20 dezembro 2008
Quando é a Alma a Falar...
Por mais que a vida nos agarre assim
Nos troque planos sem sequer pedir
Sem perguntar a que é que tem direito
Sem lhe importar o que nos faz sentir
Eu sei que ainda somos imortais
Se nos olhamos tão fundo de frente
Se o meu caminho for por onde vais
A encher de luz os meus lugares ausentes
É que eu quero-te tanto
Não saberia não te ter
É que eu quero-te tanto
É sempre mais do que te sei dizer
Mil vezes mais do que eu te sei dizer
Por mais que a vida nos agarre assim
Nos dê em troca do que nos roubou
Às vezes fogo e mar, loucura e chão
Às vezes só a cinza que sobrou
Eu sei que ainda somos muito mais
Se nos olhamos tão fundo de frente
Se a minha vida for por onde vais
A encher de luz os meus lugares ausentes
É que eu quero-te tanto
Não saberia não te ter
É que eu quero-te tanto
É sempre mais do que te sei dizer
Mil vezes mais do que eu te sei dizer
(Imortais - Mafalda Veiga, Chão, 2008)
Sérgio
17 dezembro 2008
You're My Home
Sérgio

When you look into my eyes
And you see the crazy gypsy in my soul
It always comes as a surprise
When I feel my withered roots begin to grow
Well I never had a place that I could call my very own
That's all right, my love, 'cause you're my home
When you touch my weary head
And you tell me everything will be all right
You say, "Use my body for your bed
And my love will keep you warm throughout the night"
Well I'll never be a stranger and I'll never be alone
Whenever we're together, that's my home
Home can be the Pennsylvania Turnpike
Indiana's early morning dew
High up in the hills of California
Home is just another word for you
Well I never had a place that I could call my very own
That's all right, my love, 'cause you're my home
If I travel all my life
And I never get to stop and settle down
Long as I have you by my side
There's a roof above and good walls all around
You're my castle, you're my cabin and my instant pleasure dome
I need you in my house 'cause you're my home.
You're my home.
(Billy Joel - Piano Man, 1973)
http://www.youtube.com/watch?v=c4D40r-E7yk
11 dezembro 2008
Love Is Where You Are...

Sérgio
08 dezembro 2008
A Noite Passada...

descias o Douro e eu fui esperar-te ao Tejo
vinhas numa barca que não vi passar
corri pela margem até à beira do mar
até que te vi num castelo de areia
cantavas "sou gaivota e fui sereia"
ri-me de ti "então porque não voas?"
e então tu olhaste
depois sorriste
abriste a janela e voaste
A noite passada fui passear no mar
a viola irmã cuidou de me arrastar
chegado ao mar alto abriu-se em dois o mundo
olhei para baixo dormias lá no fundo
faltou-me o pé senti que me afundava
por entre as algas teu cabelo boiava
a lua cheia escureceu nas águas
e então falámos
e então dissemos
aqui vivemos muitos anos
A noite passada um paredão ruiu
pela fresta aberta o meu peito fugiu
estavas do outro lado a tricotar janelas
vias-me em segredo ao debruçar-te nelas
cheguei-me a ti disse baixinho "olá",
toquei-te no ombro e a marca ficou lá
o sol inteiro caiu entre os montes
e então olhaste
depois sorriste
disseste "ainda bem que voltaste"
Sérgio
05 dezembro 2008
Captain Jack
"Saturday night and you're still hangin' around
You're tired of livin' in your one horse town
You'd like to find a little hole in the ground for a while
So you go to the village in your tie-dye jeans
And you stare at the junkies and the closet queens
It's like some pornographic magazine, and you smile
But Captain Jack will get you high tonight
And take you to your special island
Captain Jack will get you by tonight
Just a little push 'n' you'll be smilin'
Oh yeah, yeah
Your sister's gone out, she's on a date
And you just sit at home and masturbate
Your phone is gonna ring soon,
But you just can't wait, for that call
So you stand on the corner in your new English clothes
And you look so polished from your hair down to your toes
But still your fingers gonna pick your nose, after all
But Captain Jack will get you high tonight
And take you to your special island
Captain Jack will get you by tonight
Just a little push 'n' you'll be smilin'
Oh yeah, yeah
So you decide to take a holiday
You got your tape deck and your brand new Chevrolet
Ah, but there's no place to go anyway and what for
You've got everything, but nothin's cool
They just found your father in the swimming pool
And you guess you won't be going back to school anymore
But Captain Jack will get you high tonight
And take you to your special island
Captain Jack will get you by tonight
Just a little push 'n' you'll be smilin'
La da, da
Oh yeah, yeah
So you play your albums and you smoke your pot
And you meet your girlfriend in the parking lot
Oh, but still you're aching for the things you haven't got,
What went wrong
And if you can't understand why your world is so dead
And why you've got to keep in style and feed your head
Well, you're twenty one and still you mother makes your bed
And that's too long
But Captain Jack will get you high tonight
And take you to your special island
Captain Jack will get you by tonight
Just a little push 'n' you'll be smilin'
Yeah, Captain Jack will get you by tonight
Yeah, Captain Jack will get you by tonight"
Sérgio
01 dezembro 2008
2 dias de férias!
