20 janeiro 2006

Para Domingo...

"Duas coisas indicam fraqueza:

Falar quando é preciso calar-se, e
calar-se quando é preciso falar.

(Provérbio Persa)

Esperamos que o futuro nos traga um mundo mais fraterno e solidário, e que as Mulheres e os Homens de Boa Vontade não tenham a fraqueza de se calarem...

Na Rota dos Povos"

Este é um excerto do postal de Boas Festas da Rota dos Povos de 2004. Pareceu-me adequado para o momento de eleições que se avizinha.
Independentemente do candidato a PR conscientemente escolhido por cada um, fica aqui um apelo ao voto... mesmo ao voto em branco...

Sérgio

19 janeiro 2006

Prevenção Rodoviária Vs. Cáça à Multa

Em altura de eleições, não tenho ouvido os candidatos a PR a pronunciarem-se sobre a forma muito pouco digna como o governo utiliza as verbas destinadas à prevenção rodoviária, adquirindo equipamentos para aumentar a receita fiscal.
Para os interessados, fica aqui um link para um excelente post sobre o assunto:

http://ex-sitacoes.blogspot.com/2006/01/caa-multa.html#links

Sérgio

Força Maior

A Encandescente volta a surpreender... muitas vezes sinto esta sensação, que para mim é de felicidade; mas o verdadeiro mérito esta na forma como expressamos, sintetizamos e... passamos ao "papel".


Sérgio

18 janeiro 2006

Coragem

Ser corajoso não é não sentir medo... mas antes ultrapassar esse sentimento próprio em prol de algo colectivo.

Por sua vez, ser corajoso é também diferente de ser destemido: situação em que se ultrapassa o medo em prol outro sentimento pessoal.

Os mais audazes podem viver menos, dada a forma como se expõem ao risco, mas seguramente os mais retraídos (e os cobardes) nunca viveram nada plenamente...

Medos? tenho muitos... Coragem? Apenas a suficiente para lentamente superar os medos...
A vida vive-se a cores!

Sérgio
P.S.: Acho que este texto não é inteiramente meu... mas saiu-me assim!

17 janeiro 2006

Sexta–feira 13... SORTE ou AZAR?!


Na passada sexta-feira fomos brindados pelo calendário de 2006, com um dia 13. Independentemente dos receios ou optimismos para os mesmos, aqui ficam as justificações para o mito... resta saber agora se o comportamento de cada um tem razão de ser!
Obrigado à Rosa pelo envio deste texto bastante elucidativo e de forma oportuna (bem cedinho pela manhã!). Para o futuro, boas sextas-feiras 13 para todos!

Sérgio

"Superstição" vem do latim superstitio, que significa "o excesso", ou também "o que resta e sobrevive de épocas passadas". Em qualquer acepção, designa "o que é alheio à actualidade, o que é velho". Transposto para a linguagem religiosa dos romanos, o vocábulo "superstitio" veio a designar a observância de cultos arcaicos, populares, não mais condizentes com as normas da religião oficial.
O número 13 é tido, ora como sinal de infortúnio, ora de bom agouro.

O número 13
Símbolo de desgraça, já que 13 eram os convivas da última ceia de Cristo, e dentre eles, Jesus que morreu numa sexta-feira, que foi consequentemente ligada ao horror que o número 13 provocava nas gerações cristãs. Por isso, muitas pessoas evitam viajar nas sextas-feiras 13; a numeração dos camarotes de teatro omite, por vezes, o 13; em alguns hotéis não há o quarto número 13 - este é substituído pelo 12-a. Muitos prédios saltam do 12º para o 14º andar temendo que o 13º traga azar. Há pessoas que pensam que participar num jantar com 13 pessoas traz má sorte, porque uma delas morrerá no período de um ano. A sexta-feira 13 é considerada como um dia de azar e tem-se muito cuidado quanto a actividades previstas para este dia.
Como se vê, a crença na má sorte do número 13 parece ter tido sua origem na Sagrada Escritura. Esse testemunho, porém, é tão arbitrariamente entendido que o mesmo algarismo, em vastas regiões do planeta - até em países cristãos - é estimado como símbolo de boa sorte.
O argumento dos optimistas baseia-se no facto de que o 13 é um número afim ao 4 (1 + 3 = 4), sendo este símbolo de próspera sorte. Assim, na Índia o 13 é um número religioso muito apreciado; os pagodes hindus apresentam normalmente 13 estátuas do Buda. Na China, não raro são os dísticos místicos dos templos encabeçados pelo número 13. Também os mexicanos primitivos consideravam o número 13 como algo santo; adoravam, por exemplo, 13 cabras sagradas. Reportando-nos agora à civilização cristã, lembramos que nos Estados Unidos o número 13 goza de estima, pois 13 eram os Estados que inicialmente constituíam a Federação norte-americana. Além disso, a designação latina da Federação "E pluribus unum" (de muitos se faz um só), consta de 13 letras; a águia norte-americana está revestida de 13 penas em cada asa.

As lendas
Além da justificação cristã, existem 2 outras lendas que explicam a superstição. Uma Lenda diz que na Escandinava existia uma deusa do amor e da beleza, chamada Friga (que deu origem a friadagr, sexta-feira). Quando as tribos nórdicas e alemãs se converteram ao cristianismo, a lenda transformou Friga numa bruxa exilada no alto de uma montanha. Para se vingar, passou a reunir-se todas as sextas com outras onze bruxas mais o demónio - totalizando treze - para rogar pragas sobre os humanos. Da Escandinava a superstição espalhou-se pela Europa.
A outra lenda é da mitologia nórdica. No Valha, a morada dos deuses, houve um banquete para o qual foram convidados doze divindades. Loki o espírito do mal e da discórdia, apareceu sem ser chamado e criou uma discução que terminou com a morte do favorito dos deuses. Este episódio serviu para consolidar o relato bíblico da última ceia, onde havia treze à mesa, às vésperas da morte de Cristo. Daí veio a crença de que convidar 13 pessoas para um jantar era desgraça na certa!

O Filme Sexta-feira 13
Sexta Feira 13 (Friday the 13th) é o filme de maior terror e suspense.
Conta a história que Jason morreu em miúdo (a 13 de junho de 1957), por afogamento num lago e por incompetência dos monitores que não estavam atentos às crianças. O corpo nunca foi encontrado.
A sua mãe matou quase todos os monitores, vários anos depois, no acampamento Cristal Lake, atribuindo-os a culpa por não terem cuidado de seu filho. Acabou por ser morta por um dos monitores; mas Jason não estava morto, e anos mais tarde, viria a aparecer para se vingar dos assassinos da sua mãe. Jason usou a máscara de hockey apenas no 3º filme, inicialmente usava apenas um pano amarrado ao pescoço com um furo para o olho esquerdo. Jason sobreviveu por mais três filmes, onde até fez uma "visitinha" a New York. Morreu em 1996, quando a irmã lhe cravou uma adaga sagrada (a única forma de matar Jason para sempre).

16 janeiro 2006

Férias Equestres.


Aí estão umas férias que eu realmente quero experimentar.

Há uns tempos atrás li um romance (Parada de Garanhões, de Gaby Hauptmann) cuja acção decorria numa quinta. Aliás, um hotel diferente... uma quinta adaptada para receber hóspedes, proporcionar-lhes todo o conforto e comodidade que os hotéis de luxo actualmente oferecem, adicionado do aconchego típico dos melhores hotéis das estâncias de neve, uma gastronomia requintada e vasta, e o mais importante, cavalos! Muitos cavalos para todos os gostos, com instrutores das diversas modalidades e muitos, muitos quilómetros de trilhos para galopar.
Em Portugal já surgiram as primeiras unidades hoteleiras desta índole, principalmente no Alentejo.

Andei poucas vezes a cavalo, mas as suficientes para gostar bastante de o fazer. E se o desconforto dos passos mais lentos (especialmente do trote) desmotiva qualquer um de se manter em cima do cavalo durante muito tempo, já o galopar do animal torna este exercício algo a dois. Sim exercício... há que efectuar diversas contracções musculares para compensar o movimento e o balançar do cavalo. E a dois porque nesses mesmos movimentos provocados pelos passos largos do animal, há que haver harmonia entre cavaleiro e cavalo... ou o resultado é... chão!
Andar a cavalo de forma mais intensa é um excelente exercício físico... não só para o cavalo! Qualquer salto do animal parece um voo de largos metros para um cavaleiro inexperiente... um pouco como no ski, quando vamos a esquiar depressa e ficamos sem chão por escassas fracções de segundo. Até porque aqueles animais são altos e outra sensação engraçada é sentir que o cavalo está a escorregar.

À parte disto, admiro os cavalos como animais bonitos, possantes e meigos que são. Gosto de lhes fazer festas na cabeça, no nariz e no longo pescoço. Têm um olhar terno, mas se os olharmos a medo, imediatamente se aproveitam da situação tentando ganhar ascendente sobre o cavaleiro pouco à vontade.


Passear montado num cavalo por uma paisagem imensa proporciona momentos de grande relaxamento. É também uma forma excelente de conhecer sítios recônditos no meio da paisagem, muitos deles inacreditáveis... Para os amantes da fotografia surgem excelentes cenários; para a nossa memória, momentos únicos, dias que passaram depressa...

Fica sempre uma certa saudade nostálgica... quer por terem sido momentos bem passados... talvez por associarmos o cavalo a um meio de transporte ultrapassado... quer por nos afeiçoamos ao “bichinho” que connosco partilhou boas horas de companhia!


Sérgio
P.S.: fotografias retiradas do WEBSHOTS.

13 janeiro 2006

Na Rota dos Povos


Ainda hoje em dia continua a persistir a ideia de que os motards são pessoas perigosas, que se deslocam em motos potentes e cujo espírito não é mais do que desrespeitar tudo e todos quanto podem ser desrespeitados.
Estranhamente, há muitos anos (mais de 15) que convivo com motards e nunca tal encontrei, reconhecendo todavia, que alguns indivíduos que se deslocam sobre duas rodas têm um comportamento um tanto rebelde... à semelhança dos muitos que em 4 rodas se deslocam e com que diariamente nos cruzamos.

Apresento-vos hoje o melhor exemplo motard contra esta distinção tacanha, segundo a qual, o n.º de rodas de um veículo é directamente proporcional à educação do seu condutor; o que aliás coloca os camionistas TIR no 1.º lugar da cordialidade, respeito e civismo na estrada.
A Rota dos Povos (http://www.narotadospovos.com/) é um movimento que pretende muito mais do que passear de moto. Visitem o site e surpreendam-se... especialmente os automobilistas mais fanáticos, aprendam o significado de ser cidadão do mundo.
Tenho o privilégio de ser amigo do Tito Baião, um dos motards deste movimento, amizade da qual muito me orgulho e prezo. Razão pela qual faço parte da mailing list deste movimento e da qual quero partilhar convosco a última edição. Aqui fica; conto convosco para o que se segue.

