28 março 2009

VIP - Vagabund In Power!


É uma das mais originais interpretações de Nneka, a nigeriana que nos brindou ontem com um dos melhores concertos que alguma vez assisti.

Já não entrava na sala do Cinema Batalha desde miúdo... há 30 anos?!... O local continua sinistro, mas tem uma acústica excelente. E esta é a parte importante... porque o concerto foi intenso, vibrante, com ritmo, soul e muita personalidade.

A voz de Nneka tem o poder de nos fazer vibrar por dentro. Acompanhada por uma excelente banda, levou os ritmos e sons ao limite da interpretação e feeling de cada um dos músicos. Uma voz forte que sai de uma alma carinhosa e meiga, e que exterioriza com facilidade a forma como sente a música, a vida, as injustiças do mundo, mas também a arte... a melodia, o ritmo, o balanço, a dança tipicamente africana esvai-lhe do sangue para a alma e novamente para o corpo. Dali saiem ritmos e melodias com influência africana, letras cantadas em inglês, reagge no ritmo e na guitarra, jazz nas percursões e até rock nas teclas e no baixo. A alma é nigeriana, a forma é universal... o resultado indescritível!

Fica a vontade de a rever, de comprar tudo o que está editado e a saudade do que sentimos ao ouvir aquela música intensa... rodeada por um ambiente de fumo a que já não estou habituado (fumava-se dentro da sala do Batalha!) e por cheiros intensos de perfurmes doces e suor. A atmosfera é dificil de descrever... não sei se estava mesmo muito calor, ou se foi esta intensidade brutal do que ali se expressou através da voz, da música e da dança, que me fez transpirar o concerto todo... toda gente dançava ainda que inconscientemente. Sim, porque aquele som entra-nos no corpo... e este reage fora do controlo da nossa mente...


BRUTAL!


Um registo totalmente diferente leva o meu imaginário para o concerto no fantástico Centro Cultural Vila Flor (onde curiosamente Nneka actua hoje!), onde no passado dia 14 assisti (pela segunda vez!) a uma actuação dos deslumbrantes Casino Royal.

Esta banda da Figueira da Foz expoe-nos num tom quase gélido a sons que mais parecem sair da banda sonora de um filme de 007, parecendo que por momentos temos James Bond ao nosso lado a acender um cigarro... Digo parecer, porque a música destes Portugueses está ao nível de qualquer uma destas bandas sonoras... e quanto a Bond Girls, seguramente as vi por lá (quer no Porto, no Palácio de Cristal onde os vi pela primeira vez, quer agora em Guimarães).

Outro cenário possível para onde esta música sensacional nos leva, são os anúncios da Martini. O Viva da Vita está bem presente pelo charme e envolvência, quer da voz poderosa da Marisa, quer pela elegãncia, distinção e excelência com que todos os instrumentos são tocados.

O som oriundo da Figueira da Foz parece ter uma paralelo com a Riviera francesa dos anos 50 e 60 (vá-se lá avaliar os reflexos da obra de Santana Lopes!). Pelo menos a inspiração está lá, embora os oceanos sejam distintos (e os ventos também!).

É claramente um som com pedigree, com emblemática e misticismo de quem sabe viver a vida, e de quem sabe apreciar as boas coisas a que podemos aceder.

Toda esta envolvência nos toca... a altivez do tom dá-lhe um toque de inacessibilidade, que parece criar uma distancia entre nós e aqueles que saboreiam esta atmosfera... quando afinal, também a sentimos da mesma forma. Ou seja, tornámo-nos parte da elite que sabe o que quer e que se empenha para viver bem... saboreando cocktails, vestindo roupas elegantes, olhando em volta com determinação e confiança... saboreando a realização pessoal e o sucesso... com sonhos... com glamour... com cor!

Sérgio

21 março 2009

Algumas Notas Soltas Sobre o Dia de Ontem...


Finalmente o CARMOBLOG tem um visual novo (graças à amiguinha "aquiescrevoamor"; obrigado fofura!); o anterior já-me dava vómitos... não sei como alguém ainda aqui vinha!