Esta estrada, muito bem conservada, permite rodar depressa, fazer curvas rápidas e sempre com grandes margens de segurança e visibilidade. Mais à frente, uma bomba de gasolina. Aproveito para reabastecer, pois para trás já ficaram mais de 300 kms. O homem da bomba de gasolina é Português, ao que se segue conversa sobre gasolina mais barata e sobre a moto. Lindíssima diz ele! Mas prefere a Daytona (tem uma!).
Poucos quilómetros à frente encontro à direita o desvio para Portugal. Entro numa estrada estreita que atravessa o Parque Natural de Miranda do Douro; atravessa também algumas aldeias. Mas o mais caricato é que o referido Parque varia literalmente da água para o vinho! Ou seja, tem uma zona de vegetação verde e densa, que rapidamente se transforma numa “planície alentejana”, seca e árida.
Olhar para aqueles aparelhos é quase um privilégio... poder observar como uma estrutura tão frágil nos consegue suster no ar por tanto tempo. Mais, conseguimos ganhar altitude sem motor!
Finalmente percebi que ia voar numa sucata de metal (e não de fibra como os outros que lá estavam... lindos!) com 40 anos e de cor cinzenta. Mesmo assim era extremamente leve. Empurrei-o com o monitor do hangar até ao início da pista... demoramos para aí um quarto de hora! Eu já soava em bica... ainda por cima com calças e sapatilhas de andar de moto...
Assim foi até aos 1.200m; a esta altitude comecei a ficar zonzo... mas zonzo a sério. O piloto explicou-me que não era enjôo, mas sim o ouvido interno que não estava habituado a compensar em altitude; “...vai-se lá com o treino e com o hábito. Ao início todos estranhamos...” dizia ele. Como a coisa estava mesmo complicada, ele optou por me passar os comandos da aéronave. Segundo ele, ia ficar bom logo! E assim foi! De facto, acabaram-se as tonturas... E começou o êxtase total!
É incrível como um avião daqueles aterra facilmente... não usamos mais de 50m de pista! Devemos ter pousado nos primeiros 3m e o avião abrandou rapidamente. Só quando saí do planador é que percebi o porquê de não ser aconselhável vôos grandes para massaricos. De facto, voei mais de uma hora! Mas agora parecia que o chão não estava quieto... Só pensava agora em como levar a Scarlet até ao Porto! Ainda por cima, tinha de estar em casa antes das 8, porque um amigo fazia anos e tinha combinado levar a família lá para casa para comemorar!
Regressei ao IP4 e guiei tranquilamente. Estava uma tarde óptima para passear de moto. Não parei na área de serviço desta vez. Guiei seguido até bem mais à frente e parei numa zona de descanso antes de chegar a Vila Real.
Vejo um motard parado e paro ao lado dele. Eis que encontro um personagem VIP! Paulo Marta, da PSP de Vila do Conde e conhecido pelo envolvimento na iniciativa “A Estrada na Escola”. Falámos um bocadito... Ele vinha da concentração de Bragança. Estava orgulhoso da sua Fazer recém comprada... É muito bonita, diga-se de passagem. Lá nos fizemos à estrada! Ele ia para Vila do Conde e eu para Mindelo, portanto, o caminho era o mesmo... é claro que eu estava um tanto stressado com as horas... queria chegar cedo para tomar um banho antes do meu amigo chegar com a família. Claro também que o Paulo Marta é respeitador dos limites de velocidade... viemos a 130 kms/h e lá o forcei a chegar aos 150 numa altura ou outra... Parámos depois das portagens para nos despedirmos e seguimos para a A28. Na saída para Mindelo acenei-lhe um cumprimento de motard e fui para casa. Cheguei às 19h30, tomei o meu banho e depois fui brindado com um jantar fantástico: não me refiro só à comida, mas especialmente ao ambiente e às gargalhadas.