“...Três anos após a independência, Timor-Leste luta para ultrapassar as consequências da ocupação, de migrações e da destruição resultante dos violentos confrontos de 1999.

O País tem ainda uma das piores taxas de mortalidade infantil e materna de toda a região.

As condições de acesso ao ensino, para rapazes e raparigas de fracos recursos económicos e distante de Dili, são quase impossíveis.

Com vista a tentar melhorar a situação a “Comunidade Cristo de Betânea” pretende construir um Centro de Apoio e Acolhimento para Jovens que vivendo distantes da Capital, pretendem continuar os seus estudos.

Não há apoios insignificantes!
O considerado por nós pouco, é muito para quem nada tem.

Caso queira apoiar, aqui ficam as referências:

Caixa Geral de Depósitos
Conta n.º 0171195254900
NIB: 003501710019525490050
IBAN: 50003501710019525490050

Na Rota dos Povos
João Pedro
Tito Baião



Esta newsletter termina com o envio de um bonito postal com o seguinte texto no verso:

“Há homens que lutam um dia e são bons,
Há outros que lutam um ano e são melhores,
Há os que lutam muitos anos e são muito bons,
Mas há os que lutam toda a vida, e estes são imprescindíveis.

Bertold Brecht

Caro Amigo,

Por ser um dos Imprescindíveis na luta por um mundo melhor, desejamos-lhe um ano repleto de sonhos concretizados.

Na Rota dos Povos
João Pedro Pereira e Tito Baião


Na última viagem, realizada em 2005 (Dili – Porto 2005, Dois Povos - Um Sonho: LIBERDADE), recebi um postal de Dili em que os 3 motards João Pedro, Tito Baião e Porfírio Santos Silva, enviaram a seguinte mensagem:

“Caro Amigo,

Deste País, nascido da Alma do seu Povo, saudamos aqueles que acreditam um dia ser possível aqui VIVER LIBERDADE.”


Além deste movimento ser louvável pela solidariedade para com um povo totalmente desprotegido, leva-nos a pensar que fazemos parte de um elite de privilegiados e que se isso nos enaltece o ego, também nos traz obrigações para com o resto do mundo esquecido. Fascinou-me também a ideia destes motards que aquando da deslocação a Luanda, criaram um movimento de recolha de medicamentos e conseguiram encher um contentor destinado a outro povo que vive em situação de grande debilidade.

A alma das pessoas não se mede pelo n.º de rodas dos veículos ou pelos centímetros cúbicos dos motores dos veículos que guiam, muito menos pelo preço da roupa que vestem... Lembrem-se ainda que todos aqueles que hoje sobrevivem em condições inimagináveis por esse mundo fora, são iguaizinhos a nós... e se tiverem as mesmas oportunidades que nós temos e despediçamos (países desenvolvidos!), são tão bons ou melhores que nós!

Lembrem-se disto e das promessas que fizeram há quinze dias atrás quando comemoravam o Natal e o Ano Novo.

Felicidades para todos!
Sérgio

12 janeiro 2006

A Ordem dos Revisores Oficiais de Contas (OROC)



Há vários anos atrás iniciei o processo de agregação à profissão de Revisor Oficias de Contas. Dada a minha formação e a necessidade de especialização, pareceu-me mais interessante optar por uma especialização profissional, de que por via académica (para especulações generalizações já me tinha bastado a licenciatura...).

Fiz o estágio e fui passando nos exames semestrais de estágio (6 ao todo). Estes exames eram muito académicos: uma espécie de aglomeração de várias cadeiras da faculdade (3 ou 4 de cada vez) num só exame. Na altura pensei justificar-se, pois fez-me relembrar e até aprender muitas coisas que podem vir a ser úteis no exercício da profissão. Escusado será dizer que estes exames são bastante difíceis, que a matéria abrangida é mais que muita e que em vez de 4 horas, precisávamos de 6 para os resolver calmamente.

Ao longo desses 3 anos de estágio (para mim foram 4, porque comecei mal e optei por repetir exames em vez de jogar com médias de aprovação) apercebi-me de coisas que me desgostaram muito, relativamente a esta profissão que aparenta ser tão digna e isenta... Desde logo enfureceu-me saber que o último exame de estágio era uma prova global resumo dos 5 anteriores (não há mais matérias para se estudarem?... porque razão tenho de ser avaliado duas vezes na mesma coisa?... não são credíveis as provas de avaliação da OROC?...). Apercebi-me ainda do carácter tacanho e corporativista que domina a esmagadora maioria dos profissionais desta área e os próprios corpos directivos da OROC (já me tinha apercebido disto nos contabilistas ou Técnicos Oficiais de Contas – TOCs; a maioria é bolorenta...). Isso traduz-se na forma como a OROC limita e tenta dissuadir qualquer um de se inscrever na profissão: custos aberrantes nos exames; ausência de um curso que prepare os candidatos para os exames e para a profissão (há um curso organizado pela OROC, que custa balúrdios, é de uma falta de qualidade gritante, e não garante a boa preparação dos candidatos para as provas de exame). Em resumo, taxas de reprovação e desistência escabrosas. Se em termos académicos o pouco que existe é mau, em termos técnicos é nulo... ficando toda a responsabilidade nos patronos de estágio, da formação do candidato nas vertentes técnicas da profissão. Só que normalmente estes não têm tempo para nada, nada ensinam, e ainda exploram os estagiários a fazerem o trabalho de escravo de auditoria, de borla!... por troca da assinatura dos relatórios de estágio e garantia que uma loucura de horas de serviço no exercício da profissão foram efectivamente desempenhadas (não foi o que aconteceu comigo; até foi o oposto, mas o meu Patrono é um Santo Homem). Ponho em dúvida mesmo assim, que as horas de estágio certificadas pelos patronos correspondam à realidade... acham credível que alguém a meio da sua vida profissional abdique de remuneração para trabalhar de borla? Nalguns casos sim... muito poucos. Isto tudo, sem qualquer conteúdo programático ou orientações sobre o que deveria ser um “estágio profissional” por parte da OROC.

Mas o pior estava para vir... começada a fase de inscrição, exige-se a aprovação individual (nada de médias) em 4 exames trimestrais e uma suposta tese apresentada numa oral pública e na qual o júri pode questionar o candidato sobre qualquer matéria ou assunto relacionado com a profissão. O ridículo desta fase de avaliação é que volta a incidir em temas exclusivamente académicos e não sobre aspectos técnicos indispensáveis ao exercício da actividade. Os exames abrangem cada um, pelo menos 7 cadeiras de faculdade. Aqui a dificuldade objectiva das questões não é crítica (pelo menos é a minha opinião... mas eu fiz a licenciatura na Lusíada...); crítico sim é conseguir analisar toneladas de matéria académica e estar apto a responder sobre as mesmas em 4 horas (quando saiu dos exames parece que me libertei de 20 toneladas sobre os ombros). Convém lembrar que os candidatos são trabalhadores num mercado cada vez mais competitivo, mal remunerado, com custos de vida galopantes e escassez de emprego... Portugal em pleno início do séc. XXI. Se a vontade estudar é (e sempre foi) pouca, especialmente depois de 8 ou mais horas de trabalho... e temas tão académicos...

Comecei esta fase em 2005 e mais uma vez comecei mal... ainda por cima, cheguei a meio do ano e atrasei-me um dia na apresentação do requerimento para inscrição na 3.ª prova (estive fora em trabalho e descuidei-me...). Não me deixaram fazê-la apesar da minha insistência com mais requerimentos; a resposta foi “...daqui a um ano há outra...”.
Como tudo na vida tem um lado positivo, a Câmara dos Despachantes Oficiais (CDO) comunicou-me que iria realizar exames de admissão em 2005, pois havia o n.º mínimo de candidatos. Como eu queria muito fazer este curso de acesso à profissão, imediatamente me inscrevi. Estudei arduamente durante 4 meses e consegui passar as duas provas obrigatórias: a escrita, simples; a oral, de duas horas em frente a 5 júris, demolidora! No entanto, deparei com um júri sensíveis à realidade actual: a matéria de estudo é imensurável e nenhum profissional a conhece na integra, até porque vai consultando à medida que necessita de a aplicar; devido a existência de software (obrigatório para a emissão de um despacho, actualmente), muitos dos conhecimentos necessários estão disponíveis on-line (escolha múltipla; help). Se o exame tivesse acontecido há 20 ou 30 anos atrás, o grau de dificuldade teria sido exponencialmente maior... no entanto, o júri avaliou os candidatos com questões técnicas essenciais ao desempenho da profissão (funcionamento da caução global; critérios de origem aduaneira; cálculo do valor aduaneiro; classificação pautal; circulação de mercadorias). Ninguém perguntou quais eram os princípios criadores do direito aduaneiro... Isto é revelador de uma classe que se actualiza à realidade, que não tem medo de ter demasiados profissionais, nem de deixar que seja o mercado a escolher os mais aptos.

Por contraposição, observo na OROC um grau de proteccionismo exacerbado e verifico uma quantidade de alterações ao exercício da profissão no sentido contrário ao da evolução da sociedade em geral.
Vejamos o seguinte, os ROCs são poucos e o mercado tem vindo a crescer muito, quer em quantidade, quer em especialização. As necessidades de auditoria são crescentes quer pelo tipo de operações, quer pela forma como os investimentos são realizados, quer pelo rigor técnico exigido (a imaterialidade das empresas cada vez mais baseadas no conhecimento, e não em equipamentos físicos, ainda não obteve por parte das normas de auditoria, formas de controlo e mensuração objectivas... impera o bom-senso). Já para não referir o recurso a programas de financiamento público e comunitário, cada vez mais corrente, que requer relatórios de auditoria a contratar pelas empresas financiadas.
Esta situação é agravada por se tratar de uma classe envelhecida e sem qualquer propensão para se actualizar. Isto torna o ROC um mal necessário para as empresas (têm de pagar a um “fiscal” que se cobra muito caro). Toda a componente de consultoria que os ROCs devem prestar aos seus clientes, indicando soluções para os problemas e inconformidades legais detectadas nas suas análises, os actuais profissionais dificilmente são capazes de exercer...
Recentemente, a OROC reagiu a esta procura do mercado, libertando os seus profissionais do sistema de plafonds de pontos a que estes estavam sujeitos (só poderiam ser responsáveis por determinado n.º de empresas, de acordo com o seu volume de negócios). Ora isto parece-me uma aberração perfeita! Teoricamente, basta um ROC para Portugal inteiro! Se actualmente já eram criticadas muitas sociedades de ROCs (SROC) por não cumprirem devidamente o seu trabalho (incapacidade de análise criteriosa face ao volume de trabalho), esta situação só tenderá a aumentar, desprestigiando a profissão. Por outro lado, os novos profissionais mais dificuldade terão em encontrar novos clientes... E se até agora as grandes consultoras precisam, auxiliavam e incentivavam os seus profissionais a terem acesso à profissão, deixam-no de o fazer a partir desta data... e mais grave é esta situação repercutir-se na qualidade dos profissionais que agora necessitam (já não necessitam dos melhores... do que tinham capacidade para se tornarem ROCs... bastam os recém-licenciados bem baratinhos...). Até em termos de política nacional esta medida aponta em sentido contrário: menos contratações e de nível salarial inferior.
Em simultâneo com esta medida, a OROC extinguiu a tabela de honorários mínimos. E a verdade seja dita, é de louvar que o tenha feito. Não fazia sentido nenhum, que qualquer parecer (por simples que fosse), custasse 1.000€ mais IVA.
Mas a cereja do bolo da desgraça veio com outra medida da OROC, que permite actualmente que para a constituição de uma SROC, seja necessário apenas um ROC... Em nenhuma classe profissional esta barbaridade acontece: já viram uma sociedade de advogados em que nem todos são advogados? E de arquitectos? E de médicos?

