29 abril 2008

I'M YOUR MAN.

"I'm Your Man" é uma homenagem recentemente prestada a Leonard Cohen, por músicos maioritariamente canadianos. Foi editado sob o formato de um documentário sobre a vida de canadiano judeu e músico de excelência. É uma homenagem sincera, prestada em vida ao músico (como todas deveriam ser), em que pode ser invocada a sua biografia, ainda que de forma muito ligeira... sim, porque Mr. Cohen não é o tipo de pessoa que goste de partilhar a sua vida pessoal, nem precisa ou aprecia trampolins para o estrelato. Acima de tudo, porque não precisa... já é bem conhecido junto de quem ele pretende ser... e porque esse tipo de fama efémere não combina com a qualidade, consistência e imortalidade da sua obra. É... há casos em que uma vida recatada e afastada dos media, aumenta ainda mais a fama... mas acima de tudo, o prestígio!

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Quando se fala de Leonard Cohen, fama não é um termo apropriado; vassalagem, sim. Idolatragem, também. Admiração, muita seguramente. Veneração parece-me o termo mais adequado.

No final de visualizar este documentário biográfico, mesmo alguém que nunca tenha ouvido falar deste senhor, estará certamente rendido à sua pessoa, à sua obra, ao seu charme, ao seu olhar... à sua expressão sempre sorridente, sincera e tranquila. Leonard Cohen é um exemplo, um modelo de viver bem, de correcção, de educação, de civismo, de consciência... aquele tipo de pessoa que em cada acto, cada palavra, cada movimento, nos permite aprender uma lição de vida. Poucas pessoas chegan a este patamar... assim de momento só me lembro do meu pai... e do meu instrutor de Viet Vo Dao, José Manuel Mendonça.

A história de vida do senhor tem recortes curiosos... como por exemplo, tratar-se de alguém que nunca se sentiu confortável dentro de uns jeans! Por isso, veste usualmente um fato, como a roupa com que mais confortável se sente. Ao contrário do que se conhece, de mulherengo apenas tem a fama. Na verdade o Sr. Cohen é um defensor da vida com regras, com princípios rigidos, quase militares; a sua admiração por este estilo de vida leva-o mesmo a frequentar mosteiros e a co-habitar com o seu mestre Rushi e os monges, no seu estilo de vida característico. Aliás, aquele sorriso só podia ter essa origem...

Entre os músicos que neste documentário interpretam temas do Sr. Cohen, encontramos Nick Cave (com uma versão divinal de I'm Your Man, e outra de Suzane), Rufus Wainwright (interpreta vários temas entre os quais Hallelluja... tema que eu pensava ser do John Cale!), Antony (num tema que eu não conhecia, mas que é sem dúvida a interpretação mais impressionante do documentário... para vos aguçar a curiosidade, não vos digo o nome do tema!) e os U2 em dueto com o próprio, o Grande Leonard Cohen, em Tower of Song.

No documentário há duas citações que me tocaram em especial...

A primeira é de Nick Cave, que nos conta que na sua infância, vivia numa povoação pequena com a qual em nada se identificava. E descreve o dia em que ouviu pela primeira vez Leonard Cohen, como o dia em que se sentiu a pessoa mais "cool" do mundo! Tinha descoberto algo tão belo, tão próximo da perfeição, e que tão pouca gente conhecia. Sentia-se então como um iluminado... um privilegiado.

A segunda é de Bono, que nos diz algo como "... sejamos muito honestos... Leonard Cohen move-se em terrenos, nos quais muito poucos de nós sequer aspiram a algum dia atingir...". Chocante!

Outro momento muito particular no documentário, surge com o próprio Mr. Cohen a descrever o orgulho com que fez o prefácio para a edição em chinês de um dos seus livros... a humildade com que o faz e o escreveu é novamente chocante... Desde agradecer a aquisição do livro, a pedir desculpa caso o livro não agrade, a agradecer o tempo dispensado a lê-lo, e o orgulho por ter um livro editado na língua de uma cultura que tanto o influênciou ao longo da sua vida.

A obra musical de Leonard Cohen não é muito extensa... O resultado todavia é exponencialmente proporcional á quantidade de temas criados, em que cada palavra nas letras é analisada, repensada e até sofrida; tal como a componente musical, que conhecia sempre várias versões até chegar à final. Uma música poderia demorar um ano a ser criada... o resultado é de uma consistência anormal, apenas equiparada a compositores como George Gershwin.

Ouço a música de Leonard Cohen há muitos anos... os sons foram-me apresentados pelo meu pai, que tem vários discos dele (em vinil como eu gosto!). Em 1988 comprei o único registo do Sr. Cohen que tenho... I'm Your Man. Escusado será dizer que escrevi estas linhas ao som deste álbum... que adquiri em cd (podem não acreditar, mas perde bastante para a atmosfera Cohen reproduzida num vinil... é um daqueles casos em que a diferença é bastante significativa). Leonard Cohen não é um músico que eu ouça muitas vezes... mas é dos que mais toca no disco rígido do meu cérebro...

Deixo-vos com uma reflexão: conhecem Leonard Cohen? Eram capazes de enumerar um tema dele antes de lerem este texto? Quantos dos vossos amigos são capazes de responder a estas duas perguntas? Por vezes convém perceber como é que "gastamos" o nosso tempo de vida: será que o fazemos com coisas, pessoas, factos que realmente válidos? Efemeridade vs imortalidade é um tema delicado...

Sérgio

25 abril 2008

PARANORMAL por MONCHIQUE

Acabei agora de assistir à peça de teatro de Joaquim Monchique, PARANORMAL. Ainda em extâse, não tenho as ideias muito assentes... Mas mesmo não conhecendo o texto original de Miguel Falabela, uma coisa é certa: EXCEPCIONAL!

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EXCEPCIONAL é a melhor definição que se pode dar à performance de Joaquim Monchique. O actor realmente excede-se em palco, onde interpreta um paranormal que encarna em inúmeras personagens, consequência de um acidente cósmico provocado por uma das intervenientes no canal astral. Sozinho em palco, cria um tumulto de multidões em diálogos cruzados e seguidos, no melhor tom que a PT nos proporcionava há 15 anos atrás, altura em que frequentemente conseguíamos falar com 4 desconhecidos, bastando para tal levantar o auscultador.