Sábado lá regressei ao trabalho... mas a vida de empresário é assim! Saudades do tempo em que trabalhava por conta de outrem... em que havia férias... feriados... fins-de-semana... vejam lá que até havia ordenado!
Sérgio
21 novembro 2008
O Verdadeiro Serviço Público!
'Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de idade de sessenta e dois anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos rabos dos cavalos, esquartejado o seu corpo e postos os quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguido e que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido com vinte e nove afilhadas e tendo delas noventa e sete filhas e trinta e sete filhos; de cinco irmãs teve dezoito filhas; de nove comadres trinta e oito filhos e dezoito filhas; de sete amas teve vinte e nove filhos e cinco filhas; de duas escravas teve vinte e um filhos e sete filhas; dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas, da própria mãe teve dois filhos. Total: duzentos e noventa e nove, sendo duzentos e catorze do sexo feminino e oitenta e cinco do sexo masculino, tendo concebido em cinquenta e três mulheres'.E agora vem o melhor...
'El-Rei D. João II lhe perdoou a morte e o mandou por em liberdade aos dezassete dias do mês de Março de 1487, com o fundamento de ajudar a povoar aquela região da Beira Alta, tão despovoada ao tempo, e guardar no Real Arquivo esta sentença, devassa e mais papéis que formaram o processo'.
Já não se fazem padres como antigamente!
Sérgio
20 novembro 2008
The Space Between...
You cannot quit me so quickly
Sérgio
Angie...
Polémicas à parte, uma melodia fantástica e uma letra arrepiante... e para mim, tem um destino bem determinado.
(Angie - Rolling Stones)
Sérgio
19 novembro 2008
Hard Headed Woman...
One who will take me for myself,
And if I find my hard headed woman,
I won't need nobody else, no, no, no.
I'm looking for a hard headed woman,
One who will make me do my best,
And if I find my hard headed woman
I know the rest of my life will be blessed -- yes, yes, yes.
I know a lot of fancy dancers,
People who can glide you on a floor,
They move so smooth but have no answers.
When you ask why'd you come here for?
I don't know why?
I know many fine feathered friends
But their friendliness depends on how you do.
They know many sure fired ways
To find out the one who pays
And how you do.
I'm looking for a hard headed woman,
One who will make me feel so good,
And if I find my hard headed woman,
I know my life will be as it should -- yes, yes, yes.
I'm looking for a hard headed woman,
One who will make me do my best,
And if I find my hard headed woman...
(Cat Stevens, Hard Headed Woman)
Sérgio
Isto é que é tocar guitarra!
Crazy, how it, feels tonight.
Crazy, how you, make it all alright love.
You crush me, with the, things you do,
I do, for you, anything too oh.
Sitting, smoking, feeling high.
And in this, moment, ah, it feels so right.
Lovely lady, I am at your feet, oh, God I want you so badly.
And I wonder this could tomorrow be so wondrous as you there sleeping.
Lets go, drive til, the morning comes.
And watch the, sunrise, and fill our souls up.
Well drink some, wine til, we get drunk, yes...
Its crazy, I'm thinking, just knowing that the world is around.
I'm here I'm dancing on the ground.
Am I right side up or upside down, and is this real, or am I dreaming?
Lovely lady, let me drink you, please, I wont spill a, drop no, I promise you.
Lying under this spell you cast on me.
Each moment the more, I, love, you. crush me, come on. oh, yes.
Its crazy I'm thinking, just knowing that the world is around.
I'm here I'm dancing on the ground.
Am I right side up or upside down?
Is this real, oh lord, or am I dreaming?
Lovely lady, I will treat you sweetly, adore you, I mean, you crush me.
Oh its times like these when my faith I feel.
I know, how, I, love, you. come on, come on, baby.
It's crazy, I'm thinking just as long as you're around.