Ontem, enquanto abastecia o meu bólide com o tão precioso e caro líquido de que ele tanto gosta, assisti a uma cena fantástica. Numa saída da auto-estrada apareceu um Golf preto com os farois desligados. Não contente, resolveu parar no fim da referida saída, com duas rodas para lá do traço contínuo, ou seja, já na facha de rodagem de uma via rápida. Por incrível que pareça, e até porque aquela é uma zona de aceleração e não para parar, não houve nenhum acidente, apesar do automóvel em causa estar "no meio da rua", ter os farois desligados e ser de noite. Mais incrível ainda, nenhum dos automobilistas que evitou a colisão (4 ou 5) sequer buzinou... Depois de alguma meditação, o condutor do Golf, continuou com os farois desligados, mas resolveu arrancar lentamente e fazer inversão de marcha, muito calmamente, passando por cima de um duplo traço contínuo e atravessando 4 faixas de rodagem de uma via rápida. Resultado: zero acidentes; zero buzinadelas. Continuou a conduzir de faróis desligados. Concluo portanto, que todos os acidentes que ocorrem em Portugal se devem irremediavelmente a excesso de velocidade...

Consegui chegar ao meu tão desejado treino de Viet Vo Dao (ultimamente também designado por Hiep Ky Vo Dao, ou Tran Su Dao), inexplicavelmente ileso, tal como o meu carro, mas atrasado... assim como o próprio instrutor!

Numa conversa breve de balneário, tempo para ironizar sobre o ridículo desempenho dos sindicatos, ao processarem a RDP por causa de um anúncio de informação de trânsito, onde se refere que há ruas cortadas devido a mais uma manifestação de professores. Segundo estes sindicatos, o anúncio prejudica a imagem dos mesmos, sendo a estação de rádio do estado, a mobilizar opiniões em defesa da imagem do governo! Pessoalmente, parece-me antes o contrário... demonstra que as manifestações contra o governo já são perfeitamente habituais, logo este governo é incapaz de conseguir a concertação social. Como é que há tanta gente imbecil, a quem se dá tanta atenção?! Não têm mais nada para fazer?!

Durante o treino tive um deliquilíbrio num combate (ainda estou em convelescência); até aqui tudo bem... Grave foi que o "cinto negro" que combatia comigo não teve a lucidez de parar uma ataque de perna, embatendo fortemente no meu fraço esquerdo, visto ter sido a única protecção possível... pensei que tinha partido o braço... nunca tal me tinha acontecido. Não consigo entender como um "cinto negro" pode ter tanta falta de controlo num movimento... Em 30 anos de prática de artes marciais, nunca tal me aconteceu...



Já no fim do treino e novamente no balneário, o tema de conversa era as "Novas Oportunidades" no ensino. São sem dúvida uma iniciativa louvável para as pessoas que pretendem um maior grau de instrucção, não lhes sendo possível devido à sua vida profissional, dispender uma carga horária elevada para estudarem. Entendo também, que a experiência de vida, lhe trará conhecimentos acrescidos, justificando-se o "aligeirar" de exigência para obter a qualificações em causa. O que eu não posso entender, é que as mesmas "Novas Oportunidades" estejam disponíveis para os mandriões que nunca estudaram (frequentaram o ensino sem aprovação) e nunca tiveram emprego, nem querem ter! Quando estudei, dei muito de mim, do meu tempo... esforcei-me muito; dormi pouco; perdi dias de praia e de desporto, música ou qualquer outro hobbie. Não admito, portanto, que alguém em poucos meses e com conhecimentos aligeirados se equipare à formação que obtive, e possa agora concorrer a um curso superior, onde com 3 anos acede a uma licenciatura... a mesma que me custou 5 anos!

A conversa prosseguiu com o estado do ensino actual, onde não se chumba até ao 9.º ano... mesmo quando não se vai às aulas!!! Ou à maior parte delas!!! É que os níveis de tolerância actuais são, no mínimo, ridículos! Um dos professores contava a pressão que existe da DREN para não chumbar ninguém... e as provas de recuperação para quem se balda... o ridículo de um sistema criado para quem não quer fazer nada, para os inaptos, para favoreces os imbecis e mediocres... Dizia ainda, que praticamente só conseguia chumbar os alunos por faltas... Falava da necessidade de explicações e justificações adicionais para chumbar um aluno, tendo inclusivamente já ridicularizado os inspectores da DREN, quando lhe questionavam sobre o porquê de não dar aprovação. Referia que os inspectores da DREN deveriam preocupar-se mais em obter justificações de como se aprova um aluno que faltou a mais de 50% das aulas e não o oposto! Isso sim, mereceria uma justificação muito detalhada e apertada. É claro que este professor foi criticado, unanimente, no balneário por ser demasiado rigoroso! As gargalhadas soaram bem alto!