Durante todo este enredo, o humor gira à volta da homossexualidade, racismo, e acima de tudo, sobre o rirmo-nos de nós mesmos: dos nossos hábitos, manias e tacanhismos. E o humor é muito! Muito mesmo! Ri a sessão toda e acabei quase a chorar... com a reflexão final que encerra a peça. Afinal, parece que tudo gira à volta de pessoas, felicidade e de como cada tenta alcançá-la.

O Auditório Pequeno do Rivoli dá um ar ainda mais intimista a tudo isto, tornando as nossas reacções ao guião, ainda mais à flor da pele.

Boa nova: o actor vai fazer sessões extra de 1 a 5 de Maio! Quem ainda não viu, não deixe de ir!

Sérgio

24 abril 2008

Editors

Esta é daquelas bandas que ouvi e adorei logo ao 1.º acorde!

Rock puro e duro como já pouco se faz, mas com consistência e melodia, liderado por uma voz forte e invulgar. A bateria e a guitarra estão lá como ninguém...

O 1.º álbum é mais original e colhe a minha preferência; o mais recente segundo álbum, surge mais polido, mas rock, mas um pouquinho mais comercial também.

Fui vê-los ao Coliseu no inicio deste mês. Adorei! A banda tem um speed incrível. O concerto é curto mas intenso; sempre a rasgar... Apenas peca pelo excesso de vedetismo do vocalista.

Aproveito a oportunidade para vos apresentar o blogue do JC, que também este comigo no concerto. Grande abraço JC!

http://jc-impactus.blogspot.com/2008/04/editors.html


Sérgio

16 abril 2008

LAAX 2008.

A primeira semana de Março desta ano foi, para mim, a mais ansiada dos últimos 12 meses. Férias de neve marcadas em Laax, na Suiça, numa estância com mais de 200 kms de pistas.

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Mas este ano a coisa não correu pelo melhor... Logo este ano, em que esta foi a minha única semana de férias; e com a agravante ainda, de que no ano passado, não pude acompanhar os meus amigos na minha semana de férias favorita (por motivos laborais... digamos...). Um dos meus sonhos é esquiar em Itália e no ano passado o destino era esse... não me deu muita sorte. Outro dos meus sonhos era esquiar na Suiça... também não me deu muita sorte... digamos que já houve férias de neve que me sairam melhor!

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No 1.º dia, depois da viagem de avião e de autocarro, mal cheguei ao hotel à noite, percebi que estava com febre. Lá vai bomba ao jantar e ao outro dia de manhã, tudo impecável. Só que, tinha chuvido na noite anterior, e a neve estava uma mer..., com apenas meia dúzia de pistas abertas. É estranho esquiar e tudo à nossa volta estar verde... castanho... e o branco ser escasso... Para além da neve estar um nojo: a derreter; fazia-nos travar, pastosa... mais parecia um granizado. Aliás, era quase toda neve artificial.

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O dia correu bem e com muito calor e sol. Não gosto de esquiar com calor; transpiro muito, tenho muito calor, aquela roupa torna-se desconfortável... e ao final do dia acabo por ficar gelado. Esquiar para mim é com frio; bem agasalhado; e muita neve!

À noite ficamos fascinados com o SPA do hotel. Uma piscina fantástica com 7 tipos de hidromassagem distintos. Sauna, banho turco, chuveiros e piscinas de água fria. Fantástico! Tal como já tínhamos constatado na Áustria, os nossos congéneres da Europa Central têm uma prática estranha neste ambiente: se por um lado, são muito púdicos quando comparados com os latinos, quando estão na sauna, banho turco ou piscinas de água fria, andam totalmente nús. Pior, sentam-se nús neste ambiente público, sem usarem uma toalha! Enfim... Claro que dentro do nosso grupo, ninguém andou nú... Se tal acontecesse, seríamos os únicos a repararmos em nós mesmos... Como tal, todos sempre de toalha, calções ou fato de banho, para grande espanto dos estrangeiros... e em prol da nossa higiene!

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Estava tudo óptimo e animado ao jantar, quando a febre deu os primeiros sinais de presença novamente. A minha sorte, é que as minhas amigas têm sempre uma farmácia com elas, e salvaram-me da minha inconsciência de ir de férias sem um único medicamento (nem Guronzan)... é que ainda não tomei consciência que tenho 35 anos, e estes imprevistos podem surgir... Bem, 2.º dia sem sair à noite depois de jantar...

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No dia seguinte já havia bastantes pistas abertas. O dia estava encoberto, mas acabou por abrir alguns momentos de sol. No entanto, a neve estava na mesma... só acima dos 2.000m é que era aceitável. A meio da tarde encobriu mais e à noite começou a nevar. Bem precisa era!

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De regresso ao final da tarde, o SPA voltou a deleitar-nos. Depois de um dia fisicamente exigente, uma passagem por todas aquelas massagens, o contacto com a água, a sauna e o banho turco põe-nos novos! O problema é que aumentou a febre, que já havia sentido quando cheguei ao hotel. Ao jantar até arrepios tinha, apesar do calor enorme que estava na sala. Claro que não saí à noite e que tomei uma boa bomba, para que no outro dia estivesse apto para a modalidade! Por falar em esquiar, nestes primeiros dois dias de ski, ainda não tinha sentido “aquele” prazer de esquiar... seria da condição física debilitada... ou da porcaria da neve que tínhamos apanhado?

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No dia seguinte pela manhã continuava a nevar! Estava um dia bucólico, mas com uma neve muito apetecível! Apesar de ter alguma febre, fui esquiar e deliciei-me com um dia incrível e uma neve deliciosa. Às vezes havia algum vento e nevoeiro, mas até ao momento havia sido, sem dúvida, o melhor dia de todos.

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Ao final da tarde, optei por não ir ao SPA (bem me custou); estava com febre. No dia anterior tinha-me feito bem aos músculos, mas tinha aumentado a febre... Nem assim a febre baixou, antes pelo contrário, e ao jantar estava a ferver... Além disso, durante o dia tinham-me aparecido fortes dores de garganta, ao ponto de estar quase sem voz. Depois de jantar ainda me sentia pior e as bombas farmaceuticas nada actuavam... Cheguei a aborrecer o meu médico: santo homem! Salva-me sempre nas férias, porque acaba sempre por acontecer qualquer coisa... Joelhos magoados, tendões partidos, enfim... Desta vez era só uma amigdalite... Fui operado com 4 anos e nunca mais voltei a ter uma crise de amigdalas... E havia de ser exactamente 31 anos depois, na minha única semana de férias!