I'm here I'll be dancing on the ground.
Am I right side up or upside down?
To each other, well be facing.
My love, my love, well beat back the pain we've found.
You know, I mean to tell you all the things I've been thinking, deep inside my
Friend.
With each moment the more I love you. crush me, come on, baby.
So much you have, given love, that I would give you back again and again.
Oh, the love, many now hold you but please, please, just let me, always...
(Dave Matthews & Tim Reinolds - Crush)
Sérgio
17 novembro 2008
ADN
Este ADN é do Grande Alexandre Garret, meu colega de curso. Para ele um grande abraço!
Nesta não vale a pena por a letra... o que importa é o "Tu e Eu"!
Sérgio
14 novembro 2008
The Way It Always Starts...
O tema em causa é de Gerry Rafferty e não de Mark Knopfler, ou mesmo dos Dire Straits como o video parece querer mostrar e na internet é anunciado... aliás, este não é o video que eu queria aqui colocar... é o único que encontrei...
Tudo isto para suprir uma certa saudade deste som, que me tem aferido nestes últimos dias... afinal, that's the way it always starts...
It gets so dark before the dawn
That's when it gets to me
Before the city symphony of taxi horns
That's the way it always starts,
Sitting here and waiting on the beating of my heart.
Last night I thought I heard my name
Well it was too dark to see, but it had to be,
The voice was just the same
That's the way it always starts,
Sitting here and waiting on the beating of my heart.
So tell me why should it have to be this way
Why can't it be all right,
Why can't I sleep at night?
Why should it have to be this way?
Why must there be this price to pay?
Now all the streets are dark and bare,
Oh, if you can live in this town,
And stick around, you can live anywhere
That's the way it always starts,
Sitting here and waiting on the beating of my heart.
09 novembro 2008
Quantum of Solace.
Em relação a este filme, não posso deixar de mostrar a minha decepção... Infelizmente, prima pela vulgaridade de um qualquer filme de acção. Claro que tem alguns pormenores requintados... mas falta-lhe essência. Um dos aspectos que imediatamente se nota mal o filme começa, é a ausência de uma banda sonora adequada e à altura de todo o pedigri que estes filmes têm... Infelizmente Daniel Craig não é nada bem acompanhado musicalmente... e nos seus 2 filmes, a música peca pela vulgaridade... não tem identidade própria, ao contrário dos outros temas, que mesmo sem qualquer apresentação, imediatamente percebemos a sua origem... têm um ADN e uma envolvência próprios. É mesmo uma pena, que se calhar, o melhor actor de sempre na pele de James Bond, não seja acompanhado pelo requinte das produções anteriores. Ou será que estamos em contenção de custos?...
O filme, tal como o anterior (Casino Royal) dá-nos a conhecer um James Bond muito mais "humano". Também se magoa (em vários aspectos) e a sua supremacia assenta bem mais no seu porte físico e mental, do que nos gadjets a que fomos habituados durante 21 filmes em quase quarenta anos. No entanto, retirar o célebre Mr. Q (mais recentemente John Cleese) de cena é uma falha que desvirtua significativamente estes dois últimos episódios. O carro, o relógio, a caneta e o telefone fazem parte desta personagem; sem ela, não têm razão de ser. Por exemplo este filme começa com uma perseguição, que na minha opinião tem logo dois defeitos. Em primeiro lugar, um Aston Martin DBS é bem mais rápido que um Alfa Romeu 159... portanto, pelo menos em alguns sitios, deveria ganhar alguma distância. Em segundo lugar, sem os gadjets de Mr. Q, James Bond não precisa do seu próprio automóvel... qualquer um servia para fazer o que aquele fantástico Aston Martin fez. O relógio é apenas uma vez filmado e como peça de adorno pessoal. Canetas não há... há um telefone com GPS...
A necessidade de tornar o agente secreto mais violento, mais rápido e mais actual, acabou por desvirtua-lo... Também já não bebe vodka-martini (shaked, but not disturbed... who cares?!) e parece ter perdido o seu melhor humor, very british... Espero que pelo menos não deixe de usar a frase mais conhecida de toda a produção cinematográfica: "My name is Bond... James Bond.".
Sérgio
05 novembro 2008
Parabéns SOL!!!