Costuma-se dizer que as sociedades civis de profissionais liberais são o motor da sociedade em geral, sendo esta reflexo dos valores que estas (dadas como elites) implementam e condicionam no dia a dia de um país. Por este caminho, a derrocada de um dos pilares está próxima. Em vez de humildade encontro arrogância e prepotência; em vez de profissionalismo encontro corporativismo e compadrio; em vez de competência encontro abuso e aproveitamento de direitos; em vez de soluções e utilidade, encontro problemas e um peso desnecessário para a sociedade... pior só a classe política.

Estou bastante desiludido... mas não arrependido. No meio de tudo isto há bons profissionais e há a esperança que a razão vença sobre injustiça... até porque nunca desisto de nada!

Não sei como vai recorrer esta fase de exames... mas vai ter de correr bem! Fartos de me aturar devem estar a Nokas e o Nuno com quem estudei intensivamente nos últimos tempos e a quem devo muito do que aprendi. São novitos, mas são “bons meninos”! Boa sorte para eles!

Sérgio

10 janeiro 2006

Manuel Alegre - O Candidato (II).


O meu voto vai para o direito à diferença, à alternativa, à mudança, ao inconformismo, à coerência, à elegância no comportamento, à quebra do poder e dos direitos habitual e indevidamente instalados.
Ouve-se constantemente dizer que os políticos são todos iguais, que nada muda neste país e que é um caso perdido. Pois aí está um homem claramente diferente: fala das suas ideias e do que acha melhor para o país, e não perde tempo a criticar os outros candidatos... nem que fosse só isso, já fazia a diferença. Mas não! Tem uma coerência pragmática no discurso e na ideologia que o torna claramente um candidato a PR tão superior como distinto face aos outros. Perante isto, não tenho dúvida que é a melhor opção, além de ser uma excelente opção.
E agora, vão fazer alguma coisa, ou vão limitar-se a continuar a criticar o que os outros fazem, ou não fazem, com a vossa autorização?...

"...todos, todos, podem ser senhores e não escravos do destino. Isto aplica-se a pessoas, empresas e países. Nada é constante, excepto a mudança. E o futuro pode mudar. Para melhor ou para pior, dependendo do que se faz no presente. Lamúrias? Queixas? Desculpas? São a matéria-prima de que se faz o insucesso. O sucesso, pelo contrário, é feito de outra argamassa: pensar, actuar, acreditar, persistir. A sorte bate (às vezes) à porta? Sem dúvida. O azar também? Seguramente. Mas o que decididamente desequilibra a vida a favor do sucesso ou do insucesso não vem de fora. Vem de dentro. Vem de nós. A vida é o que fazemos dela...".

José Manuel Mendonça
(Movimento Hiep-Khi-Vo-Dao - As Artes Marciais e a Vida, 15/10/2003)

Pensem nisto antes de decidirem em quem votam...

Sérgio

P.S.: Movimento Jovem de Apoio à Candidatura de Manuel Alegre http://www.movimentoja.com/.

Eleições Presidenciais (cont.)

Na falta de tempo para escrever, recorre-se ao "maninho" que escreveu muito bem, sobre um tema actual, e cuja opinião sobrescrevo na integra!

http://ex-sitacoes.blogspot.com/2006/01/eleies-presidenciais-ii.html#links

Sérgio

04 janeiro 2006

Saínt Germaín De-Prés Café - Volume 6.


Numa altura em que já foi editado o volume 7, tive oportunidade de ouvir o anterior. Resultado ESTRONDOSO!

Saínt Germaín De-Prés Café, nome de uma das zonas mais carismáticas de Paris, transporta toda a emblemática e vida para as colectâneas de eletro-jazz, inicialmente apelidado de jazz de fusão, ou mais recentemente NU-JAZZ... no fundo, várias designações para identificar temas de jazz tocados com ritmos actuais, e especialmente, dançáveis... ou talvez não... o suficiente para abanar o copo e os ombros (não abanem demais senão viram a bebida... desperdício!). O exponente máximo deste género musical foi lançado pelos próprios Saint Germain, banda francesa que prima por temas de sonoridade muito original.

Este tipo de música é capaz de criar um bom ambiente durante um jantar, ou mesmo depois do jantar... visto que não tem uma presença suficientemente forte para incomodar o diálogo, nem um ritmo suficientemente adrenalizante para nos catapultar (gosto deste termo... deve ser influencia da minha raquete de ténis nova, cujo modelo se chama CATAPULT e que curiosamente não tem muita “saída”) para a pista de dança. Gosto também de ouvir este tipo de música no automóvel: dá-nos ritmo de condução (rápido) e afugenta o sono! Outra característica destes cd’s é a sua excelente qualidade de gravação... é... estão a ler bem... eu estou a dizer bem do som de um cd... ok, o som está todo no mesmo patamar e vem directamente das colunas para os nossos ouvidos... onde ficou a atmosfera sonora? Provavelmente nos vinis que lhes deram origem... e felizmente, consegue-se ouvir gravilha por vezes.

Na verdade, nunca fui grande fã deste tipo de música, às vezes um tanto ou quanto sem personalidade. Estes temas incidem normalmente em originais contemporâneos de jazz, dos quais resultam novas interpretações, com ritmos distintos, adicionados de samplers, etc. Mas esta série de compilações seduziu-me com os dois primeiros volumes, levando-me quase a desistir com os três seguintes (onde há alguns bons temas, mas...). Já o volume 6 é arrasador! Fabulástico! Temos som com presença e com personalidade. Temos temas, versões, interpretações excelentes!

Recomendo-vos a audição atenta (até porque cativa ao primeiro contacto) desta colectânea. Destaco-vos as seguintes faixas: logo a primeira “Devil May Care” por Jamie Cullum; “Get a Move On”, uma já conhecida versão de Mr. Scruff, para quem ouve outras colectâneas do género, Blue Note e Hotel Costes; “All I Need” por Re: Jazz featuring Lissa Bassenge, uma espectacular versão do tema mediático dos Air; “In The Still of Night” de Stacey Kent, que nunca canta mal; e, “Cantallop Island” numa versão por Dj Cam featuring Tassel & Naturel, tema deslumbrante que nunca desilude independentemente da versão ou do intérprete.

Boas audições!
Sérgio

03 janeiro 2006

... e mais não digo!

E se alguma coisa ficou por dizer no post "Religião:Ser ou Não Ser... Crente...", nem de propósito e no mesmo dia, houve quem o dissesse (telepatia?! feito á maneira... não, não foi a Lena D'Água!). Não um alguém qualquer, mas antes um alguém muito especial; um alguém que não diz muito, mas diz tudo e diz bem.
"E o Homem Criou Deus", um excelente post num não menos sensacional blog da fabulástica escritora Encandescente.
Sérgio

O Essencial Prazer do Ski!



Numa semana marcada pelo furo jornalístico do incidente de José Sócrates e do filho (não deve haver mais nada para se falar), aproveito a deixa para falar de ski e de férias de neve.

Deixando de lado a injustiça da comunicação social para com o PM, aproveito para desmistificar que as férias de neve não são só para ricos... se calhar, ficam mais baratas do que as de praia no Algarve. Para a mesma comunicação social aproveito para referir que a lesão do PM incidiu no joelho e não no pé (qualquer um que sabe o que é uma bota de ski, entende o que eu quero dizer...).


Se as férias de neve são agora uma moda em Portugal e muitos dos que vão “para a neve” vão “fazer praia” em vez de esquiar (o chamado ski de esplanada), há 10 anos atrás tal não acontecia e os “fãs desta modalidade” eram vistos como tresloucados, que na altura do frio iam para o meio de mais frio ainda, fazer um desporto altamente perigoso. Ora, sobre isto gostaria de vos dizer o seguinte:
- Fazer ski/snowboard é um desporto que activa o corpo inteiro. Isto associado aos equipamentos que se utilizam, exclui a questão do frio, especialmente quando há sol (em que o calor é muito!). Frio por vezes também há... e muito: se estiver vento; e não se estiver a nevar. Mas para isso também há soluções.
- O ski e o snowboard são desportos de elevado risco; é um facto... mas não para quem começa a esquiar ou para quem o faz a título de férias (para os profissionais deste desporto há riscos e grandes). Claro que quem desrespeita constantemente os seus limites físicos, arrisca-se... como em qualquer outro desporto. Quero eu dizer que o risco é mais controlável que o de apanhar um escaldão numa tarde de praia.
- Nas férias de neve há inúmeras alternativas para quem não quer fazer desporto: conhecer as cidades e paisagens próximas das estâncias; fazer passeios a pé ou de trenó puxado por cães; as paisagens são idílicas e ideais para os fotógrafos descarregarem rolos e rolos; os hotéis possuem os melhores spa’s e ginásios nestes locais; há ringues de patinagem e pistas de karts no gelo; a gastronomia é vincada e requintada; as esplanadas e as lareira proporcionam os momento de leitura mais deliciosas; a agitação nocturna é 5 estrelas! O ideal para quem quer descansar a cabeça, ou o corpo... ou as duas coisas!
- Não igual em glamour!


Mas vamos ao que interessa! Eheh! ESQUIAR! YES! Depois de um inicio sempre conturbado e repleto de pequenos tombos descontrolados, aprendemos a dominar os skis ou a prancha (nesta última o inicio é mais difícil, embora evoluir tecnicamente no ski requeira mais dedicação) e a não cair... excepto quando exageramos nas nossas capacidades... mas esta é a piada da coisa: o espírito de evoluir constantemente; levar a nossa capacidade física ao limite e fazer a última pista do dia como se não aguentássemos nem mais um metro. É claro que podemos esquiar mais calmamente e reservarmo-nos para o “aprés ski”...
Posso-vos dizer que é indescritível o prazer de deslizar calmamente a primeira pista da manhã: a neve lisinha; as pistas vazias; o silêncio só quebrado pelo “calcar” da neve dos skis ou da prancha; o calor ameno na cara gelada... tudo o que peço nesses momentos é que o relógio pare ali, naquele momento...