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A noite foi tenebrosa... no outro dia não consegui ir esquiar. Depois de uma longa discussão ao pequeno-almoço, entre tomar os antibióticos disponibilizados pelas minhas amigas, ou ir ao médico, inicialmente optei pela primeira. Mas quando me vi sozinho no hotel, saltou-me a tampa, e tive mesmo de sair dali... Fui ao médico! O hotel disponibilizou-me um motorista para me levar e trazer (vindo de suiços, quem diria...). Fui recebido numa clínica que é uma moradia com instalações fantásticas, muitas assistentes, o médico a facturar aos blocos tempo de 5 minutos, análises ao sangue, exames gerais, diagnóstico feito e saí do gabinete do médico com os medicamentos na mão. Factura: 200€! Valeu-me um seguro de viagem que uma amiga insistiu para que fizessemos!

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Ao final do dia, depois de uma boa soneca e um banho, já era outro! Os meus amigos, por amabilidade, disseram que eu fiz bem em não ir... que esteve muito frio... má visibilidade... são mesmo uns porreiraços!!!

Mesmo assim fiquei inconsolável... é que eles aproveitaram (e muito bem), um dia pior em termos climatéricos, para fazerem um jogo de rugby na neve, e eu não podia mesmo participar...

À noite claro que não saí. Nem fui ao SPA. Mas durante o jantar estive bem disposto, a comida soube-me bem e dormi bem. Acordei com um sol fantástico e um céu azul, azul!
Nos dois dias que nos restavam de férias tivemos sol e neve fofa: o cenário de sonho de qualquer esquiador! Fizemos pistas espectaculares, as brincadeiras do costume, cantamos o hino no teleférico, corridas, dançamos nas esplanadas, e no último dia, ainda houve tempo para comprar umas lembranças para o pessoal cá de casa. Enquanto andava de loja em loja, vi passar um desfile de automóveis de fazer babar qualquer apreciador... A6? Não... RS6! Várias! BMW, sim, mas com 6 ou mais cilindros! Range Rover, claro! Lindos! Aliás, até o edifício da UBS é LINDO!

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O dia de regresso é sempre feito com aquela nostalgia depressiva, de quem vem de uma semana no paraíso... e com muito sono, porque nos últimos anos, os low cost têm nos tirado da cama de madrugada (4 da manhã!). Cheguei cá e fui dormir... havia que recuperar da ressaca dos antibióticos.

Fez este ano 11 anos que comecei a esquiar (12.ª temporada). É sem dúvida das coisas que mais prazer me dá. A paisagem, o silêncio, o branco da neve, a adrenalina, a sensação de liberdade... ski ou snowboard, não interessa qual. Venham os dois em muita quantidade. Tive a sorte de ao 4.º ano conhecer um grupo espectacular! Há anos em que cresce, outros em que diminui, outros em que se renova... mas a essência está lá! Espero conseguir esquiar muitos anos. Enquanto o fizer com o mínimo de dignidade, lá estarei! Espero também que este grupo se mantenha tanto quanto possível unido. São geniais! Obrigado por me aturarem!

Sérgio

P.S.: não coloquei as melhores fotografias, porque nessas aparecem os meus amigos, e há uma meia dúzia de "conas" que "não se querem expor na internet"... enfim! Ninguém é perfeito!


29 fevereiro 2008

Nova Aventura!

Depois de ter sido insistentemente entusiasmado (como se fosse necessário...) a experimentar fazer escalada, pela minha "maninha" Ana e pelo Sérgio (marido), lá fui eu para Condeixa um Sábado de manhã... bem cedinho!

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Comecei por lhes dar meia hora de seca; mas eles, impávidos e serenos, deram-me boleia e ainda levaram almoço para mim. Não são uns queridos?! Já não há gente assim!

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E lá fui eu todo contente... Na viagem aproveitei para os entusiasmar com o ski e o snowboard; vamos lá ver se um dia alinham comigo...
O Giga também foi e até ele se diverte à grande, apesar de não escalar. É de facto um dia muito bem passado: no meio da montanha a temperatura é excelente; a paisagem é encantadora; o silêncio e a tranquilidade encantam.

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Quando chegamos às paredes, pensei que eles estavam a gozar... aquilo era totalmente impossível de subir... só mesmo para experts e loucos! Pensava eu que havia algo menos vertical, pelo menos para quem começa!
Não sei como, mas afinal dava para subir... começaram por subir eles... entretanto outras pessoas chegaram e começaram a subir... e a certa altura, já todas as vias tinham alguém divertir-se e a transpirar forte!

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Lá chegou a minha vez e muito a medo fui subindo... por momentos até as vertigens deram sinal de vida... é ridículo a força que fazemos nos braços desnecessáriamente: escalar é com a cabeça e com as pernas! Dizem eles... Por vezes, não fazia mesmo ideia onde meter os pés... está bem que estava de sapatilhas e não pés de gato... mas aquilo é mesmo estranho... cheguei a parar vários minutos para descansar e tentar perceber como havia de sair dali. O momento de glória quando se chega lá acima também é engraçado... olhar cá para baixo e ver pessoas pequeninas!

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Até as descidas... fazer rapel com os outros a controlarem a velocidade da nossa descida também dá um certo calafrio!

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Nos dois dias seguintes andei todo dorido nos braços. Agora que valeu bem a pena, valeu... é mesmo uma adrenalina escalar. Por isso, hei-de repetir!

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O ambiente é muito engraçado e descontraído. As pessoas são simpáticas e amistosas. Até os espanhois que por lá havia (e muitos) eram simpáticos! Também por lá andavam algumas gatas (no duplo sentido da palavra... e que gatas!).

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Parece que ganhei mais um vício... o chato da questão é que o trabalho ocupa muito tempo, senão a vida era um estouro!
Agora, só para vos meter raiva, esta semana vou de férias para Laax (Suiça), onde 220 kms de belas e ingremes pistas com mais de 3 metros de neve me esperam... tchau, tchau!

Sérgio

19 fevereiro 2008

Quem Me Leva os Meus Fantasmas?

Já ouviram este tema com atenção? Façam-no! Não, não vale no carro, na rádio, no computador, no emprego... Tem de ser em casa. Tem de ser com total atenção. Não na cozinha... não na televisão... Nem no mp3. Tem de ser em formato real! Som a sério! Ouçam a letra... interpretem-na... Envolvam-se no som...