Parabéns por seres a musa "inspiradora" de tudo o que faço e crio. Parabéns por seres o meu tónico: a energia que me repõe todas as forças e me torna apto para todos os desafios. Tudo o que procuro no meu dia-a-dia é estar mais perto e mais exposto a ti. Procuro-te em todas as ruas e esquinas; por todas as estradas; em todas as praias e montanhas; em todas as ondas do mar... Parabéns por seres o motivo de tudo. Parabéns por seres a alegria que rege e contamina tudo o que faço. Parabéns por fazeres parecer que fazes anos todos os dias... Parabéns por seres a minha sombra, estares sempre presente onde o meu imaginário está e seres aquele apoio, aquele empurrão, que faz toda a diferença nos nossos dilemas e hesitações. Quero sentir-te mais... não, não chega... só em todos os meus pensamentos, não chega... quero-te ao meu lado, junto a mim... quero-te em cada batimento do meu coração...
Anseio desde sempre conhecer-te, pessoalmente, tocar-te, sentir o teu cheiro, ouvir a tua voz, o teu sussurar... Por vezes sinto-te tão perto... e é nessas alturas que noto que te esvais, repentinamente, sem rasto, sem esperança de te ver, ou de ti me aproximar. A desilusão é pesada... como o cair da noite. Mas a esperança de ao outro dia iniciar um novo caminho de aproximação é maior ainda; mais forte! Tal como o teu re-aparecer matinal. E é com esse sonho que sou embalado entre os lençois e catapultado rapidamente para o sorriso do despertar... e tudo de novo começar!
Sérgio
24 outubro 2008
Saudade!!!
Esta semana, o tempo arrefeceu substancialmente... já tenho saudades do vento morno do Verão... mas o acordar das brisas matinais frias e do sol de hálito fresco, despertam-me... e até já ando de moto outra vez. O arrepio do frio, as pontas dos dedos e a cara fria são um tónico matinal fabuloso...
Este tema dos Love & Rockets (1986) relembra-me os finais de Verão em Vila Chã, e a saudade e nostalgia que a última quinzena de Agosto me provoca. "Saudade", título do tema, é uma palavra portuguesa de difícil tradução noutras línguas. A música é uma língua universal e esta banda soube traduzi-la na perfeição neste instrumental. As imagens não são propriamente as que mais eu gostaria... mas é o que há!
Mas nesta busca encontrei algo fantástico! Uma versão portuguesa do tema, para a banda sonora de filme, também ele português ("Um Homem na Cidade)! Não tinha qualquer dúvida que os Love & Rockets se tinham inspirado na melancolia do povo português, na nossa língua e no som da guitarra portuguesa ao criarem este tema. Felizmente, mais alguém cá em Portugal conseguiu ver isto... ao contrário de 99% do país (o que se justifica inteiramente, pois não podem perder nenhum episódio de uma qualquer telenovela brasileira).
"A MENINA E O PÁSSARO ENCANTADO
Era uma vez uma menina que tinha um pássaro como seu melhor amigo.
Ele era um pássaro diferente de todos os demais: era encantado.
Os pássaros comuns, se a porta da gaiola ficar aberta, vão-se embora para nunca mais voltar. Mas o pássaro da menina voava livre e vinha quando sentia saudades… As suas penas também eram diferentes. Mudavam de cor. Eram sempre pintadas pelas cores dos lugares estranhos e longínquos por onde voava. Certa vez voltou totalmente branco, cauda enorme de plumas fofas como o algodão...
– Menina, eu venho das montanhas frias e cobertas de neve, tudo maravilhosamente branco e puro, brilhando sob a luz da lua, nada se ouvindo a não ser o barulho do vento que faz estalar o gelo que cobre os galhos das árvores. Trouxe, nas minhas penas, um pouco do encanto que vi, como presente para ti...
E, assim, ele começava a cantar as canções e as histórias daquele mundo que a menina nunca vira. Até que ela adormecia, e sonhava que voava nas asas do pássaro.
Outra vez voltou vermelho como o fogo, penacho dourado na cabeça.
– Venho de uma terra queimada pela seca, terra quente e sem água, onde os grandes, os pequenos e os bichos sofrem a tristeza do sol que não se apaga. As minhas penas ficaram como aquele sol, e eu trago as canções tristes daqueles que gostariam de ouvir o barulho das cachoeiras e ver a beleza dos campos verdes.