Desta forma passou-se ao tema seguinte: mercado de emprego. De facto, a mediocridade reina. As pessoas não têm a mínima ideia da obrigação que têm de gerar valor; de serem produtivas e pró-activas. Cada posto de trabalho deve ser tido como uma empresa: se o serviço prestado não é o melhor, contrata-se outro. Da mesma forma, quando a remuneração e as condições de trabalho não são as melhores, procuram-se outros clientes. A obrigação de garantir o longevidade das empresas passa exclusivamente pela competitividade das mesmas. E isso só se consegue com o empenho máximo, a todo o momento, de todos os que diariamente auferem um salário. Infelizmente, e cada vez mais, se semea a mentalidade da irresponsabilidade e da mediocridade, sendo a responsabilidade final sempre da entidade patronal que tem como dever absoluto pagar e nada exigir.

Esta semana também gostei de ouvir o tão respeitável e ilustre Pápa, quando afirmou que o uso do preservativo é uma das causas da proliferação da sida em África... especialmente em África! Cada vez mais a Igreja reforça a sua utilidade para com os mais desfavorecidos... quase que aposto que a seguir o Digníssimo Padre vai ordenar a venda de património da Igreja, contribuindo assim para diminuir a miséria no mundo, tal como têm feito algumas empresas e milionários.

Costuma-se dizer ainda que a crise existe para dois tipos de pessoas: para os mentirosos e para os preguiçosos! A confirmação está na profunda crise que a banca portuguesa atravessa... vejam lá que ao contrário dos bancos europeus, onde se passou de um cenário de lucros a profundos prejuízos, a banca portuguesa conseguiu continuar a crescer em termos de lucros... mas a uma taxa de crescimento inferior face a outros anos! Que chatice!

Não se escandalizem, portanto, por estarmos a caminhar para os 80% de miseráveis e 20% de milionários, tão tipicos do 3.º mundo. Sabem que mais: é merecido... Mas não pensem que estou de mal com a vida... Antes pelo contrário; tudo corre bem!

Sérgio

nota: imagens retiradas da internet; desconheço os autores.

14 março 2009

Tempo, precisa-se...

...ainda não censegui terminar o texto das férias... já lá vai mês e meio... já quase não me lembro das férias...

Sérgio


In that moment I was frozen out
Of a story that I knew all about
Then I called her in the evening
My depression started lifting

I won't let it kill me
This time
I won't let it kill me
This time

Up to the surface came a feeling
Left me useless
Left me reeling

I won't let it kill me
This time
I won't let it kill me
This time
When the beats run dry there's gonna be some blood
[repeat x6]

I won't let it kill me
This time
I won't let it kill me
This time

(Starsailor - This Time, On The Outside - 2006)

09 março 2009

Mais um devaneio dos 80's, este em versão 90's!

Com os meus cumprimentos e agradecimentos ao Mário!

Sérgio



06 março 2009

Guaranteed

"Into The Wild" é um daqueles filmes que todos devíamos ver, pelo menos uma vez...

Já aqui escrevi sobre o filme. Na altura algo me escapou, e que só mais tarde, em conversa com um amigo (também ele Sérgio) consegui sintetizar... Apesar de tudo o que de fantástico o filme nos traz, há um egoismo enorme na personagem principal... Viver a aventura é algo que todos temos direito, mas deixar atrás de nós um rasto de sofrimento e sensação de perda naqueles que tanto gostam de nós e a nós se dedicam... é algo que, no mínimo, devemos ponderar.
Não temos o direito de semear e estimular laços profundos com os outros, se os pretendemos partir a meio.

Sérgio




On bended knee is no way to be free
Lifting up an empty cup, I ask silently
All my destinations will accept the one that's me
So I can breathe...

Circles they grow and they swallow people whole
Half their lives they say goodnight to wives they'll never know
A mind full of questions, and a teacher in my soul
And so it goes...

Don't come closer or I'll have to go
Holding me like gravity are places that pull
If ever there was someone to keep me at home
It would be you...

Everyone I come across, in cages they bought
They think of me and my wandering, but I'm never what they thought
I've got my indignation, but I'm pure in all my thoughts
I'm alive...

Wind in my hair, I feel part of everywhere
Underneath my being is a road that disappeared
Late at night I hear the trees, they're singing with the dead
Overhead...

Leave it to me as I find a way to be
Consider me a satellite, forever orbiting
I knew all the rules, but the rules did not know me
Guaranteed

(Eddie Vedder - Guaranteed, B.S.O. Into The Wild)

05 março 2009

Poema

Apesar de não ser apreciador da música brasileira actual, tenho uma profunda admiração pela velha guarda e pelos seus seguidores. É mágica a forma como os brasileiros conseguem passar para a música determinado tipo de sentimentos e ideias tão simples... simples também são os textos e as músicas, mas com uma congroência quase imbatível.