E depois contem-me o que viram, ouviram, leram, sentiram.

É por coisas destas que me orgulho de ser PORTUGUÊS!

Sérgio

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"Aquele era o tempo
Em que as mãos se fechavam
E nas noites brilhantes as palavras voavam,
E eu via que o céu me nascia dos dedos
E a Ursa Maior eram ferros acessos.

Marinheiros perdidos em portos distantes
Em bares escondidos, em sonhos gigantes.
E a cidade vazia, da cor do asfalto,
E alguém me pedia que cantasse mais alto.

Quem me leva os meus fantasmas
Quem me salva desta espada,
Quem me diz onde é a estrada?

Quem me leva os meus fantasmas
Quem me leva os meus fantasmas
Quem me salva desta espada,
Quem me diz onde é a estrada?

Aquele era o tempo
Em que as sombras se abriam, em que os homens negavam
O que outros erguiam.
E eu bebia da vida em goles pequenos,
Tropeçava no riso, abraçava venenos.

De costas voltadas não se vê o futuro
Nem o rumo da bala, nem a falha no muro.
E alguém me gritava, com voz de profeta.
Que o caminho se faz, entre o alvo e a seta.

Quem me leva os meus fantasmas
Quem me salva desta espada,
Quem me diz onde é a estrada?

Quem me leva os meus fantasmas
Quem me leva os meus fantasmas
Quem me salva desta espada,
Quem me diz onde é a estrada?

De que serve ter o mapa
Se o fim está traçado,
De que serve a terra à vista
Se o barco está parado,
De que serve ter a chave
Se a porta está aberta,
De que servem as palavras
Se a casa está deserta?

Quem me leva os meus fantasmas
Quem me salva desta espada,
Quem me diz onde é a estrada?

Quem me leva os meus fantasmas… "


Pedro Abrunhosa - Luz (2007)

14 fevereiro 2008

Alteração do Modo de Locomução.

Vendi o meu carro...

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...quase chorei.

O meu carro actual:

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Sem comentários, por favor!

Sérgio

03 fevereiro 2008

Um Texto Chato.

Uma das citações que mais me toca, e cujo autor desconheço é a seguinte: “...se queremos um mundo melhor, porque não começarmos por nos mudarmos a nós mesmos, em vez de ficar à espera que os outros mudem?...”.

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A primeira vez que a li, foi-me apresentada no final de um video em que apareciam algumas personalidades com influência no decurso da vida do planeta: George W. Bush, Francois Miterran, Tony Blair, Sadham Hussein, Kadafi... entre outros, todos com frases que suavam a surreal... do tipo: re-direccionar verbas destinadas ao armamento para combater a fome e a miséria em África; respeitar os direitos humanos; terminar os combates armados, etc. O video era de todo surreal, porque continha os mais importantes dirigentes mundiais a afirmarem que iriam fazer aquilo que qualquer ser humano com dois dedos de testa considera “o correcto”; ao contrário das atrocidades que continuam a apoiar estes chefes de estado e os seus homólogos. O que só por si seria uma viragem de 180º nas políticas sociais a nível global...

Mas a questão que vos ponho é esta: não será esta citação um contra-senso?
É claro que todos nós temos um longo caminho a percorrer, se ambicionarmos melhorar a nossa conduta, no sentido de nos tornarmos pessoas mais justas, correctas e coerentes; e até interessantes! Arestas a polir há muitas e são realmente difíceis de arredondar... e é claro que todos esses aspectos que menos gostamos em nós, nos fariam pessoas melhores e mais únicas.

Mas há também o reverso da medalha... uma outra interpretação. Quando queremos um mundo melhor e queremos quase impor as mudanças nos outros, é porque estamos inconformados com algumas tendências de comportamento e pensamento. E neste sentido, deveremos mudar-mo-nos a nós mesmos? Não seria isso misturarmo-nos com a maioria que agora condenamos? Dissolvermo-nos na moda? E neste caso, onde iriam parar os nossos princípios? Tornarmo-nos-íamos iguais à maioria... do tipo “se não os consegues vencer, junta-te a eles!”. É tudo uma questão de consciência... de deitar a cabeça na almofada e conseguir dormir... ou simplesmente, acorbardarmo-nos, para não nos chatearmos... Uma solução sem dúvida... de felicidade fácil... para quem a sua própria consciência vale tão pouco.

Para os outros, o caminho é mais duro. E passa mesmo por ir limando arestas, até que as pequenas imperfeições sejam nano irregularidades. Desta forma conseguirão através da sua própria inteligência emocional, mostrar aos outros com argumentos incisivos e sedutores, melhores formas de conduta. Umas vezes agindo como exemplo, outras demonstrando com eloquência. Mas nunca pela força, imposição ou confronto... No dia em que só sobrarem estas últimas formas de agir, é porque a superfície cognitiva perdeu o polimento, ganhou irregularidades, ficou desgastada e voltou a ter arestas... E há que recomeçar todo o ciclo de mudança. Por quantos mais ciclos passarmos, mais geniais teremos de ser para re-iniciar o processo.

Quando penso na suposta razão de uma minoria esclarecida (capaz ou não de movimentar multidões em seu torno), imposta de forma violenta ou coerciva à restante população, lembro-me sempre do que o meu pai me dizia em miúdo, quando eu gritava com o meu irmão (mais novo): “...quando falta a razão, sobra a má educação...”. Só ainda não consegui concluir se os actuais sistemas de democracia cabem (ou não) aqui...
Uma coisa é certa... cada vez menos as pessoas, apesar grau de instrucção crescente, usam a cabeça para pensarem por si mesmos. Reparem na massificação dos padrões de consumo a qualquer nível: desde a música, cinema, literatura, aos hábitos de alimentação e forma de vestir! Preocupante... a crescente vunerabilidade das massas...

Se conseguiram chegar a este último parágrafo é porque concerteza sofrem de insónias!

Sérgio

23 janeiro 2008

Bem-vindos à Era "Não-Fumador"!

Na sexta-feira passada, depois de um delicioso sushi num dos restaurantes mais bonitos do Porto (Terra), dei um salto a um bar fora de série: “Casa do Livro”.