É claro que entretanto os músculos e as articulações começam a aquecer, e já não conseguimos controlar a adrenalina proporcionada por uma descida que nos tenta a aumentar a velocidade, a fazer viragens rápidas e a conduzir os skis como se estivéssemos ao volante de um WRC numa classificativa do campeonato de mundo de rallies; ou alternativamente, conduzir a prancha como se tivéssemos de baixo de nós uma fabulástica trail numa etapa do Lisboa-Dakar... acham que estou a exagerar concerteza... experimentem!


A semana passa a 300 à hora entre acordar de madrugada para não perder nem um minuto das pistas (que abrem às 9.00 e fecham às 17.00) e as saídas à noite para... fazer a digestão dos magníficos jantares! Sim, porque durante o dia as refeições são a conta-relógio... “estamos aqui para esquiar ou para conversar?!”.
Por muito cansativo que isto pareça, quando regressamos, rejuvenescemos 10 anos! Fisicamente, os nossos músculos dilataram... muito. Psiquicamente, a nossa capacidade de raciocínio é agora mais rápida umas 10 vezes e voltamos a conseguir fixar tudo o que acontece.

Se o vosso estilo de férias é o de dormir 12 horas e passar o dia deitado numa praia de um resort, onde permanecem 15 dias... esqueçam! Agora, se gostam de actividade física, se gostam da adrenalina à flor da pele, do desafio e da aventura... têm andado a perder tempo se ainda não experimentaram.

O ski/snowboard, ou se gosta muito (e tornamo-nos autênticos viciados e ansiosos pelas férias), ou se detesta. Não sou imparcial neste assunto... sou um autêntico fanático e faço-me acompanhar por outros tantos iguais a mim. As nossas férias de neve são pensadas imediatamente a seguir a termos regressado de uma destas intensivas semanas de férias e marcadas em Agosto. E sempre que podemos fazer um fim-de-semana em Espanha ou meia semana em Andorra, lá vamos nós!
Mas uma coisa é inegável... são férias inesquecíveis e muito divertidas!


Sérgio


P.S.: Fotografias retiradas do WEBSHOTS, com excepção da última, tirada em Les Menuires - Março 2005.

29 dezembro 2005

1.º Dia do Ano.


"All is quiet on New Year's day
a world in white gets underway
and I want to be with you
be with you night and day
Nothing changes on New Year's day,
on New Year's day
I will be with you again
I will be with you again

Under a blood red sky
A crowd has gathered (in) black and white
Arms entwined the chosen few
the newspaper says it says
Says it's true says it's true and
we can break through
Torn in two we can be one
I, I will begin again
I, I will begin again

Oh and maybe the time is right,
Oh maybe tonight
I will be with you again
I will be with you again

And so we are told this in golden age
And gold is the reason for the wars we wage,
Though I want to be with you,
To be with you night and day
Nothing changes on New Year's day..."

(New Year's Day - U2)


Adoro este dia! E sinto-o tal e qual como a música descreve...
É um dia com uma magia própria... parece que o Mundo pára!
Tudo é calmaria, tudo é sossego... não há stress e sente-se serenidade no ar. As pessoas carregam na expressão a esperança de que tudo seja diferente... só porque começa um ano novo!
Gosto também do sorriso que todos trazem no rosto e a forma como desejam “Um Bom Ano Novo” a todos com que se cruzam.
A expressão de nostalgia e ressaca (da passagem de ano) à mistura, dá uma emblemática engraçada a todos os que acordaram a meio da tarde e saem para tomar um café a uma esplanada, combatendo a sensação de que o dia já está a acabar.

Sem muito mais para dizer, quero desejar um 2006 cheio de felicidades e realizações a todos os que por aqui passam (e não só!). Espero também que a vossa passagem de ano seja tão cheia de cor como a fotografia em baixo!

FELIZ 2006!

Sérgio

P.S.: Fotografias retiradas do WEBSHOTS.


28 dezembro 2005

A Religião: ser ou não ser?... Crente...


Um dos maiores marcos na Religião Cristã é o nascimento de Jesus, simbolizado pelo Natal. Ora, como já constatamos no post do dia 23, tal não corresponde à verdade, sendo a tradição do Natal e da oferta de prendas é muito anterior ao ano zero... Posta por terra a tese dos Reis Magos, resta saber o que sobra das tradições cristãs na nossa vida actual e até que ponto, mesmo os crentes, ainda condicionam a sua vida por estes princípios. É que quase tudo tem outra explicação...

Entre Carnaval e Páscoa, duas datas cristãs, não me parece que alguém se abstenha de comer carne... eu não conheço ninguém! Da mesma forma, não conheço ninguém que jejue... Nem só às sextas-feiras isto acontece (versão light). E a frequência com que se vai à missa? Ou, ainda se vai à missa?! Nem ao Domingo (outra versão light)?!

Parece-me que a questão é mais profunda e prende-se mesmo com a ausência dos valores cristãos na mentalidade e hábitos quotidianos. Reparem que toda a dogmática da religião é baseada em sacrifícios, em obrigações, em privações, e especialmente, repressões. Toda este conjunto normativo destinou-se a oprimir o povo (Idade Média), tornando facilmente manipulável e dominável pelos senhores feudais (Clero, Nobreza e Família Real), que praticamente encabeçavam descendência divina, podendo estes fazer todo o tipo de tropelias e excepções a essa “Lei Divina” (eles próprios eram a Lei Divina e não só). Consequentemente, com o evoluir dos tempos e da liberdade de pensamento e expressão, foi fácil verificar que não havia razão para tanta opressão... Até porque, será que há vida depois da morte física?! Não será que isto soa tudo a conto do vigário?! Desculpem-me a heresia do eufemismo...
Por outro lado, as bases da religião são desprovidas de qualquer carácter lógico e científico; ou seja, só a Fé pode levar alguém a acreditar e respeitar esses princípios básicos: qual o sentido lógico que encontram numa virgem dar à luz um filho? E se um corpo desaparecer do tumulo? Dirão que alguém o removeu, ou que ressuscitou?...

É certo que ao longo da história, a Igreja deu uma protecção muito importante aos mais desprotegidos; mas não o Alto Clero. Esse Alto Clero esteve na origem de tudo quanto foi nocivo à Humanidade. A Inquisição e as Cruzadas (supostas guerras para proliferação da Religião, que se destinavam nada mais nem menos, do que a dominar e extorquir a riqueza dos outros povos, pela força) são bons exemplos disso... Muito criticável também parece-me a construção de templos sagrados, que tinham custos desmesurados para a altura e nível de vida sócio-económico das populações.

Nos últimos séculos temos assistido à intromissão cada vez mais descarada do Clero da esfera política e na busca da riqueza, poder, protagonismo e prestígio para os próprios. Por essa razão se observa a criação de tantas instituições de solidariedade à margem da Igreja e a desmistificação do carácter respeitável dos membros mais influentes do Clero, vindo a público fortunas pessoais e desrespeito generalizado pelo celibato (entre outras práticas mais... liberais). Sabiam que o Vaticano possui uma das maiores fortunas do Mundo? Porque não distribui-la pelos necessitados? Sabem quantas crianças morrem à fome por dia? Sabem quantas morrem por falta de cuidados de saúde, perante uma gripe, diarreia ou simples desidratação?

Em simultâneo, assiste-se a uma rigidez cega por parte do Vaticano, quanto a princípios básicos, como a questão da prática sexual exclusivamente para procriação, numa altura em que a SIDA arrasa de forma galopante a população, especialmente a africana. Que moral (se é que se pode falar em moral neste caso... haja bom senso!) tem a igreja para condenar a utilização do preservativo, quando em simultâneo, o próprio Papa comunica a todo o mundo que não permite a existência de homossexuais entre os sacerdotes?... Eu pensava que o Clero era assexuado... entenda-se, abstinente de práticas sexuais... ou será que apesar disso há espaço para as preferências? Do tipo, “gosto mas não como”?! Estão a ver Sua Excelência Bento XVI a dizer “...lá que dêem umas facadinhas no sacerdócio, ainda vá que não vá, agora paneleirices é que não!..”. Daqui a uns anos, outro Papa mais liberal dirá: “...meus amigos, ponho hoje fim à descriminação sexual entre os sacerdotes...”. Pelo menos acabava-se com a hipocrisia... objectivamente, porque é que a moral de alguém há-de estar no meio das pernas?!

Entendo que nos princípios morais religiosos há algo de importante a reter: o respeito pelo próximo. A nossa liberdade termina onde começa a dos outros... mas também não é preciso exagerar na opressão! Se Jesus Cristo existiu e a Religião Cristã pretendia o bem-estar e a felicidade de todos, pelo respeito mútuo, pela solidariedade e fraternidade, faz algum sentido construir normas de conduta tão severas e baseadas na repressão do comportamento? No terror do ajuste de contas final? Meus amigos, São Pedro não é o Director da Direcção Geral de Impostos! Não me parece pelo menos... parece-me sim que algo há de muito mal contado e a força da religião só se justifica pela ignorância das populações que durante muitos séculos estiveram desprovidas da capacidade de pensar. Até porque quem a adquirisse e exerce-se ia parar à fogueira... não se esqueçam que o Mundo é quadrado!

Mesmo assim há muitas coisas que não entendemos e para as quais apontamos uma justificação divina ou sobrenatural. Já para não falar que volta e meia vemo-nos “apertadinhos” e “pregámos aos santos todos”!
Mas que há algo de divino há! Pelo menos, nestas fotografias...



Sérgio

P.S.: fotografias retiradas do WEBSHOTS.

27 dezembro 2005

E Depois do Natal...


... o Ano Novo! Não, não era a isso que me referia...
Nestes dias que andei mais por casa, tive a oportunidade de olhar para a televisão e entre algumas aberrações (as notícias constantes sobre Simão Sabrosa e o Benfica; um chorrilho de telenovelas; programas supostamente de Natal, com coros de Natal infantis a cantarem músicas de Natal em “brasileiro”, apesar de serem Portugueses, com o meu primo lá no meio; o número de acidentes de viação sempre a subir), vi notícias sobre as vítimas do tsunami que abalou o mundo no ano passado, e sobre o facto que cada vez mais as pessoas não passarem o Natal em casa com a família (vão de férias; comemoram o Natal num jantar organizado num hotel entre desconhecidos; estão sozinhos e saem à noite e enchem bares e discotecas).