Sérgio




Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo
Hoje eu acordei com medo mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente
Passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim, que não tem fim
De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio mas também bonito
Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás

(Poema - Cazuza)


04 março 2009

Until the Morning Comes...

...mais uma vez fica adiado o relato das férias de neve... já lá vai um mês, eu sei!

Entretanto, embalem-se com um dos temas que costumo usar como "João Pestana"... o sono tranquilo é garantido!

Sérgio

p.s.: sim, o sonho mantem-se vivo... espero que não se torne apenas numa ilusão...



My hands ‘round your throat
If I kill you now, well, they will never know
Wake me up if I’m sleeping
By the look in your eyes I know the time’s nearly come
Wake me up ‘cause I’m dreaming
Well, they’ll never believe what’s been happening here
But caught in my mind there’s a way to get out

Wake me up ‘cause I’m dreaming
Well they’ll never believe it
So hush now, my babe, please don’t cry
Everything’s gonna be alright
Hush now, darling, I can hear you’re screaming
Let me hold you until the morning comes

So tell me this is what you want
You can whisper it soft or you can scream it out loud
‘Cause there’s still time to change your mind
But do it now before tomorrow comes

Wake me up ‘cause I’m dreaming
Well, they’ll never believe it
So hush now, my babe, please don’t cry
Everything’s gonna be alright
Hush now, darling, I can hear you’re screaming
Let me hold you until the morning comes

Until the morning comes

The light is fading
But the stars are dancing bright
My mind is racing like clouds across the sky
How did you make me go... this far?

(Tindersticks - Until the Morning Comes)

21 fevereiro 2009

Cartas de Amor Ridículas...

Como dizia a Maria Bethânia, todas as cartas de amor são ridículas... mas quem nunca escreveu cartas de amor?... ridículas...



Muito pra mim é nada
Tudo pra mim não basta
Eu quero cada gesto
Cada palavra
Cada segundo da sua atenção

Faça isso por mim
Leve a dor pra longe daqui
Estou cansada de ouvir que eu só sei amar errado
Estou cansada de me dividir
No que é certo no amor

Quem é que vai dizer o que falar? Calar? Querer?

Eu quero absurdos
Quero amor sem fim
Quero te dizer que
Eu só sei amar assim...

(Eu só sei amar - Zizi Possi)

Sérgio

18 fevereiro 2009

...but my heart's in the right place and this I know...

Este som é como um abraço...


I go to bed real early
Everybody thinks it's strange
I get up early in the morning
No matter how disappointed i was
With the day before
It feels new

I don't leave the house much
I don't like being around people
Makes me nervous and weird
I don't like going to shows either
It's better for me to stay home
Some might think it means i hate people
But that's not quite right

I do some stupid things
But my heart's in the right place
And this i know

I got a dog
I take him for a walk
And all the people like to say hello
I'm used to staring down at the sidewalk cracks
I'm learning how to say hello
Without too much trouble

I'm turning out just like my father
Though i swore i never would
Now i can say that i have a love for him
I never really understood
What it must have been like for him
Living inside his head

I feel like he's here with me now
Even though he's dead

It's not all good and it's not all bad
Don't believe everything you read
I'm the only one who knows what it's like
So i though i'd better tell you
Before i leave

So in the end i'd like to say
That i'm a very thankful man
I tried to make the most of my situations
And enjoy what i had
I knew true love and i knew passion
And the difference between the two
And i had some regrets
But if i had to do it all again
Well, it's something i'd like to do

(Eels, things the grandchildren should know - blinking lights and other revelations - 2005)

Sérgio

14 fevereiro 2009

Esta já é a sério...

...e é das músicas mais bonitas que alguma vez ouvi. Nem sou grande apreciador de música brasileira, mas confesso que esta voz "mexe" com a minha alma... É daqueles temas que "vivemos" mais cada som e cada palavra, quando estamos apaixonados... não uma paixão qualquer, não apenas um amor... mas aquele amor que nos vai acompanhar a vida toda!

...hoje até é dia dos namorados!


Se o mundo for desabar
sobre a sua cama
E o medo se aconchegar
sob o seu lençol
E se você sem dormir
tremer ao nascer do sol
Escute a voz de quem ama
ela chega aí
Você pode estar
tristíssimo no seu quarto
Que eu sempre terei
meu jeito de consolar
É só ter alma de ouvir,
e coração de escutar
E nunca me farto
do uníssono com a vida
Eu sou, sou sua sabiá
Não importa
onde for vou te catar
Te vou cantar te vou
te vou te vou te vou
Eu sou, sou sua sabiá
O que eu tenho eu te dou
E tenho a dar
Só tenho a voz cantar,
cantar, cantar, cantar

Sérgio

Esta é para rir...