Foi a minha primeira “saída” na era “não-fumadores” e foi surpreendente! Até já me apetece sair outra vez! Claro que para tal muito contribuíu a companhia de três pessoas muito especiais (já sabem que eu não digo quem são por questões de privacidade... alheia! Ehehehe!). E sabem que mais?! No outro dia de manhã estava fresco que nem uma alface, e nem o quarto, nem a roupa, cheiravam a fumo!

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Não é a primeira vez que vou ao Terra e continuo a achar que é o melhor sítio da cidade para nos deliciarmos com um bom sushi. No entanto, nunca tinha jantado na sala de cima; em baixo junto ao balcão, temos a vantagem de ver os “fakirs” a prepararem iguarias; mas ficar ao balcão é bom quando somos só dois, tal como as mesas da sala de baixo. Desta vez éramos quatro, pelo que a sala de cima foi uma imposição muito agradável. O ambiente é sofisticado, bonito, elegante, e igualmente confortável e acolhedor. Se juntarmos a isto o prazer de agora podermos usufruir dos cheiros dos alimentos que nos vão apresentando, o prazer de saborear é ainda maior, pois não temos as narinas entupidas de nicotina oriunda das mesas em redor. Consequentemente, também não temos ninguém na nossa mesa a dizer “...vamos pagar e sair daqui... já tenho os olhos a picar...”, ou “...preciso de ir apanhar ar... está muito fumo e muito abafado aqui...”. Isto proporciona um convívio maior, mais descontraído, e principalmente, mais saudável à mesa. Curioso é ver que volta e meia as mesas ficam desertas... e passados uns minutos, os mesmos clientes regressam...

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Note-se que não tenho nenhuma má vontade contra o tabaco (ao contrário de muita gente fanática). Até adoro fumar! Mas sou contra que se fume em sitios fechados. Gosto de ser eu a decicir quando quero fumar! Não gosto de ser obrigado a fumar... Já imaginaram se vos obrigassem a beber uma determinada bebida alcoolica, sempre que alguém na sala o quisesse fazer?! Não havia refeição que nos salvasse do coma alcoolico! Não usufruiríamos da refeição em si... Portanto, porque raio haveríamos de continuar a ser condescentes com o fumo?! Esta nova lei só peca por tardia! E quem está mal que se mude... para Marrocos por exemplo!

Há que ter em conta também, que o tabaco e o álcool são nocivos à saúde, pelo que na minha óptica só são admissiveis quando consumidos com moderação. Ou seja, como um prazer e não como um vício...

Já não deveria faltar muito para a uma da manhã quando saímos do Terra e nos dirigimos, por sugestão de um dos ilustres presentes, para a baixa portuense. O destino escolhido foi a “Casa do Livro”; e não poderia ter sido melhor a escolha! O bar é lindíssimo! Tem um ambiente excelente, casuísticamente seleccionado e a música é fabulosa! A “Casa do Livro” tem duas salas contíguas: na primeira está o bar proporiamente dito; na segunda estão dos DJs. Dança-se por todo o lado, pois a música assim o proporciona! E de que maneira!

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A fantástica parelha de DJs de serviço apresentava blocos temáticos, de aproximadamente 15 minutos, passando por distintos estilos músicais, desde da pop dos anos 80, às orquestras de jazz dos anos 50, mas sempre com muito bom gosto, critério e requinte. Os meus sinceros parabéns, porque há muitos anos não via profissionais tão dignos, empenhados e originais (já sei que vão dizer que só digo isso porque já fui dj e que sou um exagerado e muito rigoroso e bláblábláblá...). A verdade é que todo o bar dançava, independentemente da idade de quem lá estava.

O som é aceitável, dentro da mediocridade que a maioria das casas nocturnas oferecem... o que é um contrasenso: saímos para ouvir música e dançar e o som é fraco... O volume não é exagerado e consegue-se conversar com alguma facilidade. O contrário é que não faz sentido: sair com os amigos para ficar calado, tipo múmia, ou com a garganta arruinada ao dia seguinte... Ok, também saímos para beber uns copos... e se as bebidas não forem boas ninguém lá vai. Porque é que o critério da qualidade de som e da música não é o mesmo?!... O Porto tem pouca oferta nocturna e os noctivagos portuenses deslocam-se, a maioria das vezes, em manadas movidas por “modas”... logo, independentes da qualidades das paragens por onde vão estacionando de copo na mão (e com o nariz vermelho!). Isto leva-nos aos locais ditos alternativos, se procuramos bom ambiente, “gente bonita” e boa música para ouvir e dançar, mas também boas condições para conviver e conversar, independentemente da quantidade de copos que tenham passado pelas nossas mãos... E é exactamente este o espaço onde a “Casa do Livro” encaixa e dá cartas!

Sérgio

P.S.: Fotografias de Pedro Aroso e Lifeccoler; consultem
http://www.casadolivro.pt/ under constrution!

13 janeiro 2008

Sinais de "Geração Ultrapassada".

Sair de casa e esquecermo-nos de algo é sinal de velhice... de estar a ficar senil... mas, mais trágico é sair de casa e esquecermo-nos de levar a nova de selecção de cds para o carro, e para remediar isso, vamos fazendo um zapping radiofónico. A certa altura descobrimos que há já vários minutos que não mudamos de estação, enquanto cantamos eufóricamente no carro... o problema é que a única estação de rádio que passou música que gostei foi... a M80!

Sérgio

11 janeiro 2008

Ano Novo... Som novo?!

Este ano, durante o mês de Dezembro e a primeira semana de Janeiro, tive mais por casa que o habitual. Tive assim oportunidade para me brindar com muita música, criando ambientes tão peculiares quanto a combinação de um som de excelência e o nosso imaginário podem conseguir.

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A maioria de vocês já dever ter ouvido falar deste senhor: Joe Henry... mas eu não! Até há uns dias atrás, nunca tinha ouvido falar dele... achava eu! Mas afinal já tinha... passo a explicar.

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Graças mais uma vez ao Cali Jo, homem de muitas alcunhas... há 3 semanas atrás ouvi pela primeira vez o álbum “Fuse”, de 1999, e fiquei deliciado. Tenho pena é de não o ter ouvido há 8 anos atrás... vejam só a discografia dele... Surpresa!

- Talk of Heaven (1986);
- Murder of Crows (1989);
- Shuffletown (1990);
- Short Man's Room (1992);
- Kindness of the World (1993);
- Fireman's Wedding (1994, EP);
- Trampoline (1996);
- Fuse (1999);
- Scar (2001);
- Tiny Voices (2003);
- Civilians (2007).