E de novo começavam as histórias. A menina amava aquele pássaro e podia ouvi-lo sem parar, dia após dia. E o pássaro amava a menina, e por isto voltava sempre.
Mas chegava a hora da tristeza.
— Tenho de ir — dizia.
— Por favor, não vás. Fico tão triste. Terei saudades. E vou chorar...— E a menina fazia beicinho...
— Eu também terei saudades — dizia o pássaro. — Eu também vou chorar. Mas vou contar-te um segredo: as plantas precisam da água, nós precisamos do ar, os peixes precisam dos rios... E o meu encanto precisa da saudade. É aquela tristeza, na espera do regresso, que faz com que as minhas penas fiquem bonitas. Se eu não for, não haverá saudade. Eu deixarei de ser um pássaro encantado. E tu deixarás de me amar.
Assim, ele partiu. A menina, sozinha, chorava à noite de tristeza, imaginando se o pássaro voltaria. E foi numa dessas noites que ela teve uma ideia malvada: "Se eu o prender numa gaiola, ele nunca mais partirá. Será meu para sempre. Não mais terei saudades. E ficarei feliz..."
Com estes pensamentos, comprou uma linda gaiola, de prata, própria para um pássaro que se ama muito. E ficou à espera. Ele chegou finalmente, maravilhoso nas suas novas cores, com histórias diferentes para contar. Cansado da viagem, adormeceu. Foi então que a menina, cuidadosamente, para que ele não acordasse, o prendeu na gaiola, para que ele nunca mais a abandonasse. E adormeceu feliz.
Acordou de madrugada, com um gemido do pássaro...
– Ah! menina... O que é que fizeste? Quebrou-se o encanto. As minhas penas ficarão feias e eu esquecer-me-ei das histórias... Sem a saudade, o amor ir-se-á embora...
A menina não acreditou. Pensou que ele acabaria por se acostumar. Mas não foi isto que aconteceu. O tempo ia passando, e o pássaro ficando diferente. Caíram as plumas e o penacho. Os vermelhos, os verdes e os azuis das penas transformaram-se num cinzento triste. E veio o silêncio: deixou de cantar.
Também a menina se entristeceu. Não, aquele não era o pássaro que ela amava. E de noite ela chorava, pensando naquilo que havia feito ao seu amigo...
Até que não aguentou mais.
Abriu a porta da gaiola.
– Podes ir, pássaro. Volta quando quiseres...
– Obrigado, menina. Tenho de partir. E preciso de partir para que a saudade chegue e eu tenha vontade de voltar. Longe, na saudade, muitas coisas boas começam a crescer dentro de nós. Sempre que ficares com saudade, eu ficarei mais bonito. Sempre que eu ficar com saudade, tu ficarás mais bonita. E enfeitar-te-ás, para me esperar...
E partiu. Voou que voou, para lugares distantes. A menina contava os dias, e a cada dia que passava a saudade crescia.
– Que bom – pensava ela — o meu pássaro está a ficar encantado de novo…
E ela ia ao guarda-roupa, escolher os vestidos, e penteava os cabelos e colocava uma flor na jarra.
– Nunca se sabe. Pode ser que ele volte hoje…
Sem que ela se apercebesse, o mundo inteiro foi ficando encantado, como o pássaro. Porque ele deveria estar a voar de qualquer lado e de qualquer lado haveria de voltar. Ah!
Mundo maravilhoso, que guarda em algum lugar secreto o pássaro encantado que se ama…
E foi assim que ela, cada noite, ia para a cama, triste de saudade, mas feliz com o pensamento: "Quem sabe se ele voltará amanhã...."
E assim dormia e sonhava com a alegria do reencontro.
P.S.: para o adulto que for ler esta história para uma criança.
Esta é uma história sobre a separação: quando duas pessoas que se amam têm de dizer adeus...
Depois do adeus, fica aquele vazio imenso: a saudade.
Tudo se enche com a presença de uma ausência.
Ah! Como seria bom se não houvesse despedidas...
Alguns chegam a pensar em trancar em gaiolas aqueles a quem amam. Para que sejam deles, para sempre... Para que não haja mais partidas...
Poucos sabem, entretanto, que é a saudade que torna encantadas as pessoas. A saudade faz crescer o desejo. E quando o desejo cresce, preparam-se os abraços.