Quando tinha 16 anos, além de ser aficcionado pela Kim Wilde (mais por ela que pela música... embora fosse fã desde 1982 de "kids in América", o tema de lançamento da cantora... e bem mais interessante que a carreira posterior, que passou de rock a pop comercial), esta era a música que cantáva quando me apaixonava!

Hoje de manhã entrei no carro da minha mãe e este "you came" saíu do rádio sintonizado da M80. É engraçado como passaram 20 anos... mudam-se as músicas... mas não os sentimentos!

Someone I know is staring at me
And when I look into her eyes
I see a girl that I used to be
I hardly recognise
'Cos in the space of a year
I've watched the old me disappear
All of the things I once held precious
Just dont mean anything anymore
'Cos suddenly

You came, and changed the way I feel
No one could love you more
Because you came and turned my life around
No one could take your place

I've never felt good with permanent things
Now I don't want anything to change
You can't imagine the joy you bring
My life wont be the same
And I'll be there when you call
I'll pick you up if you should fall
'Cos I have never felt such inspiration
Nobody else ever gave me more because

You came, and changed the way I feel
No one could love you more
Because you came and turned my life around
No one could take your place

I watch you sleep in the still of the night
You look so pretty when you dream
So many people just go through life
Holding back, they dont say what they mean
But its easy for me
Since you came
No one could love you more
Because you came and turned my life around
No one could take your place
You came, and changed the way I feel
No one could love you more
Because you came and turned my life around
No one could take your place.

(Written by ricky & kim wilde)

Sérgio

12 fevereiro 2009

A Nossa Praia...

(Enquanto não consigo tempo para escrever sobre as tão abençoadas férias de neve da passada semana, deixo-vos com um sonho recorrente... o tempo passa, mas o sonho repete-se...).


Sonho contigo, sereia do meu coração... sonho connosco a passear na praia ao final do dia... O Sol acusa serem mais de 7 horas da tarde e estarmos no fim do Verão.

Este é um cenário que conheço bem. No Verão tento sempre sair mais cedo da empresa e passear sozinho na praia ao final do dia. A essa hora o Sol já não é quente, mas é envolvente ainda... O Mar parece ter acalmado e cansado de um dia de ondas, mostra-se mais brando e tranquilo; o mergulho é apetecível e demonstra-se mais rejuvenescedor que qualquer outro... o arrepio da água fria e o arrefecer de fim de tarde, obrigam o corpo a reagir à diferença térmica, o que exponencia a sensação de relaxamento. Depois, subo a duna e preparo uma bebida para mim e para o meu Pai, enquanto acendemos o churrasco e grelhamos o jantar... sempre com a minha mãe por perto, que nos brinda com iguarias únicas, que prontamente nos deliciam num jantar descontraído... estamos vestidos com t-shirts e calções e jantamos no alpendre, iluminados por os últimos raios de Sol do dia... os mais emblemáticos pela sua coloração avermelhada...

No meu sonho passeio pela praia contigo. Ambos conversamos e sorrimos... ambos vivemos aquele momento como se fosse o último dia em que o pudéssemos viver... Aproveitamos na plenitude cada momento um do outro, cada toque das nossas mãos, cada abraço... cada palavra... cada brisa, cada pedacinho de areia molhada nos nossos pés, cada gota de água do mar que sobe pela areia até nós trazida por uma onda meiga e acariciante, cada momento de luz daquele Sol vigilante... cobertos por um céu cheio de tons brandos, desde o azul ao laranja... A tua voz meiga e o teu riso inebriante são tudo o que preciso para considerar a vida como o que de mais desejável posso ambicionar. É nestes momentos que vejo como nos complementamos e como na verdade somos um só... arrancar essa parte de mim, a melhor parte, a tua parte, torna a vida um vazio sem graça... O teu sorriso, os teus olhos são os tónicos da minha alma... São eles que me fazem acordar com um sorriso e começar a sonhar imediatamente com tudo o que de bom vou voltar a viver mais um dia. A tua pele e o teu abraço são tudo o que quero proteger; o teu carinho é o meu maior protector e revitalizador... és tu que me tornas forte e indestrutível... és tu que me fazes respirar... O teu corpo é a cama que me abraça ao final do dia e as tuas mãos o unguento que me cura das intempéries do dia a dia. O meu desejo... é ser para ti tanto ou mais do que tu és para mim, representas, complementas e completas...

