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17 setembro 2008

A Richard Wright e Craig Jones, o Eterno Adeus...

Neste mês já fui desagradavelmente surpreendido com o desaparecimento de duas personagens que tanto admirava.

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No início do mês Craig Jones, a revelação do ano em SuperSport, na sequência de uma queda violenta após ter perdido o controlo da moto e de uma pancada na cabeça que um dos seus adversários não conseguiu evitar, não resistiu ao traumatismo craniano e faleceu.

Bem sei que neste caso, a morte surge num momento de felicidade: Craig Jones morre aos comando de uma moto de competição, ou seja, a fazer o que mais gostava. Mesmo assim, não consigo deixar de lamentar a perda de alguém tão promissor, e de quem jamais esperaríamos tal tragédia. Infelizmente, também ele, era um comum mortal...

Os Portugueses tinham um carinho especial por este piloto, visto a equipa Parkargar ser também portuguesa (inclusivamente, a moto de Craig Jones era assistida pela Motodinâmica onde levo a minha moto para manutenção e onde vi várias vezes a CBR600RR do piloto).

Craig Jones habituou-nos às mais espectaculares manobras em pista... Agora a pista sem ele ficou vazia... e monótona. E seguramente o mundo ficou mais cinzento sem alguém que trazia tanta vida, tanta cor aos nossos olhos.

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Esta semana deparei com uma notícia em rodapé durante o telejornal, que indicava o falecimento de Richard Wright, o mítico teclista e fundador dos Pink Floyd, vítima de cancro (essa doença horrível que aparece do nada, sem razão aparente e acaba com o ser humano tão depressa, que poucos são os que conseguem reagir... não me lixem com tratamentos).

Ainda por cima escreveram Rick Wright... dei por mim a pensar quem era o Rick Wright... Tive o privilégio de o ver ao vivo, em 1994 em Alvalade, num espectáculo tão único quanto exuberante e surpreendente, que torna a vinda de Maddona a Portugal um bailarico de bairro. O espectáculo deixou-me dores nos maxilares... desde que começou até terminar estive de boca aberta, tal era o espanto e surpresa do que assistia.

Não vou descrever o espectáculo... precisava de horas... mas lembro-me de Richard Wright acender um cigarro num feixe de laser!

Na altura tive a clara sensação que nunca mais iria voltar a assistir aos Pink Floyd ao vivo... Quando em 2006, na realização do Live 8, os Pink Floyd se reuniram com Roger Waters (estiveram 25 anos sem tocar e sob conflitos judiciais), voltei a ganhar esperança... infelizmente em vão. Mas ver a banda original em palco é algo quase chocante... claro que lá falta Syd Barrett... mas o seu estado mental adulterado fez com que pouco contribuísse para a carreira dos Pink Floyd em termos práticos. Claro que em termos conceptuais e de inspiração até terá sido o mais importante de todos os membros... era um excelente guitarrista e um génio inovador da música experimental psicadélica.

Richard Wright produziu ainda dois álbuns a solo, mas o que o deixa imortal é o som tão característico dos Pink Floyd, ou seja, da maior banda de rock que o mundo até agora viu: um fundo musical cheio, pesado e intenso, que liga a percursão com as vozes e guitarras.

Aos dois, o meu eterno adeus e agradecimento pela inspiração e modelos de vida que me trouxeram.

Sérgio

04 maio 2008

MotoGP no Autódromo do Estoril.

Cada vez mais me chateia reclamar... afinal há tantas coisas boas em que pensar. Mas por outro lado, achei que isto não devia passar em branco.

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São muitos os motivos que levam os adeptos do motociclismo a irem ao Autódromo do Estoril, mas essencialmente, resumem-se a dois... gostar muito de motos... e ser o sítio mais perto onde podemos ver a nata do motociclismo mundial em competição. Para além disso, é preciso ter muito estômago para cada ano que passa ser mais mal tratado no autódromo... e ainda ter bastante dinheiro... um bilhete para o dia da corrida custa, escandalosamente, 50€!!!

Desta vez passou todos os limites da razoabilidade a selvajaria que enfrentei no autódromo. Deixo aqui a carta de reclamação que enviei à direcção do autódromo e às entidades competentes (ASAE e Instituto do Consumidor). Ainda não obtive nenhum feed back... mas não tem mal. Tento outra vez, e se necessário for, com conhecimento à DECO e ao Provedor de Justiça.

Mais do que mal servido e tratado de forma humilhante, senti-me inferiorizado enquanto Português... e isso não perdou-o. Não somos um povo inferior! Jamais! E acima de tudo, o que mais me irrita é dirigir-me às pessoas que supostamente estão lá para resolver problemas (caso contrário, bastaria uma máquina de obliterar bilhetes), e a resposta ser sempre a mesma: "... desculpe mas não posso fazer nada... não é da minha responsabilidade... não é a minha função... etc.". Esta apatia, esta inoperancia, esta incapacidade mental faz-me explodir de raiva... Que raio de povo somos nós?! E a organização: quem é? quem dá a cara? Porque evita os clientes? Porque se esconde? Porque não aparece e têm de ser os desgraçados que lhes pagam os ordenados a suplicar pela sua atenção? Cobardes! Incompetentes! Inaptos! Mentecaptos! Gentinha fraca...

Portanto, aqui fica um texto, que de bom apenas poderia retratar um dia de corridas entusiasmante e a simpatia e valor da equipa do Action Team, que tanto útil nos é nestas condições adversas (especialmente a simpatia da Catarina & Companhia!).