Começando pelas vítimas do tsunami e pela brutalidade desta catástrofe, envergonho-me de ser “europeu”, como me envergonharia se “americano” fosse, pois tanto a UE como os EUA, ainda não entregaram nem metade dos donativos a que se comprometeram...
Por outro lado, quando vejo estas catástrofes acontecerem, levam-me a pensar o quanto a vida é volátil... Olhando para os sobreviventes, todas as minhas prioridades se invertem: não seria bem mais útil fazer mais um donativo, em vez de comprar, por exemplo, um casaco novo? Não sei porquê, mas as boas intenções comigo morrem sempre depressa e a velocidade do dia a dia, as solicitações constantes das mais diversas coisas levam-me a esquecer o que realmente é importante e deveria ser tão prioritário mim quanto vital para alguns desprotegidos.
Às vezes tenho vontade de abandonar tudo e partir numa missão humanitária, porque saber que há pessoas que são “espezinhadas” e oprimidas por outras mais poderosas e ninguém se preocupa com isso, sinceramente, revolta-me! O que mais peço a mim mesmo, é que nunca corra o risco de fazer o mesmo a alguém... Depois, o tempo a passar, a cobardia, o conformismo e muito egoísmo vencem estes ímpetos... há sempre alguma coisa que me prende e que eu quero ver acabada. Até porque se um dia partir, não volto... não consigo deixar coisas a meio.

Todos os anos constato também, que cada vez é maior o número de pessoas que passa o Natal sozinha. Tal justifica-se por questões profissionais e/ou pela distância a que a família se encontra. Mesmo assim é triste que isso aconteça... mas o mundo não pára...
Começo a achar estranho que alguém opte por passar a noite de Natal num hotel, com uma consoada sobejamente organizada e preparada, mas passada com um ou outro familiar no meio de estranhos... será que o trabalho de organizar esta ceia em família justifica a impessoalidade da situação? Eu acho que não, mas não critico quem pense o contrário... a verdade é que os hotéis estiveram cheios...
Quanto a aproveitar a quadra natalícia para uns dias férias num país tropical, ou numa estância de neve, ou em Nova Iorque? Ou em... Acho que não descontrairia o suficiente para gozar as férias, porque para mim o Natal é a festa da família... e gosto especialmente de dedicar estes dias aos mais velhos (e sabe-se lá quantos mais anos o posso fazer...).

Resta-me entender que cada vez mais as famílias são pequenas; cada vez mais as pessoas não têm família próxima... a que têm é muito afastada em todos os sentidos... Nestes casos, os amigos são a família que escolhemos, logo é natural que ocupem o seu lugar... E como entre amigos não há formalidades, todo o leque de opções que o Mundo nos oferece, pode constituir uma excelente ideia para um Natal diferente, mas colmatador do vazio que não queremos sentir.

Esta época sem dúvida é carismática; tem magia e misticismo e encanta qualquer um... importante era que depois das comemorações do Ano Novo, não nos esquecêssemos de tudo aquilo que sentimos no Natal... concerteza faríamos um mundo melhor!

Sérgio

23 dezembro 2005

Natal e um Pouco Mais...


Muito se tem dito sobre o Natal, e se a hiprocrisia, o egoísmo, o excesso comercial e a cada vez menor fraternidade são criticáveis, a verdade é que é a altura do ano em que mais nos lembramos dos outros: família, amigos, do mundo externo e dos desprotegidos e mais necessitados. Nem que seja por isso, é de louvar esta quadra e só assim se justifica o conjunto de tradições que a ela se associam. Para quem esteja interessado em saber um pouco mais sobre o que é o Natal e o porquê de alguns costumes, aqui fica um texto que me enviaram ontem (obrigado Rosa!) e cuja autoria é oriunda de um sitio brasileiro de título "Corujando Dia e Noite" (www.corujando.com.br), assinado por Kakauzinha®.

Desejo a todos os visitantes deste blog um Feliz Natal, assim como às suas famílias e a todos aqueles de quem tanto gostam e estimam.

Sérgio


Costumes
Alguns dos costumes que chegaram até nós são de origem muito antiga, outros nem tanto, vamos procurar os seus porquês.

Cores do Natal
Esta tradição remonta aos festivais do solstício de que já vimos na breve história.O verde é a cor das verduras que tem uma grande importância na decoração.O vermelho apareceu por causa do azevinho.Este arbusto dá-se ao longo do Inverno e cobre-se de bagas vermelhas.Diz-se que este nascer das suas bagas simboliza Cristo.É também uma das chamadas cores quentes, que no frio do Inverno dá a sensação de aquecimento e apela aos sentimentos mais nobres do coração - sinónimos do Natal.

Enfeites
Os principais enfeites de Natal consistiam em frutos da época, doces e bolos.Mais tarde os vidreiros alemães, fabricaram objectos mais leves com os quais se podia enfeitar a árvore.Pequenos enfeites e doces também eram ai colocados pelas crianças.Actualmente a imaginação não pára.
Existem verdadeiros regalos para a nossa vista.Mas afinal porque enfeitamos a árvore de Natal?Mais uma vez, estamos no reino do ritual pagão. Na Idade Média as pessoas acreditavam em espíritos das árvores, enfeitavam árvores todos os anos durante o Inverno. Quando no Outono as folhas caiam pensavam que os espíritos das árvores as tinham abandonado. Isto motivava receios de que não pudessem regressar a essas árvores na Primavera seguinte. Se tal acontecesse, as árvores ficavam nuas e não dariam mais frutos.Para fazer com que os espíritos regressassem às árvores, penduravam-se nas mesmas decorações de pedras pintadas ou de panos coloridos. A ideia era a de tornar atraente as árvores para que os espíritos regressassem e as habitassem de novo. Para encanto de todos, isto funcionava maravilhosamente bem, e todos os anos, ma Primavera, as folhas despontavam novamente nas árvores.Depois deste costume, as pessoas começaram a trazer uma árvore para dentro de casa no período do Natal. Quando o novo costume de trazer para dentro de casa pequenos abetos, teve início na Alemanha, era perfeitamente natural acrescentar-lhe enfeites. Estes passaram a ser variados: doces, rebuçados, correntes de pequenas bolas de vidro, ornamentos de papel, velas e muitos mais. De salientar o facto de que hoje as velas não são utilizadas por serem consideradas perigosas e foram substituídas por pequenas lâmpadas eléctricas coloridas ou não.

Meias e Sapatos
A tradição de colocar os sapatinhos ou a de pendurar as meias junto à chaminé pensa-se que veio da cidade de Amesterdão. Aqui as crianças tinham esse costume. Deixavam os sapatos à porta, na véspera do dia de S. Nicolau (Ver Pai Natal), para que este se enchesse de presentes.Diz a lenda que São Nicolau teve conhecimento de que três raparigas muito pobres não podiam casar-se porque não tinham dinheiro. Então, São Nicolau comovido durante a noite, para não ser visto, atirou moedas de ouro pela chaminé, as quais foram cair dentro das meias que nela estavam a secar, junto ao fogo.Por esse motivo surgiu a tradição de se colocar a meia ou o sapato na chaminé, para que na manhã do dia de Natal neles fossem encontrados presentes

As estrelas
A estrela de Belém é de tradição cristã e tem o lugar importante nas representações de Natal. Normalmente coloca-se em cima da árvore de Natal, no Presépio, e nas portas. No entanto o aparecimento desta estrela quando Jesus nasceu permanece um mistério.

A verdura
As civilizações pagãs, durante o solstício de Inverno, tinham por hábito decorar as casas com verdura que, segundo elas tinham poderes mágicos.O azevinho entre os Romanos era trocado como presente e, nos nossos dias, tornou-se a principal planta do Natal. Em Inglaterra por exemplo, era considerado sagrado.Uma lenda diz que, Baco ao atravessar o país, ficou tão impressionado com a sua beleza que decidiu plantar ali azevinho, deixando-o como uma lembrança especial. Para além dos presentes, os romanos consideravam-no como símbolo de paz e felicidade, e os magos celtas usavam-no como antídoto contra venenos.O azevinho liga-se à história cristã como planta que permitiu esconder Jesus dos soldados de Herodes. Em compensação, diz a lenda, foi-lhe dado o privilégio de conservar as suas folhas sempre verdes, mesmo durante o mais rigoroso Inverno.No início a Igreja proibiu as verduras, mas mais tarde, acabou por consenti-las como símbolo de vida, portanto de Cristo.Há regiões onde se usa pendurar à porta de casa ou por trás das janelas uma coroa de loureiro, o que significa que o nascimento de Jesus foi uma vitória sobre a morte e o pecado.

O presépio
O primeiro presépio foi feito na Igreja de Santa Maria em Roma.Rapidamente este costume foi alargado o outras igrejas.Foi S. Francisco de Assis (1181-1226), porém, o primeiro a representá-lo como a Bíblia descreve a natividade. Uma gruta, a manjedoura, animais e figuras esculpidas.Esta representação ganhou raízes e tornou-se popular em todo o mundo cristão.

Os sinos
Os antigos tinham as superstição de que o barulho de campainhas e sinos afastava os maus espíritos. Parte deste ritual manteve-se, no entanto o sentido com que os sinos tocam é diferente.O seu toque no Natal simboliza alegria e júbilo pelo nascimento de Jesus Cristo e todos os cristãos louvam o Menino.

Os Postais
O criador do primeiro postal de Natal foi John Horsley. O seu amigo deu-lhe a ideia e o seu postal foi impresso em 1843.Foram feitas mil cópias. Nele podiam ver-se três painéis representando, um deles, uma família inglesa gozando o feriado e, os outros dois, mostrando obras de caridade. Podia ainda ler-se as frases "Alegre Natal e Feliz Ano Novo".Nessa mesma altura, o Revendo Edward Bradley desenhou à mão juntamente com W. A. Dobson, postais de Natal para enviar a familiares e amigos.Em breve este costume de desejar boas festas tornou-se usual.Em 1840, tornou-se possível enviar pelo correio estes postais. A partir de 1860 começaram a executar-se postais cada vez mais elaborados e, em breve, esta arte tornou-se popular. As pessoas adquiriram-nos para desejarem festas felizes a familiares e amigos.Hoje em dia encontram-se à venda uma grande diversidade de postais de Natal, a maior parte com motivos religiosos representando a Natividade.