A praia está praticamente deserta... talvez já estejamos em Setembro... e os veraniantes já se tenham recolhido... mas não estamos sós... Connosco passeia pela praia uma pequena sereia... que hora corre, ora chapina na água, ora desenha na areia lisa da descida da maré... ora pendura-se nos nossos braços, ora trepa para os meus ombros. Ri muito e muito alto! As gargalhadas dela conseguem calar o imenso oceano, que para a ouvir parece suspender momentâneamente as ondas, já de si mais tranquilas. Ela é como tu... tem cabelo castanho, com fios aloirados agora pelo Sol de Verão... morena... como tu... ou será mesmo do tempo de praia... Tem os teus olhos brilhantes, a boca expressiva e as bochechas mais fofas do mundo... Apesar da ténua idade, transcreve um corpo de sereia... um decalque teu... É linda e encanta-me vê-la correr e gritar os nossos nomes.

Se um dia puder escolher o meu "paraíso", será este o meu momento... o momento que quero aprisionar no tempo... o momento que quero recordar na velhice. E quando fechar os olhos, terei um sorriso tranquilo no rosto... de satisfação de quem viveu sabiamente porque assumiu a plenitude dos sentimentos, que momento a momento, o Presente nos dá (e é mesmo um presente!). A satisfação de quem soube amar, porque confiou no coração, e não na mente, sempre afectada pelos juízos estereotipados e experiências em que tendemos a julgar diferentes pessoas pelo mesmo padrão... e de quem deu à pessoa que mais mereceu tudo o que tinha dentro de si, sem medir esforços para a complementar e fazer tão feliz quanto eu próprio sou com ela... sem medir ou comparar... sem deve e haver... sempre de peito aberto, boa fé e sem receios de traição ou dissabores... porque também atraímos o que pensamos. A satisfação de ter a consciencia tranquila, porque servi com satisfação todos os que por mim se cruzaram, recordando as boas experiências que celebraram boas relações pessoais, e rapidamente esquecendo os episódios desagradáveis... deixando o peso de consciencia a cargo dessas pessoas que por momentos tiveram medo... medo de viver plenamente... e tendo esperança que esse sentimento inconveniente os faça mudar... afinal, a única justiça eficaz é a da nossa consciência.

Sonho contigo... connosco...

Sérgio

29 janeiro 2009

Para ti...

...que estás a ser teimosa contigo mesma... se o passado ainda tivesse o peso que te impede de dar o próximo passo, nunca o ponderarias dar...

Sérgio


vai caminhando desamarrado
dos nós e laços que o mundo faz
vai abraçando desenleado
de outros abraços que a vida dá

vai-te encontrando na água e no lume
na terra quente até perder
o medo, o medo levanta muros
e ergue bandeiras pra nos deter

não percas tempo, o tempo corre
só quando dói é devagar
e dá-te ao vento como um veleiro
solto no mais alto mar

liberta o grito que trazes dentro
e a coragem e o amor
mesmo que seja só um momento
mesmo que traga alguma dor

só isso faz brilhar o lume
que hás-de levar até ao fim
e esse lume já ninguém pode
nunca apagar dentro de ti

(Mafalda Veiga - O Lume)

22 janeiro 2009

A música que gosto de ouvir quando entro para o carro de manhã...

...e nem é banda que aprecie muito!

Sérgio



An old fairytale told me
The simple heart will be prized again
A toad will be our king
And ugly ogres are heroes

Then you'll shake
Your fist at the sky
"Oh why did I rely
On fashions and small fry?"

All promises broken
Feed your people or lose your throne
And forfeit your whole kingdom
I'd sooner lose it than still live in it alone

You were our golden child
But the gentle and the mild
Inherit the earth, while

Your prince's crown
Cracks and falls down
Your castle hollow and cold
You've wandered so far
From the person you are
Let go brother, let go
Cos now we all know

Soon, someone will put a spell on you
Perfume, treasure, sorcery, every trick they know
You will lie in a deep sleep
That's when

Your prince's crown
Cracks and falls down
Your castle hollow and cold
You've wandered so far
From the person you are
Let go brother, let go
Cos now we all know

(Keane - The Frog Prince, Under the Iron Sea)

14 janeiro 2009

Austrália.