Esta história, eu não a inventei.
Fiquei triste, vendo a tristeza de uma criança que chorava uma despedida... E a história simplesmente apareceu dentro de mim, quase pronta.
Para quê uma história? Quem não compreende pensa que é para divertir. Mas não é isso.
É que elas têm o poder de transfigurar o quotidiano.
Elas chamam as angústias pelos seus nomes e dizem o medo em canções. Com isto, angústias e medos ficam mais mansos.
Claro que são para crianças.
Especialmente aquelas que moram dentro de nós, e têm medo da solidão…
As mais belas histórias de Rubem Alves
Lisboa, Edições Asa, 2003"
Sérgio
21 outubro 2008
Uma Lição de Morte...
O nosso paradigma sobre a morte e a doença é naturalmente depressivo e triste. Naturalmente digo eu... porque é um paradigma aceite... Mas porque é que há-de ser assim?! Porque não gozar a vida até ao último minuto com o máximo de qualidade e alegria? Não é isso que fazemos noutras situações em que algo vai acabar?! Aproveitamos até ao fim... deliciámo-nos até ao fim... porque tudo é uma dádiva capaz de nos fazer felizes se soubermos aproveita-la.
Se este Homem é capaz de fazer isto com os dias contados, imaginem o que não faria se tivesse uma saúde normal como a nossa... Somos, de facto, uns grandes sortudos!
Acima de tudo, porque havemos de nos amesquinhar quando uma dificuldade nos surge? E lamentamo-nos que não temos sorte... E arranjamos 30 culpados para tudo aquilo... E daí?! Resolve alguma coisa?! Aumenta a nossa felicidade?! Resolve os nossos problemas?! Nada! Novamente, nada! Só nos faz sentir pior e gastar energias e tempo útil que poderíamos usar em nosso benefício. Mas nós somos insistentes! E continuamos dia após dia a fazer a mesma coisa; a não aprender nada, e a não usufruir nada do que podemos aprender e aproveitar do nosso dia-a-dia. Lembram-se da letra do "Chuva Dissolvente" dos Xutos e Pontapés? É por aí!
A vida tem de ser vista como uma forma de melhorar dia-a-dia as nossas capacidades e características pessoais, e desta forma, sermos mais felizes, porque melhor gerimos as dificuldades e melhor aproveitamos as oportunidades que temos. O contrário é irracional: não aprender, não melhorar, não gerir melhor a algo que nos acontece pela segunda vez.
O ser humano tem esta capacidade. E se repararmos bem, os ditos animais irracionais também a têm. Mas nós, que somos superiores, dámo-nos à preguiça de não nos esforçarmos... porque vivemos numa civilização evoluída e que nos dá condições de bem-estar mínimo aceitáveis. Os nossos antepassados não tiveram essa possibilidade... por isso, a civilização evoluíu até ao estado de elevado desenvolvimento actual.
Para ter esta atitude não é preciso ser sobredotado; apenas força de vontade de ser feliz... de que o dia de amanhã seja mais fácil do que o de hoje, porque amanhã estaremos mais preparados do que estávamos hoje: "Experience is what you get, when you didn't get what you wanted to get".
Possivelmente esta atitude medíocre, mesquinha e tacanha do ser humano, mais comum na Europa, que na América, deve-se muito à nossa socialização e educação. De facto, algumas religiões levam à anulação da personalidade do indivíduo, pela submissão (o fantasma da Idade Média continua bem presente após seis séculos de História). A nossa educação assenta muito mais na repreensão dos nossos erros, do que no reconhecimento e motivação perante as nossas vitórias e sucessos. Há falta de empreendedorismo nas nossas almas!
E se pensarmos bem na nossa formação e na quantidade massiva de conhecimentos com que massacramos os nossos neurónios (muitos deles rapidamente ultrapassados e outros que nunca nos serão úteis), mais uma vez verificamos o efeito de standardização das nossas formas de ser. Na verdade, ninguém nos ensina a sermos felizes e a rir! Na verdade, ninguém nos ensina a gerir as nossas emoções e sentimentos. A inteligência emocional parece passar ao lado dos programas currículares, que absorvemos durante um quarto ou mais nas nossas vidas.