"Ex.mos Srs.,

Como frequentadores habituais de vários eventos no Autódromo do Estoril, vimos por este meio demonstrar o nosso profundo desagrado e vergonha, relativamente à organização, ou melhor, à falta desta, durante a realização das corridas de Moto GP, no passado dia 13 de Abril.

Há já algum tempo atrás adquirimos 2 bilhetes de bancada D na Fnac, para Domingo (no valor de 45€ cada um), tendo-nos sido confirmada a indisponibilidade do lugar que pretendíamos adquirir (bancada C, no valor unitário de 50€).

Apesar de termos partido do Porto, ainda não eram 11h quando chegámos ao autódromo. Os acessos exteriores continuam vergonhosos e tendo chovido, poderão imaginar o enlameado pelo qual tivemos de passar a pé até alcançar a porta de entrada; situação que deveriam ter previsto e que poderiam ter resolvido despejando algum cascalho sobre a lama... se profissionais fossem. Sim, porque não é a primeira vez que tal acontece, o que demonstra que nada apreendem com as experiências do passado, e em nada tentam tratar melhor aqueles que garantem a continuidade da realização das provas: o insignificante público!

Pudemos ainda constatar no percurso que fizemos a pé entre a entrada do autódromo e a bancada D, que todo o envolvente se mantém inalterado e deplorável: os acessos são estreitos e incapazes de garantir uma circulação fluida do trânsito; a ausência de estacionamento é gritante, mesmo para motos. Em relação a este último aspecto, continuam a proliferar os descampados, onde indivíduos de ar suspeito se disponibilizam a guardar as motos em terrenos sem quaisquer condições... Ficamos sempre com aquela ansiedade no coração, de saber se quando chegarmos a moto ainda lá está... A GNR vê, mas não actua... A passividade das autoridades também é escandalosa em relação ao mercado negro dos bilhetes: quando fomos à bilheteira para trocar os vales por bilhetes, fomos abordados, por diversas vezes, por indivíduos com um ar duvidoso, que nos tentaram aliciar a comprar bilhetes.

Justiça seja feita à organização do Action Team, que disponibiliza para os sócios (como é o caso), espaço para estacionarmos em segurança as motos e guardarmos os capacetes. É inadmissível num circuito que recebe provas de motociclismo há tantos anos, não disponibilizar estruturas para os utentes guardarem os capacetes, e desta forma, não ocuparem os lugares já de si esguios para os ocupantes.

Mas o ridículo da falta de condições deste autódromo não fica por aqui... É vergonhoso que o único autódromo de Portugal, com mais de 20 anos de existência, mantenha umas bancadas de carácter provisório e sem qualquer conforto para o público, que mais parecem cadeiras de circo, e que não têm qualquer cobertura caso chova. Pior mesmo, só as casas de banho; barraquinhas sem água corrente... nem nas concentrações de motos ou queima das fitas (estruturas de carácter temporário) encontramos tão más instalações. O mesmo podemos afirmar das estruturas de venda de bebidas e comida. É mesmo caso para dizer: Onde está a ASAE? No meio de toda esta falta de condições, e só mesmo por pura ironia da organização, esta consegue encontrar recursos para montar tendas de venda de merchandising do próprio autódromo...

O mais grave de tudo ocorreu depois de chegarmos à Bancada D. Aquando da troca dos bilhetes adquiridos na Fnac, pelos originais, não fomos informados do que poderia passar-se a seguir: quando entrámos no local a que tínhamos direito, haviam sido vendidos mais bilhetes do que lugares e verificámos que até aos menos civilizados é permitida a colocação de casacos, capacetes e lancheiras (!) em lugares que deveriam ser de espectadores! Ou será que algumas destas pessoas não pagaram bilhete e entraram pelo intermédio de outros que por ali colaboram? Será que o que se ouve por lá tem alguma credibilidade? Costuma dizer-se que não há fumo sem fogo! E se ambas as situações acontecem há vários anos, este ano ultrapassaram todos os limites da tolerância!

A falta de controlo e de educação por parte das entidades de segurança contratadas pela organização, fizeram com que perdêssemos a 1ª corrida enquanto “lutávamos” pelo lugar que pagámos! A única resposta que se ouve é que nada podem fazer; e que se quisermos falar com alguém responsável, temos de ir ter com a organização... A dita organização não se quis fazer representar apesar das nossas tentativas e da equipa de segurança contratada…

Tal era a falta de respeito pelos espectadores (situação que não nos aconteceu somente a nós, mas a mais pessoas que entretanto se juntaram no mesmo local), que tendo ouvido o que se passava, um anónimo pertencente à organização da bancada C (patrocinador Repsol), amavelmente nos ofereceu entradas para que pudéssemos assistir ao resto do evento.

Perguntamos então: NÃO TÊM VERGONHA??? Ou é mesmo falta de profissionalismo? Situações destas envergonham o nosso país, envergonham-nos a nós, cidadãos contribuintes Portugueses, e explicam o porquê de já não termos F1 deste 1996... É que FIA não brinca em serviço... A ver vamos quantos anos mais teremos MotoGP...

Dêem o nome que derem, o nosso desagrado não poderia deixar de ser aqui exposto! Pelo menos que valha pela tentativa de, no próximo ano, tentarem de alguma forma melhorar! E em simultâneo, apelamos às entidades responsáveis que actuem de forma severa, pois as leis relativas às actividades económicas são para serem cumpridas por todos e sem excepções ou privilégios de condições excepcionais para alguns operadores.

Antecipadamente agradecemos caso nos queiram contemplar com uma resposta da vossa parte.

Melhores cumprimentos,"

Sérgio