É um dos países que mais curiosidade tenho em conhecer e sobre o qual roda em mim uma imagem paradisíaca, mas também cheia de magia e sobrenaturalidade. Os próprios animais tão característicos como o canguru, o koala ou o ornitorrinco, demonstram o misticismo desta região, além de tudo o que ouvimos os nativos arborígenas. Sobre estes há muitas histórias e lendas... dizem que conseguem manipular as forças da natureza, como por exemplo a chuva ou um raio no meio de uma tempestade. Sobre os seus poderes espírituais muito mais se conta... por exemplo, diz-se que conseguem absorver a força de um animal, podendo saltar como um canguru, ou serem fortes como um gorila... É concerteza este contexto tão indefinido quanto misterioso, que levou (talvez pelo medo) a que os neozelandeses lançassem o preconceito sobre estes nativos... Um tanto ao estilo do que a igreja fez na Europa há séculos atrás em relação a outros inimigos que não conseguia vencer.

Austrália é também o nome da recente produção cinematográfica norte-americana. Daquelas que está condenada ao sucesso mesmo antes de estar terminada... e que me cria alguma alergia, fazendo perder qualquer vontade de ir ver o filme... Mas a verdade é que fui... ao fim de alguma insistência, acabei por ir... Não há nada como um bom convite!

Por detrás de uma historinha de amor e de um filme cor-de-rosa está uma mensagem profunda... ao alcance de quem a quiser enfrentar... porque o filme está longe de ser dirigido a mentes eruditas. Posso dizer-vos que adorei! E até deu para encher os olhos de água...

O mais importante na vida são as histórias... histórias do que vivemos e do que sentimos... do que outros viveram e como sentiram esses momentos... e como os contam. Esta é uma das mensagens mais giras do filme, especialmente porque narrada pela ingenuidade infantil de um miúdo arborígena.

Da história cor-de-rosa nada vou escrever... é igual às outras... e faria perder o interesse em que for ver o filme. Prefiro "picar" um tanto mais a curiosidade de quem me lê, com o que vou escrever a seguir. Ainda que de forma resumida... tal como a linguagem arbirígena...

A mensagem que fica é que quando não amamos, quando fugimos dos nossos sentimentos, estamos mortos... vazios... e infelizes! Quando temos medo de amar e de sofrer a falta de outra pessoa, em vez de acreditar na magia dos sonhos e na nossa capacidade de os fazer acontecer, não seremos felizes, nem nunca viveremos plenamente. Sem o misticismo dos sentimentos a vida não tem côr nem sentido. No fundo, é atrás dos nossos medos que se esconde a nossa maior felicidade. E quando tudo parece perdido, basta continuar a acreditar para que a vida, por si só, nos traga a solução... e que neste filme surge através da música, a mais misteriosa de todas as artes (e a mais completa para mim). Basta para tal não travarmos o que naturalmente nos sucede: o sucesso dos nossos sonhos sobre o presságio dos nossos medos e receios.

No fundo, passamos a vida a contrariar a natureza e a nossa felicidade... mas se vivermos em sintonia com esta, poderemos beneficiar do que conspira em nosso favor. E é tão simples... Basta conseguirmos controlar o nosso cérebro que nos leva constantemente para o martírio de "supostos" erros no passado, ou para o planeamento e controlo absoluto de cada passo no futuro... deixando de viver e saborear o momento... o presente... a única coisa que realmente é real. Começa por ser um preconceito classificar certos actos como erros... sem estes não evoluiríamos; não saberíamos o que aconteceria se actuassemos de forma diferente... ou não actuassemos! O futuro deve ser construído a partir das vivências do presente e não abdicando destas, contrariando o leque de sentimentos, habituando-nos a viver sem sentir o que o presente nos oferece, em prol de um suposto "planeamento" que vai contra o que mais natural seria: tirar partido das vivências presentes, em vez de tentar construir um futuro baseado apenas em pensamentos, preconceitos e ideias pré-concebidas.

Para viver feliz, em sintonia com a natureza e beneficiando da sua perfeição, é mesmo necessário fazermos a nossa "viagem ritual"... arriscar... enfrentar o desconhecido... sem ter nem saber quer armas vamos ter e que desafios vamos enfrentar.

Sérgio

11 janeiro 2009

I'm loosing you...

Dedicado à mulher mais misteriosa do mundo.

Sérgio






Here in some stranger's room,
Late in the afternoon,
What am I doing here at all?
Ain't no doubt about it,
I'm losing you,
Somehow the wires have crossed,
Communication's lost,
Can't even get you on the telephone,
Just got to shout about it,
I'm losing you,
Here in the valley of indecision,
I don't know what to do,
I feel you sliping away,
I feel you sliping away,
I'm losing you,
I'm losing you,
You say your not getting enough,
But I remind you of all that bad stuff,
So waht the hell am I supposed to do?
Just put a bandaid on it?
And stop the bleeding now,
Stop the bleeding now,
I know I hurt you then,
But that was way back when,
And well, do you still have to carrey that cross?
Don't want to hear about it,
I'm losing you,
I'm losing you.

