o amor, a paixão e a felicidade que todos sonhamos e desejamos; e contrapõe o sofrimento, com a fatalidade do destino, a solidão, o desespero e o ciúme. Estas alternâncias constantes mantêm-me arrepiado e a transpirar o filme todo. Junta-se a isto muito humor! Ritmo, dança, coreografias, cores, vozes e coros, guitarras, tambores... uma imensidão de sons... toda esta diversidade surpreende de início ao fim. O ritmo e a velocidade com que as imagens se sucedem em alguns momentos é inebriante e contrasta com outros bem mais pacatos e melódicos... é um jogo de contrastes e emoções de início ao fim.

As interpretações de Ewan McGregor e Nicole Kidman são tão brilhantes, quanto vocalmente soberbas. Entre outros, bem acompanhadas por John Leguizamo, Jim Broadbent e Jacek Koman.

Há momentos um tanto difíceis de entender... em simultâneo com o humor, toda a carga emocional, e nostálgica até, que nos trazem temas como "up where we belong", "Pride (in the name of love)", "Your song", "all you need is love", "we can be heroes"; ou logo ao início "mad can can", "voulez vouz cochez avex moi", "here we are now, irritainous", "material girl". Mas o efeito final é único, e por isso, imortaliza esta obra.

Your Song, o medley de temas no elefante e Come What May dão-nos uma perspectiva da vida tão poética quanto adrenalizante. São os meus favoritos. Depois de assistir e viver tudo isto (com o volume a níveis capazes de abalar a estrutura da casa), só dá vontade de sair para a rua e fazer loucuras. Mas a final, para que serve a vida senão para exponenciar a nossa capacidade de sentir?

Por tudo isto também, não ouçam a banda sonora do filme... ouçam sim, as interpretações gravadas nas filmagens. As primeiras estão desprovidas de sentimentos e repletas da intervenção de produtores musicais que acham que sabem o que o público gosto de ouvir... removeram-lhes os sentimentos e alisaram os tons e ritmos. São agora mais "easy listening".

O senão do filme é ter de assistir sozinho... como acabo sempre por chorar... embora de felicidade! O filme tem o dom de me tocar em emoções fortes e violentas.

Curiosamente as partes que mais me abalam não são as dramáticas... Neste campo o tango recreado a partir de "Roxane" está incrível... a brusquidão e rudeza argentina no seu melhor, desenhada numa coreografia imponente. O ambiente torna-se também bastante pesado em "The Show Must Go On", especialmente agora que conhecemos todo o contexto em que Freddie Mercury o escreveu.

Outro dos factos mais fantásticos deste guião, está na cena final. Há uma constante oscilação em que não se distingue o guião da improvisação, que sendo estes contrários quanto ao seu fim, a improvisação ganha um senso de realidade; parecendo assim pré-concebida para o público (que está longe de imaginar o que ali na realidade se passa). Mas a realidade da representação nas improvisações é mais fidedigna do que a própria representação pré-escrita, tal é a violência dos sentimentos que tomam conta dos actores naquele momento. E daqui revemo-nos em muitos dos nossos actos mais felizes no dia a dia: a felicidade de fazer aquilo a que os nossos sentimentos nos impelem, e não o que deveríamos... E viva a Loucura!

A mensagem final é sem dúvida: a melhor coisa do mundo é amar alguém e ser correspondido. E pensado bem... que outro sentimento tão grandioso e enaltecedor podemos viver? Não o desperdicemos, até ao último dos nossos dias...

Sérgio