Joe Henry escreve e compõe, canta, toca guitarra e ainda é o produtor dos seus temas.

Pelo que parece, até ao álbum Trampolin de 1996, Henry dedicava-se ao country. Neste álbum todavia, e com a participação do guitarrista Page Hamilton, introduz uma sonidade mais “metal”. Metal rock e Country não costumam ser muito compatíveis, mas até estou curioso para ouvir.

Já Fuse, de 1999, traz-nos uma trip hop, que nada tem a ver com country ou metal rock. E asseguro-vos que tem tanto de fantástico como de original.

Daqui para a frente começa a tournée pelo mundo do jazz... pessoalmente, ainda mais curioso estou para conhecer.

Até aos nossos dias, Joe Henry colaborou com muitos nomes igualmente originais: Teddy Thompson; Aimee Mann (de facto, na capa do “Forgotten Arm”, dizia produced by Joe Henry). Ou mesmo “pesos pesados” como Billy Preston (já falecido) e Elvis Costello.

Sem querer falar do que não conheço, acho que há aqui bons indícios para passar umas boas horas... vai ser uma chatice… tenho de ouvir os outros todos!

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Por falar em country... Este ano, Michael Lanegan tem tido um tempo de antena especial. Não é country puro... mas a voz é fabulosa, o som característico e cria aquele efeito de conforto tão apropriado para os dias de chuva em casa. O mesmo tem acontecido com Bill Callaham; este descobrio-o há tanto tempo quanto o Joe Henry (e graças ao mesmo Cali Jo). É mais melódico, mas tem a mesma inspiração country. A voz é igualmente acolhedora, forte e envolvente... mais suave e menos rouca, a condizer com o som também mais consensual e pop. No mesmo tom, naturalmente surgem Micah P. Hanson (este com uma vertente rock mais afirmada, por vezes num som minimalista, mas com uma voz igualmente soberba) e Gordon Lightfoot (este é da velha guarda, dos fabulásticos anos 70, década do rock sinfónico, e empreende um som country-pop tão característico da época).

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Nestes dias, a necessidade do aconchego sonoro leva-nos também para outras paragens... Mojave 3. Estes só pecam por uma voz (masculina) demasiado melosa... falta-lhe personalidade. O som é um tanto indiferente... mas permite-nos, por um lado, ignorar, por outro, aconchegar ao sofá. Fora de série é a voz feminina presente em algumas faixas e nas vozes de fundo. Um delírio aconchegante. Quem fala em Mojave 3, fácilmente complementa com Lilac Time e Dream Academy.

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Outro álbum que se molda muito bem ao sofá e aos dias de chuva é “North” de Elvis Costello... é engraçado como os nomes se repetem ao longo do texto... só uma nota sobre esta obra-prima: é o 22.º álbum de originais do músico! Foi editado em 2003, e entretanto, Elvis Costello já editou mais dois... Esta é a diferença entre a genialidade e a efemeridade musical.

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No meio disto tudo, se houve disco que ouvi inúmeras vezes durante o mês de Dezembro e primeiros dias de Janeiro, foi “Blue Train” do John Coltrane. É um disco viciante; quando se começa a ouvir, só dá vontade de ir virando, e virando, e virando. É claro que o encanto do vinil faz sobressair a sonoridade de referência.

Houve ainda outros vinis a rodarem repetidamente: “Live in Australia” de Elton John (os arranjos orquestrais são do outro mundo... a Orquestra Sinfónica de Melbourne deslumbra, especialmente na brusquidão das tubas e dos violoncelos, e na leveza dos solos de harpa; o homem é que teve azar: é que logo no concerto da vida dele, havia de estar rouco!); “The Final Cut” e “The Dark Side of the Moon” dos Pink Floyd (se o primeiro é o estado da arte, o segundo é a obra-prima da banda); e ainda, “Nights in White Satin” dos Moody Blues (este conta com a London Simphony Orchestra, e hão-de ouvir com atenção o fecho do disco... depois do tema que dá nome ao álbum terminar, iniciam-se alguns minutos de orquestra com um narrador que cita algo de deslumbrante e eloquente... ouçam!).

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Ainda por arrasto: o álbum “Forgotten Arm” de Aimee Mann. É melódico e suave, principalmente na voz, mas tem umas guitarras vincadas, que lhe dão um charme rock, sempre agradável, mesmo quando estamos enrrolados no sofá com um livro na mão; uma lareira caía mesmo bem... um copo de vinho tinto também... do douro e de 72 seria ouro sobre azul!

Sérgio

31 dezembro 2007

Fim de Ano!

Estamos no final de 2007, ano que muitas mudanças me trouxe... e para melhor!

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Despeço-me de 2007 com uma nova aventura. Participei pela primeira vez numa prova de atletismo. É verdade! Aos 35 anos, participei na XIV Corrida de S. Silvestre do Porto. Isto só dá para rir, mesmo... Para já ainda não tenho fotografias, mas ando à procura delas para depois colocar por aqui.

Foi uma aventura! A segunda deste género em que me meto depois do meu 35.ª aniversário (participar na 1.ª Maratona de BTT da Póvoa de Varzim - 50 kms). E sabem que mais?! Foi uma grande curte! Há muito que o queria fazer e este ano fui espicaçado por uns amigos... era daquelas coisas que quando via na televisão, pensava, isto deve ser uma trip... enquanto toda a gente dizia "...olha, lá estão aqueles malucos; ...o quê?!... deves é ser doido!"