Missa do Galo
A Missa do Galo, também conhecida por Missa da Meia Noite, celebra-se devido ao fato de a tradição dizer que Jesus nasceu à meia-noite. Para os católicos Romanos, este costume de assistir a esta Missa começou no ano 400.Nos países latinos, esta missa é chamada Missa do Galo, porque, segundo a lenda, a única vez que um galo cantou à meia noite foi na noite em que Jesus nasceu.Outra lenda muito antiga diz que, antes de baterem as doze badaladas da meia-noite do dia 24 de Dezembro, cada lavrador da província espanhola de Toledo matava um galo em memória daquele que cantou três vezes quando Pedro negou Jesus, por altura da Sua morte. Depois a ave era levada para a igreja, a fim de ser oferecida aos pobres que, assim, podiam ver melhorado o seu almoço de Natal.Em algumas aldeias portuguesas e espanholas, era costume levar o galo para a igreja, para que ele cantasse durante a missa. Quando este cantava todos ficavam felizes, pois isso representava o prenúncio de boas colheitas. Se o galo não cantasse era considerado um mau sinal. Mas este costume é muito recente, quando comparado com a Missa do Galo.

As velas
Nas suas festas chamadas de Saturnais, os romanos acendiam velas para pedirem que o Sol brilhasse de novo (solstício de Inverno). Nessa altura do ano, a escuridão e o frio eram maiores, pelo que as velas forneciam luz e algum calor. Mais uma vez o cristianismo absorveu esse costume e tornou-o sagrado à sua maneira, dizendo que, dado que Cristo era a Luz do Mundo, a chama da vela simboliza a sua influência.As pessoas foram encorajadas a acender muitas velas para reforçar esse simbolismo. era costume corrente colocar uma ou várias numa janela, para guiar o espírito de Cristo, através da noite escura, para a casa de cada um. Outras eram fixadas à árvore de Natal, mas isto dava origem frequentemente a acidentes. Quando mal colocada, podia pegar fogo e era costume destacar uma pessoa para ficar ao pé da árvore sempre que esta era iluminada. Este paciente guardião estava armado com uma grande vara, com uma esponja ou um bocado de pano húmido na ponta, pronto para deitar água a qualquer foco de incêndio.As velas iluminada apareceram pela primeira vez em 1882 nos Estados Unidos (Companhia Eléctrica Edison)Admitamos contudo que, apesar de serem muito mais seguras, falta-lhes de alguma forma a qualidade mágica das chamas cintilantes e nuas de ontem.É comum acendermos velas nas igrejas e também nas nossas casas durante o Natal.

Coroa de natal
É costume pendurar no lado de fora da porta uma coroa durante os doze dias do Natal. Este costume é mais popular nos Estados Unidos, mas espalhou-se para o resto do mundo cristão, devido à influência do cinema americano.Actualmente, dizemos frequentemente "à sua saúde" quando compartilhamos com amigos e familiares uma bebida.Para os romanos, a oferta de um ramo de uma planta significava um voto semelhante. O uso de coroas remonta à Roma antiga e para as tornar mais atraentes, tornou-se costume enrolar esses ramos numa coroa.Para aumentar as possibilidades de todos os da casa terem saúde no ano seguinte, os romanos exibiam essas coroas nas portas.Actualmente, as pessoas têm tendência para comprar a coroa de Natal que penduram na porta da frente, mas, rigorosamente falando, se desejarmos seguir com toda a correcção a tradição romana, só devíamos pendurar as coroas que nos tivessem sido dadas por outras pessoas.

Frutas secas
A apresentação de uma grande variedade de frutos secos no Natal é mais do que uma questão gastronómica.Os frutos secos têm uma ligação muito forte e particular com o solstício do Inverno. Na antiga Roma, eram um presente habitual durante as celebrações eram especialmente apreciados pelas crianças, que os valorizavam quer como brinquedos quer como comida.Os rapazes divertiam-se a jogar a berlinda com eles. Entre as classes sociais mais elevadas, os frutos secos tornavam-se mais especiais por serem cobertos de ouro, e estes frutos secos dourados serviam quer como presentes quer como decorações.Para os romanos, cada tipo de fruto seco tinha um significado especial. As avelãs evitavam a fome, as nozes relacionavam-se com a abundância e prosperidade, as amêndoas protegiam as pessoas dos efeitos da bebida. Por isso, os frutos secos que colocamos à mesa no Natal são mais do que simples alimentos, é um antigo costume romano que promete a ausência de fome, pobreza e protege contra os excessos da bebida.

Véspera de Natal - Dia 24 de Dezembro
Para os crentes a véspera de Natal é a parte mais emocionante da época natalícia, porque anuncia o momento em que podemos começar a celebrar o nascimento de Jesus. É uma antiga tradição dizer que Jesus nasceu no dia 25,de Dezembro exactamente à meia-noite.Quando os cristãos ouvem os sinos tocar à meia-noite, surge de novo o sentimento de que Cristo está a entrar no mundo e de que o demónio o está a abandonar. É um momento emocional muito importante para aqueles que têm uma fé pessoal forte.Existe um mito de que, no exacto momento do nascimento de Jesus todos os animais conseguiram de súbito falar e comportar-se como pessoas. Nos campos, viraram-se para Leste e ajoelharam-se a rezar.Existe também a lenda de que à meia-noite da véspera de Natal todas as abelhas que estavam a hibernar acordariam nos seus cortiços e começariam a zumbir em uníssono o Salmo 100. Ao mesmo tempo as portas do Paraíso abrir-se-iam e, durante alguns instantes, deixariam passar fosse quem fosse (abençoados e pecadores) para entrar directamente no Céu.A influência de Jesus era tão forte que, quando os sinos tocassem à meia-noite os espíritos malignos seriam incapazes de fazer mal.

Papai Noel
Há muitos anos, o Inverno era motivo de preocupação para todos os povos, uma vez que trazia consigo tristeza e muitas privações. Como tal, as pessoas apelavam aos deuses para que o tornasse menos rigoroso.Este apelo, entre os nórdicos era representado por alguém que eles vestiam com trajes simbolizando o Inverno. Esta tradição foi seguida pelos ingleses que chamavam a esta figura de "Velho Inverno" ou " Velho Pai Natal". Davam-lhe comida e bebida para que ficasse alegre. Esta figura andava de casa em casa, visitando as pessoas e participando nas festas, mas não distribuía presentes, nem ajudava os mais desprotegidos.Mais tarde o Pai Natal foi associado à figura do bispo S. Nicolau, confundindo-se indevidamente com ele.

Natal de hoje
O Natal dos nossos dias (algumas dezenas de anos) também tem "costumes" e são muito marcados pelos meios de comunicação social. Têm uma grande componente comercial, e entre eles assumem particular importância a televisão, os presentes e a árvore de Natal.

Media
Os meios de comunicação social em especial a televisão começam com bastante antecedência a falar do Natal.Em todo o lado surgem notícias fazendo referências ao Natal, como decorar, o que oferecer, o que comer, etc.Nesta altura surgem anúncios de todo o tipo, com novidades em termos de brinquedos, Transmitem-se nesta altura filmes alusivos ao Natal, circos e espectáculos musicais. As orquestras sinfónicas , tocam maravilhosas melodias de Natal.Existem programas para todos, e em Portugal é hábito à já alguns anos, a transmissão de um programa dedicado aos doentes, "Natal dos Hospitais", que vem alegrar um pouco mais aqueles que sofrem nesta altura do ano.Podemos alugar vídeos bíblicos ou histórias para crianças sobre o Natal, para toda a família ver. Os mais conhecidos são "Um Conto de Natal", "Jesus de Nazaré", "Os Dez Mandamentos", e muitos mais.

Os presentes
Outros dos rituais que nos enche de alegria (e por vezes de stress :-)) é a compra dos presentes. Quem não gosta de oferecer um presente aos seus familiares e, especialmente às crianças?O comércio enche-se de montras atractivas e irresistíveis, que nos dificultam em muitas casos a escolha.Mas o importante é não nos esquecermos de oferecer algo aqueles de quem gostamos, não importa se é cara ou barata, importa é se é dada com amor.O ato de trocar presentes entre aqueles que estão próximos uns dos outros é o mais antigo de todos os costumes do solstício do Inverno. As suas origens remotas podem ser seguidas até à Idade da Pedra Polida, há cerca de 10 mil anos, quando os seres humanos começaram a substituir a incerteza da vida caçadora, pelas garantias mais seguras da agricultura. O aparecimento da agricultura, traduziu-se pela primeira vez, num excedente de comida, o que tornou possível criar provisões de alimentos que ajudariam as pessoas durante os meses duros do Inverno.Após terem passado os meses mais difíceis, a Primavera fazia os bons dias aparecerem e isso exigia uma grande celebração e uma maior descontracção em relação às provisões acumuladas. Organizava-se uma festa.Cada agricultor tinha as suas especialidades alimentares e preparava-se uma troca de alimentos. Desta maneira todos podiam gozar de uma rica variedade de pratos.Esta troca de comida foi o costume original da troca de presentes no solstício do Inverno e transformou-se no núcleo central das festividades. Tudo o resto que se desenvolveu mais tarde se centralizava em volta dela.Ao longo dos séculos, a gama de presentes aumentou, passando a incluir outras coisas além da comida. Na Roma antiga, a cerimónia da entrega de presentes tornou-se altamente elaborada e atraiu muitas superstições.Com a chegada da era cristã, o ritual extremamente popular da oferta de presentes esteve para ser abolido, no entanto, era um costume demasiado enraizado e não conseguiram os seus intentos. Então se os não podes vencer junta-te a eles, e foi isso que aconteceu, no seu novo contexto sagrado, da oferta de presentes de Natal, dizia-se agora que simbolizava a entrega de oferendas ao menino Jesus pelos Reis Magos, vindos do Oriente.Os presentes dados às pessoas que se amam são símbolos de gratidão e reforçam os laços sociais.Vive-se hoje em dia um consumismo desenfreado, que deturpa o espírito do Natal, e são os adultos quem mais contribui para isso. Estamos progressivamente a substituir o amor pelo dinheiro. Meditemos um pouco antes de gastarmos o subsídio de Natal.

A Árvore de Natal
No decurso de algumas décadas o pinheiro começou a ganhar espaço nas celebrações do Natal, usufruindo agora de um estatuto quase sagrado, embora não tenha nenhuma relação com a genuína cultura do mundo mediterrâneo, a que pertencemos, e onde nos integramos no plano da nossa civilização. Sendo cristãos (no meu caso de tradição católica), assimilamos esse costume pagão, inventado por S. Bonifácio, de encher o pinheiro de adornos, tais como bolas coloridas, estrelas douradas, fitas, etc., instalando-o num canto da sala perto da lareira (se existir).A verdade é que penetrou a fundo na rotina dos nossos hábitos mais recentes e não se observam indícios de que a moda seja passageira. Veio para ficar.Hoje em dia, a maior parte das famílias compra uma árvore para decorar a sua casa. Esta poderá ser artificial "pinheiro nórdico" ou o natural e tradicional pinheiro português.Actualmente encontram-se no mercado vários tipos de pinheiros, desde os naturais, (que causam transtornos ao equilíbrio ecológico, dado à destruição alarmante dessas árvores em pleno processo de crescimento), aos artificiais feitos de materiais sintéticos que se desmontam e se guardam até à próxima época natalícia.O comércio dos pinheiros pode ver-se em grandes armazéns, mercados e à beira da estrada em tendas.A própria procura da árvore, entusiasma adultos e crianças e o ritual dos enfeites faz parte dos festejos.As decorações ficam dependentes da imaginação de cada um e nas famílias cristãs portuguesas é obrigatório o uso das bolas e fitas coloridas, e tendo no cimo uma estrela " A estrela de Belém".Começa também a ressurgir em Portugal enfeitar a árvore de Natal com laços vermelhos e dourados, que é uma tradição da época vitoriana.Mas nós cristãos não podemos deixar o presépio para segundo plano, porque ele, de fato, é o símbolo mais importante do Natal. E existem, como todos sabemos verdadeiras obras de arte.