(I'm loosing you, John Lennon)

Stay...

...don't stay in front of the computer... take the Craig Armstrong album, turn it on the stereo, and stay... with me... just earing it!

Sérgio



Green light, Seven Eleven
You stop in for a pack of cigarettes
You don't smoke, don't even want to
Hey now, check your change
Dressed up like a car crash
Your wheels are turning but you're upside down
You say when he hits you, you don't mind
Because when he hurts you, you feel alive
Hey babe, is that what it is

Red lights, gray morning
You stumble out of a hole in the ground
A vampire or a victim
It depend's on who's around
You used to stay in to watch the adverts
You could lip synch to the talk shows

And if you look, you look through me
And when you talk, you talk at me
And when I touch you, you don't feel a thing

If I could stay...
Then the night would give you up
Stay...and the day would keep its trust
Stay...and the night would be enough

Faraway, so close
Up with the static and the radio
With satelite television
You can go anywhere
Miami, New Orleans
London, Belfast and Berlin

And if you listen I can't call
And if you jump, you just might fall
And if you shout, I'll only hear you

If I could stay...
Then the night would give you up
Stay...then the day would keep its trust
Stay...with the demons you drowned
Stay...with the spirit I found
Stay...and the night would be enough

Three o'clock in the morning
It's quiet and there's no one around
Just the bang and the clatter
As an angel runs to ground

Just the bang
And the clatter
As an angel
Hits the ground

(Stay, U2 - Zooropa, 1993)

08 janeiro 2009

If only I could change your mind...

...seria uma possibilidade... mas preferia que me entendesses...

Sérgio



I prefer to spend my time in solitary ways
Keeping myself to myself
Can't pretend that it's been easy since you went away
Living with somebody else

If you should change your mind
If you should turn around and look behind
If you could see me the way I used to be
At the risk of bringing back the sorrow and despair
I would do it all again
Holding on to memories and pretending not to care
Knowing that the show was soon to end
If only I could change your mind
If only you would change
If I had the chance I'd do it all again
I would do it all again

I remember windy shores on menancholy days
Drifting along with the tide
And the joy of simple things and ordinary ways
Taking it all in my stride

If you should change your mind
If I could let you see what lies behind
If you could see need me the way it used to be

Even for the moment of the happy times we shared
Living in my dreams since then
At the risk of losing only castles in the air
Come with me and we can try again
Oh, if I could change your mind

Can't pretend it's been lonely since you went away
Oh, if I could change your mind

(Alan Parsons Project, EVE - If I Could Change Your Mind)

The Meeting...

Para quando...

Sérgio



Surely I could tell
When I sleep tonight
A dream will call
And raise it's head in majesty
Dividing all my energy
To the meeting of your love

Where from whence it came
Like a singer searching for a song
I try to reach where you belong
As I will be the song for you
I will be your servant child

No, oh no
I cannot be deceived
No, oh no
There's something
That I feel
There's something that I feel inside

Surely I could tell
If you ask me Lord
To board the train

My life my love would be the same
As I could be the one for you
In the meeting of your love
In the meeting of your love

(The Meeting - Anderson, Braford, Wakeman and Howe)

Ilumina-me...

...totalmente perdido.

Sérgio




Gosto de ti como quem gosta do sábado,
Gosto de ti como quem abraça o fogo,
Gosto de ti como quem vence o espaço,
Como quem abre o regaço,
Como quem salta o vazio,
Um barco aporta no rio,
Um homem morre no esforço,
Sete colinas no dorso
E uma cidade p'ra mim.

Gosto de ti como quem mata o degredo,
Gosto de ti como quem finta o futuro,
Gosto de ti como quem diz não ter medo,
Como quem mente em segredo,
Como quem baila na estrada,
Vestido feito de nada,
As mãos fartas do corpo,
Um beijo louco no porto
E uma cidade p'ra ti.

Enquanto não há amanhã,
Ilumina-me, Ilumina-me.
Enquanto não há amanhã,
Ilumina-me, Ilumina-me.

Gosto de ti como uma estrela no dia,
Gosto de ti quando uma nuvem começa,
Gosto de ti quando o teu corpo pedia,
Quando nas mãos me ardia,
Como silêncio na guerra,
Beijos de luz e de terra,
E num passado imperfeito,
Um fogo farto no peito
E um mundo longe de nós.

Enquanto não há amanhã,
Ilumina-me, Ilumina-me.
Enquanto não há amanhã,
Ilumina-me, Ilumina-me.

(Pedro Abrunhosa, Luz, Ilumina-me)