Há que ter presente, que o que sentimos não é reflexo do que nos acontece. Já pensaram nisso?! Reparem que apesar do efeito standardizador referido, reagimos de forma diferente uns dos outros, perante as mesmas situações e acontecimentos... Então, o que realmente influi no que sentimos?! São os nossos pensamentos! Esses sim, são capazes de gerar emoções, condicionando o nosso estado emocional. Façam um teste: pensem num conjunto de coisas que vos são especialmente agradáveis, tipo, as últimas férias! Fixem-se só nessas recordações durante uns instantes... Naturalmente, sentiram-se bem! Façam agora o contrário: pensem em algo realmente desagrádável... e já estão a sentir-se infelizes, azarados, pequenos e impotentes perante o mundo. Afinal, decorrente do que estamos a pensar, podemos sentir-nos bem ou mal.
Mais do que isso: podemos controlar os nossos pensamentos! Acabamos de o fazer! Portanto, sempre que algo de mal me ocorrer, tenho de bloquear esses pensamentos e pensar em algo que me enalteça, para a seguir conseguir gerir a dificuldade que vou ter de superar. Obriguem o vosso cérebro a fazer aquilo que vocês querem, porque ele não distingue um bom pensamento de um mau... O nosso cérebro foge da dor em direcção ao prazer, nem que para isso nos ponha a cometer deslealdades para connosco, como fugir, mentir ou outras coisas mais graves. Temos de ser nós a controlá-lo. Consegue-se com treino. Comecem por coisas simples: quando estão a beber água, bebam até ao fim do copo; quando estão a ler um livro chato, leiam até ao fim; quando estão a fazer uma tarefa doméstica e querem ir ver televisão, primeiro acabem a tarefa doméstica. Aos poucos, o vosso cérebro deixará de aceitar a incongroência de fugirmos aos desafios e de desistir daquilo que nos oferece resistência. Estaremos a alargar a nossa área de conforto a novos domínios, onde não nos sentíamos confortáveis... por desconhecimento! Por falta de arrojo em alcançar novas metas.
E o mais fantástico disto tudo: é que quando nos sentimos bem, tudo o que fazemos nos sai bem e sem esforço! Conseguimos bom desempenho e motivação! Por vezes trabalhamos horas a fio em coisas para as quais estamos altamente motivados. Terminamos orgulhosos, felizes e o cansaço? Nem vê-lo! Mas com frequência, temos alguns fretes para fazer... demoramos muito tempo... não ficam especialmente bem feitos... e terminamos injustificavelmente exaustos! Porquê?! O que custa não é fazer as coisas... o que custa é fazê-las sem empenho.
E ainda mais um bónus: quando estamos felizes, quando nos sentimos bem e temos um bom desempenho, esta atitude contagia e cria grande admiração naqueles que connosco se cruzam. O que por sua vez, facilita o nosso desempenho! É um ciclo vicioso que nunca mais pára!
Para terminar, digo-vos que o fim do livro é comovente... Mas nada mais direi, porque não há nada como recorrer ao original! Se querem ser melhores pessoas e viverem mais felizes, façam alguma coisa por vocês mesmos, porque caso contrário, ninguém fará! Os nossos sonhos só dependem de nós... ninguém pode sonhar e concretizar esses sonhos por nós. Caso contrário, deixariam de ser sonhos e em nada contribuiriam para a nossa felicidade!
Sérgio
20 outubro 2008
Olha para o que eu sinto, não olhes para o que eu faço!
Este video mostra o quanto é verdade o que desde sempre foi minha opinião.
Sérgio
09 outubro 2008
Noites Ritual.
O resto das actuações foi para esquecer... Mesmo a dos Buraka Som Sistema, que apesar de não ser propriamente música... apesar do nível musical e cultural vergonhoso... apesar de toda a sonoridade e letras serem patéticas... reconheço que dentro do estilo estão ao nível do que se faz em todo o mundo, e por isso, merecem o sucesso que têm. Já o espectáculo em si... não lhe chamaria um concerto, mas uma ida à discoteca! A uma discoteca horrível, é claro... porque aquilo, com excepção da abertura de bom impacto visual e sonoro, é... insuportável de tão mau!
Escrevo isto agora, porque o álbum de Rita Red Shoes tem sido o som que mais me acompanha este semana. E realmente, faz-me bem!
02 outubro 2008
Beatiful Calm Driving
Sérgio