As lareiras
Todas as pessoas que têm a sorte de ter uma lareira em suas casas podem ter motivos muito diversos e adequados à sua decoração, na quadra do Natal.A lareira também está ligada ao Natal, basta pensarmos no sapatinho colocado na chaminé, ou nas meias penduradas nas mesmas ou até na lenda do Pai Natal descendo pela chaminé.Se estiver uma noite fria e a lareira decorada com motivos natalícios (ao gosto de cada um), é fácil pensarmos no ambiente alegre e cheio de calor humano que poderemos proporcionar à família que estiver connosco na noite de consoada.

Décimo terceiro - subsídio de Natal
Em 1899, F. W. Woolworth, foi a primeira pessoa a dar um bónus de ordenado nesta altura do ano. Ele deu aos seus empregados 5 dólares por cada ano de serviço. Este homem acreditava que desta forma tornava os trabalhadores mais felizes, o que reflectia no trabalho.Mais tarde este gesto deu origem às gorjetas. Nesta altura do ano, começou por se dar gratificações às empregadas domésticas, aos empregados de restaurantes, cafés, etc. Hoje podemos ver em certas casas comerciais uma caixinha enfeitada, para as dádivas, e está escrito o seguinte, "Os empregados agradecem e desejam festas felizes".As empresas também são obrigadas por lei a darem nesta altura do ano, um subsídio aos seus trabalhadores. A maior parte paga este subsídio em Novembro, para darem aos empregados a possibilidade de fazerem as suas compras e prepararem a celebração do Natal com a devida antecedência.

Livros e canções
Ao longo dos anos muitos autores têm escrito histórias e poemas sobre o Natal, que deliciam as crianças e porque não dizê-lo os adultos.Charles Dickens, entre 1843 e 1868, escreveu praticamente durante todos estes anos, contos de Natal. Alguns dos seus êxitos foram "A Christmas Carol" e "O cântico de Natal".Luisa Alcott, ficou celebre com o livro "Mulherzinhas", no qual os dois primeiros capítulos são dedicados ao Natal e ensinam-nos que, mesmo não havendo dinheiro, se existir fé, generosidade e amor ao próximo, isso já é causa para a celebração do Natal.Hans Christian Anderson, Mark Twain, Shakespeare e muitos outros também escreveram sobre o Natal.Sobre melodias...é melhor ouvirmos algumas e...sonhar um pouco

Natal Branco
Porque associamos o Natal à brancura? A resposta é porque durante os primeiros oito anos da vida de Charles Dickens, o Natal foi sempre branco de neve.Recordando a sua infância, Dickens tirou partido dela no seu famoso conto de Natal, publicado em Dezembro de 1843.A história foi um grande sucesso, toda a gente que leu a história, ficou comovida e, de repente, sentiu-se mais sentimental acerca do tema do Natal. Um filósofo escocês que, por uma questão nacionalista, não respeita o dia de Natal, ao ler o livro, mandou buscar um peru e convidou dois amigos para jantar.A imagem criada por Dickens conduziu ao mito de que um Natal verdadeiramente bom devia ser branco. Os cenários ligados à neve transformaram-se em ilustrações-padrão dos produtos de Natal.Um século depois de Dickens ter escrito o seu livro, Hollywood apareceu com o filme de Natal, com Fred Astaire e Bing Crosby, chamado Holiday Inn, cujo tema musical I´m Dreaming of a White Christmas ganhou um Oscar. Ao surgir no auge da segunda guerra mundial, teve um enorme impacto sobre o mundo que ansiava pela paz e que era simbolizada pelo espírito do Natal. A canção foi um enorme sucesso e mais tarde com novos arranjos, veio a chamar-se White Christmas.Em Portugal são poucas as regiões que podem ver o Natal branco, para a maior parte das pessoas continuará a ser um sonho.

A Gastronomia
Hoje em dia o Natal, é essencialmente uma festa reservada à comunhão da família, que se reúne à volta da mesa (ceia) posta a preceito e devidamente enfeitada, normalmente com azevinho.Apesar da tendência acelerada cada país mantém ainda certos pratos tradicionais. Enquanto que na Alemanha o prato tradicional é a carpa cozinhada com cerveja, na Itália o ênfase gastronómico vai para a massa folhada com recheio de carne ou de peixe. Quanto aos franceses, incluem na ementa ganso, ao contrário dos espanhóis que não dispensam o peru e o leitão, manjares regados com vinho espumoso a que chama cava.No que diz respeito aos portugueses, a ementa muda de província para província e altera-se consoante as regiões. No Norte e nas Beiras (particularmente na Beira Baixa) come-se o bacalhau cozido com couves e arroz de polvo. Entre os doces, distinguem-se as rabanadas e a aletria com desenhos de canela. Também não falta o sortido de frutos secos, castanhas, figos, amêndoas, nozes e passas - e o vinho do Porto que os brindes exigem.Finalmente o peru recheado é também um prato que muitas famílias adoptam na ceia como o principal prato do dia de Natal.


Texto da Autoria de "Corujando Dia e Noite"
(www.corujando.com.br), Kakauzinha® .

22 dezembro 2005

Podia Ser Natal... e Não Ser Farsa.


O que escrevo hoje não é novo e não vai mudar nada... O que escrevo hoje vai cair no esquecimento, como caíram palavras de pessoas bem mais sábias e mais bem escritas... Mesmo assim vou escrevê-lo, porque quero continuar a acreditar que as coisas podem sempre ser melhoradas; quero continuar a acreditar que é possível que o Mundo seja um lugar melhor; e se o pretendemos, devemos começar por mudarmo-nos a nós mesmos em vez de ficarmos à espera que os outros mudem. È claro que isto não se consegue com uma pessoa, nem com um grupo de amigos... nem mesmo com um país! Por isso, até eu vou-me esquecer do que escrevo hoje.

Todos os anos, crentes em Deus ou não, aderem ao espírito comercial do Natal. Compramos um montão de prendas e mal temos tempo para as entregar aos destinatários!!! Oferecemos bens materiais a pessoas, muitas das quais, precisam de atenção e carinho, tendo dificuldade em arrumar nas suas casas uma quantidade interminável e inútil de “canquilharia” oferecida a título de “lembrança”. A adicionar a isto, cada vez é maior o número de pessoas que não têm Natal, dormem ao relento e lutam dia a dia contra a fome, doença e solidão. Há ainda os que lutam para continuarem vivos... é que o Natal é uma data predilecta para alguns terroristas... É neste egoísmo e hipocrisia que vamos continuando; podia ser pior... pelo menos o Natal serve para nos lembrarmos de algumas pessoas e independentemente de tudo o resto, sempre se respira algum carinho, harmonia e felicidade!

A situação a nível mundial é muito grave... 95% da riqueza mundial está concentrada em apenas 15% da população. Sabiam que menos de 20% da população mundial tem conta bancária? As necessidades são muitas, mas mesmo assim os “senhores dos milhões” preferem prendar-se a si mesmos com uma excentricidade qualquer, do que alimentar centenas de necessitados durante um ano (até eu e ao meu nível, podia abdicar que alguns luxos e fazer doações... já pensei em não comprar prendas e oferecer aos mais necessitados o orçamento disponível... mas à ultima da hora acobardo-me pelo medo de ser injusto com as pessoas que gosto); os governos dos países ricos em recursos naturais, preferem o desperdício de recursos escassos ao crescimento económico sustentável, só para que o poder não fuja das mãos de meia dúzia de “imbecis”.

Mas não pensem que só há grandes atrocidades... todos os dias tropeçamos em centenas delas... pequenas, mas que doem... Querem um exemplo de injustiça e hipocrisia? Aqui vai... Na empresa em que trabalho (Agência de Inovação, S.A. – empresa privada de capitais públicos que faz a gestão de fundos públicos e comunitários para dinamizar a inovação empresarial e transferência de tecnologia) foram contratados 13 estagiários recém-licenciados. O ordenado pago é de 530€... menos que a telefonista ou a empregada da limpeza... mas não fica por aqui! Estes estagiários foram contratados todos de uma vez e quando chegaram nem sitio tinham para se sentar. Não foram devidamente apresentados, muito menos lhes foi dada qualquer formação. Irão trabalhar tarefa a tarefa, a conta-gotas doseado por alguns coordenadores que não terão disponibilidade para os acompanhar devidamente. Durante o contrato darão à manivela com quanto força tiverem; sempre que a manivela encravar, não saberão como resolver o assunto. Trabalharão sem horário e sem pagamento de horas extraordinárias, sem qualquer programação do trabalho... suportarão o caos na ânsia de conseguirem um lugar de trabalho no futuro (porque sabem que dos 13 talvez fiquem 3...). Uma das estagiárias sujeitou-se a ir para Lisboa, mesmo sendo da Póvoa de Varzim. Como será que estes novos colegas engoliram o almoço de Natal da empresa? Terão alguma espinha de bacalhau entalada? O que terão achado de toda aquela alegria e fraternidade tão artificial? Eu estou com dores de estômago e nem sequer fui ao almoço...
Por isso é que nunca serei um bom economista... este facto foi aceite com a maior naturalidade pela empresa. Tentei contrapor à Administração, mas sem qualquer êxito... os argumentos são os do costume. Que me interessa a mim que todos os empresários façam o mesmo? Está errado! A escravidão foi abolida há séculos, independentemente de ser ou não uma oportunidade do mercado! Não é pelos outros se comportarem sem princípios e escrúpulos que devemos copiar ou aceitar essa forma de agir.
Tentei usar outros argumentos, como a qualidade do trabalho: mais valia contratar só 5, forma-los convenientemente e criar profissionais válidos, capazes de acrescentar valor ao trabalho a desenvolver, capazes de “pensarem”, em vez de se limitarem a “deglutir papel”.
Ainda por cima, a maior ironia de tudo isto, é que dinheiro não falta nesta casa... os programas tinham seus orçamentos executados a 50% em finais de Setembro, por falta de ideias válidas por parte da Administração para atingir os fins em causa. Ora, se há trabalho atrasado, vamos resolve-lo bem... caso haja erros (e há sempre) na altura de encerramento dos programas, as pessoas que os cometeram já cá não estarão para os justificar ou corrigir. E quem o fará?

