Mostrar mensagens com a etiqueta Madonna. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Madonna. Mostrar todas as mensagens

29 setembro 2008

Concertos a Sério!

Dado o meu estado pós-operatório ando agora mais quietito por casa. Impedido dos meus habituais desportos e dos quais já tantas saudades tenho (a ansiedade do regresso às 4 linhas começou logo no dia seguinte à operação... em especial, ando com saudades de jogar ténis!), fico a giboiar no sofá em frente à tela a ver filmes e concertos.

Depois de ter assistido, in loco, ao concerto da Madonna, concluo que de facto, de um concerto muito fraco se tratou... Não só pelas condições do espectáculo, mas por se tratar de um espectáculo centrado na própria. Nestes dias, embora sentado no sofá, tenho visto muito melhor!

U2

ZooTv, Zooropa ou Vertigo Tour. São espectáculos muito centrados nas "estrelas" e repletos de tecnologia, tal como o de Madonna. No entanto, são muito mais intensos e "viviveis" que o de Madonna, onde tudo o que nos resta é assistir. Também em termos tecnológicos são muito superiores aos de Madonna. Nota-se que o espectáculo se tornou mais humano com o envelhecer da banda... mais afáveis e com menos "super-ego".

Divine Comedy - Live at the Palladium Theatre

Divinal a voz de Neil Hannon, especialmente neste caso, acompanhada por uma extraordinária orquestra sinfónica. O som tem uma presença e uma envolvência fora de série. É um encanto ouvir um som tão melódico, tão envolvente e com arranjos tão bem elaborados... nada, mas nada mesmo chega ao som de uma verdadeira orquestra sinfónica.
Quando comparado com os espectáculos anteriores, quase se pode perguntar "Como é que se pode gostar disto?!", tal é a simplicidade de um palco de teatro, com os músicos lá em cima (a maioria sentados) e algumas luzes a apontar para os mesmos... Se pudesse optar entre assistir novamente ao espectáculo de Madonna, ou a um espectáculo dos Divine Comedy acompanhados por uma orquestra sinfónica, não hesitaria em escolher estes. Até porque Neil Hannon é um cómico! E há diálogo com a plateia... e literalmente! Durante o "National Express", alguns dos espectadores são mesmo convidados a mostrar os seus dotes vocais.

Calexico - World Drifts In - Live at the Barbican in London


Ao mesmo estilo de palco de teatro e meia dúzia de luzes simples, estes apenas trocam a orquestra sinfónica por um grupo de mariachis. A sonoridade é realmente impressionante: potente, toca-nos na alma e bem no meio do peito!
É um delírio de reciprocidade entre os músicos e a assistência, onde pessoas simples tocam músicas repletas de sentimento e alma, que comovem e arrepiam quem os ouve. Intenso, sem dúvida, tanto quanto memorável.
A música dos Calexico é só por si única; acompanhada pelos mariachi que tanto influencia a sua sonoridade, torna-se ainda mais inédita.
O espectáculo é repleto de encores (quase como aconteceu no Hard Rock!!!) e até há tempo para os papeis se inverterem: ou seja, passam os mariachi a tocar com os Calexico a acompanhar! Único e imperdível!

Peter Gabriel - Secret World Live

A cereja no bolo vem agora... Quem algum dia pensou que Peter Gabriel no seu fim de carreira poderia fazer um espectáculo tão fabuloso?!
Dizem que os músicos quando vão aos EUA vêm diferentes... as suas carreiras transformam-se, crescem, amadurecem... Desculpem a minha opinião, mas para mim apodrecem! Foi o que quase aconteceu aos U2 com o álbum Joshua Tree (felizmente aqueles 4 são realmente uns iluminados e souberam reconverter-se numa fabuloso Achtung Baby). Curioso é observar o que sucedeu com Paul Simon e Peter Gabriel depois de passarem por África! A sua carreira musical levou uma volta de 360º!!! Eheheh! Sim, ficaram virados para o mesmo lado, mas ordem natural das ideias reordenou-se definitivamente! África deve ser, de facto, um continente muito intenso... altera as pessoas que já o viveram... altera a música dos que por lá passaram, a escrita dos que por lá respiraram... vi-a nos olhos do meu Avô quando falava de África... ficavam húmidos, distantes, estáticos...
Este espectáculo, apesar de desenvolvido numa sala de espectáculos e não ao ar livre, brinda-nos com momentos únicos de eloquência entre os músicos e excelentes gadjets de tecnologia. A tudo isto, soma-se a teatrialidade que Peter Gabriel imprime nas suas interpretações e muita dança! Dança, quer dele, quer dos músicos... nada de bailarinos! Mas não coreografias pré-definidas... dança de quem está a sentir a música que toca!
Acima de tudo, os músicos fazem aquilo que deles se espera: tocam vários instrumentos; cantam; dançam; divertem-se à grande... e tudo sem vedetismos! Um todo onde Peter Gabriel é apenas um dos músicos da equipa.
Também no fim do espectáculo, à banda de Peter Gabriel se junta uma banda de músicos africanos, com uma sonoridade única.
É um espectáculo que nos toca pela originalidade... acima de tudo, como se pode fazer um espectáculo tão grandioso, com coisas tão simples e fazendo, simplesmente, o que se espera de nós. Não é preciso ser-se uma estrela excêntrica para marcar e surpreender as pessoas... apenas fazer o que se espera de nós com mestria, com excelência.