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Estou longe de estar na minha melhor forma (há muitos anos! eheheh!), mas lá fui! Arranquei rápido demais e cheguei ao cimo de Sá da Bandeira muito ofegante. Enquanto um dos meus amigos optou por um ritmo mais defensivo, o outro resolveu ganhar velocidade e eu mantive-me, até encontrar um grupo da EDP, que animou a prova com gorros de renas e Pai Natal. E é a eles que devo ter acabado a corrida, especialmente com o tempo de 54 minutos e 30 segundos. O ritmo deles era demasiado alto para mim, mas eram tão divertidos que se descolasse deles ter-me-ia deixado ir abaixo... especialmente na segunda volta, quando voltamos a subir Sá da Bandeira e St.ª Catarina até ao Marquês. Apanhei-os ao cima de St.ª Catarina na primeira volta e com eles me mantive até ao fim; e fartei-me de rir! É que especialmente uma das miúdas, durante a corrida de quase uma hora, não parou de provocar a assistência da prova, pedindo aplausos ("...e quem bate palmas é tripeeeeirooooo!"), ou simplesmente perguntando a quem passava sozinho "...'tá tudo colega?! Então?!"; ou ainda, "Olha a oonnnddaaaaa!" e todos acenávamos! Era uma miúda novinha, de aproximadamente 1,60m, loira, com um gorro de Pai Natal, muito bem disposta e de voz meia rouca, mas que se fazia ouvir bem entre a multidão. Especialmente na segunda subida, estive próximo de explodir, ou pelo menos parar a meio, mas sabia que se deixasse aquele grupo fugir a prova nunca mais teria piada... então lá fui... prova de que com um sorriso tudo é mais fácil, sorri bastante e terminei a prova com um ritmo que sozinho jamais teria aguentado. Agora, aquela miúda tinha cá um fôlego!... No fim tentei agradecer-lhe, mas o grupo entrou para a zona VIP, onde eu não podia entrar... Deviam ser animadores da prova...

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Pensei que fosse mais duro... senti muitas dores de costas na 1.ª subida, mas defendi-me com um ritmo lento; na 1.ª passagem pela Av. dos Aliados parecia novo, por breve momentos no entanto, porque na 2.ª subida faltou-me pulmões... Ou então, foi mesmo o ánimo a miúda loira que facilitou a tarefa de percorrer 10 kms! No fim da prova, os tendões de Aquiles (que são o meu verdadeiro calcanhar de Aquiles) doiam-me bastante... já estou a ver o ortopedista e a fisioterapeuta com as mãos na cabeça a desesperarem!

O 2008 está aí a chegar e com ele vêm as grandes expectativas, esperanças e promessas que todos os anos depositamos no Ano Novo. Nem que seja por isso, por fazermos alguma introspecção e tentarmos melhorar o que somos, já vale a pena comemorarmos a passagem de ano desta forma. Pessoalmente, gosto de comemorar de uma forma mais intimista... em casa (não necessariamente a minha, mas pode ser) e com pessoas próximas, não muitas... Tenho alguma alergia aos dias em que, forçosamente, tenho de me divertir... só porque é dia de festa. Trabalhava de bom grado se houvesse necessidade! Divirto-me muito mais quando tudo é inesperado e natural. Já tentei discotecas e bares, idas a Espanha, e festas particulares de pessoas que não conhecia... sem grande sucesso. Por outro lado, houve passagens de ano em minha casa memoráveis!

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Em relação a 2008, vai ser para mim um ano de "...ou vai, ou racha!". O desafio é muito alto... mas eu gosto de desafios... acredito que é nas dificuldade que o melhor de nós (se é que o temos!) vêm ao de cima. Mas acho que começo bem... muito mais feliz do que qualquer outro ano!

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Bem... este foi o texto que me apeteceu escrever... se vos pareceu estranho, a culpa foi da inspiração: o som do magnifico gira-discos que já roda há mais de uma semana sem parar, e por isso, está com um desempenho incrível, e do não menos fantástico "The Dark Side of the Moon" dos Pink Floyd, que data de 1973. As fotografias um tanto abstractas são a forma como vejo os "Anos Novos": abstractos e tranquilos. Especialmente o dia de Ano Novo (este ano vou passear de moto... o mar não vai dar para fazer umas ondas...).

FELIZ ANO NOVO PARA TODOS!

Sérgio

P.S.: só a primeira fotografia é que fui eu que tirei... as outras são do windows!


Eclipse (The Dark Side of the Moon - Pink Floyd, 1973)

All that you touch
All that you see
All that you taste
All you feel.

All that you love
All that you hate
All you distrust
All you save.

All that you give
All that you deal
All that you buy, beg, borrow or steal.

All you create
All you destroy
All that you do
All that you say.

All that you eat
And everyone you meet
All that you slight
And everyone you fight.

All that is now
All that is gone
All that's to come
and everything under the sun is in tune
but the sun is eclipsed by the moon.

"There is no dark side of the moon really. Matter of fact it's all dark." (Roger Waters)

25 dezembro 2007

HO HO HOU!!!

Este ano não quero falar sobre a forma como a cada ano que passa, mais e mais comercialmente comemoramos o Natal... já chegou o post do ano passado... ou de há dois anos...


Admito que não estando totalmente de acordo, ainda não encontrei uma forma mais interessante de o fazer; mesmo sendo ateu...

A verdade é que adoro esta altura do ano; acho incrível o ambiente que se cria e vive nas ruas e nas pessoas. Pelo menos durante alguns dias, as pessoas mostram-se um tanto diferentes e melhores: mais amigas; mais carinhosas; mais sensíveis; mais sinceras e menos interesseiras.

Dá-me um gozo imenso dar prendas; e adoro andar a distribuí-las "armado" em Pai Natal. Até porque na véspera costuma estar um sol excepcional (e este ano não foi excepção). De carro ou de moto, é um passeio a não perder!

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O telefone não se cala... esta parte dispensava bem... Todos os que me conhecem sabem que não gosto de falar ao telefone (prefiro de longe estar pessoalmente com quem gosto). Os sms são uma boa alternativa; recebi e respondi a dezenas. Algumas trocas de mensagens foram mesmo muito engraçadas na noite de Natal! Pena foi que no dia seguinte esperava eu "Sol" e estava a chover...

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Passo habitualmente o Natal em casa dos meus Pais. Cá vêm ter os meus tios, avós, irmão, cunhada e sobrinhos, entre outros, que nem sempre com a regularidade desejada nos dão o prazer da presença deles. Isto é claro, para além das visitas dos amigos, em que nos vamos cruzando apressadamente ao longo do dia 24 (e às vezes 25), nas casas uns dos outros.

Posso dizer-vos que cá em casa isto é o máximo; é de tal forma, que de vez em quando tenho necessidade de me isolar por uns minutos... fico cansado de dar atenção, de ouvir, de ver... etc. Nem quero imaginar o cansaço da minha mãe, que além de tudo o que todos fazemos, trabalha na cozinha dois a três dias para preparar um delicioso jantar de Consoada e um fabulástico almoço de Natal. Mil e um doces de perder a cabeça nestes dois dias; e um perú maravilhoso ao almoço.

Cá em casa também, esta é a altura privilegiada para desempoeirar o bilhar. Portanto, convívio garantido! Incrível é o magnetismo que uma mesa com umas bolas cria nos miudos pequenos... querem à força jogar, mesmo sem chegar à mesa.