Os Portugueses criticaram países estrangeiros porque durante anos maltrataram os nossos que noutras terras tentaram a fortuna. Hoje em dia fazemos isso aos estrangeiros e a nós mesmos...

Sérgio


Podia ser Natal

“Podia haver uma luz em cada mesa
E uma família em cada casa
Jesus em Dezembro, aqui na Terra
Podia ser Natal e não ser farsa.

A história certa é
Natal de porta aberta
A ceia servida é a vida
Do Criador

Podia ser notícia o fim da Amargura
Que divide os homens por trás dos canhões
A fome e a miséria servem a loucura
Que forja profetas e divide as nações.

Podia ser verdade o tom e o discurso
Desse velho actor falando aos fiéis
Mas nada se passa na noite do mundo
Máscaras de dor, pequenos papéis

A história certa é
Natal de porta aberta
Podia ser Natal."


Letra e Música de António Manuel Ribeiro
Dueto com Miguel Ângelo em “Espanta Espíritos”
(Colectânea de Natal de Música Portuguesa editada em 1995)

21 dezembro 2005

3 Meses.

Faz hoje pouco mais de 3 meses que comecei a dedicar algum do meu tempo a este sitio.
O CARMOBLOG começou a título de brincadeira e sem destino previsto... e continua na mesma! Mas como me diverte que assim seja, assim vai continuar...

Para comemorar estes 3 meses e solidificar esta posição, instalei um contador de visitas!

Bom Natal!
Sérgio

Solariso.

Ora aí estão duas coisas que eu prezo: sol e riso... estava a brincar! Foi só uma maneira de vos introduzir um blog que tenho assiduamente visitado.
Recomendo-vos umas passagens por este sitio e a leitura atenta dos posts sobre o Natal, Candidato Manuel Alegre, Plano Tecnológico, Ecologia, entre outros temas da actualidade.
Aqui fica o endereço: http://solariso.blogspot.com. Parabéns ao seu autor, Pedro Miguel Rocha.

Sérgio

20 dezembro 2005

Paulo Malekith Rema

Apresento-vos um blog de um escritor cuja originalidade me surpreende.
Sem me querer alongar ou comentar algo que não tenho capacidade para fazer, deixo-vos o link do blog e recomendo-vos a leitura de dois dos mais recentes posts editados: "Fuga"; e a "Inverdade de uma Mulher".
Sérgio

16 dezembro 2005

27.º Aniversário da Jo-Jo's.


Ontem 15 de Dezembro fui surpreendido com um email da discoteca em que habitualmente e desde há muitos anos adquiro discos e cd's.
27 anos... é muita coisa! Especialmente porque tendo eu 33 e sendo cliente desta discoteca desde a sua abertura (na altura, mais propriamente o meu Pai), vi as mudanças da loja dentro do C.C. de Cedofeita e mais recentemente para a Rua de Cedofeita. Ao longo deste anos tantas e tantas discotecas abriram e fecharam (Tubitek, Bimotor, Sofisticada, Philcolândia, Arnaldo e Trindade, Peggy, Melody, Roma Mega Store, Virgin Mega Store... Valentim de Carvalho). No meio disto tudo, a FNAC soube aproveitar o momento frágil de grande parte destas lojas, provocado pelas obras no Porto, que tornavam o seu acesso difícil. Pena é que não tenha a qualidade destas...

Se a Jo-Jo's inicialmente supriu as dificuldades de uma loja pequena num centro comercial que rapidamente se degradou, graças à venda postal e por catálogo, rapidamente se fez monir de bases de dados volumosas, dedicando-se à venda por encomenda e a nichos de mercado. A generalização da internet serviu-lhe que nem uma luva, tendo criado a 1.ª loja online Portuguesa. A recente mudança para um espaço novo, maior e em contacto directo com a rua, permitiu um atendimento de melhor qualidade ao publico e diversificar com a exclusividade habitual para outras áreas além dos CDs (livros, DVDs, vinil, aparelhagem e consumíveis audio e video).
Nesta discoteca já se formaram excelentes profissionais, que em altura própria seguiram outros rumos. A escola Artur Ribeiro dá frutos, aos quais não é alheio o Paulo.
Mas todo este dinamismo tem um nome: Artur Ribeiro. O actual proprietário comprou a discoteca algum tempo depois da sua criação e desenvolveu desde logo as estratégias referidas. Hoje possui uma equipa que lhe permite garantir um futuro de sucesso. A marca CD GO foi mais um passo definitivo nesse sentido. Mas esta equipa nunca parou de inovar: conhecem alguma discoteca que vos leve as comprar a casa? Pois passaram a conhecer!
Vou a este espaço muitas vezes, faço encomendas pelo telefone (até me conhecem a voz...), o Artur, o Paulo e o Eduardo até já adivinham dos discos novos que saiem, os que eu vou gostar. É também habitual encontrar na Jo-Jo's alguns colunáveis a fazerem as suas aquisições e descobertas... ontem não foi excepção...


...e pelas 22 horas, a Jo-Jo's brindou-nos com um "Porto de Honra", uma exposição fotográfica de Pedro Sottomayor intitulada "Paleta de Sons" (com registos efectuados em 2005, em sessões de Pop e Jazz, em diversas salas do país), e ainda, com uma actuação tão intimista como minimalista de Old Jerusalem (na fotografia). Soberbo!

Sobre Old Jerusalem, ou será preferível dizer, Francisco Silva, muito havia para dizer. Sintetizando, este senhor é "vizinho" e cliente habitual da "aniversariante". Dois albuns editados: "April" e "Twice the Humbling Sun". Um registo forte, um som com uma presença firme e envolvente (em contraste com o showcase de ontem, em que a voz e a guitarra actuaram sozinhas e sem qualquer amplificação). Ambos os trabalhos são marcadamente originais; a coerência da composição denota um salto de maturidade neste 2.º album, definido por Mário Lopes do DNMúsica, como: "Onze canções destinadas a tatuar-nos a vida - e isso, obviamente, não se explica, vive-se.".

Em conclusão, vivam estes temas! Comprem-nos na Jo-Jo's (http://www.cdgo.com), de preferência... e ouçam-nos... recomenda-se a audição atenta naqueles dias em que...

"... Sabemos que há um tempo de luta e um tempo de espera
Aprendemos que ao contrário do que dizem
Ao contrário das frases feitas cheias de boas intenções:
O amanhã não é sempre um novo dia.
Mas muitas vezes o ontem repetido até à exaustão..."

Bom fim-de-semana!

Sérgio

15 dezembro 2005

Hold Still

Venho-vos falar de um tema incluído no último álbum do David Fonseca.

Sem me querer alongar, este último trabalho é um bom disco, mas não atinge os níveis de excelência do anterior “Sing me Something New”, comemorativo dos seus 30 anos. Tem um tema cantado em Português, o último. De qualquer forma, David Fonseca continua a orgulhar-nos de tal como ele, sermos Portugueses e entre nós termos um músico de tão grande valor. Os temas continuam coerentes, bem construídos com muito substrato e envolvência. É um não definitivo à música de plástico e de consumo fácil e rápido.

O tema de que vos quero falar chama-se “Hold Still” e é a 4.ª faixa deste “Our Heats Will Beat As One”. Trata-se de um dueto de voz do músico-autor com a Rita Pereira, a pianista escolhida por David Fonseca para gravar e participar na banda que com ele fará a tournée deste álbum (refira-se que no 1.º álbum o músico gravou-o ele mesmo na integra).
Este é um tema de eleição, de excepção, de excelência. Aconselho-vos a ouvirem-no com toda a vossa atenção. Entrem para dentro do som e interpretem o significado de cada palavra.
Façam-no no carro, com o volume bem alto e vidros fechados como se estivessem isolados do resto do trânsito. Mergulhem bem fundo nos sons e deixem as lágrimas aparecerem na retina (mas não descuidem o tráfego, caso contrário vão chorar mesmo...).
Melhor ainda: façam-no em casa, na vossa sala, com o volume elevado e não se deixem perturbar por nada. No fim, corram para aquela pessoa especial e dêem-lhe o abraço mais interminável da vossa vida... mesmo que ela não saiba que é essa pessoa!

Sérgio


Hold Still

In this little town
cars they don't slow down
The lonely people here
They throw lonely stares
Into their lonely hearts

I watch the traffic lights
I drift on Christmas nights
I wanna set it straight
I wanna make it right
But girl you're so far away

Oh, hold still for a moment and I'll find you
I'm so close, I'm just a small step behind you girl
And I could hold you if you just stood still

I jaywalk through this town
I drop leaves on the ground
But lonely people here
Just gaze their eyes on air
And miss the autumn roar
I roam through traffic lights
I fade through Christmas nights
I wanna set it straight
I wanna make it right
But man you're so far away

Oh, I'll hold still for a moment so you'll find me
You're so close, I can feel you all around me boy
I know you're somewhere out there
I know you're somewhere out there

Oh, hold still for a moment and I'll find you
You're so close, I can feel you all around me
And I could hold you if you just stood still
Oh, I'll hold still for a moment so you'll find me
I'm so close, I'm just a small step behind you
I know you're somewhere out there
I know you're somewhere out there
I know you're somewhere out there

David Fonseca

14 dezembro 2005

Felicidade: o Objectivo de Todos Nós.

Hoje de manhã fui surpreendido com um excerto de um texto de Fernando Pessoa num dos blogs mais mediáticos da web.
Há que olhar para a vida com descontração e perceber que a felicidade está presente a todo o momento no nosso caminho e não num suposto destino por nós idealizado, e que todos os obstáculos podem ser transformados em oportunidades. Aproveitem bem todos os momentos, porque não vão poder voltar atrás...
Fixem bem esta citação e nada mais vos poderá abalar:

"...Pedras no caminho? Guardo todas; um dia vou construir um castelo..."

Deixo-vos o link:

http://calimerosmix.blogspot.com/2005/12/fernando-pessoa-sempre.html

Marta, obrigado por um início de dia ainda mais bem disposto!

Sérgio

O Espírito Natalício.

E como não diria melhor, cito o meu irmão:

http://ex-sitacoes.blogspot.com/2005/12/esprito-natalcio.html#links

"...A TODOS UM BOM NATAAAAAAL, A TODOS UM BOM NATAAL...DESEJO UM BOM NATAAL PARA TODOS NÓÓS...DESEJO UM BOM NATAAL PARA TODOS NÓS..."

Sérgio