É claro que quando se não a tem... recorre-se a outros artifícios...

Sérgio

17 setembro 2008

Madonna no Parque da Bela Vista.

No domingo passado lá fui eu para Lisboa com uns amigos, com o objectivo de assistir ao tão esperado concerto de Madonna.

Photobucket

O dia foi muito bom mesmo; o ambiente sempre muito divertido, com muito boa disposição da equipa que me acompanhou e com tempo para passar por Óbidos, que seguramente não será dos locais de Portugal onde a restauração é mais simpática...

Já chegados ao famoso Parque da Bela Vista (famoso pela falta de condições para realização de espectáculos, desde os primordios do Rock in Rio de Lisboa), começou a confusão. Como encontrar pessoas amigas que trazem os bilhetes uns dos outros, e ainda, outras que nem conhecemos, no meio de um maranhal incrível?! Só mesmo com a utilização intensiva dos telefones... milagres da tecnologia! Estranho era que numa das entradas a fila era interminável... já na outra, a entrada era directa... na maior!

Já dentro do recinto, as dificuldades de telecomunicações eram enormes... por vezes nem chamadas, nem sms... Foi um acto heroico conseguir fazer uma chamada (mas valeu bem a pena!). Por essa razão, não estive nem com metade das pessoas com quem tinha combinado encontrar-me lá dentro!

Pior ainda foi a "inexistência" de casas de banho, as longas filas e a escassa oferta de algo que se "jantasse"... nas bebidas a coisa corria bem!

Ora isto transforma Portugal num país terceiro mundista da pior espécie, em que perante uma oportunidade de fazer algo realmente notável, se suga até ao tutano uma marca (nesta caso uma senhora de cinquenta anos), pagando-se uma barbaridade (60 €!!! Felizmente o meu bilhete foi oferecido!!!) e obtendo-se muito pouco em retorno. Aliás, abaixo do mínimo expectável.

O recinto estava cheio e as pessoas aguardavam o início do espectáculo espalhadas por todo o lado... especialmente em planos inclinados, à boa maneira de um anfiteatro natural e com as consequências que daí advém para os tornozelos e joelhos, ao fim de 3 horas de pé e numa posição de esforço. Ainda por cima, estavamos perante um concerto em que se proporcionava dançar... tarefa dificultada pelos planos inclinados em relva e terra. Estão a ver as derrapagens inesperadas...

O espectáculo começou apenas com 5 minutos de atraso (parabéns pelo profissionalismo!). A partir desse momento, assistimos a uma discoteca da melhor qualidade em funcionamento durante 2 horas! Só foi pena o bar estar pouco acessível... é que se levantava muito pó!

A verdade é que o espectáculo de Madonna foi muito bom! Mesmo para quem não é grande apreciador da música dela, a selecção foi bastante boa. Madonna é uma personagem única. Foi um privilégio vê-la ao vivo. É uma daquelas pessoas que mudou o mundo algumas vezes; foi sempre muito inovadora e criativa (...embora às vezes o pé lhe fugisse para o comercial e lamechas... mas ninguém é perfeito!). Está perfeita nos seus 50 anos e fisicamente é um exemplo para todos nós.

Lamento que o som estivesse tão mau, que a distância ao palco fosse tão grande que até o vento estragava o som... A própria Madonna também não esteve isenta de falhas... Mas o espectáculo está muito bem conseguido em termos audio-visuais e é digno de ser bem visto noutro cenário (e não me refiro à sala de cinema lá de casa!). Gostava de a voltar a ver num estádio como o do Dragão, que se adapta muito bem e este efeito (basta recordar os Rolling Stones em 2006).

Imperdoável não ter feito um encore... parece-me uma falta de respeito pelo público. Felizmente não tocou o "like a virgin"; "la isla bonita" dispensava-se perfeitamente e louvavasse ter sido substituída por "holiday" (que não foi o 1.º exito de Madonna; esse foi o excelente e sempre actual "border line").

Sérgio