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Mesmo sem a visão religiosa, a verdade é que o Natal serve para mostrarmos um bocadinho mais uns aos outros, o quanto nos apreciamos e valorizamos. E isto é motivo mais do que suficiente para comemorarmos, gastarmos rios de dinheiro em lembranças, andarmos stressados nas compras e no trânsito natalício, tão charmosamente acompanhados pelas luzes e enfeites das cidades (Porto e Matosinhos, parabéns!).

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Este Natal está a ser excelente! Refiro-me a todo o mês Natalício. Os poucos jantares e almoços a que fui foram divinais; a boa companhia esteve em destaque. Tive ainda o privilégio de ir ver a Carmen no Pavilhão Atlântico (simplesmente fabuloso; aconselho a todos a pelo menos uma vez na vida assistirem a uma ópera; único!).

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Para ter sido 5 estrelas, dispensava-se um pequeno incidente com uma das minhas cadelas, que quase atropelei dentro de casa... tive mesmo muita sorte (e ela também); não consegui fazer umas ondas, embora tenha chegado a ir a Espinho para dar um abraço ao Pedro, o que também foi pena; e também muito interessante, teria sido um Natal com "Sol"... mas mesmo assim, memorável!

Sérgio

20 dezembro 2007

2.º Aniversário.

Faz 2 anos que criei o Carmoblog... quer dizer... faz um bocadito mais. Foi criado em Setembro; o contador é que foi posto em Dezembro. Foi uma espécie de estágio...

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Espantoso é em 2 anos ter tido mais de 36.000 visitas (mais de 1.500 visitas/mês ou 50/dia). Nunca esperei uma coisa destas... Não é isto que me motiva a escrever, mas não deixa de ser espantoso.

Gosto de escrever aqui, porque me descontrai... e porque o blog para mim é uma espécie de livro e diário... uma mistura! Mas também é um canto de privacidade q.b.; o "mediatismo" não é a minha ambição, muito menos intenção.

O número espanta-me mais, porque devido às minhas mudanças profissionais em Dezembro de 2006, deixei de escrever diariamente, sendo agora a média mais semanal. Também acho que os textos perderam qualidade. Neste segundo ano foram muito mais futeis e banais; perderam conteúdo, perderam interesse.

Vamos ver se no 3.º ano consigo valorizar o site. Aqui fica o desafio...

Acima de tudo, gostaria de agradecer a todos os que por aqui passam, especialmente, aos que deixam comentários.

Sérgio

11 dezembro 2007

Aquelas Pequenas Coisas que Fazem a Diferença...

...entre um dia normal, ou menos bom, e um memorável.

O dia de hoje podia ter sido igual aos outros, o que já não era mau... mas pelo menos eu, quero sempre mais e melhor.

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Entre 30.000 coisas para fazer, começamos o dia sempre sem saber minimamente como ele vai correr, e muito menos acabar. Começou mal logo de manhã com a placa 3G a não funcionar... e a meio da tarde novamente. Entretanto, os bancos conseguem ser tão maus ou piores que a função pública... quem acha que a banca em Portugal funciona bem, foi alvo de publicidade enganosa...

Foi um dia sempre a correr, verdade. Mesmo agora, estou a escrever para descontrair um bocadinho, porque ainda faltam pelo menos, umas 10.000 das 30.000 de hoje de manhã. Mas com uma subtil diferença... como tinha que ir a muitos sitios, levar documentos, andar no meio do trânsito, e estava um dia lindo de morrer, resolvi fazer isto tudo de moto!

Além do enorme prazer que me deu; além de ter chegado a casa ainda nem 18h00 eram, e de ter vindo almoçar a casa calmamente; permitiu-me manter um sorriso inabalável (apesar das inúmeras chatices e contrariedades que tive).

De facto, há pequenas coisas que podemos alterar no nosso dia e que valem ouro para o nosso bem estar...

Sérgio

P.S.: pode ser que esteja na forja uma grande surpresa...

10 dezembro 2007

Fingertips ao vivo no Casino de Lisboa.

Numa breve passagem por Lisboa para mais uma formação (sim, porque até para fazer formação é preciso ir a Lisboa... o pessoal do Norte já sabe tudo, não se inscreve e as acções de formação são canceladas...), dei um salto ao Casino de Lisboa, onde tive oportunidade de ver ao vivo os Fingertips, que há muito que queria ver.

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Não deixa de ser curioso que há um ano atrás, estava eu em Lisboa sozinho, a começar uma nova fase da minha vida, em virtude de um emprego novo. Já lá vai um ano... despedi-me em Maio, só consegui sair em Julho, e em boa hora, porque agora era obrigado a sair! A empresa foi ao charco... Passado um ano estou a começar tudo outra vez, mas desta vez uma empresa minha! Esta vai ter de ser um sucesso.

A cidade de Lisboa cada vez me surpreende mais: de facto, há movimento e agitação 360 dias por ano. A cidade está cada vez mais bonita e interessante. E as pessoas são como as do Porto... há muitas detestáveis; há algumas excelentes! Nem vos falo é da plateia do concerto dos Fingertips...

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Voltando ao assunto Fingertips, estava curioso por ver esta banda ao vivo. Infelizmente não fiquei cliente... O som também não estava grande coisa, mas a performance da banda ao vivo não é nada de especial: arranjos fracos; versões pouco elaboradas e desprovidas de improvisação.

A banda até tem bom ar, mas o mediático vocalista desilude... estilo um tanto apaneleirado, cabelo comprido estilo hard rock, calças justas e cintilantes (sem qualquer cotação sexista este meu comentário!). Esperava o oposto... confesso! A fama que antecede este “miúdo” é grande. Mas honestamente, achei a actuação mediana, sem surpresas e muito colada às versões originais dos temas.

Claro que valeu apena... nem que não fosse, para ouvir "...don't say that it's over..."; ou para ver a plateia!

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Uma nota altamente positiva para o Casino de Lisboa, que recriou um ambiente fantástico na “arena”. É muito agradável, simplesmente, ir lá tomar café. Somos bem atendidos; o ambiente é muito interessante, bonito e simpático. Tudo tem fascínio. A música ambiente, gravada ou ao vivo, é sempre muito boa; já para não falar dos artistas residentes, excelentes e surpreendentes.

Sérgio